A Verdadeira Propriedade

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. A Propriedade: 4.1. Necessidade e Natureza Humana; 4.2. Propriedade Privada; 4.3. O Abuso. 5. Elucidações Espíritas: 5.1. Usufrutuário; 5.2. Inteligência, Conhecimento e Qualidades Morais; 5.3. O Desprendimento. 6. Mensagens Evangélicas: 6.1. Excesso; 6.2. Nos Problemas da Posse; 6.3. Avareza. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. Introdução

O que é a propriedade? Quais são os nossos direitos e deveres em relação à propriedade? O que realmente possuímos? O que podemos levar deste mundo?

2. Conceito

Propriedade é o direito de usar, gozar e dispor de bens e de reavê-los caso alguém os possua injustamente.

3. Considerações Iniciais

Este tema, “A Verdadeira Propriedade”, está inserido no capitulo XVI “Não se Pode servir a Deus a Mamon”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Em termos históricos, a Bíblia não é inimiga da propriedade. No Antigo Testamento, os mais queridos por Deus se nos apresentam como grandes proprietários de terras e bens materiais. (Gn 13,2; 26,12-14)

O Novo Testamento não se preocupa muito com as formas concretas de posse. Volta-se mais para o coração do ser humano, que deve estar acima de todos os bens da terra.

As sociedades modernas estimularam o consumo desenfreado: para a grande maioria, ser feliz é ter muitas posses.

O dinheiro não é riqueza. É apenas meio de troca. Observe Robinson Crusoé, cheio de ouro, na ilha deserta. Para que lhe serviria esse tesouro?

4. A Propriedade

4.1. Necessidade e Natureza Humana

O ser humano, por sua natureza (e indigência), tende a se apropriar da coisas que o cercam. De acordo com a ciência econômica, há os bens livres que não têm preço, e os bens econômicos, que são comercializados em virtude de sua escassez. Nesse sentido, o ar que respiramos não tem preço, enquanto os metais preciosos (ouro e diamante) têm preços altos.

4.2. Propriedade Privada

A propriedade privada é apenas um meio de se apropriar de um determinado bem. Assim, ela deve estar subordinada a algo mais amplo que engloba todos os seres humanos.

Santo Tomás afirma que, quando alguém se encontra em grande necessidade, pode-se apoderar de um bem sem que isso constitua um roubo. São Basílio, por sua vez, diz que os ricos que não compartilham com os pobres são ladrões, pois negam esse destino intrínseco de sua riqueza.

4.3. O Abuso

A posse de bens, que é conforme a natureza humana, não é contrária aos dogmas cristãos. A luta maior é contra o seu abuso, pois os desejos humanos são ilimitados. Não sabendo colocar um limite para a posse, pode prejudicar os ditames do coração.

5. Elucidações Espíritas

5.1. Usufrutuário

Nada nos pertence, nem o nosso próprio corpo físico. Tudo o que possuímos é um empréstimo de Deus, que o concede para sermos úteis ao nosso próximo. Sendo um empréstimo, pode nos retirar ao seu bel-prazer. Nesse caso, saibamos aceitar a sua vontade como um bem para o nosso Espírito.

5.2. Inteligência, Conhecimento e Qualidades Morais

O que levamos desta vida? Todos os bens materiais aqui ficam: casa, apartamento, fazenda, automóvel etc. De acordo com as instruções dos amigos espirituais, não levamos nada daquilo que é de uso do corpo, porém tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais.

5.3. O Desprendimento

Quanto mais temos, mais somos possuídos pelo que temos. Por isso, o profeta roga a Deus: "Livrai-me, Senhor, das minhas necessidades”. Uma advertência sempre útil é, vez ou outra, darmos uma olhada em nosso guarda-roupa, em nossa biblioteca e em nossos alimentos, no sentido de pormos em movimento o que não será por nós usado.

6. Mensagens Evangélicas  

6.1. EXCESSO

O Espírito Emmanuel, comentando a passagem “Pois que aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo e perder a sua alma?” — Jesus (Marcos, 8, 36), diz-nos que: 1) o apego ao supérfluo é introdução à loucura; 2) juntar abusivamente é motivo de aflição e inutilidade; 3) alimentos guardados, valores a caminho da podridão; 4) roupas em desuso, asilo de traças; 5) demasiados recursos amoedados, tentações para os descendentes.

Em outras palavras, quando nos agarramos ao efêmero, ao transitório, estamos no campo da ilusão. Nesse caso, convém analisarmos todo o material que amontoamos. (Xavier, 1986, cap. 73)

6.2. Nos problemas da posse

O Espírito Emmanuel, ao comentar o texto evangélico “Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele.” — Paulo (I Timóteo, 6,7), chama a nossa atenção aos desmandos intelectuais daqueles que, não importando com sua própria ruína, enlameiam também os seus familiares. Por isso, em qualquer vantagem efêmera não nos chafurdemos na comodidade, pois nada nos pertence e deveremos prestar contas de tudo o que nos foi confiado. (Xavier, 1986, cap. 119)

6.3. AVAREZA

No texto evangélico, “E disse-lhes: acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui.” — Lucas, 12,15, Emmanuel anota: 1) fujamos da retenção de qualquer coisa sem espírito de serviço; 2) as próprias águas da natureza, sem benefício algum, formam zonas infecciosas: 3) toda avareza é centralização doentia, preparando metas de sofrimento; 4) amontoar vantagens financeiras pode ser fonte de ódio dos vizinhos.

Lembra-nos que a vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas em tudo o que espalha de bem e de útil, em atendimento à vontade do Supremo Senhor. (Xavier, 1971, cap. 52) 

7. Conclusão

Em vista do exposto, desprendamo-nos dos bens que possuímos, pois assim lhe daremos uma destinação mais responsável. 

8. Bibliografia Consultada  

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

XAVIER, F. C. Palavras de Vida Eterna, pelo Espírito Emmanuel. 8. ed., Minas Gerais: CEC, 1986.

XAVIER, F. C. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1971.

São Paulo, abril de 2016. 

 

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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