Dinheiro e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Dinheiro e Economia: 4.1. Dinheiro e Riqueza; 4.2. Dinheiro como Meio de Troca; 4.3. Dinheiro, Inflação e Ilusão Monetária. 5. Dinheiro e Religião: 5.1. Jesus e o Novo Testamento; 5.2. Paulo e as Epístolas; 5.3. Cristianismo e Formação de Caráter. 6. Dinheiro e Espiritismo: 6.1. Bônus-Hora; 6.2. Dinheiro e Atitude; 6.3. A Lenda do Dinheiro. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O dinheiro tornou-se, presentemente, o símbolo de grandeza, poder e status social. Pergunta-se: o que significa a palavra dinheiro? Dinheiro difere de riqueza? Como a religião, de um modo geral, convive com o dinheiro? Como vê-lo segundo a ótica espírita?

2. CONCEITO

Dinheiro. Em economia, nome comum de todas as moedas; moeda corrente. Por extensão, toda moeda de qualquer metal ou papel-moeda aceito como numerário. É o meio de troca utilizado para facilitar as transações comerciais. 

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Historicamente, a ênfase à utilização do dinheiro só aparece na era moderna. Antigamente, não se falava dele. Na Bíblia, há poucas referências. Poder-se-ia citar: 2 Reis 3,4; Josué 7, 21; Isaias, 46,6; Jeremias 32, 9.

Nos tempos de Cristo, a adoração ao dinheiro é bem grande. Jesus o compara ao deus Mamon, como oposto ao Deus verdadeiro.

Papini, por exemplo, diz que o dinheiro é o “excremento” corrompido do diabo.

O dinheiro deve ser analisado sob dois pontos de vista: expressão de grandeza e de pobreza. Em termos de grandeza, refere-se ao estímulo ao progresso material, pois sem ele pereceríamos como sociedade. Miseravelmente, quando reduzimos tudo o mais ao vil metal.

Pretendemos estudá-lo sob o ponto de vista da economia, da religião e do Espiritismo.

4. DINHEIRO E ECONOMIA

4.1. DINHEIRO E RIQUEZA

Até a era moderna, o dinheiro era de uso bem restrito. Somente depois da Idade Média, quando o Feudalismo perdeu espaço, sendo, por isso, substituído pelo capitalismo comercial, é que o dinheiro começou a tomar vulto, para facilitar as transações comerciais  entre países.

Embora o dinheiro tenha status de riqueza, ele não é riqueza, pois esta compreende a posse de bens, como casa, terreno, automóveis etc. Foi devido ao cosmopolitismo que passou a ser sinônimo de riqueza.

4.2. DINHEIRO COMO MEIO DE TROCA

O dinheiro é simplesmente um meio de troca, o intermediário entre um vendedor e um comprador. Antigamente, chegou-se a usar o sal como meio de troca. Pela dificuldade de se levar sal ao mercado, com o tempo, foi aparecendo outros bens, até se chegar à cunhagem de moedas. Hoje, há o dinheiro virtual, os cartões de débito e crédito, que facilitam sobremaneira as nossas compras e vendas.

4.3. DINHEIRO, INFLAÇÃO E ILUSÃO MONETÁRIA

Em Economia, aprendemos que a quantidade de moeda emitida pelo governo exerce grande influência sobre os preços de mercado: em excesso, provoca inflação, que é o aumento persistente dos preços. Com mais dinheiro, procura-se mais mercadoria. O aumento de demanda provoca o aumento dos preços.

Paralelamente à inflação, temos o fenômeno da ilusão monetária, que é a sensação de que estamos ficando mais ricos quando o nosso salário aumenta. Para se ter uma perfeita noção, temos de comparar o aumento de inflação com o aumento de salário, para ver se, mesmo aumentando o salário, a nossa renda real não está diminuindo.

5. DINHEIRO E RELIGIÃO

5.1. JESUS E O NOVO TESTAMENTO

Em se tratando do aspecto religioso, Jesus Cristo compara o dinheiro ao deus Mamon, que compete com do Deus verdadeiro, enaltece o óbulo da viúva e profere a frase: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Seguindo os seus exemplos, os primeiros cristãos vendiam os seus bens e, com o dinheiro arrecadado, socorriam aos mais pobres em suas necessidades.

