Os Sofistas

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Significado. 3. Considerações Iniciais. 4. Os Sentidos. 5. Convencionalismo. 6. Retórica. 7. Protágoras. 8. Os Combatentes dos Sofistas. 9. A Sofística e os Sofistas. 10. Bibliografia Consultada. 

1. INTRODUÇÃO 

Quem são os sofistas? Quando surgiram na história? São filósofos? Que ideias defendem? É um termo pejorativo? Qual o seu significado real?  

2. SIGNIFICADO  

Sofista. Do grego sophistes, sábio. Professor itinerante da Grécia do século V a.C. Os sofistas ofereciam instrução em uma ampla gama de assuntos, particularmente em retórica, em troca de pagamento. Com o tempo, o sentido pejorativo ultrapassou o sentido real. Somente na atualidade, o sentido antigo voltou a ser defendido por um movimento, que se denominou “iluminismo grego”.  

A fundamentação deste conceito reside no fato de eles terem sido os primeiros educadores profissionais (recebiam pagamento pelo ensino) de disciplinas humanas, tais como, política e moral e, principalmente, a retórica

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS  

A atitude relativista dos sofistas em relação à política e à moral era a expressão do pensamento naquela época. Esta atitude ia ao encontro da democracia, que supunha conceder valor às opiniões, ou seja, à diversidade de pareceres. 

A democracia grega trouxe uma mudança radical na natureza da liderança: numa assembléia, em que o povo podia tomar decisões, a linhagem não era suficiente. Como a aspiração máxima era a vitória, um político tinha que se desenvolver na arte de persuadir e de convencer as massas, mostrando que a sua era a melhor proposta para governar a cidade, o estado. 

Daí, a necessidade de se aprender a argumentar, ou melhor, fazer do argumento fraco um argumento forte. Isso era tarefa dos sofistas.  

4. OS SENTIDOS  

Os sofistas davam grande valor aos sentidos. Pergunta: se os sentidos mostram coisas diferentes a diferentes indivíduos, como decidir qual delas está de posse da verdade? A resposta é: a verdade é relativa a cada um. Assim, não há uma verdade absoluta; cada coisa é o que parece ser para cada um. Este relativismo conduz ao ceticismo.  

5. CONVENCIONALISMO  

Os gregos pensavam que as leis naturais eram inamovíveis, ou seja, absolutas. A constatação, porém, de que outros povos têm culturas e valores diferentes, levou os sofistas a aceitarem o convencionalismo das leis. A partir desse momento, as leis passam a ser arbitrárias e provisórias, relativas, portanto, à comunidade e ao próprio indivíd0.

6. RETÓRICA

A retórica é um de seus pontos centrais. A retórica pode ser entendida tanto como uma técnica do discurso como uma reflexão sobre o mesmo. A invenção da política, na antiguidade, muito contribui para a sua propagação, pois as pessoas tinham que usar a sua palavra para persuadir e convencer os seus oponentes. Acontece que a arte da persuasão não se reteve apenas à política. Ela se popularizou e era necessária em qualquer circunstância em que fosse necessário o uso da palavra, inclusive em discussões triviais que as pessoas tivessem que defender uma opinião ou mesmo um ponto de vista. 

7. PROTÁGORAS  

Protágoras (480-410 a.C.) foi o sofista mais famoso do seu tempo. Dele vem a famosa frase: “o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, e das que não são, enquanto não são.” Dele, também, provém a ideia dos raciocínios duplos: “Em toda questão há dois raciocínios opostos entre si”, quer dizer, de cada coisa se pode dar duas versões opostas. Já que não há verdade, um juízo é tão válido quanto o seu contrário. 

8. OS COMBATENTES DOS SOFISTAS  

Sócrates, Platão e Aristóteles achavam os sofistas perigosos para a sociedade. Por isso, elaboraram grande parte de suas concepções como respostas destinadas a desmontar o edifício construído por esses pensadores. 

A ideia que fazemos dos sofistas foi nos transmitida por Platão. Até então havia muita confusão sobre o que é ser sábio, sofista e filósofo. Para Platão, os sofistas são os personagens que dialogam com Sócrates, servindo de contraponto para que este defina o que é o filósofo. Platão dizia que os sofistas eram "imitadores de sábios", pois apenas aparentavam sabedoria. Eles, além de cobrarem pela educação, preocupavam-se apenas em ensinar a manipulação das palavras como forma de persuadir e ganhar um debate, seja de que forma fosse. 

Os sofistas ganhavam muito dinheiro vendendo saberes; Sócrates afirma nada saber. Nesse caso, não tem nada para vender. 

A concepção de conhecimento, em Sócrates, dá-se pela maiêutica. Na maiêutica, Sócrates apresenta-se como uma parteira (ofício de sua mãe), mas no sentido metafórico, ou seja, faz os homens parirem conhecimento. 

9. A SOFÍSTICA E OS SOFISTAS 

Na história da filosofia, a sofística sempre entrou como parte da retórica ou da literatura, mas não da filosofia. Presentemente, há uma retomada das pesquisas sobre esse tema. Na Europa, do século XX, cunharam o termo "logologia" (por oposição à ontologia), que é uma reflexão sobre o logos. Em linhas gerais, trata-se do modo como construímos o nosso modo de falar. Nos Estados Unidos, alguns autores falam da "neo-sofística", movimento que revaloriza a retórica, principalmente o papel das emoções e das circunstâncias na construção das falas. 

Estudos recentes sobre os pré-socráticos e a publicação do Dicionário dos Filósofos Antigos, que está sendo elaborado por diversos estudiosos europeus e publicada aos poucos (o quarto volume, publicado em 2005, vai até a letra O) podem mudar o status quo platônico sobre os sofistas. Nesses estudos pré-socráticos, cita-se As Nuvens, comédia escrita por Aristófanes em que Sócrates é caricaturado como intelectual. Para Aristófanes, Sócrates é ao mesmo tempo um pesquisador da natureza e um manipulador de discursos, pois tinha como objetivo principal o êxito nos seus negócios. 

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 

DUHOT, Jean-Joël. Sócrates ou o Despertar da Consciência. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004, segunda parte, cap. 3.

MARQUES, Marcelo P. Os Sofistas: o Saber em Questão. In: FIGUEIREDO, Vinicius (org.). Filósofos na Sala de Aula. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, vol. 2.

TEMÁTICA BARSA - FILOSOFIA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005.

São Paulo, Julho de 2013.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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