Sociologia: um Resumo

Introdução  

No século XIX, depois da Revolução Francesa, o tema da cotidianidade, aquilo aparentemente sem transcendência, foi tomando corpo junto aos pensadores da época. As perguntas eram sobre a natureza humana e as mudanças que se estabeleciam nas sociedades.  

Antecedentes  

Comte (positivismo) e Marx (materialismo histórico) são os precursores da moderna sociologia. Durkheim e Weber, além de complementarem as teorias de  Comte e Marx, dão à sociologia um status de ciência, com possibilidade de novos desenvolvimentos.   

Durkheim  

Para Émile Durkheim (1858-1917), a sociologia é uma ciência positiva que investiga os "fatos sociais". Não havendo uma metodologia própria, tratou de desenvolvê-la. Nesse sentido, lança, em 1895, As regras do método sociológico, em que expõe a necessidade de que as investigações sejam feitas mediante trabalhos empíricos.  

Durkheim sugere o uso de dois instrumentos auxiliares: o direito e a estatística. O direito, como manifestação de algumas regras que surgem da consciência coletiva. A estatística, por sua vez, garante certa objetividade da análise sociológica. Isso porque os fatos sociais não podem ser explicados em termos individuais. A sociedade é algo muito maior do que a soma dos entes individuais.    

“A sociologia, portanto, busca a explicação dos fenômenos sociais na própria estrutura da sociedade — e o caráter autônomo dessa estrutura social já se manifesta no próprio fato de que o indivíduo carece de poder de transformá-la sozinho”.  

Weber 

Max Weber (1864-1920) tem uma ideia diferente da sociologia, pois sua obra surge no contexto cultural alemão do historicismo e do neokantismo. A filosofia kantiana impõe limites ao que se pode conhecer. “Todo conhecimento conceitual da realidade por parte do espírito humano finito — esclarece esse sociólogo alemão — apóia-se de fato sobre o pressuposto tanto de que apenas uma parte finita dessa realidade forma o objeto da investigação científica." 

Weber acha que a metodologia das ciências sociais deve ter por princípio a "neutralidade valorativa", já que "não existe nenhuma análise científica puramente objetiva da vida cultural ou dos fenômenos sociais, independente dos pontos de vista específicos e unilaterais, segundo os quais aqueles fenômenos — expressa ou tacitamente, consciente ou inconscientemente — são selecionados como objetos de investigações, analisados e organizados por meio da expressão".  

Multicausalidade 

A "neutralidade valorativa" de Weber apóia-se em outro conceito, também seu, isto é, a multicausalidade

Weber destaca essa multicausalidade em A ética protestante e o espírito do capitalismo (1904-1905). Este trabalho é uma investigação sobre as origens do capitalismo europeu em que se demonstra o caráter unilateral das teses de Marx (que analisa essas mesmas origens em termos de causas econômicas e sociais). Weber demonstra que as origens do capitalismo na Europa podem ser explicadas tanto do ponto de vista escolhido por Marx quanto do que ele mesmo propõe e que é o da religião. 

A Burocratização da Sociedade

Segundo o seu ponto de vista, o que prevalece na história do Ocidente é a racionalização trazida pelo capitalismo. Para Weber, esse processo de racionalização cada vez mais eficaz é o que explica a crescente burocratização das sociedades contemporâneas e a consequente despersonalização da vida individual. 

A Sociologia Europeia depois de Weber

Durkheim e Weber tiveram grande influência nas principais correntes da sociologia contemporânea.

Karl Mannheim (1891-1947). Com as contribuições da fenomenologia, da psicanálise e do marxismo, ele desenvolve a sociologia do conhecimento. Num sentido amplo, a sociologia do conhecimento se ocupa "dos diversos modos como a realidade se revela ao sujeito em consequência das diferentes posições sociais em que encontra".

Raymond Aron (1905-1983). Interessa-se pelas relações que se estabelecem entre a estrutura social e os regimes políticos na sociedade industrial. Em seus trabalhos, desmascara as concepções pseudodemocráticas dos regimes do Leste, a partir de uma posição crítica, e refletindo sobre a bipolaridade do mundo contemporâneo - Leste-Oeste. 

O Funcionalismo Americano

Talcott Parsons (1902-1979) e Robert K. Merton (n. 1910) concebem a sociedade como uma unidade funcional que integra de forma coerente a relação entre todos os seus componentes. 

Parsons, professor da Universidade de Harvard, é um dos principais teóricos da sociologia americana. Sua teoria geral, muito abstrata, conhecida como funcionalismo ou funcionalismo estrutural, baseia-se no princípio de que a análise de qualquer instituição social deve ser feito em função do que ela traz para o funcionamento e manutenção da sociedade como um todo.

Merton, discípulo de Parsons, desenvolve um funcionalismo menos abstrato e mais preocupado com a investigação empírica. 

Sociologia Crítica

A principal crítica à sociologia funcionalista vem da escola de Frankfurt. Max Horkheimer, Theodor W. Adorno e Herbert Marcuse são os principais sociólogos desta escola. Adorno, por exemplo, dizia que "não existe conhecimento que não seja simultaneamente crítico, em virtude do discernimento, inerente a ele, entre verdadeiro e falso".

Jürgen Habermas (n. 1929) tinha como tema central o da racionalidade, e para ele significa "a forma como os sujeitos capazes de linguagem e ação fazem uso do conhecimento". 

Pierre Bourdieu (1930-2002) mostra como a burguesia se reproduz por meio do ensino. Para Bourdieu, a sociologia, ao pôr em evidência os determinismos sociais, coloca em dúvida os pressupostos de liberdade e autonomia inerentes ao individualismo moderno, ao mesmo tempo em que é o instrumento para nos ajudar na tomada de consciência das próprias determinações, por meio da reflexividade.  

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia (Resumo do texto)

São Paulo, outubro de 2013. 

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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