Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceituando os Termos. 3. Histórico. 4. Procedimento de Kardec. 5. Corpo Doutrinário: 5.1. Obras Básicas; 5.2. Obras Complementares. 6. Estudo Metódico do Espiritismo. 7. Conclusões. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo destes escritos é fazer uma apresentação sumária do Espiritismo. Partiremos dos fenômenos de Hydesville, apresentaremos o codificador Allan Kardec, relataremos as suas obras básicas e citaremos de uma forma global, as complementares.

2. CONCEITUANDO OS TERMOS

Espiritismo – É uma doutrina que se funda na crença da existência de Espíritos e nas suas manifestações.

Doutrina – É o conjunto de princípios que serve de base a um sistema religioso, político, filosófico, científico etc.

Princípios – Proposições diretoras de uma ciência, às quais todo o desenvolvimento posterior dessa ciência deve estar subordinado.

Princípios Espíritas – Deus, Evolução, Reencarnação, Sobrevivência do Espírito, Pluralidade dos Mundos Habitados, Comunicação entre os Dois Mundos (o Físico e o Espiritual)

Espírita – Adepto do Espiritismo, ou seja, aquele que aceita os princípios fundamentais da Doutrina Espírita, colocando em prática os seus ensinamentos.

Allan Kardec – pseudônimo de Hippolite-Leon Denizard Rivail, é o codificador (não o autor) do Espiritismo. Ele apenas coordenou, organizou os Ensinamentos trazidos pelos Espíritos superiores.

3. HISTÓRICO

O Fenômeno de Hydesville, ocorrido em 31 de março de 1848, em que duas crianças conversaram, através de pancadas, com um Espírito já desencarnado, deu início ao estudo dos fatos mediúnicos. Após este episódio, o fenômeno das mesas girantes, que assolou os Estados Unidos e a Europa, serviu de brincadeiras de salão, quando as mesas dançavam, escreviam batiam o pé e até falavam. É dentro desse contexto que surge a Doutrina Espírita.

Das brincadeiras de salão, surge Hipollyte Léon Denizard Rivail — Allan Kardec—, um estudioso do magnetismo e do método teórico experimental em ciência. Havendo uma disseminação muito grande dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, ainda Hipollyte, foi convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela também falava. É aí que entra o gênio inquiridor do pesquisador teórico experimental. Assim, retruca: só se ela tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. A partir daí, começa a freqüentar essas sessões, culminando, mais tarde, com a publicação de O Livro dos Espíritos, em 18/04/1857.

4. PROCEDIMENTO DE KARDEC

No livro Obras Póstumas, Allan Kardec escreve: "Até ali, as sessões em casa do Sr. Baudin nenhum fim determinado tinham tido. Tentei lá obter a resolução dos problemas que me interessavam, do ponto de vista da Filosofia, da Psicologia, e da natureza do mundo invisível. Levava para cada sessão uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas. Eram sempre respondidas com precisão, profundeza e lógica. A partir de então, as sessões assumiram caráter muito diverso. Entre os assistentes contavam-se pessoas sérias, que tomaram por elas vivo interesse e, se me acontecia faltar, ficavam sem saberem o que fazer. As perguntas fúteis haviam perdido, para a maioria, todo atrativo. Eu, a princípio, cuidara apenas de instruir-me; mais tarde, quando vi que aquilo constituía um todo e ganhava as proporções de uma doutrina, tive a idéia de publicar os ensinos recebidos, para a instrução de toda a gente. Foram aquelas mesmas questões que, sucessivamente desenvolvidas e completadas, constituíram a base de O Livro dos Espíritos ... Estava concluído, em grande parte, o meu trabalho e tinha proporções de um livro. Eu, porém, fazia questão de submetê-lo ao exame de outros Espíritos, com o auxílio de diferentes médiuns ... Foi assim que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho. Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes remodeladas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de abril de 1857." (1975, p. 269-270)

5. CORPO DOUTRINÁRIO

A Doutrina Espírita deve ser conhecida através do estudo das Obras Básicas e das Complementares. As Obras Básicas, também, cognominadas de Pentauteco Espírita, compõem-se dos seguintes livros : O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865) e A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868). As Obras Complementares, que dão extensão às Obras Básicas, são de cunho mediúnico e não mediúnico. Entre as não mediúnicas, citam-se os escritos de Gabriel Delanne, Leon Denis, Camile Flammarion, J. Herculano Pires, Edgar Armond e outros. Entre as obras mediúnicas, estão os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e outros.

