Teoria Magnética e do Meio Ambiente

Sérgio Biagi Gregório

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é refletir sobre as duas objeções, mais comuns e lógicas, feitas na época da codificação: a teoria magnética e a teoria do meio ambiente.

2. CONCEITO

Teoria magnética – O médium tira de si mesmo o conteúdo das manifestações dos Espíritos.

Teoria do meio ambiente – O médium, em vez de tirar as comunicações de si mesmo, tira-as das pessoas ao seu derredor.

3. VISÃO HISTÓRICA DO MAGNETISMO

Para Platão (427-347 a.C.), o magnetismo transcende o plano dos efeitos da mecânica e assume um papel à parte no estudo dos fenômenos naturais. Para Aristóteles (384-322 a.C.), há uma analogia entre a ação da Alma e o surgimento de um movimento quando o ferro está próximo de um imã. Para Lucrécio (98-55 a.C.), a discussão do fenômeno da atração do Ferro pela magnetita reflete as idéias atomistas da época. Hipócrates (460-377 a.C.) e Galeno (201-131 a.C.), por seu turno, sugerem a utilização da magnetita como forma de tratamento de humores e feridas.

A concepção de magnetismo até 1600 caracteriza-se como uma concepção do realismo ingênuo, em que são discutidas: 1) as forças magnéticas podem atuar sobre o organismo humano; 2) características divinas do imã; 3) ímã possui influência sobre pessoas.

Depois de 1600, o magnetismo volta a ser estudado, mas de forma racional. Galileu (1564-1642) funda a nova ciência. Coulomb (1736-1806), Gauss (1777-1855) e Faraday (1791-1867) preocupam-se com uma maior abstração do conceito de magnetismo, afastando-se do concreto.

A Biologia, final do século XVIII, começa a surgir de forma sistemática e dentro do novo conceito moderno de ciência: idéias classificatórias dos seres vivos - Lineu (1707-1778); processos evolutivos - Lamark (1744-1829).

Paralelamente, Franz Anton Mesmer (1734-1815) iniciou uma série de tentativas de curas medicinais utilizando ímãs, obtendo curas consideradas surpreendentes para a época (1775).

Conceito de magnetismo animal: Idéias basicamente fundamentadas numa visão realista e ingênua do magnetismo. Abandonado pela ciência racionalista.

4. AS TEORIAS EXPLICATIVAS DAS COMUNICAÇÕES DOS ESPÍRITOS

William Crookes fala em Oito Teorias (seis das quais pertencem aos opositores do Espiritismo), que seriam capazes de explicar todos os fenômenos espiríticos.

Primeira Teoria. Os fenômenos seriam o "resultado de fraude, de hábeis disposições mecânicas ou de prestidigitação". Os médiuns seriam "impostores" e "imbecis" os assistentes.

Segunda Teoria. As pessoas que assistem a sessões seriam "vítimas de uma espécie de loucura ou de ilusão" e julgariam como realidade fenômenos inexistentes.

Terceira Teoria. Os fenômenos seriam o "resultado da ação consciente ou inconsciente do cérebro".

Quarta Teoria. Os fenômenos seriam o resultado do estado em que ficaria o Espírito do médium, o qual talvez se associasse ao estado de ânimo das pessoas presentes ou de algumas apenas.

Quinta Teoria. Os fenômenos seriam devidos à "ação dos maus Espíritos ou então do Diabo", os quais, com o intuito de "minar as bases do Cristianismo e por a perder as almas dos homens", se manifestariam por quem lhes aprouvesse e da maneira como quisessem.

Sexta Teoria. Os fenômenos seriam produzidos por determinada classe de seres , que, vivendo na Terra, mas sendo imateriais e invisíveis, seriam contudo capazes, em alguns casos, de provocar a própria presença.

Sétima Teoria. Os fenômenos seriam levados à conta de intervenção dos mortos, o que constituiria a teoria espiritual por excelência.

Oitava Teoria. É a teoria da força psíquica: o médium ou os assistentes julgaria possuir uma "força, um poder, uma influência, uma virtude ou um dom" por meio dos quais seres inteligentes poderiam produzir os fenômenos.

Além destas teorias, poderíamos acrescentar mais uma, a da Emergência, proposta em 1934 pelo cientista inglês C. D. Broad, a qual consistiria em ser a entidade comunicante formada em parte pela personalidade do médium e em parte pela da do Espírito comunicante (sobrevivente, mas privado por si de eficiência e de consciência, segundo o mesmo cientista) (Paula, 1976)

5. TEORIA MAGNÉTICA E ESPIRITISMO

5.1. TIPOS DE MAGNETISMO

1) Magnetismo físico: fluido emanado do ferro magnético e dos ímãs, que tem a propriedade de atrair outros metais e de orientar a agulha magnética em direção Norte-Sul.

2) Magnetismo animal: segundo os adeptos do ocultismo, existe no indivíduo uma força latente que poderia ser emitida mediante a ação da vontade. Esta força diz-se apresentar analogia com a eletricidade e o magnetismo mineral e existir em todos os seres vivos no estado estático e no estado dinâmico, circulando ao longo das fibras nervosas e irradiando para o exterior pelos olhos, pelas pontas dos dedos e pela boca, com maior ou menor intensidade da vontade. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

3) Magnetismo vital, ou psicodinâmico (Boirac, 1908) fluido: conjunto dos fenômenos psíquicos que seriam explicáveis pela teoria do magnetismo mineral e pelo magnetismo animal e que se referem ao pêndulo e à radiestesia.

