Teoria Espírita do Conhecimento

1. DIVISÃO DA FILOSOFIA

Como ciência que estuda as leis mais gerais do ser, do conhecimento e da ação, podemos distinguir na filosofia três partes fundamentais:

1ª) Ontologia ou teoria do ser: estuda a origem, a essência e a causa primeira do cosmos, da vida e do pensamento; e a relação entre o ser e o pensamento;

2ª) Gnosiologia ou teoria do conhecimento: estuda a origem e a validade do conhecimento;

3ª) Axiologia ou teoria dos valores: estuda a origem, a essência e a evolução dos valores existenciais e indica os princípios da ação (1).

2. O CONHECIMENTO

Diante da pergunta como conhecemos, a tradição filosófica mostra duas posições clássicas: a platônica ou socrático-platônica, que envolve a questão da reminiscência, das idéias inatas, e a sofística ou empírica que se refere apenas aos nossos sentidos.

Surge a contradição: 1ª) “conhecemos pelo espírito”; 2ª) “conhecemos pelos sentidos”.

O primeiro a dar uma resposta conciliatória, ao que nos parece, foi Aristóteles, com sua teoria dos dois espíritos do homem: o formativo e o receptivo.

Essa dualidade é resolvida pela Filosofia Espírita (2).

3. ESPÍRITO E CORPO

Para a Filosofia Espírita, portanto, a dualidade de espíritos da teoria aristotélica não existe. O homem é essencialmente um espírito.

O Espírito é a substância do homem e o corpo seu acidente.

A percepção é uma faculdade do espírito e não do corpo. É o escafandrista que vê através dos vidros do escafandro e não este que vê pelos seus vidros.

Veja-se o ensaio teórico sobre as sensações dos espíritos, em O Livro dos Espíritos. O Espírito não percebe através dos órgãos, não vê pelos olhos nem ouve pelos ouvidos. Vê e ouve por todo o seu ser (2). 

4. PERCEPÇÃO OBJETIVA E SUBJETIVA

Há a percepção objetiva que estabelece a relação sujeito-objeto, e a percepção subjetiva, que faz do sujeito o seu próprio objeto.

Isso quer dizer, em termos epistemológicos (na teoria das ciências) que há Ciência e há Filosofia.

A Ciência investiga os objetos exteriores, a Filosofia investiga a si mesma, é o pensamento debruçado sobre si mesmo.

Hoje, temos o mundo dividido em duas partes: numa, se desenvolve o pensamento materialista como ideologia oficial dos Estados; noutra, o pensamento espiritualista na mesma posição (2).

A Filosofia Espírita se coloca entre ambas e nos oferece a síntese, mostrando o equívoco desse divisionismo artificial e anunciando o advento global da realidade.

5. O PROCESSO GNOSEOLÓGICO

A lei dos três estados da evolução gnoseológica segundo Auguste Comte são:

1º) o estado teológico em que tudo se explica pela intervenção dos deuses;

2º) o estado metafísico das explicações abstratas (o ópio faz dormir porque tem a virtude dormitiva);

3º) o estado positivo em que predominam as Ciências.

Kardec acrescentou a essa teoria, por sugestão de um leitor da “Revista Espírita”, o estado psicológico iniciado pelo Espiritismo (2).

6. HUMANIDADE CÓSMICA

A Teoria Espírita do Conhecimento amplia a nossa visão.

Não pensamos mais em termos geocêntricos, organocêntricos ou antropocêntricos e, por isso mesmo, não vivemos mais apegados a temores e superstições.

O Espiritismo nos confere a emancipação espiritual de cidadãos do Cosmos (2).

 

CONHECIMENTO E ESPIRITISMO

A Filosofia, depois que se desprendeu do tronco geral do conhecimento ficou, na atualidade, dividida em três partes fundamentais: a Ontologia ou teoria do ser, a Gnosiologia ou teoria do conhecimento e a Axiologia ou teoria dos valores. A teoria do conhecimento, objeto de nossa atenção, procura estudar a origem e a validade do conhecimento, inclusive distinguindo a verdade e o erro.

O conhecimento é a relação que existe entre o “observador” e a “coisa observada”. A realidade é o que é. Ela não é falsa nem verdadeira. Verdadeiros ou falsos são os nossos juízos acerca da mesma. Se a imagem que fazemos de um objeto coincide com o que ele é, estamos de posse da verdade; se, ao contrário, houve um viés, estamos em erro. Assim sendo, é muito mais importante a imagem que fazemos do objeto do que ele próprio.

Como é que o conhecedor conhece? Conhece pelo Espírito? Ou conhece pelo sentido? Embora Aristóteles tenha dado sua contribuição a essa contradição, quando elaborou a  teoria dos dois espíritos do homem - formativo e receptivo - , ainda persiste muitas dúvidas. Para os materialistas, conhecemos pelos sentidos; para os idealistas, conhecemos pelo espírito.

Para o Espiritismo essa dualidade de Espírito e Matéria não existe. O homem é essencialmente um Espírito. Nesse sentido, o Espírito é a substância do homem e o corpo seu acidente. A percepção é uma faculdade do Espírito e não do corpo físico. O Espírito não percebe através dos órgãos, não vê pelos olhos nem ouve pelos ouvidos. Vê e ouve por todo o seu ser.

Como vemos há a percepção objetiva que estabelece a relação sujeito-objeto, e a percepção subjetiva, que faz do sujeito o seu próprio objeto. Isto quer dizer que há ciência e filosofia. Não há, assim, uma  separação total entre ciência e  Filosofia. É justamente esse viés do pensamento que divide o mundo em duas partes: numa o pensamento materialista como ideologia oficial dos Estados; noutra o pensamento espiritualista na mesma posição. A Filosofia Espírita coloca-se entre ambas e oferece-nos a síntese, no sentido de compreender a realidade como um todo.

A convicção de que somos um todo formado por Espírito, Perispírito e Corpo Físico, auxilia-nos sobremaneira na construção dos conhecimentos verdadeiros que nem a traça e nem a ferrugem desgastam.

QUESTÕES

1)  Quais as duas posições clássicas diante da pergunta como conhecemos?

2)  Como o Espiritismo responde à pergunta como conhecemos?

3)  O que é a Filosofia Espírita?

4)  Quais são os estados da evolução gnoseológica?

TEMAS PARA DEBATE

1)  O Espírito vê e ouve por todo o seu ser?

2)  Percepção objetiva, percepção subjetiva e Espiritismo. Comente

3)  O Espiritismo nos  confere a emancipação espiritual de cidadãos do cosmos?

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) BAZARIAN, J.  O Problema da Verdade.

(2) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

São Paulo, dezembro de 1996.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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