Toxicomania e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Toxicomania e Droga. 4. Atuação dos Psicotrópicos no cérebro. 5. Produção e Consumo de Drogas. 6. O Alcoolismo: 6.1. Estatística; 6.2. Prevenção e Tratamento. 7. Veneno Livre. 8. Alcoolismo, tabagismo e Espiritismo. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O homem tem, desde tempos imemoriais, se utilizado das drogas, tanto as estimulantes como as depressoras, para alterar o seu humor, a sua mente e as suas sensações. Mas quais as razões que estão por detrás desta busca? Serão de ordem material? Espiritual? Ou ambas? Qual o enfoque espírita para o encaminhamento deste problema social?

2. CONCEITO

Toxicomania - do gr. tocsicon = veneno + mania = loucura, demência. É a escravização ao uso de entorpecentes. Há entorpecentes naturais, retirados de vegetais, e sintéticos, produzidos pela Química moderna. Os mais conhecidos são: o ópio, resultante da coagulação do suco de algumas espécies de papoulas; a coca, extraída de plantas eritrofiláceas; a maconha, neconha, diamba ou liamba, que é retirada da resina produzida pela floração e frutos do cânhamo "cannabis satura". Segundo sua classificação química, os entorpecentes podem ser classificados em três grandes grupos: os alcalóides (drogas alucinógenas), os barbitúricos (drogas depressoras) e as anfetaminas (drogas estimulantes) (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo).

3. TOXICOMANIA E DROGA

Eliminando-se as drogas, elimina-se o problema? É preciso ser desfeita a impressão de que o problema da toxicomania está só na droga. "A idéia de que, eliminando o psicotrópico, a toxicomania ficaria conseqüentemente eliminada tem a sua origem na idéia de que ela (a toxicomania) explica-se através do tripé: agente, hospedeiro e ambiente. Este é um modelo muito usado em saúde pública e que se aplica bem a várias doenças que acometem o ser humano. É só pensar no caso da tuberculose: o agente é o bacilo de Koch, o hospedeiro é o homem. Dependendo de circunstâncias específicas de ambiente na qual o hospedeiro está vivendo (condições de alimentação e de higiene, por exemplo) a doença tuberculose se manifesta ou não. Uma das formas de se evitar a doença é eliminar o agente... O problema em relação às drogas e que vem questionar o modelo do tripé (agente, hospedeiro e ambiente) é que drogas não são vírus nem bactérias, nem mosquitos transmissores que picam o homem sem que ele se aperceba disso nem deseje suas conseqüências. No caso de drogas, o homem é ao mesmo tempo o hospedeiro e o agente. Na medida em que tem parte ativa na procura da droga, ele compartilha com ela a função de agente" (Masur, 1993, p. 9 e 10).

Significa dizer, que não devemos atribuir às drogas, toda a culpa da toxicomania. Esta representa uma gama enorme de problemas econômicos, sociais, psicológicos e espirituais.

4. ATUAÇÃO DOS PSICOTRÓPICOS NO CÉREBRO

O nosso cérebro possui bilhões de neurônios que se interligam através dos neurotransmissores. Imaginar uma fechadura e a sua chave auxilia o nosso raciocínio. Se não houver nenhum incômodo (algum detrito), a chave abrirá a fechadura; caso haja algum grão de areia, por exemplo, o ajuste não se concretiza. As drogas psicotrópicas, por serem moléculas químicas, atuam por interferir na química cerebral (assemelham-se ao grão de areia), impedindo que a chave verdadeira (o neurotransmissor) exerça a sua ação.

Euforia, sentir-se "apagado", mudança do humor, intensificação dos sentidos, percepção de sons e visões são a tradução comportamental da desorganização da química cerebral (Masur, p. 15 a 22).

Do ponto de vista espiritual, temos de supor a epífise ou glândula pineal, localizada no centro de força coronário. Aí localiza-se a sede do Espírito. É daí que partem as ordens para os demais centros de força. Portanto, máquina poderosa que, quando violentada por pensamentos malsãos ou idéias de desencarnados ou algo forte como o tóxico, faz com que o cérebro trabalhe com sobrecarga, muitas vezes causando sérias lesões. Daí o viciado não trabalhar ou andar pouco e suas cordas vocais ficarem deficientes falando pausadamente (Machado, 1991, p. 42 e 43).

5. PRODUÇÃO E CONSUMO DE DROGAS

Os países ricos, em muitos aspectos, são responsáveis pela produção de droga nos países em desenvolvimento. Como as atividades econômicas dos países pobres são insuficientes para gerar renda e emprego que atendam às necessidades básicas, as populações destes países acabam aceitando o apelo de um poder aquisitivo mais elevado. Embora sujeitos aos riscos de tal empreendimento, para muitos é a porta de salvação monetária, levando muitos a renegar o valor moral de tal trabalho.