5.2. O MAGNETISMO ANIMAL APLICADO À MEDIUNIDADE

Segundo esta teoria, "todas as manifestações atribuídas aos Espíritos seriam apenas efeitos magnéticos. Os médiuns ficariam num estado que se poderia chamar de sonambulismo acordado, fenômeno conhecido de todos os que estudaram o magnetismo. Nesse estado, as faculdades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal, os círculos de percepção intuitiva se ampliam além dos limites de nossa percepção ordinária. Dessa maneira, o médium tiraria de si mesmo e por efeito de sua lucidez tudo quanto diz e todas as noções que transmite, mesmo sobre as coisas que lhe sejam mais estranhas no estado normal". (Kardec, 1995, p. 44)

5.3. A TEORIA MAGNÉTICA ANTE O ESPIRITISMO

Como surgiu a Doutrina Espírita? Dos médiuns, onde a teoria magnética realça a lucidez. Allan Kardec diz: "Se, portanto, essa lucidez é tal como a supondes, por que teriam eles atribuído aos Espíritos aquilo que teriam tirado de si mesmos? Como teriam dado esses ensinamentos tão preciosos, tão lógicos, tão sublimes sobre a natureza das inteligências extra-humanas? De duas, uma: ou eles são lúcidos, ou não são. Se o são, e se podemos confiar na sua veracidade, não se poderia admitir sem contradição que não estejam com a verdade. Em segundo lugar, se todos os fenômenos provêm do médium, deviam ser idênticos para um mesmo indivíduo e não se veria a mesma pessoa falar linguagens diferentes, nem exprimir alternadamente as coisas mais contraditórias". (1995, p. 45)

6. TEORIA DO MEIO AMBIENTE E O ESPIRITISMO

6.1. O QUE É

Segundo esta teoria, o médium é ainda fonte das manifestações, mas em vez de tirá-las de si mesmo, tira-as do meio ambiente.

6.2. O MÉDIUM COMO ESPELHO REFLETOR DE TODAS AS IDÉIAS

"O médium seria uma espécie de espelho refletindo todas as idéias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercam: nada diria que não fosse conhecido de pelo menos de algumas delas". (Kardec, 1995, p. 45)

6.3. A INTERPRETAÇÃO ESPÍRITA

"Não se poderia negar, e vai mesmo nisto um princípio da Doutrina, a influência exercida pelos assistentes sobre a natureza das manifestações. Mas essa influência é bem diversa do que se pretende e entre ela e a que faria do médium um eco dos pensamentos alheios, há grande distância, pois milhares de fatos demonstram peremptoriamente o contrário". (Kardec, 1995, p. 45)

7. TEORIA ESPÍRITA

7.1. A TEORIA ESPÍRITA NÃO É UM COMPÊNDIO HUMANO

Enquanto as diversas acepções acerca do Espírito e da mediunidade traduzem as opiniões humanas para explicar um fato, a Doutrina Espírita foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém a imaginava e a opinião geral até mesmo a repelia. Pergunta-se: onde os médiuns foram buscar uma doutrina que não existia na cabeça de ninguém sobre a face da Terra?

7.2. A INDIVIDUALIDADE MANIFESTANTE

A individualidade do Espírito manifestante é um fato. Para esta explicação, daremos dois exemplos: 1) As pancadas, por exemplo, não demonstram nenhuma intervenção do pensamento do médium, cuja significação não poderia conhecer previamente; 2) por que a inteligência que se manifesta, qualquer que seja recusa-se a responder a algumas perguntas sobre assuntos perfeitamente conhecidos, como por exemplo, o nome ou a idade do interrogante, o que ele traz na mão, o que ele fez na véspera, o que ele pretende fazem amanhã e assim por diante? Se o médium é o espelho do pensamento dos presentes, nada lhe seria mais fácil de responder.

7.3. CETICISMO NEM SEMPRE É OPOSIÇÃO SISTEMÁTICA

O Ceticismo, no tocante à Doutrina Espírita, quando não resulta de uma oposição sistemática, interesseira, provém quase sempre de um conhecimento incompleto dos fatos, o que não impede algumas pessoas de liquidarem a questão como se a conhecessem. Por isso, Allan Kardec diz: "A verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos, e os conhecimentos que esse ensinamento encerra são muito sérios para serem adquiridos por outro modo que não por um estudo profundo e continuado, feito no silêncio e no recolhimento". (1995, p. 48)

8. CONCLUSÃO

Rendamo-nos aos argumentos espíritas, porque neles há um perfeito ensinamento que orientará os nossos passos para o verdadeiro caminho, o caminho da verdade e da vida, rumo ao encontro do Mestre Jesus.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

PAULA, J. T. Dicionário Enciclopédico Ilustrado de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia. 3. ed. São Paulo: Bels, 1976.

São Paulo, dezembro de 2000. 

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