Observai os Pássaros do Céu

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Significado. 3. Considerações Iniciais. 4. O Texto Evangélico. 5. Lei Natural: 5.1. Providência Divina; 5.2. Necessário e Supérfluo; 5.3. A Terra e o Progresso. 6. Tópicos Extraídos do Texto Evangélico: 6.1. Acumular Tesouros no Céu; 6.2. Observai os Pássaros do Céu; 6.3. Buscar o Reino de Deus. 7. Ensinamentos do Espírito Emmanuel: 7.1. Riqueza para o Céu; 7.2. Céu com Céu; 7.3. Saibamos Confiar. 8. Conclusão. 9. Bibliografia Consultada.  

1. INTRODUÇÃO  

O que significa “os pássaros do céu”? Que tipo de simbologia esta frase embute? O que é simbologia? Como está expresso o texto evangélico? Ele nos induz à indolência? Como interpretar, sob a ótica espírita, essa passagem evangélica? 

2. SIGNIFICADO 

Pássaro. Simbolicamente, sempre foi associado ao céu; por sua natureza volátil, é considerado como o intermediário entre o céu e a terra, como a personificação do imaterial, sobretudo da alma. 

Céu. Simbolicamente, é uma manifestação direta da transcendência, do poder, da perenidade, da sacralidade: aquilo que nenhum vivente da terra é capaz de alcançar.  Enquanto regulador da ordem cósmica, o céu foi considerado como o pai dos reis e dos senhores da terra. (1) 

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS  

O ser humano é um ser simbólico por natureza. Entre os muitos símbolos, estão os inerentes à criação, geralmente transformados em mitos. Um exemplo clássico é o mito do Adão e Eva.  

Há, no âmago do mito, muitas verdades. Para descobri-las, é preciso buscar o fundo da coisa, a origem do processo, observando, inclusive, a época em que aquele conhecimento foi ventilado.  

Jesus não fugia às regras da sociedade em que vivia: seus conhecimentos eram transmitidos por parábolas, meio de comunicação da época.  

Nessa passagem evangélica, há que se ater ao símbolo, não resta dúvida, mas interpretá-lo à luz dos conhecimentos atuais, principalmente com o auxílio dos benfeitores espirituais.  

4. O TEXTO EVANGÉLICO  

Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; - acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem; - porquanto, onde está o vosso tesouro aí está também o vosso coração.

Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?

Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? - e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura?

Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; - entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. - Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé! 

Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? ou: que beberemos? ou: de que nos vestiremos? - como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidades delas.

Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. - Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal. (Mateus, cap. VI, vv. 19 a 21 e 25 a 34.) (2) 

5. LEI NATURAL  

5.1. PROVIDÊNCIA DIVINA 

Os dizeres dessa passagem evangélica nada mais são do que um símbolo referente à Providência Divina. A Natureza nos provê a matéria prima, os elementos para serem transformados pelo uso da inteligência humana. Não deve ser interpretado como uma espécie de comodismo, em que ficamos esperando o maná cair do céu. Deus provê os recursos; por isso, devemos confiar na Divina Providência. A confiança, porém, não nos eximi do trabalho a ser realizado.  

5.2. NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO 

No tocante à Lei do Trabalho, recordemos do elemento necessidade. O que se entende por necessidade? É a consciência de que nos falta algo. Conforme a sociedade se desenvolve, as necessidades também se ampliam. Por isso, o cuidado de diferenciar o necessário do supérfluo. Por quê? Porque podemos estimular os nossos desejos de posse, de egoísmo, de vaidade, buscando não aquilo que pode suprir as nossas necessidades mais prementes, mas o supérfluo, aquilo que pode atrapalhar a nossa caminhada na evolução espiritual.  

5.3. A TERRA E O PROGRESSO 

O Progresso é inexorável. Podemos olvidá-lo momentaneamente, mas seremos tragados por ele. Observe a vinda dos computadores. Quantos de nós, com uma idade mais avançada, não os criticamos e os renegamos como ferramenta de trabalho e de lazer? Com o passar do tempo, fomos nos adaptando ao teclado e à Internet. O Planeta Terra produzirá o suficiente para toda a humanidade. Para tanto, urge administrá-lo com sabedoria e competência.  

