Psicologia e Psicologia Científica

Psicologia é a ciência dos fenômenos psíquicos e do comportamento. Estuda as ideias, sentimentos e determinações cujo conjunto constitui o espírito humano. 

Os primórdios da Psicologia encontram-se: 1) na antiguidade grega, a afirmação de que é o espírito que vê o ouve (e não os órgãos sensoriais); 2) a classificação dos humores e sua relação com os temperamentos (sanguíneo, fleumático, melancólico e colérico); 3) Pitágoras e sua crença na imortalidade da alma; 4) Platão com sua teoria de que os desejos se satisfaziam nos sonhos, por meio de imagens, quando se achavam adormecidas as mais altas faculdades da mente.  

Psicologia científica 

A criação da psicologia científica está ligada ao abandono da metafísica ocorrido no século XX e à tentativa de aplicar os métodos científicos aos fenômenos mentais. Desde essa época, a psicologia configurou-se numa pluralidade de tendências metodológicas, cuja análise experimental se fundamenta em duas vertentes: a) aprendizagem como processo psicológico subjacente ao comportamento; b) cognição como base do comportamento.  

Origens da psicologia científica   

Wilhelm Wundt (1832-1920), fisiologista e filósofo alemão, foi o fundador do primeiro laboratório de psicologia experimental. Segundo o seu ponto de vista, todo o conhecimento humano provém da experiência, inclusive os conteúdos da mente. Acha que o trabalho do psicólogo é estabelecer leis que regem as associações entre os elementos sensoriais.  

Mesmo tendo limitações, o método proposto por Wundt teve o mérito de chamar a atenção para o tratamento da psicologia através do método teórico-experimental.   

Pavlov e os reflexos  

Ivan P. Pavlov (1849-1936), no início do século XX, cria o termo “reflexologia”, para descrever a associação entre os fenômenos psíquicos e os reflexos, condicionados e incondicionados. De suas experiências com cães, conclui que “os reflexos incondicionados são respostas inatas de tipo muscular ou glandular, que o organismo emite em face dos estímulos provenientes do meio (seja interno ou externo). Os reflexos condicionados são respostas às variações do meio (quer dizer, condicionados por essas variações), que se estabelecem no nível cortical sobre a base das anteriores, e que permitem a adaptação a ele”.  

O behaviorismo  

John B. Watson (1878-1958), fundador do behaviorismo, escola norte-americana, reitera que o grande erro que impede a formação de um saber verdadeiro sobre o ser humano é o empenho de investigar o psiquismo a partir de seu interior. Ele defende que “a psicologia deve investigar o comportamento, entendido como o conjunto de respostas dadas por um organismo diante de determinados estímulos do meio, e que deve prescindir de qualquer pretensão de estudar os chamados fatos de consciência. O comportamento são “fatos observáveis”, e a tarefa do psicólogo é pelo método experimental, observar e medir a resposta (comportamento) a partir de manipulações do estímulo, para poder com isso estabelecer um sistema psicológico capaz de definir os mecanismos de adaptação e a previsão do comportamento”.  

As contribuições de Skinner 

Burrhus F. Skinner (1904-1990), um neobehaviorista, afirma que a dualidade corpo e mente deve ser superada. Parte do esquema pavloviano, em que o comportamento é uma resposta a um estímulo específico. Ele  mostra que existe um novo tipo de condicionamento, denominado “operante” ou “instrumental”.   

Skinner diz que a maioria dos comportamentos observáveis não responde ao mero esquema estímulo-resposta. Na verdade, “o comportamento é “operante”; o ato opera sobre o ambiente para obter estímulos compensatórios ou punitivos. Inverte-se a relação E-R, realizando-se um ato (resposta) ao qual se segue um estímulo de reforço. O reforço é aquilo que faz aumentar a frequência de determinado comportamento – seja porque apresente um estímulo positivo ou prazeroso, seja porque reduza ou elimine um estímulo negativo ou desagradável”.  

A psicologia da forma  

A psicologia da forma – Gestalt – quer estudar a mente como conjuntos unificados e significativos. A psicologia da forma diz que a consciência é constituída por “formas que obedecem a uma peculiar e diferenciada atividade estruturadora da vida psíquica, que é percebida pelo psiquismo humano segundo determinados princípios – como o da contiguidade e do contraste que existe entre as partes de um todo, o da identidade e o da totalidade etc. – que em hipótese alguma podem ser decompostos em elementos mais simples, porque sua significação surge justamente do caráter independente que os liga a um conjunto mais vasto, apreendido como um todo”.  

O estudo etológico do comportamento humano  

Konrad Lorenz (1903-1989), em seus estudos etológicos, mostrou-nos a diferença que existe entre comportamento inato e comportamento adquirido. A adaptação do animal ao seu meio ambiente ocorre por meio de um duplo caminho: a) do instinto, herdado filogeneticamente; b) da aprendizagem, sujeita à experiência individual. Lorenz transfere algumas observações – principalmente a agressividade – feitas no reino animal para o reino humano. 

Lorenz acha que é possível diferenciar, em todo o comportamento, o que é nato e o que é aprendido. Para isso estabelece a tese da impressão, um processo especial de aprendizagem que no animal aparece pré-formado a partir de sua bagagem hereditária específica. Por meio da impressão, o animal aprende alguns comportamentos que já estão “programados”, mas extensivos a todos os indivíduos de uma mesma espécie.  

O cognitivismo 

Nos anos 1950, a psicologia supera o âmbito dos estudos sobre o comportamento para colocar a ênfase na cognição. O significado, o sentido, passa a ser o conceito fundamental da psicologia. Aqui, procura-se explicar como a consciência regula, controla e planifica o comportamento.  

Alan Mathison Turing (1912-1954), matemático britânico, diz ser possível simular qualquer comportamento, simples ou complexo, com a ajuda de uma máquina. Daí, determinados psicólogos cognitivistas fundam seus trabalhos a partir da hipótese de que o psiquismo humano pode ser considerado como uma máquina de tratamento de informação, análoga ao computador – e, por isso, os processos mentais mais complexos, como a conceitualização ou a resolução de problemas, são analisados por meio de metáforas da tecnologia da informática e das teorias da informação.  

A psicologia genética de Jean Piaget: o construtivismo  

Jean Piaget (1896-1980), psicólogo suíço, interessa-se pelo pensamento dos adultos, e como ele vai sendo construído, passo a passo, desde a infância. Para ele, a inteligência infantil se desenvolve por meio de adaptações sucessivas, que se fundamentam na assimilação e na acomodação.  

Piaget viu que a criança parte de uma absoluta carência com sujeito – carência que se manifesta em seu não-reconhecimento da realidade objetiva. Mas, a partir desse estado caótico inicial, a criança começa a se desenvolver buscando, como todo organismo vivo, um equilíbrio entre a acomodação à realidade externa e sua assimilação. No decorrer desse processo evolutivo, o pensamento infantil atravessa uma série de estados ligados a três grandes fases. A primeira dessas fases é a da inteligência sensório-motriz; a segunda, a da inteligência operatória concreta; finalmente, a terceira, que já conduz ao pensamento adulto, é a da inteligência operatória formal.  

Observação: trata-se de um resumo feito a partir do capítulo "Novas Disciplinas do Século XX", da Temática Barsa (Filosofia)  

São Paulo, setembro de 2013.

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