Condições da Prece

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Considerações Iniciais. 3. O Texto Evangélico. 4. Lugar e Modo de Orar: 4.1. Em Pé nas Sinagogas; 4.2. No Quarto; 4.3. Maneira de Orar. 5. Perdão: 5.1. Número de Vezes que se Deve Perdoar; 5.2. Os que Nunca Perdoam; 5.3. Limpar o Coração. 6. Parábola: 6.1. O Que É? 6.2. A Parábola dos Dois Homens em Oração; 6.3. Refletindo sobre a Humildade. 7. Conclusão.

1. INTRODUÇÃO

O que é uma prece? Quais são as condições essenciais para a execução de uma prece? Podemos orar em qualquer lugar? A qualquer hora do dia? Que lições podemos tirar deste trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo?

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Este subtítulo, juntamente com “Eficácia da Prece”, “Ação da Prece. Transmissão do Pensamento”, “Preces Inteligíveis”, “Da Prece pelos Mortos e pelos Espíritos Sofredores”, “Instruções dos Espíritos: ‘Modo de Orar’ e ‘Ventura da Prece’”, está posto no capítulo XXVII Pedi e Obtereis, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

A prece é um ato de comunicação do ser humano com o sagrado: Deus, poder sobrenatural, realidade transcendental...

Podemos vê-la como um pedido, um agradecimento ou um louvor.

No meio espírita, encontramos as seguintes frases: “apoio para a alma”, “uma invocação”, “uma evocação”, “uma conversa com Deus”...

Convém sempre pedirmos a Jesus que nos ensine a orar.

3. O TEXTO EVANGÉLICO

1. E quando orais, não haveis de ser como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas, e nos cantos das ruas, para serem vistos dos homens; em verdade vos digo, que eles já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e fechada a porta, ora a teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê o que se passa em secreto, te dará a paga. E quando orais não faleis muito, como os gentios; pois cuidam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não queirais portanto parecer-vos com eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, primeiro que vós lhe peçais. (Mateus, VI: 5-8).
2. Mas quando vos puserdes em oração, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também vosso Pai, que está nos Céus, vos perdoe os vossos pecados. Porque se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não há de perdoar vossos pecados. (Marcos, XI:25-26).
3. E propôs também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros: Subiram dois homens ao templo, a fazer oração: um fariseu e outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava lá no seu interior desta forma: Graças te dou, meu Deus, porque não sou como os demais homens, que são uns ladrões, uns injustos, uns adúlteros, como é também este publicano; jejuo duas vezes na semana, pago o dízimo de tudo o que tenho. O publicano, pelo contrário, posto lá de longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Meu Deus, sê propício a mim, pecador. Digo-vos que este voltou justificado para a sua casa, e não o outro; porque todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado. (Lucas, XVIII:9-14).

4. LUGAR E MODO DE ORAR

4.1. EM PÉ NAS SINAGOGAS

Devemos orar para sermos vistos pelos homens? Precisamos mostrar aos outros o nosso modo de crer? Sentarmo-nos na primeira fila para ser observado? O evangelista reportava-se aos fariseus ou aos hipócritas que, presumiam ser mais abençoados que outros, simplesmente porque oravam de pé nas sinagogas.

4.2. NO QUARTO

O quarto pode entendido em dois sentidos: 1) o quarto como aposento físico (quarto de dormir); 2) como o mundo interior do ser humano. Entrar no quarto, ou seja, concentrar-se em si mesmo, em seus problemas e em suas dificuldades, pedindo aos bons Espíritos o auxílio necessário para a resolução daquilo que nos incomoda.

4.3. MANEIRA DE ORAR

Não é a quantidade de palavras, nem o brilhantismo das expressões, mas um sentimento sincero com relação ao pedido efetuado, deixando tudo a cargo dos emissários do espaço, no sentido de dar um encaminhamento satisfatório para aquilo que estamos solicitando num dado momento de nossa vida.

5. PERDÃO

5.1. NÚMERO DE VEZES QUE SE DEVE PERDOAR

No Antigo Testamento, a Lei não só estabelece um limite à vingança pela lei de talião, mas ainda proíbe o ódio ao irmão, a vingança e rancor contra o próximo. No Novo Testamento, Jesus completa esse pensamento dizendo que Deus não pode perdoar a quem não perdoa. Por isso reitera que deveríamos perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes, ou seja, indefinidamente.

5.2. OS QUE NUNCA PERDOAM

No estoicismo, o sábio nunca perdoava, pois ele não podia ser atingido por nenhum dano enquanto sua vontade estivesse fixada na retidão, isto é, enquanto fosse um sábio: o pecador pecava contra sua própria alma. O próprio Gandhi, inquirido se já tinha perdoado alguém, disse que nunca havia perdoado porque ninguém nunca o ofendeu.

5.3. LIMPAR O CORAÇÃO

Antes de nos colocarmos em prece, devemos higienizar a mente e o coração, e se tivermos um pensamento maléfico contra alguém, tentemos eliminá-lo de nosso interior. Um pedido, para que tenha êxito, deve provir de um sentimento sincero e puro.

6. PARÁBOLA

6.1. O QUE É?

A parábola pode ser entendida como uma narração alegórica na qual o conjunto dos elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior. Nesta lição, referia-se: “a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros”.

6.2. A PARÁBOLA DOS DOIS HOMENS EM ORAÇÃO

No modo de orar, o evangelista compara o fariseu e publicano. O fariseu, na sua oração, dizia que não era como os demais homens, que são uns ladrões, uns injustos, uns adúlteros... O publicano, pelo contrário, dizia: Meu Deus, sê propício a mim, pecador. Daí, o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado.

6.3. REFLETINDO SOBRE A HUMILDADE

Jesus Cristo, quando esteve encarnado, deu-nos o exemplo da virtude, chegando a ponto de ordenar que amássemos os próprios inimigos. Dentre os seus vários ensinamentos, aquele que compara o Reino de Deus a uma criança, vem bem a calhar, pois evoca com firmeza o símbolo da humildade e da simplicidade. Não adianta conhecer profundamente a teologia e as mais altas concepções filosóficas. Se não nos fizermos humildes como as crianças – que são ingênuas e sem preconceitos – não entraremos no reino da verdade.

7. CONCLUSÃO

Na oração, não professemos muitas palavras, porque não seremos atendidos por elas, mas pela sinceridade com que a tenhamos expressado.

São Paulo, julho de 2021.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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