Prolegômenos

Sérgio Biagi Gregório

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste tema, como o próprio nome diz, é apresentar, em linhas gerais, o caráter e o escopo da Doutrina Espírita.

2. CONCEITO

Prolegômenos – do grego prolegomena, coisas que se dizem antes. Exposição preliminar dos princípios gerais de uma ciência ou arte. Introdução geral de uma obra.

3. ASPECTOS GERAIS

Allan Kardec, assessorado pelos Espíritos superiores, trouxe-nos os subsídios básicos para o encaminhamento de nosso pensamento, tanto no que diz respeito às coisas do Espírito, quanto às de cunho puramente material, pois estas não existem sem as primeiras.

Baseando-se no diálogo socrático, de perguntas e respostas, constrói um saber de caráter universal. O seu esforço maior foi o de captar as mensagens dos benfeitores espirituais, sem mescla de seu personalismo ou das suas idéias preconcebidas. Por isso, sempre dizia e, com muita razão, que a Doutrina não era sua, mas dos habitantes do outro mundo, o mundo dos Espíritos.

4. OS FENÔMENOS

4.1. PERCEPÇÃO SENSORIAL E PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL

Quando algo nos foge da percepção sensorial, servimo-nos das explicações extra-sensoriais, tais como, a telepatia, a premonição, a telecinesia etc., longamente testadas por J. B. Rhine, nos Estados Unidos da América. Contudo, na época da codificação, os fenômenos mediúnicos eram atribuídos ao magnetismo, à bruxaria, ao possesso.

Como a verdade não admite contestação, essas explicações do sobrenatural cederam lugar à Doutrina Espírita, onde Allan Kardec procurou estudar pormenorizadamente cada ocorrência, para lhe dar um cunho universal, baseado nos fatos e não em opiniões individuais.

4.2. CAUSA E EFEITO

Como se verá ao longo do livro, Allan Kardec procurou sempre relacionar o efeito à causa. Diz, com veemência, que se o efeito é inteligente a causa também o será, pois se assim não acontecer, não haverá coerência no afirmado. Além do mais, os fenômenos podem ser repetidos, não só em França e nos Estados Unidos, mas em todos os recantos do Planeta Terra. Eles devem proceder do mesmo princípio, sem o qual haverá contradição.

4.3. OS TEMPOS ESTÃO CHEGADOS

De acordo com o Evangelho de Jesus, quando chegasse o momento oportuno, a divindade nos enviaria o Consolador Prometido, o Parácleto, em que nos lembraria dos ensinamentos do cristianismo primitivo e nos daria oportunidade de obter novos conhecimentos acerca da vida presente e da futura.

O Consolador Prometido é o Espiritismo que, através de seus pressupostos, faz-nos apreender uma nova ordem de idéias, que nos darão força para enfrentar destemidamente todos os obstáculos que a matéria nos proporciona.

5. O COMPÊNDIO DE SEUS ENSINAMENTOS

5.1. O LIVRO ESTÁ DIVIDIDO EM QUATRO PARTES:

Livro Primeiro: as Causas Primárias (Deus, Elementos Gerais do Universo, Criação, Princípio Vital)

Livro Segundo: Mundo Espírita ou dos Espíritos (Dos Espíritos, Encarnação dos Espíritos, Retorno da Vida Corpórea à Vida Espiritual, Pluralidade das Existências, Considerações sobre a Pluralidade das Existências, Vida Espírita, Retorno à Vida Corporal, Emancipação da Alma, Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo, Ocupações e Missões dos Espíritos, Os Três Reinos)

Livro Terceiro: As Leis Morais (Lei Divina ou Natural, Lei de Adoração, Lei do Trabalho, Lei de Conservação, Lei de Destruição, Lei de Sociedade, Lei de Progresso, Lei de Igualdade, Lei de Liberdade, Lei de Justiça, Amor e Caridade, Perfeição Moral)

Livro Quarto: Esperanças e Consolações (Penas e Gozos Terrenos, Penas e Gozos Futuros)

5.2. LIVRE DOS PREJUÍZOS DO ESPÍRITO DE SISTEMA

"Este livro é o compêndio dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a expressão do seu pensamento e não tenha sofrido o seu controle. A ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem a única obra daquele que recebeu a missão de o publicar". (Kardec, 1995, p. 50)

Observação: espírito de sistema é ficar preso a um sistema de idéias, geralmente de um autor, como, por exemplo, Descartes, Kant, Espinosa etc.

5.3. QUANTIDADE DE ESPÍRITOS

"No número dos Espíritos que concorreram para a realização desta obra há muitos que viveram em diferentes épocas na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria. Outros não pertencem, por seus nomes, a nenhum personagem de que a História tenha guardado a memória, mas a sua elevação é atestada pela pureza de sua doutrina e pela união com os que trazem nomes venerados". (Kardec, 1995, p. 51)

6. A MISSÃO DE ESCREVER O LIVRO

6.1. ZELO E PERSEVERANÇA

"Ocupa-te, com zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, porque esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e que um dia deverá reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade; mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de controlar todos os detalhes. Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudar nos demais trabalhos, porque esta não é mais do que uma parte da missão que te foi confiada e que um de nós já te revelou". (Kardec, 1995, p. 51)

6.2. A PARREIRA

"Porás no cabeçalho do livro o ramo de parreira que te desenhamos, porque é ele o emblema do trabalho do Criador. Todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nele se encontram reunidos: o corpo é o ramo; o espírito é a seiva; a alma, ou o espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos". (Kardec, 1995, p. 51)

6.3. ESPÍRITOS AUXILIARES

São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luiz, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg etc.

7. CONCLUSÃO

Essas orientações, que os Espíritos superiores deram a Allan Kardec, quando da codificação da Doutrina, deveria servir como norma de conduta para todo o Espírita sincero.

8. BIBLIOGRAFIA

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

São Paulo, dezembro de 2000

 

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