Jean-Jacques Rousseau

"O homem nasce livre e por toda parte se encontra acorrentado."
O contrato social 

Sérgio Biagi Gregório 

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Dados Pessoais. 3. Considerações Iniciais. 4. O Sentimento à frente da Razão. 5. Natureza e Cultura. 6. O Contrato Social. 7. Rousseau e a Linguagem. 8. Rousseau e o Estado. 9. Influência de Rousseau. 10. A Pedagogia de Rousseau. 11. Bibliografia Consultada. 

1. INTRODUÇÃO 

Quem foi Jean-Jacques Rousseau? Qual sua contribuição para a história da filosofia? O que nos legou? O Contrato Social e Emilio ou Da Educação são as suas principais obras?  

2. DADOS PESSOAIS  

Jean-Jacques Rousseau foi um importante filósofo, teórico político e escritor suíço. Nasceu em 28 de junho de 1712 na cidade de Genebra (Suíça) e morreu em 2 de julho de 1778 em Ermenoville (França). É considerado um dos principais filósofos do iluminismo, sendo que suas ideias influenciaram a Revolução Francesa (1789).  A mãe morreu poucos dias após dar à luz, e dez anos depois o pai teve de fugir para evitar a prisão, deixando Rousseau aos cuidados de um tio. O menino teve pouca educação formal e saiu de Genebra em 1728, quando passou a vagar pela Itália e a Saboia antes de se estabelecer em Paris, em 1742. (Levene, 2013) 

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 

O iluminismo francês está centrado em Voltaire, Montesquieu e Rousseau que, apesar das diferenças de abordagem, têm dois pontos em comum: confiança na razão e repúdio à religião.  

O expoente mais radical do iluminismo político encontra-se em Jean-Jacques Rousseau, que acredita na bondade natural do homem, o qual foi pervertido pela sociedade. Para ele, a natureza e a cultura se opõem. 

Para que o homem possa se reconciliar com a sociedade, há necessidade de um novo contrato social baseado na igualdade democrática, e uma nova pedagogia que respeite a natureza livre do ser humano. 

As ideias políticas de Rousseau produzem em sua época um impacto enorme, e em 1789, ao explodir a revolução francesa, ajudam a inspirar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.  

4. O SENTIMENTO À FRENTE DA RAZÃO 

Jean-Jacques Rousseau ocupa lugar singular no iluminismo francês. Ele se diferencia de outros pensadores, como Voltaire, Diderot e D'Alembert, pela importância que dá ao sentimento em relação à razão. Esta superioridade está vinculada à religiosidade. Sendo deísta convicto, a religião natural constitui uma ligação profunda que brota da harmonia do Universo e que une o homem a Deus, o Ser supremo. (Temática Barsa) 

Rousseau dizia: “Todas as nossas paixões são boas quando nos tornam senhores; todas são más quando nos tornam escravos”. 

5. NATUREZA E CULTURA 

Para Rousseau, "tudo é perfeito ao sair das mãos do Criador, e tudo degenera nas mãos dos homens". Ele foi o primeiro pensador moderno a defender uma oposição entre o homem e a sociedade. Assim, crê que a sociedade é má porque é baseada na desigualdade, em que o forte impõe sua vontade ao fraco. Isso porque arrancou o homem de seu originário "estado de natureza" em que vivia em harmonia com sua bondade primitiva.  

O Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, em 1754, trata da desigualdade e da injustiça como frutos de uma hierarquia mal constituída. Nessa obra, Rousseau afirma que a organização social não corresponde à verdadeira natureza humana, corrompendo-a e sufocando o seu potencial.  

6. O CONTRATO SOCIAL 

Alguns pensadores políticos, como Tomas Hobbes e Jean Jacques Rousseau, desenvolvem a idéia de que a sociedade deve ser regida por um contrato social, em que cada indivíduo renuncia algo de si em prol do bem comum. Tomas Hobbes, por exemplo, defende a tese de que o homem é lobo do próprio homem; Rousseau, por outro lado, diz no começo do seu contrato social que o homem nasce livre, mas em toda a parte se vê acorrentado. A partir daí, prescrevem a maneira de se constituir a sociedade, onde o todo seja contemplado e os direitos dos cidadãos defendidos. 

