Assistência Espiritual e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Visão de Conjunto. 4. Assistência Espiritual: 4.1. Como se Processa a Assistência dos Espíritos; 4.2. Um Caso de Obsessão; 4.3. Raciocinando sobre a Cura da Obsessão. 5. Sessão de Assistência Espiritual: 5.1. Preparação de Ambiente; 5.2. Preparação dos Médiuns; 5.3. Preparação dos Assistidos. 6. O Trabalho de Passe: 6.1. Objetivo do Passe; 6.2. Magnetização e Padronização; 6.3. Perfil do Médium Passista. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar a contribuição dos Benfeitores espirituais no reequilíbrio, tanto físico como espiritual dos encarnados. O nosso roteiro comporta uma explicação do  processo de atuação dos Espíritos, como funciona um sessão de assistência espiritual e algumas notas sobre o passe espiritual.

2. CONCEITO

Assistência – do lat. Assistentia. Ato ou efeito de assistir a alguma coisa.

Assistência Espiritual - É o trabalho realizado pelos Espíritos, com o auxílio dos médiuns, no socorro às mentes em desequilíbrio. Diz-se também que é o conjunto de atividades organizadas de modo a proporcionar o reequilíbrio espiritual à coletividade que busca o Centro Espírita.  

3. VISÃO DE CONJUNTO  

Os Espíritos foram criados simples e ignorantes com a finalidade de se tornarem perfeitos. No que tange à evolução, o Espiritismo difere da Ciência, pois considera a vida planejada e conduzida pelos operários espirituais. As mônadas, trabalhadas por esses mesmos operários, vão adquirindo maior capacidade de expressão. Quando atingem a fase humana, em que o princípio inteligente é impregnado do pensamento contínuo, do livre-arbítrio e da razão, a divindade deixa-as ao sabor das próprias escolhas e a responsabilidade que daí advém.  

O Espírito, que na fase humana adquiriu o livre-arbítrio, nem por isso é entregue totalmente à sua própria sorte; sempre teve e terá a proteção de Espíritos superiores. Sobre esse mister, Allan Kardec afirma que somos muito mais influenciados pelos Espíritos do que imaginamos.  

Compulsando a história da humanidade, não são poucas as pessoas que se dizem guiadas por uma voz do além. O daimon socrático é um exemplo clássico, pois tudo o que fazia, fazia-o sob a sugestão dessa voz.  Joana D’Arc, a heroína francesa, na luta pela libertação da França do poderio britânico, dizia-se, também, guiada por uma voz interior.   

Isso mostra-nos que os Benfeitores espirituais estão preocupados com nossa evolução e, para que não nos desviemos do caminho, auxiliam-nos de diversas formas e mais objetivamente através de uma trabalho de assistência espiritual no Centro Espírita.  

4. ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL  

4.1. COMO SE PROCESSA A ASSISTÊNCIA DOS ESPÍRITOS  

Tem que haver um Espírito superior, o médium e a intenção.  

O Espírito superior está sempre interessado em auxiliar a humanidade encarnada. A sua dificuldade é a qualidade do instrumento, ou seja, o médium. Se o instrumento for moralizado o trabalho fica mais fácil. Há também que se considerar a intenção do instrumento, que se expressa na sinceridade do pensamento do médium. Caso este não aja com humildade, a assistência pode não acontecer a contento, e é quando os Espíritos menos felizes se aproveitam da situação constrangendo o médium. (Kardec, 1860, p. 46-47.)  

4.2. UM CASO DE OBSESSÃO  

Certa moça, contrariada em suas inclinações, casou-se com um homem que não amava. A mágoa que sofreu levou-a a um distúrbio mental; sob o domínio de uma idéia fixa, perdeu a razão e teve de ser internada.  

Um amigo da família e membro da Sociedade Espírita de Paris, julgou dever interrogar um Espírito superior, que respondeu: “A idéia fixa dessa senhora, por sua mesma causa, atrai em sua volta uma porção de Espíritos maus, que a envolvem com seus fluidos e alimentam as suas idéias, impedindo que lhe cheguem as boas influências: os Espíritos dessa natureza abundam sempre em semelhantes meios e constituem sempre obstáculo à cura dos doentes. Contudo, podereis curá-la, mas para tanto é necessário uma força moral capaz de vencer a resistência; e tal força não é dada a um só. Cinco ou seis espíritas sinceros se reúnam todos os dias, durante alguns instantes e peçam com fervor a Deus e aos bons Espíritos que a assistam; que a vossa prece seja, ao mesmo tempo, uma magnetização mental; para tanto não necessitais estar junto a ela, ao contrário, pelo pensamento podeis levar-lhe uma salutar corrente fluídica, cuja força estará na razão de vossa intenção, aumentada pelo número. Por tal meio podereis neutralizar o mau fluido que a envolve. Fazei isto: tende fé em Deus e esperai.”  

Seis pessoas se dedicaram, durante um mês, a esse mister. Depois de alguns dias a doente estava mais calma; quinze dias mais tarde a melhora era manifesta; e, passado um mês, ela voltou para casa em estado perfeitamente normal, ignorando ainda, como o seu marido, de onde lhe veio a cura.  (Kardec, 1863, p. 5)  

4.3. RACIOCINANDO SOBRE A CURA DA OBSESSÃO  

Em se tratando da obsessão, poderíamos perguntar por que os Espíritos protetores não forçam a retirada do Espírito mau. Não o fazem por uma razão simples: permitindo a luta, deixam-nos o mérito da vitória. O sofrimento dos Espíritos nobres é uma espécie de ginástica moral.  

