Lei de Sociedade

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito de Sociedade. 3. Histórico. 4. Classes Sociais. 5. Necessidade da Vida Social. 6. Laços de Família. 7. Família e Estado. 8. Conclusão. 9. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é analisarmos o instinto de sociabilidade, inato no ser humano,  concretizado em nosso relacionamento com familiares, amigos, inimigos e demais seres humanos jungidos às circunstâncias de nossa vida. 

2. CONCEITO DE SOCIEDADE

Em sentido amplo, conjunto de indivíduos entre os quais há relações organizadas de serviços recíprocos.

Em sentido restrito, conjunto de indivíduos cujas relações estão consolidadas em instituições e até mesmo, na maioria das vezes, asseguradas pela existência das sanções, sejam codificadas, sejam difusas, que fazem sentir ao indivíduo a ação e as imposições da coletividade. (Enciclopédia Delta Larouse) 

Diz-se, também, que é o estado dos homens ou dos animais que vivem sob a ação de leis comuns: as abelhas vivem em sociedade; cada família forma uma sociedade natural. Assim, as pessoas reunidas num estádio para assistirem a uma partida de futebol não constituem uma sociedade, enquanto aquelas reunidas em uma Igreja sim.

Para Gabriel Tarde, o grupo social é um conjunto de indivíduos que se imitam entre si.

3. HISTÓRICO

Cada período da História da Sociedade, desde os tempos mais primitivos até a moderna sociedade industrializada, revela os seus característicos especiais. A época das caças; o período da agricultura primitiva; o período feudal, no qual as comunidades camponesas se reúnem sob o poderio dos senhores feudais, a que deviam obediência e para os quais trabalhavam como servas; a era do artífice e do mercador, em que este enriqueceu-se vendendo os produtos daquele em terras distantes, estimulando assim, indiretamente, a navegação e a construção de navios; o aparecimento do industrial, com o seu sistema de produção mecanizado na fábrica e conseqüente disseminação de mercadorias pelos quatro cantos do mundo.

Para K. E. Boulding, o século XX marca o período médio de uma grande transição no estado da raça humana. Pode-se designá-la com propriedade como a segunda grande transição na história da humanidade.

A primeira transição ocorreu com a passagem da sociedade pré-civilizada para a civilizada e teve início há cinco (ou dez) mil anos. Essa transição ainda está se desenvolvendo em algumas partes do mundo, embora possa ser considerada quase terminada.

Contudo, agora que a primeira grande transição chega a seu término, uma segunda grande transição se aproxima, a que podemos chamar transição de uma sociedade civilizada para uma pós-civilizada.

As origens da primeira grande transição perdem-se nas brumas do tempo. Nada nos impede, porém, de considerar a pesca, a caça e o pastoreio como os seus característicos iniciais. A partir daí, desse nomadismo primitivo, os indivíduos descobrem a agricultura e fixam-se à terra, e com isso produzem um excedente agrícola, capaz de financiar o aparecimento das cidades. Nas cidades, há mais tempo livre para alguns homens que podem se dedicar à invenção de máquinas e equipamentos, no sentido de aumentar a produtividade das pessoas.

As origens da segunda grande transição não são tão obscuras quanto as da primeira. A astronomia babilônica, a geometria grega, a álgebra árabe representaram uma espécie de primícias do enorme caudal de novos conhecimentos e de tecnologia que viria depois.  A partir de século VI é possível acompanhar a expansão lenta da tecnologia. A nora surgiu no século VI; o estribo, no VIII; coelheira e o leme, no IX; o moinho de vento, no XII, e assim por diante. A invenção da imprensa no século XV representou para a Europa uma arrancada irreversível, pois a partir desse momento a divulgação dos conhecimentos aumentou com grande rapidez. O século XVII viu surgir a ciência, e no século XVIII processou uma aceleração das alterações tecnológicas, denominada de Revolução Industrial. (Boulding, 1966, cap. 1)

4. CLASSES SOCIAIS

A classificação em classes sociais, estudada primeiramente nos Estados Unidos, e hoje adotada em todos os países, apresenta o seguinte perfil:

A classe alta (3%) — é constituída pelas pessoas que exercem as funções mais importantes na sociedade e ocupam posições de destaque, respeito, mando, prestígio etc., com escala de valores bem definida.