J. J. Rousseau, no seu Contrato Social, diz que a vontade geral supõe que cada um (e não grupos, facções, partidos) se dê inteiramente, no ato de formação do povo pelo qual a vontade geral se engendra, e cuja soberania exprime a legitimidade. 

Para Rousseau, o homem, nascido livre, está acorrentado. No seu Contrato Social, evoca a necessidade de cada pessoa renunciar a sua liberdade em prol da sociedade. “Somente um homem não mais educado na escola do egoísmo e da propriedade privada poderá fazer escolhas políticas com base não nos seus interesses particulares, mas tendo em vista o bem-estar do conjunto da sociedade, segundo o princípio da vontade geral”. 

7. ROUSSEAU E A LINGUAGEM 

Para Rousseau, a linguagem nasceu sob o estímulo das emoções, não da utilidade social, como sustentava Demócrito. “Para resolver todos os problemas práticos da vida bastam os gestos e as ações; é somente para significar o amor e o ódio que as palavras se tornam imprescindíveis. A primeira linguagem dos homens era, portanto, poética, expressiva, ligada aos estados de ânimo. Depois vieram as gramáticas: ganhou-se em clareza, mas perdeu-se em poesia”. 

8. ROUSSEAU E O ESTADO 

Para Rousseau, o Estado deve pautar-se pela vontade geral, e não a da maioria. É uma posição contrária à democracia: “O bem comum não pode ser estabelecido pela simples soma estatística das opiniões individuais – por exemplo, pelo voto, posto que somando tantos egoísmos não se obtém absolutamente altruísmo e consciência civil”. 

9. INFLUÊNCIA DE ROUSSEAU

A influência de Rousseau foi tamanha que, no período que antecedia a Revolução Francesa, havia um grupo de intelectuais, pertencente ao Círculo de Ferro, que estudaram exaustivamente cada um dos capítulos do seu livro Do Contrato Social, com o objetivo de formar a opinião da população. Como Rousseau era pessimista, e dizia que todos os homens nascem livres mas em toda a parte se vêem acorrentados, eles reelaboram esse conceito, dizendo que se Rousseau estivesse vivo, a revolução seria o único meio libertar as pessoas dessas correntes.

10. A PEDAGOGIA DE ROUSSEAU 

“A sociedade livre e igualitária que Rousseau preconiza é inatingível se não se estabelece uma nova pedagogia. O contrato social é, assim, inseparável de Emílio ou Da Educação (1762), romance em que Rousseau expõe seus ideais pedagógicos. Uma vez que o ser humano é originariamente bondoso e sua perversão é produto da sociedade e da cultura, a educação tem de ser em primeiro lugar negativa, evitando a imposição de qualquer conteúdo religioso, moral ou filosófico. A arte do verdadeiro educador, diz Rousseau, não tem outro fim senão o afastamento dos obstáculos que impedem o desenvolvimento das aptidões e impulsos naturais do indivíduo. O ensino deve preparar o homem para o reino da liberdade, fortalecendo-o fisicamente - em contato com a natureza e longe da corrupção do mundo urbano - e lhe devolvendo esse poder que lhe foi arrancado pela sociedade e pela cultura. Consequentemente, é necessário, antes de raciocinar, aprender a sentir, e, antes de memorizar, dispor dos meios que permitam compreender. Os conteúdos intelectuais devem ser introduzidos o mais tarde possível, e de forma limitada, porque não se trata de conhecer tudo, mas apenas aquilo que será útil ao bem-estar do indivíduo. Nessa apologia da educação natural que se aloja no Emílio, subjazem ideias que foram extraordinariamente fecundas para o desenvolvimento da moderna pedagogia. Uma das mais importantes é a que se refere ao mundo da infância. Antes de Rousseau, a criança era vista como um pequeno adulto; depois de Rousseau, começou-se a compreender que a personalidade infantil tem direitos próprios, e que os primeiros anos de vida constituem uma etapa autônoma e diferenciada, que não pode de maneira alguma ser assimilada às coordenadas da vida adulta”. (Temática Barsa) 

11. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 

LEVENE, Lesley. Penso, Logo Existo: Tudo o que Você Precisa Saber sobre Filosofia. Tradução de Debora Fleck. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.  

TEMÁTICA BARSA (Filosofia). Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. 

São Paulo, maio de 2013. 

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