5.1. OBRAS BÁSICAS

Livro dos Espíritos (1857) – Contém os Princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade (segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec).

Livro dos Médiuns (1861)– Contém elucidação minuciosa de todos os gêneros de manifestações mediúnicas: psicografia, vidência, transportes etc. São abordados também o papel dos médiuns nas comunicações mediúnicas, a formação dos médiuns, a questão da obsessão.

Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) – Contém a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas posições da vida.

Céu e Inferno (1865) – Contém temas de relevante importância para a Humanidade, tais como o Céu, os Limbos, o Purgatório e o Inferno, a Doutrina das Penas Eternas, dando a estes uma conceituação bem diversa daquela que é proclamada por várias teologias e seitas.

A Gênese (1868) – Contém estudos sobre o Caráter da Revelação Espírita, a Existência de Deus, o Papel da Ciência na Gênese, os Milagres, as Predições etc.

5.2. OBRAS COMPLEMENTARES

Dado o extenso volume delas, anotaremos apenas duas:

Obras Póstumas – Editada em 1890. Composta pelos amigos de Allan Kardec, que reúnem seus derradeiros escritos e anotações íntimas. Apresenta a profissão de fé espírita racional de Kardec, trazendo, em seu conjunto uma ampla "autobiografia". Verifica-se no livro a preocupação de Kardec quanto ao futuro do Espiritismo, sua organização e complementação, especialmente, quando ele se propõe a organizar a Constituição do Espiritismo.

Revista Espírita – é um jornal de estudos psicológicos, em fascículos mensais, redigidos e publicados pelo próprio Kardec. A coleção completa consta de 12 volumes, resultantes de onze anos e quatro meses de trabalho intensivo. Ela mostra toda a história do Espiritismo, em seu processo de desenvolvimento e propagação. De modo geral, a Revista Espírita contém:

a) relato de manifestações físicas e inteligentes de Espíritos, tais como aparições, ruídos, batidas, materializações, evocações etc.

b) o ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e invisível, sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e seu futuro etc.

c) a história do Espiritismo, suas relações com outras ciências, com o magnetismo, com o sonambulismo etc.

6. ESTUDO METÓDICO DO ESPIRITISMO

A literatura espírita, sendo vasta e diversificada, acarreta dificuldade na escolha de bons livros para pesquisa. Do ponto de vista doutrinário, as Obras Básicas e as dos autores encarnados têm preferência. Os romances mediúnicos são classificados num segundo plano de importância. As mensagens estariam em terceiro lugar. Essa escala de valores não deve ser rígida, visto cada Espírito estar num nível de evolução espiritual distinto, requerendo, portanto, alimentos espirituais diferenciados.

O contato inicial com a Doutrina dos Espíritos pode ser feito aleatoriamente, ou seja, via dor, via leitura de um romance, ou mesmo por intermédio de uma mensagem que nos caia nas mãos. O despertamento para a realidade espiritual pode vir de mil formas. Importa, uma vez inteirado de que o Espiritismo é uma vivência válida para nossa vida, estudá-lo de forma racional, ou seja, começando pelo O Livro dos Espíritos.

7. CONCLUSÕES

José H. Pires diz-nos que "O Espiritismo é uma doutrina que existe nos livros e precisa ser estudada". Assim, não é conveniente que corramos atrás dos fenômenos mediúnicos, mas, sim, que debrucemos o nosso pensamento sobre os livros da codificação, no sentido de ir lentamente sedimentando os ensinamentos que Allan Kardec construiu através da pesquisa científica dos fenômenos espirituais.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AMORIM, D. O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas. 4. ed., Rio de Janeiro, Léon Denis, 1989.
AUTORES DIVERSOS. 2.º Ano do Curso Básico de Espiritismo. São Paulo, FEESP, 1991.
BARBOSA, P. F. Espiritismo Básico. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1987.
KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

São Paulo, 20/02/2002

Texto Condensado em http://sbgespiritismo.blogspot.com/2008/07/dfd.html

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