6. TÓPICOS EXTRAÍDOS DO TEXTO EVANGÉLICO  

6.1. ACUMULAR TESOUROS NO CÉU  

O texto evangélico diz que deveríamos acumular tesouros no céu, pois lá não há vermes para corroer o dinheiro. Em realidade, há uma diferença de planos. No plano terrestre, estamos sujeitos à lei da matéria: devemos atendê-la, suprindo as nossas necessidades de alimentação, vestuário, lazer etc. No plano espiritual, o que se nos pede é que saibamos dar a esses bens um valor menor do que aos bens espirituais. Por isso, acumular tesouros no céu (entendido como aquisição de sabedoria).  

6.2. OBSERVAI OS PÁSSAROS DO CÉU  

É uma forma romântica de enfatizar a confiança na Divina Providência. Às vezes, passamos por dificuldades financeiras, tendo como consequência a falta de alimento, vestuário e moradia. Nesse momento crucial, voltemo-nos ao Criador, solicitando-lhe, através da prece, forças para suportar a nossa provação, para o cumprimento dos seus desígnios, tendo em mente que nada acontece por acaso. Assim sendo, acalmemos o nosso coração e lancemos uma luz na escuridão de nossa alma. Lembremo-nos da frase lapidar: “Pensa em Deus primeiro”.   

6.3. BUSCAR O REINO DE DEUS 

Buscar primeiramente e Reino de Deus e tudo o mais virá por acréscimo. O reino de Deus não é um lugar circunscrito, mas "obra divina no coração dos homens", ou seja, a edificação da sabedoria e a conquista do amor, através do trabalho incessante na prática do bem. É o desapego aos bens materiais, o perdão às ofensas dos inimigos, enfim, é a lembrança das Leis Divinas ou Naturais, gravadas por Deus em nossa consciência. Nesse sentido, todo o esforço despendido em auxiliar o próximo, em silenciar uma crítica, em pensar duas vezes antes de querelar com o vizinho assume papel relevante na prática da perfeição.  

7. ENSINAMENTOS DO ESPÍRITO EMMANUEL  

7.1. RIQUEZA PARA O CÉU  

O Espírito Emmanuel pede-nos para não nos afligirmos com a prosperidade alheia, pois isso nada mais é do que um sentimento de inveja, egoísmo, característica dos homens impiedosos. A doutrina cristã exorta-nos a ter pena deles, pois podem estar obtendo esses recursos sem o condão da moral.  

“Acumulemos valores íntimos para comungar a glória eterna”: bondade e cultura, compreensão e simpatia e educação pessoal. (3) 

7.2. CÉU COM CÉU  

Nessa lição, o espírito Emmanuel lembra-nos de que em todas as fileiras cristãs há os crentes que se insurgem contra todos aqueles que, pelo trabalho e pelo devotamento, receberam maiores possibilidades na Terra. Ao contrário, deveríamos dilatar os valores do bem, pois quem trabalha em sua propagação amontoa riquezas nos Cimos da Vida.  

“É da lei que o Divino se identifique com o que seja Divino, porque ninguém contemplará o céu se acolhe o inferno no coração”. (4) 

7.3. SAIBAMOS CONFIAR  

Ao comentar essa passagem evangélica, Emmanuel exorta-nos à confiança no Divino Amigo. Não andeis, pois inquietos. Jesus não recomenda indiferença, irresponsabilidade. Pede-nos que, através da vigilância, combatamos o pessimismo crônico. Em nossa jornada, encontraremos pântanos, espinhos e ervas daninhas. Diante de cada dificuldade, procuremos renovar as nossas atitudes mentais para o bem. (5) 

8. CONCLUSÃO 

Olhemos as coisas da Terra sob o ponto de vista dos Espíritos superiores. Assimilando-lhes os ensinamentos, estaremos nos capacitando para entrar no reino de Deus, no sentido de que o Divino se identifique com o que seja Divino.  

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 

(1) CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1998.

(2) KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

(3) XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, s.d.p., cap. 177.
(4) XAVIER, F. C. Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977, cap. 156
(5) XAVIER, F. C. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1971, cap. 86.

São Paulo, junho de 2013.

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