Cremação e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Funeral, Enterro e Cemitério: 4.1. Funeral; 4.2. Enterro; 4.3. Cemitério. 5. Inumação versus Cremação: 5.1. Inumação; 5.2. Cremação; 5.3. Comparando Inumação com Cremação. 6. Cremação e Espiritismo: 6.1. O Espiritismo não Condena a Cremação; 6.2. O Espírito Sofre com a Cremação?; 6.3. Deve-se Preferir Inumação ou Cremação? 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Quais são os tipos de sepultamento? Deve-se optar pela cremação? O que se entende por cremação? Ela sempre existiu? A inumação é melhor do que a cremação? Como analisar a cremação sob a ótica do Espiritismo?

2. CONCEITO

Cremação. Ação de queimar, de reduzir a cinzas. Ato de destruir pelo fogo os cadáveres humanos. Como símbolo, é a destruição do inferior para que advenha o superior, a salvação do e pelo espírito.

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Os seres humanos, premidos pelo medo do desconhecido, sempre pensaram em devolver à natureza o que da natureza é. O mais comum é devolver à terra, pois do pó viemos e ao pó voltaremos, como está escrito na Bíblia.

Contudo, há a cremação, a colocação do cadáver nos rios ou nos mares e, também, levando-o ao alto de uma montanha. É a volta aos quatro elementos dos antigos: terra, fogo, água, e ar.

Os aspectos religiosos têm um peso muito grande na forma como nos desfazemos desses restos mortais. O cristianismo, por exemplo, opõe-se a qualquer tipo de destino que não seja a terra.

Epidemias, necessidade de espaço e outras considerações acabaram resultando na escolha também da cremação.

4. FUNERAL, ENTERRO E CEMITÉRIO

4.1. FUNERAL

Funeral, proveniente de uma antiga palavra sânscrita, significa fumaça. É o conjunto de cerimônias realizadas para enterrar, cremar ou remover de algum outro modo o cadáver. As principais finalidades desses ritos têm sido homenagear os mortos, obter os favores dos deuses e prover os mortos com atos considerados necessários para a vida no outro mundo.

Os gregos antigos colocavam uma moeda (óbolo) na boca do cadáver para que pudesse pagar ao barqueiro a taxa de travessia. Os romanos impunham seus costumes nas terras que conquistaram. Alguns desses costumes se mantiveram ao longo do tempo: usar preto, andar em procissão e erguer um monte de terra ou pedras sobre a sepultura. (Enciclopédia Delta Universal)

4.2. ENTERRO

É o costume de pôr um cadáver em algum tipo de recipiente, geralmente chamado de esquife ou caixão. O destino do caixão pode ser: 1) inumação (sepultamento); 2) cremação (incineração); 3) “enterro no mar” (jogar o cadáver no mar). Não resta dúvida que os mais praticados são a inumação e a cremação.

As cerimônias de sepultamento surgiram devido ao medo que os povos primitivos tinham das almas do outro mundo ou do desejo de auxiliar a alma do morto em sua viagem até a terra dos espíritos. (Enciclopédia Delta Universal)

Além dessa atitude de afastar o cadáver da vida normal, entregando-a à natureza, havia povos preocupados em conservar o defunto, como se ele continuasse vivo: o embalsamento egípcio. 

4.3. CEMITÉRIO

O cemitério, do latim coemeterium, é o terreno descoberto onde se enterram ou guardam os defuntos. O termo cemitério designava primitivamente o lugar onde se dormia: quarto, dormitório. Sob a influência cristã, mudou-se o termo necrópole (cidade dos mortos) para cemitério (dormitório).

A fé na ressurreição da carne dá-nos a entender que a morte é apenas um sono, que de algum modo o crente deveria despertar. E o lugar onde jaziam olhavam-no como dormitório, no qual repousavam os mortos até o momento do juízo final. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

5. INUMAÇÃO VERSUS CREMAÇÃO

5.1. INUMAÇÃO

Inumação é o mesmo que sepultamento ou enterro. Defendida pela Igreja, atende à combustão lenta. Para que seja higiênica, deve obedecer às normas técnicas, como, por exemplo, terras bem porosas e sem rochas. 

5.2. CREMAÇÃO

A cremação é a combustão do corpo de forma rápida, feita em forno especial, que produz calor de 1.100º c a 1.370º c. Os ossos se reduzem a cinzas, que podem ser guardadas em urnas. Para muitos cremacionistas, essa forma é mais higiênica, pois ocupa pouco espaço e do corpo sobram apenas cinzas, que são desfeitas com facilidade. (Enciclopédia Delta Universal)

5.3. COMPARANDO INUMAÇÃO COM CREMAÇÃO

Estudos médicos mostram que a suposta higiene da cremação não tem sentido quando se sabe que os terrenos para inumação podem ser bem tratados. Segundo esses médicos, as doenças não são transmitidas pelos mortos ou mesmo pelo ar, mas pelo ser vivente.

Notemos, também, que o desaparecimento do cadáver inflige fortes obstáculos à prática médico-legal. Para muitos crimes, o cadáver é a peça capital no processo. A cova faculta quer a demonstração do crime quer da inocência, sempre permitida pela exumação. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

6. CREMAÇÃO E ESPIRITISMO

6.1. O ESPIRITISMO NÃO CONDENA A CREMAÇÃO

Para o Espiritismo, sempre que uma ideia nova surgir e mostrar o avanço da ciência, o Espiritismo pode se retratar nesse quesito. Desse modo, nunca fica desatualizado. Assim, não condena a cremação, mas dá-nos subsídios para compreender a morte e o morrer, alertando-nos para a devida preparação para esse ato final da vida de todos nós.

6.2. O ESPÍRITO SOFRE COM A CREMAÇÃO?

Pergunta 151 de O Consolador: O Espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos? Em sua resposta, o Espírito Emmanuel faz-nos entender que a espera por mais tempo é preferível, porque nas primeiras horas, ainda não foram desfeitos todos os laços sutis que prendiam o Espírito ao corpo físico. Numa outra ocasião, fala que deveríamos esperar 72 horas.

6.3. DEVE-SE PREFERIR INUMAÇÃO OU CREMAÇÃO?

Para o Léon Denis, em nota de rodapé, devido ainda à inferioridade dos seres habitantes no planeta Terra, a inumação deve ser preferível porque a cremação, provoca um desprendimento mais rápido, mais brusco e violento, doloroso mesmo para a alma apegada à Terra por seus hábitos, gostos e paixões. (Denis, 1995, p. 135)

7. CONCLUSÃO

Cremar ou não cremar é uma questão de fórum íntimo. O importante é que deixemos nosso corpo material tendo a consciência tranquila pelo dever retamente cumprido.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

DENIS, L. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995.

ENCICLOPÉDIA DELTA UNIVERSAL.

ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

XAVIER, F. C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977.

São Paulo, setembro de 2012.

 

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