Automatismo e Herança

SUMÁRIO: 1. Introdução; 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Automatismo e Corpo Espiritual: 4.1. 1 Bilhão e Meio de Anos até a Época Quaternária; 4.2. Automatismo e Herança; 4.3. Teoria Mecanicista de Descartes. 5. Atitude e Comportamento: 5.1. Espíritos Criados Simples e Ignorantes; 5.2. Automatismo no Mal; 5.3. Transformação moral. 6. Automatismo: Mensagens Espíritas: 6.1. Combatendo a Sombra; 6.2. Renasce Agora; 6.3. Resiste à Tentação. 7. Conclusão. 8 Bibliografia Consultada.

1. Introdução

O que é automatismo? E herança? Quais são os avanços da ciência sobre o estudo da hereditariedade? Como podemos retratar a evolução do princípio inteligente? Quais as contribuições do Espírito André Luiz?

2. Conceito

Automatismo. Dá-se o nome de "automatismo" aos movimentos que ocorrem num objeto sem o impulso externo aparente. A diferença entre automatismo e automático é que na automação ou automatização há mais flexibilidade do que o mero automatismo. 

Hereditariedade ou herança genética. Consiste no conjunto de processos relativos à transmissão das características genéticas entre os indivíduos, ou seja, aspectos físicos e psíquicos que são transmitidos dos ascendentes (pais) aos seus descendentes (filhos).

3. Considerações iniciais

Em termos filosóficos, a hereditariedade assenta na comparação entre "mecanicismo" e "vitalismo".

Tem-se confirmado a hipótese de que o ácido desoxirribonucleico (DNA) é o material que transmite a informação hereditária de uma geração para a outra. 

O mecanismo da hereditariedade lançou luz sobre a origem da vida e a evolução da reprodução sexuada.

Além do impacto na medicina e na agricultura, os biólogos desenvolveram técnicas que permitem recombinar o material hereditário, o DNA, de organismos diferentes. 

O Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, descortina-nos toda a trajetória da relação entre automatismo e corpo espiritual.

4. Automatismo e corpo espiritual

4.1. 1 BILHÃO E MEIO DE ANOS até a época quaternária

Para chegar à idade da razão, o princípio inteligente despendeu um bilhão e meio de anos para chegar aos primórdios da era quaternária. Como a civilização humana surgiu há 200 mil anos, somos levados a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica. (Xavier, 1977, cap. III)

 4.2. Automatismo e herança

"Se, no círculo humano, a inteligência é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade, nas linhas da Civilização, sob os signos da cultura, observamos que na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é base da inteligência nos depósitos do conhecimento adquirido por recapitulação e transmissão incessantes, nos milhares de milênios em que o princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares da Natureza".

O princípio inteligente, na sua escalada evolutiva, adquiriu a atração no reino mineral; a sensação, no reino vegetal; o instinto, no reino animal; o pensamento contínuo, a razão e o livre-arbítrio, no reino hominal. Disso resulta os automatismos de nossa existência, em que a linguagem, o tato e a locomoção são os aspectos positivos, e os vícios e defeitos, os negativos. Na presente encarnação, temos de nos esforçar para estimular os atos bons, reprimindo, em contrapartida, os maus. (Xavier, 1977, cap. IV)

4.3. Teoria mecanicista de Descartes

Segundo Descartes, os animais são autômatos, reagem de forma mecânica às excitações externas, ao contrário do homem, que possui alma e vontade.

Para o Espírito André Luiz, Descartes não logrou apreender toda a amplitude dos caminhos que se descerram à evolução na esteira dos séculos, mas abordou a verdade do ato reflexo que obedece ao influxo nervoso, no automatismo em que a alma evolui para mais altos planos de consciência, através do nascimento, morte, experiência e renascimento na vida física e extrafísica, em avanço inevitável para a vida superior. (Xavier, 1977, cap. IV)

5. Atitude e comportamento

5.1. Espíritos criados simples e ignorantes

De acordo com a Doutrina Espírita, fomos criados simples e ignorantes, mas com a determinação de nos tornarmos perfeitos, com potencialidade de perfeição. Assim, Deus criou todos os Espíritos do mesmo ponto de partida, sem privilégio de espécie alguma.

