Metafísica

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico. 4. Metafísica: 4.1. Origem do Termo; 4.2. Divisão da Metafísica; 4.3. Além da Matéria. 5. Depreciando e Reverenciando a Metafísica: 5.1. Sinônimo de Sobrenatural; 5.2. Depreciação do Termo; 5.3. Reverenciando a Metafísica. 6. A Metafísica Espírita: 6.1. Teoria Espírita do Conhecimento; 6.2. Ontologia Espírita; 6.3. Deus. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O que se entende por metafísica? É tudo aquilo que está além da física? Como surgiu este termo? Como você explicaria a metafísica espírita?

2. CONCEITO

Ciência dos entes espirituais ou incorpóreos, das coisas abstratas, intelectuais. Doutrina da essência das coisas. Conhecimento das coisas primárias e dos primeiros princípios. Ciência primeira, por ter como objeto o objeto de todas as outras ciências, e como princípio um princípio que condiciona a validade de todos os outros.

3. HISTÓRICO

Em termos históricos, Tales de Mileto é o primeiro dos metafísicos, pois ele quis achar a substância primeira, a physis, de onde tudo se originava. Pensou que este elemento primordial fosse a água, porque esta poderia se transformar em gelo (matéria sólida) pelo esfriamento e em ar (matéria gasosa) pelo aquecimento. Estava dada a partida para a busca da origem, do arqué, do princípio das coisas.

Sócrates e Platão não trataram diretamente da metafísica, mas forneceram subsídios úteis (Teoria das Idéias) à compreensão do tema. Para Aristóteles, a Metafísica é a ciência que estuda todas as causas, todos os princípios, todas as substâncias. Para Aristóteles, a Metafísica é a ciência primeira no sentido de fornecer a todas as outras o fundamento comum, ou seja, o objeto a que todas elas se referem e os princípios dos quais todas dependem.

Na Idade Média, a Metafísica permanece por longo tempo no campo da religião. Descartes, por sua vez, retoma o sentido filosófico, e afirma que o conhecimento de Deus e da alma é alcançado "pela razão natural". Depois de Descartes apareceram outros racionalistas. Kant, por exemplo, achava que o conhecimento depende apenas da razão, independentemente das experiências. Hegel, na sua dialética idealista e Marx, na sua dialética materialista, dão também as suas contribuições para a compreensão do tema.

4. METAFÍSICA

4.1. ORIGEM DO TERMO

Foi por acidente livresco que se deu o nome de Metafísica à filosofia primeira, isto é, ao estudo sistemático dos problemas fundamentais relativos à natureza última da realidade e do conhecimento humano. Isso deveu a Andrônico de Rodes que, no século I de nossa era, classificou a obra de Aristóteles, colocando os livros da filosofia primeira depois dos de física e se referiu a eles como "os que estão atrás da física" (tà metà tà physikà). Desde essa época, a metafísica é a parte da filosofia que se ocupa do que está mais além do ser físico enquanto tal.

4.2. DIVISÃO DA METAFÍSICA

A metafísica pode ser dividida em três partes: 1) ontologia (teoria do ser); 2) gnosiologia (teoria do conhecimento); 3) teoria do primeiro princípio do conhecimento e do ser (absoluto, Deus). O fato de esta palavra referir-se tanto à ontologia, como à gnosiologia, e mesmo a Deus, dificulta a definição rigorosa da mesma.

4.3. ALÉM DA MATÉRIA

A metafísica, no sentido de "tudo o que está além da matéria", coincide com o próprio desenrolar da filosofia. Observe que a filosofia surgiu como uma tentativa de explicar o mundo e sua origem a partir da razão e não por intermédio do oráculo, do mito. No mito a verdade é revelada pelos deuses; na metafísica ela deve ser buscada, achada com o recurso da razão, com o esforço do ser humano.

5. DEPRECIANDO E REVERENCIANDO A METAFÍSICA

5.1. SINÔNIMO DE SOBRENATURAL

Algumas pessoas entendem o termo "metafísico" como sinônimo de "sobrenatural". Daí, a preferência pelo uso de "filosofia" e "filosófico" em lugar de "metafísica" e "metafísico".