5.2. PAULO E AS EPÍSTOLAS

Paulo, em suas epístolas, dando prosseguimento aos exemplos de Jesus, combate a busca incessante do dinheiro.

Em I Timóteo 6, 6 a 11, diz: "É grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com o que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas o que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão”.

Esta é uma lição para todos os tipos de pessoas, quer sejam ricas, quer sejam pobres, pois ninguém deveria ser dominado pelo “amor ao dinheiro”.

5.3. CRISTIANISMO E FORMAÇÃO DE CARÁTER

Jesus ensinou a amar ao próximo como a si mesmo. Os apóstolos deram continuidade aos seus ensinamentos. Ao longo do tempo, vimos a construção de albergues, asilos e creches se ampliar como princípio de repartir com o outro aquilo que nos sobra.

A civilização moderna, que aderiu ao capitalismo, fez com que aumentasse o valor do dinheiro, pois quanto mais se trabalha mais dinheiro se arrecada, e isso conquista mais poder, luxo e conforto. Sem o perceber, o ser humano vai se tornando escravo dele, pois tudo é submetido a ele, inclusive a arte e a cultura.

Em vista disso, a reta formação de caráter dos jovens torna-se um imperativo, pois eles são consumidores cada vez com menos idade. Para que não se desviem dos fins últimos da vida, urge conscientizá-los a usar com responsabilidade tudo o que possuírem, inclusive, o dinheiro.

6. DINHEIRO E ESPIRITISMO

6.1. BÔNUS-HORA

O Espírito André Luiz, no capítulo 22 (“O Bônus-Hora”), do livro Nosso Lar, psicografado por Francisco Cândido Xavier, fala-nos do bônus-hora, que é uma ficha de serviço individual, funcionando como valor aquisitivo. Quer os espíritos trabalhem ou não, todos têm direito a moradia e alimentação no mundo espiritual. Contudo, os que trabalham e ganham bônus-hora podem adquirir casa própria e melhores alimentos.

“O verdadeiro ganho da criatura é de natureza espiritual e o bônus-hora, em nossa organização, modifica-se em valor substancial, segundo a natureza dos nossos serviços”. Quer isso dizer que não importa o tipo de serviço que estamos prestando, mas o conteúdo energético que nele estamos colocando.

6.2. DINHEIRO E ATITUDE

Da citação evangélica, “Porque a paixão do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” — Paulo (I Timóteo, 6, 10), o Espírito Emmanuel chama a nossa atenção: 1) o dinheiro é um perigoso tirano de quem o escraviza; 2) quando o encarceramos ele nos encarcera; 3) ele deforma os corações que o segregam ao vício; 4) ligado às inteligências perversas é causa de lágrimas para viúvas e órfãos; 5) orientado na direção do progresso é fonte de luz para toda a humanidade.

Por isso, façamos dele um meio de troca, no sentido de alocarmos os recursos da natureza em beneficio de toda a humanidade, inspirando ideias e disseminando oportunidades de trabalho e progresso. (Xavier, 1986, cap. 48)

6.3. A LENDA DO DINHEIRO

O Espírito Neio Lúcio, no capítulo 31 (“A Lenda do Dinheiro”), do livro Alvorada Cristã, psicografado por Francisco Cândido Xavier, descreve-nos que, no princípio do mundo, o Senhor entrou em dificuldades no desenvolvimento da obra terrestre, porque os homens se entregaram a excessivo repouso.

Como todo o trabalho estava por fazer, o Senhor da vida pensou que se os homens não agissem por amor, agiriam por ambição.

Com o dinheiro, o progresso se fez presente. “Desde então, a maioria das criaturas passou a trabalhar por dedicação ao dinheiro, que é de propriedade exclusiva do Senhor, da aplicação do qual cada homem e cada mulher prestarão contas a Ele mais tarde”.

7. CONCLUSÃO

Estejamos cônscios de que o dinheiro é simplesmente um meio de troca. Não façamos dele a perdição de nossa alma, juntando em excesso para que a traça e a ferrugem o consumam.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

XAVIER, F. C. Alvorada Cristã, pelo Espírito Neio Lúcio. 5. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1977.

XAVIER, F. C. Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz. 19. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978.

XAVIER, F. C. Palavras de Vida Eterna, pelo Espírito Emmanuel. 8. ed., Minas Gerais: CEC, 1986.

São Paulo, fevereiro de 2012

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