Lei de Destruição

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO 1. Introdução. 2. Conceito. 3. População e Meio Ambiente. 4. Destruição Como Lei Natural. 5. Destruição abusiva e necessária. 6. Flagelos Destruidores. 7. Guerras, Assassínio, Crueldade, Duelo e Pena de Morte. 8. Transformação Conservativa. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar que o instinto de destruição que há no ser humano deve ser contrabalançado pelo instinto de conservação, caso queiramos perpetuar a espécie humana.

2. CONCEITO

Destruição - do lat. destructione significa ação ou efeito de destruir; demolição: destruição de uma casa. (Aurélio) O que chamamos destruição não é mais que transformação. 

População e Meio Ambiente

A pressão da população sobre o meio ambiente (fator de impacto), com a finalidade de extrair o kcal (quilo caloria) necessário à sua sobrevivência, pode ser visto em 4 fases, a saber:

1ª) fase - caçador-coletor. Tomemos como ponto de partida a situação em que havia 3.000.000 de habitantes, necessitando de 2.600 kcal por dia, proporcionando um impacto igual a 1.

2ª fase - agricultura de subsistência e pastoreio. Estima-se que o consumo energético per capita das sociedades de 10 mil anos, com uma população de 8.000.000 de pessoas, estava ao redor de 4.700 kcal/dia, tendo um fator de impacto igual a 4,8. (este resultado é obtido, dividindo os dados desta fase com os da anterior).

 

 

Conclui-se que essa nova forma de vida causa um impacto quase 5 vezes maior.

3ª fase - urbanização. Por volta de 3.500 anos a. C. Estima-se em 11.000 kcal o consumo calórico per capita dessa fase e a população, na época dos grandes descobrimentos, em 400 milhões da almas. Assim, pode-se deduzir que o impacto tornou-se mais de quinhentas vez maior do que o causado por nosso “caçador-artista”.

4ª fase - tecnologia moderna. Da época dos descobrimentos até o final do século XVIII, o consumo energético per capita cresceu mais 1.600 kcal, somando 12.600.

O índice aqui utilizado foi apresentado, pela primeira vez, durante a conferência organizada pela UNESCO e pelo Conselho Internacional das Uniões Científicas (ICSU), no Programa ”O Homem e a Biosfera”, em 1981. Na década de 70 houve um impacto 10 mil vezes maior do que a inicial. Dados de 1986 estimam o consumo energético médio per capita em 31.816 kcal/dia, o que nos dá com a população de 5 bilhões, o escore de 20.394 na tabela de impacto. (Rodrigues, 1989, pág. 70 a 76)

3. DESTRUIÇÃO COMO LEI NATURAL

A destruição é uma lei natural, porque precisamos renovar a espécie. Se mantivéssemos eternamente o nosso corpo físico, não haveria o melhoramento dos seres vivos. Para que haja equilíbrio ecológico, uma espécie destrói a outra para sobreviver. A destruição recíproca dos seres vivos é, dentre as leis da Natureza, uma das que, à primeira vista, menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Pergunta-se por que lhes criou ele a necessidade de mutuamente se destruírem, para se alimentarem uns à custa dos outros. É que o homem, como inteligência finita, não consegue abarcar a Inteligência Infinita de Deus. Contudo, o homem evoluído sabe que a verdadeira vida, tanto do animal quanto dele próprio, não está no invólucro corporal e sim no Princípio Inteligente, que preexiste e sobrevive ao corpo. Assim, para se nutrirem, os seres vivos destroem-se entre si, mas única e exclusivamente para obedecer ao equilíbrio natural, decorrente das Leis de Conservação e de Destruição conjugadas. (Kardec, 1975, p. 81 a 84)

5. DESTRUIÇÃO ABUSIVA E NECESSÁRIA

Como vimos anteriormente, o equilíbrio ecológico se dá através da eliminação das espécies inferiores. No final do ciclo de destruição está o homem, com sua inteligência, a eliminar os animais menores. A destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança mostra a predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda a destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem mais do que necessitam, mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Como exemplo, podemos dizer que matar um animal para saciar a sua fome é necessário, mas matar pelo prazer da caça é abusivo. (Kardec, 1995, perguntas 728 a 736) 

6. FLAGELOS DESTRUIDORES

Os flagelos destruidores fazem a civilização caminhar em poucos anos o que levaria séculos para conseguir sem a prática da Lei do Amor. No entanto, os homens de bem que sucumbem aos flagelos (terremotos, maremotos, inundações etc.) não sofrem como os maus, pois, dada sua condição evolutiva superior, a perda de uma veste, como o corpo, não tem a mesma importância que para um materialista ou para aquele mais apegado à natureza animal. Sabe-se, além do mais, que os flagelos naturais destruidores têm uma utilidade física, porque freqüentemente mudam o estado de uma região, proporcionando, no futuro, melhores condições de aproveitamento para o homem. (Kardec, 1995, perguntas 737 a 741)

7. GUERRAS, ASSASSÍNIO, CRUELDADE, DUELO E PENA DE MORTE

Estes temas dão-nos a oportunidade de elaborarmos sobre o pensamento dicotômico. Somos de tal  modo limitados ao sim/não, ao certo/errado, à guerra/paz que não conseguimos vislumbrar o problema como um todo. Um ponto minúsculo, torna-se imenso, quando olhamos somente para ele; mas se o colocarmos dentro de um grande mapa tridimensional, verificaremos que é bastante irrisório quando comparado ao todo. Foi o que fez K. E. Boulding em Paz Estável. Diz-nos o autor que no desenrolar da história humana, as probabilidades de se morrer numa guerra têm sido realmente muito pequenas. Até mesmo no beligerante século XX, em que o número total de mortes deve ter sido de 1,5 a 2 bilhões. Praticamente todas as pessoas que estavam vivas em 1900 estão hoje mortas, bem como uma proporção considerável daqueles que nasceram desde então. Todas as guerras do século XX até hoje não mataram mais do que 80 milhões de pessoas, ou cerca de 4% do número total de mortos.

Do ponto de vista espiritual, a explicação para as guerras, os assassínios, a crueldade etc. dizem respeito à predominância da natureza animal sobre a espiritual e à  satisfação das paixões. (Kardec, 1995, perguntas 742 a 765)

8. TRANSFORMAÇÃO CONSERVATIVA

Para o provimento de suas necessidades, os homens são obrigados a transformar os recurso naturais em bens úteis, econômicos. O nó da questão está em usar os bens naturais de forma conservativa, isto é, sem alterar substancialmente o equilíbrio cósmico. Para isso, devemos conjugar serenamente a Lei de  Conservação e a Lei de Destruição, a fim de atingirmos o equilibro entre o Espírito e a matéria.

9. CONCLUSÃO

No afã do lucro, nem sempre sopesamos o desperdício dos recursos naturais e a conseqüente poluição devastadora do solo, do mar e do ar. Contudo, além do problema material, urge considerar a poluição mental, que se expressa pelo entrechoque de vibrações, ondas e mentes em desalinho, como decorrência das ambições desenfreadas, dos ódios sistemáticos e do orgulho destruidor.

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BOULDING, K. E. Paz Estável.

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

RODRIGUES, S. DE A. Destruição e Equilíbrio. O Homem e o Ambiente no Espaço e no Tempo. 6. Ed., São Paulo, Atual, 1989 (Série meio-ambiente).

São Paulo, dezembro de 1995

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