5.2. DEPRECIAÇÃO DO TERMO

Atribui-se a Charles Bowen, juiz britânico do século XIX, a definição de metafísico como "um homem cego num quarto escuro, que procura um gato preto que não está ali". Há também um complemento desta frase: "teólogo é a pessoa que acha o gato".

Augusto Comte, o fundador do positivismo na França, deslocou o absoluto para a região das fantasias. Bem antes dele, porém, Hume, em seu Ensaio sobre o Espírito Humano, dissera: "Quando, convictos da doutrina aqui ensinada, penetramos numa biblioteca, que destruição devemos causar? Tomemos o livro de teologia ou de metafísica e perguntemos: contém investigações sobre grandeza e números? Não. Contém o resultado de experiências acerca de fatos e realidades existentes? Não. Jogue-se então o livro ao fogo, porque não poderá conter nada além de sofisticarias e mistificações". (Barreto, 1977, p.188)

5.3. REVERENCIANDO A METAFÍSICA

O filósofo americano Hilary Putman diz: "Se eu tivesse a coragem de ser um metafísico, então acho que criaria um sistema no qual não haveria nada além de deveres. A metafísica, na imagem que eu criaria, seria definir o que deveríamos fazer". Para fundamentar o seu pensamento, afirma que todos os "fatos" se dissolveriam em "valores".

6. A METAFÍSICA ESPÍRITA

Perscrutando O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, podemos construir o edifício metafísico do Espiritismo, porque ali vamos encontrar explicações sobre Deus, Espírito e Matéria, entre outros.

6.1. TEORIA ESPÍRITA DO CONHECIMENTO

A maneira pela qual se adquire o conhecimento é de vital importância não só para a Filosofia como para todos nós. De acordo com a tradição filosófica, há duas formas de se apreender o conhecimento: 1ª) a platônica ou socrático-platônica, que envolve a questão da reminiscência das idéias (conhecemos pelo Espírito); 2ª) a sofística ou empírica, que se refere apenas aos nossos sentidos (conhecemos pelos sentidos). Daí, a pergunta: conhecemos pelo corpo ou pelo Espírito?

Para o Espiritismo, o homem é essencialmente um Espírito. O Espírito é a substância do homem e o corpo o seu acidente. Nesse caso, a percepção é uma faculdade do Espírito e não do corpo. É uma faculdade geral do Espírito que abrange todo o seu ser.

6.2. ONTOLOGIA ESPÍRITA

Ontologia é a parte da filosofia que trata do ser enquanto ser. Na Filosofia Espírita, cada criatura humana é um ser espiritual, mas é também um ser físico ou um ser corporal. A ligação entre o ser espiritual e o ser físico é feita através do perispírito (corpo perispiritual). Desta forma, o ser não é apenas o Espírito, é também o perispírito e o corpo vital.

6.3. DEUS

No que tange ao conhecimento do Ser Supremo (Deus), a Doutrina Espírita afirma que quando o nosso Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria, teremos condições de penetrar no mistério da divindade. Por enquanto devemos nos contentar com o conhecimento de seus atributos, ou seja, Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo poderoso, e soberanamente justo e bom.

7. CONCLUSÃO

A metafísica é a ciência das causas primeiras. A Doutrina Espírita fornece-nos subsídios valiosos para a compreensão deste tema. Basta consultarmos as obras básicas da Codificação, principalmente O Livro dos Espíritos

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BARRETO, Tobias. Estudos de Filosofia. 2. ed., São Paulo, Grijalbo; Brasília, INL, 1977.

DUROZOI, G. e ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Tradução de Marina Appenzeller. Campinas, SP: Papirus, 1993

ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. São Paulo: Encyclopaedia Britannica, 1987.

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.].

PIRES, J. H. Introdução à Filosofia Espírita. São Paulo: Paidéia, 1983.

São Paulo, novembro de 2009.

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