Magnetismo, Hipnotismo e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

RESUMO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Magnetismo: 4.1. Magnetismo não é Fenômeno dos Dias Presentes; 4.2. Qualidade dos Bons Magnetizadores; 4.3. O Poder de Magnetizar não é Exclusivo dos Seres Humanos. 5. Hipnotismo: 5.1.  As Origens Alquímicas do Hipnotismo; 5.2. Evolução das Ideias sobre o Hipnotismo; 5.3. Diferença entre Magnetismo e Hipnotismo. 6. Magnetismo, Hipnotismo e Espiritismo: 6.1. Magnetismo Espiritual: 6.2. O Processo de Cura, Segundo o Espiritismo; 6.3. Magnetizador Versus Médium Curador. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O que é magnetismo? E hipnotismo? São fenômenos apenas dos nossos dias? O poder magnético pertence apenas ao ser humano? Como os fenômenos de magnetismo e hipnotismo se sucederam ao longo do tempo? Como analisá-los sob a ótica da Doutrina Espírita?

2. CONCEITO

Magnetismo. Magnético e magnetismo tem relação com as propriedades do ímã: ferro magnético, atração magnética. Fig. Pessoa que exerce influência profunda e que verga a vontade de outrem à sua. Ocultismo. Força vital no ser humano, que apresenta analogia com a eletricidade e o magnetismo mineral, podendo ser irradiada para o exterior pelos olhos, pelas pontas dos dedos e pela boca, com maior ou menor intensidade da vontade.

Hipnotismo. Hipnos é o Deus do sono na Mitologia Grega. Hipnose. Psiq. Estado particular de estreitamento e turvação da consciência, artificialmente provocado no qual a atividade do pensamento e da vontade próprios estão consideravelmente limitados e substituídos pelas ideias, sensações e ordens dadas (sugeridas) pelo hipnotizador. Hipnotismo é o sono sonambúlico provocado.  São os vários processos, pelos quais uma pessoa dotada de grande força de vontade exerce sua influência sobre outras pessoas de ânimo mais débil, numa espécie de êxtase (ou transe).

 

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 

Magnetismo e hipnotismo são termos que andam juntos, e muitas vezes um se confunde com o outro. Basta observarmos toda a problemática que envolve a cura das doenças: ora se fala de magnetismo, ora de hipnotismo.

 

Pretendemos, neste pequeno estudo, aprofundar cada um desses termos, tentar fazer uma distinção entre um significado e outro, para, depois, passar à interpretação espírita questão.

 

No Espiritismo, aceita-se a tese da existência de Espíritos e sua influência sobre os Espíritos encarnados. Para tanto, os Centros Espíritas, em geral, dispõem de trabalhos de “passes”, para auxiliar na cura das doenças, tanto do corpo como da alma.

 

4. MAGNETISMO

 

4.1. MAGNETISMO NÃO É FENÔMENO DOS DIAS PRESENTES.

 

O magnetismo animal foi reconhecido e explorado desde a mais remota antiguidade. Os iniciados dos grandes templos, principalmente no Egito, utilizavam-no com frequência, promovendo curas de doenças pela imposição das mãos, pelo sopro ou pela saliva do manipulador. Na Idade Média, Alberto Magno, Rogério Bacon, Paracelso e tantos outros conheceram o magnetismo animal. 

 

4.2. QUALIDADE DOS BONS MAGNETIZADORES

 

Sob o ponto de vista físico, boa saúde, um temperamento sanguíneo-bilioso e uma boa alimentação; sob o ponto de vista psíquico, uma vontade firme, uma fé inabalável na existência dessa força e um certo grau de desenvolvimento intelectual.

 

4.3. O PODER DE MAGNETIZAR NÃO É EXCLUSIVO DOS SERES HUMANOS

 

Certos animais irracionais gozam da prerrogativa de magnetizar. A jibóia usa esse poder para fascinar os animais de que se alimenta; o sapo, pelo mesmo processo, imobiliza a doninha e outros animais pequenos.

 

5. HIPNOTISMO

 

5.1.  AS ORIGENS ALQUÍMICAS DO HIPNOTISMO

 

Tudo começou com Franz Anton Mesmer (1734-1815), formado em medicina. Sua tese doutoral foi: De Influxu Planetarum in Corpus Humanun (“Da Influência dos Planetas sobre o Corpo Humano”), claramente relacionada com a Astrologia. Começando pelas técnicas desenvolvidas por Hell, que colocava magnetos nas partes doentes de seus pacientes, Mesmer, pelas suas experimentações, chegou à teoria do “magnetismo animal” (1779). Dizia ele existir um fluido que interpenetrava tudo e que dava às pessoas, propriedades análogas àquelas do ímã.

