Identificando os Gêneros de Mediunidade

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. A Mediunidade: Aspectos Gerais: 4.1. Manifestações Mediúnicas; 4.2. Mediunidade Natural e de Prova; 4.3. Mediunismo, Mediunidade, Fenômeno Mediúnico, Fenômeno Anímico e Animismo. 5. Gêneros de Mediunidade: 5.1. Variedades Comuns a todos os Gêneros de Mediunidade; 5.2. Variedades Especiais para os Efeitos Físicos (Algumas delas); 5.3. Variedades Especiais para os Efeitos Inteligentes (Algumas delas). 6. Advertências e Recomendações: 6.1. Os Grandes Médiuns e suas Provações; 6.2. Preparo do Médium; 6.3. Recolhimento e Humildade. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Para introduzir este tema, façamos algumas perguntas: o que é a mediunidade? Como funciona? Como podemos identificar os vários tipos de mediunidade? Todos somos médiuns? O que você acha?

2. CONCEITO

Identificar. Perceber os elementos característicos de algo; reconhecer.

Gênero. Conjunto de pessoas ou coisas que compartilham uma série de caracteres. Em filosofia, é termo ou conceito que engloba outros termos ou conceitos, ou seja, que possui relativamente a eles, uma maior extensão.

Mediunidade. É a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos. (1)

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A mediunidade, desde que o homem é homem, sempre existiu. Os primeiros passos dos povos primitivos foram através do sono e dos sonhos. O professor José Herculano Pires, no livro O Espírito e o Tempo, faz um estudo histórico da mediunidade, analisando-a dentro dos vários horizontes culturais da humanidade até a sua positivação com a vinda de Allan Kardec.

Na mediunidade, há uma relação entre médium e Espírito, tal qual a do hipnotizador com o hipnotizado. O médium profundo cede à fascinação que se exerce sobre ele e renuncia à sua vontade e à sua consciência de modo absoluto. Assim, ao despertar do “transe”, perguntará às pessoas: que aconteceu?

A mediunidade não ficou imune às investidas dos detratores, que divulgaram cenas horripilantes dos médiuns. Eles disseram que os médiuns eram pessoas meditabundas, taciturnas e sibilinas, capazes, no melhor dos casos, de “botar o olho grande nos outros”. O médium é, assim, apresentado como um indivíduo delicado, doentio, hipersensível, extremamente pálido, com pouca vitalidade e a dois passos da neurose. 

Para Lombroso, porém, a mediunidade se apresenta de outro modo: “A inteligência do médium pode variar da ultra-mediocridade de Politi ao espírito superior de Mlle. D’Esperance, mas em transe, o médium mais estúpido pode manifestar uma inteligência extraordinária. Quanto à moralidade, alguns médiuns são lascivos, enquanto outros se aproximam à santidade, como Miss Smith e Stanton Moses”. (2)

Nota importante: Não se trata de desenvolver indiscriminadamente o potencial mediúnico, senão de tonificar essas faculdades.

4. A MEDIUNIDADE: ASPECTOS GERAIS

4.1. MANIFESTAÇÕES MEDIÚNICAS 

A Mediunidade é uma só, é um todo, mas pode ser encarada em seus vários aspectos funcionais, que são caracterizados como formas variadas de sua manifestação. Kardec dividiu-a, para efeito metodológico, em duas grandes áreas bem diferenciadas: a mediunidade de efeitos físicos e a mediunidade de efeitos inteligentes (1). Dá-se o nome de manifestações físicas àquelas que se traduzem por efeitos sensíveis, tais como os barulhos, o movimento e o deslocamento dos corpos sólidos. Podem ser espontâneos ou provocados. Para que a manifestação seja inteligente é suficiente que prove um ato livre e voluntário, que exprima uma intenção ou responda a um pensamento.

4.2. MEDIUNIDADE NATURAL E DE PROVA

A terminologia espírita adotada por Kardec é simples e precisa. Mas no tocante às duas áreas fundamentais dos fenômenos de efeitos inteligentes e físicos, seria necessário um acréscimo. Além da divisão fenomênica, tínhamos a divisão funcional. Possuímos, assim, duas áreas de função mediúnica, designadas como mediunidade generalizada e mediunato. A primeira corresponde à mediunidade que todos os seres humanos possuem, e a segunda corresponde à mediunidade de compromisso, ou seja, de médiuns investidos espiritualmente de poderes mediúnicos para finalidades específicas na encarnação. Correspondem à mediunidade estática e dinâmica na acepção de Crawford (1).