Há muitas pessoas que preferem receita mais fácil para expulsar Espíritos: fórmula, palavra e gestos mágicos. O correto é atacar a causa, ou seja, corrigir os próprios defeitos, pois são estes que ocasionam a obsessão.  

O remédio: colocarmo-nos moralmente superiores ao que nos prejudica.  

Allan Kardec lembra-nos, contudo, de que a cura da subjugação, que é quando a vontade do Espírito obsessor se interpõe na nossa, nem sempre se consegue sozinho; nesses casos, deve-se solicitar o auxílio de terceiros, que são os trabalhos de desobsessão nos Centros Espíritas.  (Kardec, 1862, p. 362)  

5. SESSÃO DE ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL  

5.1. PREPARAÇÃO DE AMBIENTE  

Os preparativos espirituais para a realização de uma sessão espírita são ativos e complexos: eles começam bem antes de nossa chegada ao local.   

Para cada tipo de trabalho há um cuidado especial. O Espírito André Luiz, no capítulo 43 de Os Mensageiros, fala-nos da divisão da sala por longas faixas fluídicas, no serviço de preservação e vigilância em relação aos sofredores que ali acorriam. Eles magnetizavam o próprio ar.  

No capítulo 28 de Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz discorre sobre a proteção e a preparação de ambiente para a realização de uma sessão de efeitos físicos. Diz-nos que os Espíritos procedem à  ionização da atmosfera, combinando recursos para efeitos elétricos e magnéticos. Nos trabalhos deste teor reclamam-se processos acelerados de materialização e desmaterialização da energia.  

5.2. PREPARAÇÃO DOS MÉDIUNS  

O médium deve estar sempre bem preparado para o trabalho espiritual, pois ele será o intermediário na assistência dos Espíritos. Não estando devidamente equilibrado, poderá atrapalhar a veiculação dos bons fluidos dos benfeitores espirituais.  

Por isso, ele deve:  

1) evitar os noticiários televisivos, principalmente aqueles que antecedem a reunião espiritual;  

2) fazer um pequeno repouso, alguns momentos de meditação;  

3) evitar rusgas e discussões acaloradas.  

5.3. PREPARAÇÃO DOS ASSISTIDOS.  

Numa sessão de assistência espiritual a preparação do assistido assume papel relevante. As instruções quanto ao recebimento do passe deveriam começar pelo Plantão de Entrevistas, pois se receberem orientações para irem confiantes à Assistência Espiritual, com certeza facilitarão o trabalho tanto dos Espíritos como dos médiuns passistas.  

Nos momentos que antecedem o passe propriamente dito, os assistidos devem ser mantidos em concentração, principalmente através da leitura e comentário de uma página do Evangelho Segundo o Espiritismo.   

6. O TRABALHO DE PASSE

6.1. OBJETIVO DO PASSE

Propiciar ao assistido um reequilíbrio psicofísico espiritual. Para tanto o médium passista deve entender que o trabalho na câmara de passes tem um caráter mediúnico, ou seja, da mesma maneira que os Espíritos se utilizam dos recursos do médium, para a comunicação escrita ou falada, eles se utilizam das faculdades radiantes do médium para curar.

6.2 MAGNETIZAÇÃO E PADRONIZAÇÃO

Observa-se que a magnetização do paciente, mesmo a estimulada, independe da "técnica" ou da "gesticulação" do operador. Depende essencialmente da forma pela qual o cliente se condiciona, se entrega ao transe, se deixa sugestionar. A padronização da FEESP foi criada sob a orientação dos Espíritos Benfeitores, de acordo com conhecimentos científicos do corpo físico e do corpo espiritual, para proporcionarem maiores vantagens e melhor aproveitamento de tempo e espaço, além da necessidade de atenderem um número elevado de pessoas.

6.3. PERFIL DO MÉDIUM PASSISTA

Para atuar no setor de passes espíritas deve o colaborador ter as seguintes características:

1) possuir a faculdade radiante, ou seja, a capacidade de transmitir aos outros parte de seu magnetismo pessoal;

2) o médium passista, antes de tudo, é um médium e deve estar sempre se aperfeiçoando doutrinariamente;

3) estar em equilíbrio no campo das emoções. “Um sistema nervoso esgotado, oprimido, é um canal que não responde pelas interrupções havidas”;

4) disciplina no campo da alimentação. O excesso de alimentação, o álcool e outras substâncias tóxicas operam distúrbios nos centros nervosos, modificando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na transmissão de elementos regeneradores;

5) ter consciência do mecanismo do passe para fugir à mecanização do mesmo.

7. CONCLUSÃO

O médium é um indivíduo que deve estar sempre se burilando, pois somente com este objetivo em mente conseguirá atrair as boas vibrações dos mentores espirituais e, com isso, transformar-se num instrumento valioso na cura espiritual.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1860.
KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1862.
KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1863.
XA
VIER, F. C. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 10. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1979.
XAVIER, F. C. Os Mensageiros, pelo Espírito André Luiz. 7. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1969.

São Paulo, outubro de 2002

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