 

5.2. EVOLUÇÃO DAS IDEIAS SOBRE O HIPNOTISMO

 

Em 1787, O Marquês de Puységur, discípulo de Mesmer, desenvolvendo linha própria de pesquisa, coloca os seus pacientes num estado de semi-adormecimento, e percebe que eles saíam com a saúde melhorada. Daí, o termo “sonambulismo”. No decorrer do século seguinte, surgiram um sem-número de correntes terapêuticas baseadas nas ideias originais de Mesmer. Em 1841, Braid estabeleceu uma clara distinção entre o hipnotismo e o antigo magnetismo animal. O hipnotismo refere-se à “parte mental do processo”. Posteriormente, Charcot o estuda metodicamente, Liebault o aplica à clínica e Freud o utiliza ao criar a Psicanálise.

 

5.3. DIFERENÇA ENTRE MAGNETISMO E HIPNOTISMO

 

O magnetismo aceita a existência de um fluido especial, que é projetado pelo magnetizador influenciando a pessoa que o recebe. O hipnotismo admite que o paciente fica hipnotizado por auto-sugestão e concentração mental, não havendo fluido algum. Apenas o hipnotismo é aceito pela ciência, em virtude de o magnetismo fundamentar a cura de uma doença na transmissão de fluidos.

 

6. MAGNETISMO, HIPNOTISMO E ESPIRITISMO

 

6.1. MAGNETISMO ESPIRITUAL

 

No Espiritismo, urge acrescentar o elemento “magnetismo espiritual”, que são os fluidos projetados pelos Espíritos desencarnados. Enquanto o magnetizador comum pode até cobrar pelas suas sessões de magnetização, sob o ponto de vista do Espiritismo, o médium é apenas um intermediário dessas forças, que auxiliam na cura de uma doença.

 

6.2. O PROCESSO DE CURA, SEGUNDO O ESPIRITISMO

 

Através da substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. Aí entram em cena o magnetismo do médium e o magnetismo dos Espíritos. Acrescenta-se, ainda, o merecimento da cura por parte sujet. Essa cura, no entanto, independe de técnicas, mas  muito mais da forma como o paciente se condiciona, se entrega ao transe, se deixa sugestionar.

 

6.2. MAGNETIZADOR VERSUS MÉDIUM CURADOR

 

Enquanto o magnetizador usa as suas próprias energias, o médium curador é apenas o intermediário dos Espíritos na cura das doenças.

Eis as respostas que nos foram dadas às perguntas seguintes dirigidas aos Espíritos a esse respeito

1 – Podemos considerar as pessoas dotadas do poder magnético como formando uma variedade de médiuns?

"Disso vocês não podem duvidar".

2 – Entretanto o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, tirando a força de si mesmo, não parece ser o intermediário de nenhum poder estranho?

"É um erro; o poder magnético reside sem dúvida no homem, mas ele é aumentado pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio. Se você magnetiza com o fito de curar, por exemplo, e invoca um bom Espírito que se interessa por você e pelo doente, ele aumenta sua força e sua vontade, dirige seu fluido e lhe dá as qualidades necessárias."

3 – Entretanto há muito bons magnetizadores que não acreditam em Espíritos?

"Então vocês pensam que os Espíritos agem somente sobre aqueles que crêem neles? Os que magnetizam para o bem são secundados por bons Espíritos. Todo homem que tem o desejo do bem os chama sem o querer; assim como pelo desejo do mal e pelas más intenções, ela chama os maus". (Kardec, s.d.p., item 176)

 

7. CONCLUSÃO

 

Saibamos nos defender das hipnoses (sugestões) dos Espíritos malfeitores. Abramos a nossa mente e o nosso coração ao influxo dos benfeitores do espaço. Somente assim podemos nos tornar bons “hipnotizadores e magnetizadores”.

 

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  

DICIONÁRIO DO INEXPLICADO. Edições Planeta.

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.].

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. Tradução de Eliseu Rigonatti. São Paulo: Lake, [s.d.p.]

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span class="apple-style-span"> São Paulo, maio de 2011.

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