Útil e Inútil

1. CONCEITO DE ÚTIL

“Útil” significa tudo aquilo que tem um fim noutro e não em si mesmo. Um lápis é útil, porque o seu fim é escrever. O “útil” é sempre instrumento, sempre meio, é intermediário, e vale por tudo aquilo a que se dirige: não vale por si.

2. CONCEITO DE INÚTIL

“Inútil” significa o que não tem um fim noutro. Ora, aqui está todo o problema - “o que não tem um fim noutro” pode ser entendido de duas formas:

1ª) “não tem um fim noutro” porque não possui finalidade alguma;

2ª) ou, então, “não tem fim noutro” porque possui um fim em si mesmo (1).

3. CARÁTER DE ÚTIL

O caráter de útil se prende à idéia de criação, de uma criação renovada, de um mudar constante, de um dirigir-se sempre na escalada do progresso.

O fim torna-se meio, porque produzimos por produzir sem saber para que fim.

A angústia surge, porque a idéia de produzir perdeu o sentido ao não se saber o que produzir (1).

4. CARÁTER DE INÚTIL

Em se tratando do fim em si mesmo, “inútil” caracteriza-se pela perfeição e pela liberdade.

A existência lúdica, a estética e a especulação intelectual desinteressada chegam a ser uma necessidade, visto serem um desligamento dos aspectos práticos da vida. A contemplação de um quadro, de uma música pode levar-nos ao êxtase (1).

5. BEM-ESTAR E FELICIDADE

Bem-estar favorece o progresso técnico, portanto a melhoria das condições materiais de nossa existência. A felicidade prende-se às conquistas imperecíveis do Espírito (2).

6. A CRIANÇA E O ARTISTA

A fase da criança é útil ou inútil? A criança joga, pula, corre. Ela não pergunta “para que”, mas sim “o que”.

Esse mundo da criança prolonga-se na existência dos artistas. Estes últimos querem revelar sempre uma função nova das coisas (1).

7. PROGRESSO E ESPIRITISMO

De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso? Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.

O Espiritismo faz os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro interesse. Destrói, também, os preconceitos de seita, de casta e de cor, ensinando aos homens a grande solidariedade que os deve unir como irmãos (2).

8. PROGRESSO MORAL E UTILIDADE

O progresso moral e religioso não tem conotação de utilidade. Mas, bem entendido, leva ao aperfeiçoamento da criatura. Se há povos intelectuais que são maus, é porque o desenvolvimento espiritual e moral está por realizar-se.

9. O MEIO-TERMO

Depreende-se do estudo que temos de encontrar o meio-termo entre o útil e o inútil. Sabermos usar a máquina em benefício de nosso desenvolvimento espiritual. Dificuldade não implica necessariamente em impossibilidade. Atendamos ao “eu” superficial, mas não nos descuidemos do “eu” espiritual.

 

ÚTIL, INÚTIL E ESPIRITISMO

O "útil" caracteriza-se pela intermediação,  vale por tudo aquilo a que se dirige, não  por si mesmo. A criação e a renovação constante são seus atributos. Constroem-se máquinas e equipamentos  com a finalidade de aumentar  produção e produtividade. O produzir por produzir gera angústia, pois não se divisa o "para que" produzir.

O "inútil", em se tratando de um fim em si mesmo, caracteriza-se pela perfeição e pela liberdade. Nesse sentido, a existência lúdica, a estética e a  especulação  intelectual desinteressada tornam-se uma necessidade, porque  distanciam-nos dos aspectos práticos da vida. A contemplação de uma boa  música ou de uma obra de arte pode levar-nos ao êxtase.

 O útil relaciona-se ao progresso material; o inútil, ao progresso moral. Como podemos vê-los sob a ótica espírita?  Allan Kardec, ao tratar da Lei do Progresso, diz-nos que os povos  não podem ficar eternamente no estado natural. Afirma-nos, ainda, que conforme as civilizações tornam-se complexas, o homem tem de descobrir novos  meios  de produção, a fim de atender às suas necessidades, que também se ampliam. Portanto, o útil,  em si mesmo, não é fator negativo.

Por outro lado,  esclarece-nos  que  devemos dosar progresso técnico e progresso moral. É difícil os dois caminharem juntos. O progresso material vem à frente, para  desenvolver a inteligência.  Esta, depois, terá condições de escolher  entre  o bem e o mal. Optando pelo bem, sabe-se o que se produz e para que finalidade. O produzir por produzir deixa de existir.

A  Mente, refletida pelos postulados  espíritas, cria condições de conduzir nossas ações para o meio-termo. Possuamos a máquina, mas não nos deixemos possuir por ela.

QUESTÕES

1) Qual o conceito de “útil”?

2) Qual o conceito de “inútil”?

3) Qual o caráter de “útil”?

4) Qual o caráter de “inútil”?

5) O que se entende por bem-estar?

6) Relacione bem-estar e felicidade.

TEMAS PARA DEBATE

1) O “inútil” pode ser mais útil que o “útil”?

2) Bem-estar é sinônimo de felicidade?

3) Aprender o Espiritismo é útil ou inútil?

4) Criança, artista e utilidade. Comente.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) MENDONÇA, E. P. de.  O Mundo Precisa de Filosofia.

(2) KARDEC, A.  O Livro dos Espíritos.

São Paulo, dezembro de 1996.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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