A classe média (38%) — é constituída pelas pessoas profissionalizadas em geral, tais como: balconistas, pequenos comerciantes, operários especializados, técnicos de diversas categorias, empregados de escritório etc.

A classe baixa (59%) — é constituída de pessoas marginalizadas, despreparadas para o trabalho, de desenvolvimento mental rudimentar, com tendência para o ócio, instáveis, destituídas de ambição, desconhecedoras das leis, de seus deveres e direitos.

As porcentagens indicadas são de determinado estudo feito na América do Norte. Em termos de aproximação, podemos afirmar que nos países sub-desenvolvidos, a percentagem da classe média talvez se constitua de 20 a 25%, enquanto a baixa engrossa para além de 70%. (Curti, 1983, p. 123 a 125) 

5. NECESSIDADE DA VIDA SOCIAL

O instinto de sociabilidade, inato no ser humano, leva-o a participar da sociedade. Aristóteles no século IV a. C. dizia que “o homem é naturalmente um animal político”. Na Idade Média, Santo Tomás de Aquino o mais expressivo seguidor de Aristóteles, afirma que “o homem é por natureza, animal social e político, vivendo em multidão”.

A necessidade da vida social prende-se ao fato de que nenhum homem dispõe de todas as faculdades humanas. É pelo contato social que eles se completam uns aos outros para assegurarem o progresso e o bem-estar. Os mais fortes auxiliam os mais fracos; os ricos ajudam os pobres; os sábios ensinam os ignorantes. No isolamento ele fenece e estiola. (Kardec, 1995, perguntas 766 a 772)

Segundo B. Reymond “Na Índia, descobriu-se em 1920, duas crianças, Amala e Kamala, vivendo no meio de uma família de lobos. Caminhavam de quatro patas apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e o pés para os trajetos longos e rápidos. Alimentavam-se de carne crua ou podre, comiam e bebiam como os animais, lançando a cabeça para frente e lambendo os líquidos”. (Aranha, 1986, p.2) Este relato mostra que a vida de isolamento absoluto e o voto de silêncio privam o homem das relações sociais que lhe podem fornecer ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do progresso.

6. LAÇOS DE FAMÍLIA

A família ocupa lugar de destaque na sociedade. Observe que Herbert Spencer considerou a família entre as instituições que dão forma à vida social; Marx e Engels, como o primeiro grupo histórico, a primeira forma de interação humana; Augusto Comte, como célula básica da sociedade, o embrião e o modelo desta, de maneira que a sociedade perfeita é a que funciona como a família.

Por mais que se queira eliminá-la, como aconteceu na Rússia, verifica-se o retorno à mesma. É que na família está a verdadeira educação do ser. O Estado, a escola dão a instrução, mas somente o lar pode educar com êxito. Havendo o relaxamento deste, há também o relaxamento da vontade e da personalidade dos homens. O homem tem outro destino que não o dos animais. Para ele, há outra coisa além das necessidades físicas: há a necessidade de progresso. Os liames sociais são necessários ao progresso e os laços de família resumem os liames sociais: eis porque eles constituem uma lei natural (Kardec, 1995, perguntas 773 a 775)

7. FAMÍLIA E ESTADO

As duas grandes sociedades da terra são a família, como semente formadora da sociedade, e o estado, como instituição política organizadora da sociedade. De logo se verifica, que, por um processo natural, o próprio homem sente ser imprescindível manter e conservar a sociedade para, dentro dela, progredir, individual e coletivamente. Para o  espiritismo, a sociedade existe para a elevação moral do homem, para o seu crescimento interior, para que aprenda a ser fraterno e indulgente, em seu benefício e no do todo.

8. CONCLUSÃO

Tenhamos plena consciência de nossos deveres e direitos junto à nossa família e ao estado em que estivermos inseridos. Somente responsabilizando-nos pela coisa pública poderemos formar uma sociedade mais justa e mais fraterna.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ARANHA, M . L. de A. e MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo, Editora                    Moderna, 1986, pág. 2.

Enciclopédia Delta Larouse.

BOULDING, K. E. O Significado do Século XX - A Grande Transição. São Paulo, Fundo de Cultura, 1966

CURTI, R. Espiritismo e Questão Social (Problemas de Atualidade I). São Paulo, FEESP, 1983.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

São Paulo, dezembro de 1995

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