Mas para que pudéssemos adquirir o pensamento contínuo, o livre-arbítrio e a razão foram necessários séculos e séculos de experiência, de repetição, de encarnação e desencarnação para automatizarmos as diversas funções de nosso corpo físico do corpo espiritual.

5.2. Automatismo no mal

Segundo a psicologia social, antes de adquirirmos um hábito devemos pensar muito, pois a sua extinção é mais difícil e demora muito mais do que sua aquisição. Exemplo: beber, fumar, drogas...

Lembremo-nos de que todos somos ofensores de nossas próprias inibições. O exercício aqui é procurar manter o equilíbrio, apesar do nosso automatismo de valentia, de revide, de querer esganar o nosso ofensor. A recomendação é perdoar a quantos nos aborrecem, a quantos nos firam, a quantos nos causam embaraço, a quantos nos roubam a nossa oportunidade do ganha-pão.

5.3. Transformação moral

Uma forma didática de se entender a reforma íntima é relacioná-la aos reflexos condicionados. Todos nós somos herdeiros de um automatismo, vindo de longa data. Dado um estímulo, respondemos automaticamente. Se xingados, queremos revidar. Observe as nossas respostas, as nossas reações no trânsito: uma leve "fechada" pode até ocasionar morte. E se mudássemos essa resposta automática. E se, em vez de querermos briga, perdoarmos aquele nosso irmão? Não haveria um ganho para o infrator e para nós?

6. Automatismo: Mensagens Espíritas

6.1. Combatendo a Sombra

"E não conformeis com este mundo, mas transformai-vos" — Paulo (Romanos, 12,2)

Não nos pede rebelião e gritaria. 

Não nos aconselha azedume e discussão.

A palavra da Boa Nova solicita-nos simplesmente a nossa transformação. 

Não te resignes aos hábitos da treva. Mas clareia-te, por dentro, purificando-te sempre mais, a fim de que a tua presença irradie, em favor do próximo, a mensagem persuasiva do amor, para que se estabeleça entre os homens o domínio da eterna luz. (Cap. 31 de Palavras de Vida Eterna)

6.2. Renasce Agora

"Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" — Jesus (João 3,3)

Conserva do passado o que for bom e justo, belo e nobre, mas não guardes do pretérito os detritos e as sombras, ainda mesmo quando mascarados de encantador revestimento. 

Alguém te magoa? Reinicia o esforço da boa compreensão. 

Alguém te não entende? Persevera em demonstrar os intentos mais nobres. 

Renasce agora em teus propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que te cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre ti mesmo, no tempo... (Cap. 56 de Fonte Viva)

6.3. Resiste à Tentação

"Bem-aventurado o homem que sofre a tentação" — (Tiago 1,12)

Toda vez que empreendemos a melhoria da alma, utilizando os trabalhos e obstáculos do mundo, devemos esperar a multiplicação das dificuldades que se nos deparam, em pleno caminho do conhecimento iluminativo. 

Contra o nosso anseio de claridade, temos milênios de sombra. Antepondo-se-nos à mais humilde aspiração de crescer no bem, vigoram os séculos em que nos comprazíamos no mal. 

Haja, pois, tolerância construtiva em derredor da caminhada humana, porque insinuações malignas nos cercarão em toda parte, enquanto nos demoramos na realização parcial do bem. (Cap. 101 de Pão Nosso)

7. CONCLUSÃO

Conforme nosso estudo mostra, urge aproveitarmos bem a nossa jornada terrena, pois somos devedores de um longo período de corrigendas de nossos automatismos negativos.

 Fonte de Consulta 

GIL, F. (Editor). Enciclopédia Einaudi. Lisboa: Imprensa Nacional, 1985-1991.

XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977.

São Paulo, agosto de 2018.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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