4.3. MEDIUNISMO, MEDIUNIDADE, FENÔMENO MEDIÚNICO, FENÔMENO ANÍMICO E ANIMISMO

Para que possamos identificar a mediunidade, tenhamos em mente as distinções entre fenômeno anímico, fenômeno mediúnico, animismo e mediunismo. No fenômeno anímico, não há interferência de Espíritos desencarnados. O fato se dá de alma para alma, por isso anímico. Ex.: Telepatia, que é a comunicação de mente para mente. No fenômeno mediúnico, há um Espírito desencarnado que deseja se comunicar com os encarnados através de um médium. O animismo é a influência que o médium exerce na comunicação do Espírito desencarnado. A expressão mediunismo, criada pelo Espírito Emmanuel, designa as formas primitivas de mediunidade que fundamentam as crenças e religiões primitivas. 

5. GÊNEROS DE MEDIUNIDADE

5.1. VARIEDADES COMUNS A TODOS OS GÊNEROS DE MEDIUNIDADE

Médiuns sensitivos: pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma impressão local, vaga ou material. A maior parte distingue os Espíritos bons ou maus, segundo a natureza da impressão.

Médiuns naturais ou inconscientes: os que produzem os fenômenos espontaneamente, sem nenhuma participação de sua vontade e o mais das vezes sem o saberem.

Médiuns facultativos ou voluntários: os que têm o poder de provocar os fenômenos por um ato de sua vontade. (3)

5.2. VARIEDADES ESPECIAIS PARA OS EFEITOS FÍSICOS (ALGUMAS DELAS)

Médiuns tiptólogos: aqueles por cuja influência se produzem os barulhos e as pancadas.

Médiuns de transportes: os que podem servir de auxiliares para os Espíritos trazerem objetos materiais.

Médiuns curadores: os que têm o poder de curar ou de aliviar pela imposição das mãos ou pela prece. (3)

5.3. VARIEDADES ESPECIAIS PARA OS EFEITOS INTELIGENTES (ALGUMAS DELAS)

Médiuns auditivos: os que ouvem os espíritos. Muito comum. “Há muitos que se afiguram ouvir o que lhes está apenas na imaginação”

Médiuns falantes (psicofonia): os que falam sob a influência dos Espíritos. Muito comuns.

Médiuns escreventes ou psicógrafos: possuem a faculdade da comunicação por meio da escrita automática e podem se dividir em: médiuns mecânicos, semi-mecânicos, intuitivos, etc. (3)

6. ADVERTÊNCIAS E RECOMENDAÇÕES

6.1. OS GRANDES MÉDIUNS E SUAS PROVAÇÕES

Os grandes médiuns, os que foram capazes de realizar coisas extraordinárias, foram também os que mais sofreram na própria carne e mente o efeito devastador de uma excessiva dependência dos espíritos. As irmãs Fox, que deram início à invasão organizada dos Espíritos, acabaram desequilibradas psiquicamente. O mesmo ocorreu a Douglas Home. Ch. Forster, médium famoso, por exemplo, morreu num hospício. (2)

6.2. PREPARO DO MÉDIUM

Nada de relevante se faz sem a devida aplicação. Por isso, antes de empreender uma façanha mediúnica é bom consultar as próprias forças e disposições íntimas. Assim, devemos primar por:

Altas inspirações, sentimentos elevados, método e paciência.

As invocações devem ser feitas com um mínimo de seriedade.

O fracasso das primeiras sessões não deve tirar o ardor para as próximas.

Mesmo que nos propusermos que a mediunidade é uma espécie de jogo, que saibamos tirar proveito de tudo o que se nos acontecer.  

6.3. RECOLHIMENTO E HUMILDADE

O contato com o mundo espiritual deve ser feito dentro de um sentimento de humildade e vigilância para que não sejamos presas fáceis de Espíritos imperfeitos. Tenhamos em mente que somos apenas um veículo, um intermediário aos Espíritos. Sendo assim, exercitemos o discernimento para aceitar as sugestões dos Espíritos superiores e rejeitar as dos Espíritos maus, que querem somente a nossa perdição.

7. CONCLUSÃO

Identificar o gênero de mediunidade, ou saber se a comunicação é mediúnica ou não, mostra apenas o mecanismo da mediunidade. O Espiritismo, além dessas informações, ensina-nos que o mais importante são as nossas transformações morais.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

(1) PIRES, J. H. Mediunidade (Vida e Comunicação) - Conceituação, da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais. 5. ed. São Paulo: Edicel, 1984.

(2) As Ciências Proibidas: Iniciação ao Espiritismo. Edições Século Futuro, 1987.

(3) KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. São Paulo:Lake, [s.d.p.]

São Paulo, junho de 2011.

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