A questão das drogas tem sido muito mais uma questão de repressão do que de educação. Observe a guerra que se trava tanto do lado dos produtores como do lado dos consumidores. A comissão das Nações Unidas que trata das drogas e narcóticos está discutindo "a minuta de declaração sobre os princípios que irão guiar a redução da demanda por drogas". Além da redução da demanda, essa abordagem tem outra característica meritória: o afastamento de uma postura fortemente punitiva. Alega-se que se os países que têm uma alta concentração de renda, especialmente os Estados Unidos, pararem de confiar apenas na restrição brutal da oferta e na punição, igualmente brutal da demanda, muito se terá conseguido.

6. O ALCOOLISMO

6.1. ESTATÍSTICA

Pesquisas realizadas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, Cebrid, da Universidade Federal de São Paulo e pela Inter Science Informação e Tecnologia revelaram um aumento substancial do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens. A Cebrid, por exemplo, na pesquisa feita em escolas estaduais de 1º e 2º graus de dez Estados brasileiros, constatou que 19% dos jovens entre 10 e 18 anos tomam bebida alcoólica mais de seis vezes por mês, o que em termos médicos já caracteriza uso freqüente da substância. Há sete anos, esse índice era de 14%. Por outro lado, em 1995, a Inter Science entrevistando 600 adolescentes de São Paulo e do Rio de Janeiro, constatou que 42% deles tomam bebidas alcoólicas de vez em quando. Um índice bem superior ao dos que usam maconha (4%) e cocaína (1%).

6.2. PREVENÇÃO E TRATAMENTO

1) Caso tomemos bebidas alcoólicas, útil se tornar fazer o teste Cage, iniciais das palavras cut-down (diminuir), annoyed (aborrecido), guilty (culpado) e eye-opener (olho aberto). O resultado não é conclusivo, mas serve para indicar o grau de dependência com relação à bebida. Assim, quando acharmos que deveríamos parar de beber, porque bebemos demais, quando ficarmos chateados porque alguém achou que bebemos muito, quando nos sentimos culpados pela maneira de beber, ou quando bebemos logo que levantamos, devemos considerar-nos dependentes do álcool, que precisa de tratamento.

2) A medicina terrestre tem feito esforços para resolver o problema. Nos Estados Unidos, em 1984, descobriu-se a ReVia, nome comercial da Naltrexone, remédio que deveria ser usado por pessoas viciadas em heroína e que se mostrou eficaz no combate ao alcoolismo. Os pesquisadores acreditam que o medicamento deve se ligar a receptores específicos (chamados de receptores opióides) no cérebro. Essa ligação atuaria no mecanismo "craving" (compulsão, desejo incontrolável) de beber. Remédio ainda pouco eficaz, porque só atua nos momentos de crise aguda.

7. VENENO LIVRE

O Espírito Irmão X, em Cartas e Crônicas, traça alguns comentários sobre o alcoolismo. Ele começa por situar a cobra, cujo bote comumente não alcança mais que uma só pessoa, é combatida a vara de ferro, porrete, pedra, armadilha etc., "mas o álcool, que destrói milhares de criaturas, é veneno livre, onde quer que vá, e, em muitos casos, quando se fantasia de champanhe ou de uísque, chega a ser convidado de honra, consagrando eventos sociais. Escorrega na goela de ministros com a mesma sem-cerimônia com que desliza na garganta dos malandros encarapitados na rua. Endoidece artistas notáveis, desfibra o caráter de abnegados pais de família, favorece doenças e engrossa a estatística dos manicômios...

... Entretanto, nós, meu amigo, integrados no conhecimento da reencarnação, estamos cientes de que o álcool, intoxicando temporariamente o corpo espiritual, arroja a mente humana em primitivo estados vibratórios, detendo-a, de maneira anormal, na condição de qualquer bicho" (Xavier, 1974, cap. 18, p. 81 a 83).

8. ALCOOLISMO, TABAGISMO E ESPIRITISMO

O vício do fumo e do álcool, do ponto de vista espiritual, é uma responsabilidade do próprio Espírito. Muitas vezes culpamos o meio ambiente, a televisão, o rádio e o cinema, mas esquecemo-nos de que temos o livre-arbítrio e a vontade de o evitar. O espírita tem outras razões para serem analisadas: uma delas, é o fato de poder ter sido um viciado numa encarnação anterior. Quando reencarna, reencarna com tendência ao alcoolismo ou ao tabagismo; a outra, não menos importante, é a influência dos Espíritos obsessores que nos induzem a consumir esta ou aquela droga com a intenção de usufruírem das substâncias que delas são emanadas.

9. CONCLUSÃO

A prece, a boa leitura e os bons conselhos ajudam. Mas, somente conseguiremos bom êxito, quando nos conscientizarmos de envidar todos os esforços necessários para nos libertarmos da escravidão que tais vícios nos engendram.

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro, M.E.C., 1967.

MACHADO, I. P. Driblando a Dor, pelo Espírito Luiz Sérgio. Brasília, Recanto, 1991.

MASUR, J. O Que é Toxicomania. 5. ed., São Paulo, Brasiliense, 1993. (Coleção Primeiros Passos, n.º 149)

XAVIER, F. C. Cartas e Crônicas, pelo Espírito Irmão X. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1974.

São Paulo, Dezembro de 1998 

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