Positivismo

Introdução

Doutrina fundada pelo francês Augusto Comte (1798-1857) em que a filosofia tem que ser “positiva”, ou seja, deve se restringir ao que for cientificamente verificado. A partir daí, estabelece os fundamentos da sociologia, ciência da sociedade que ele entende como o saber superior.  

A filosofia do positivismo 

Tendo influência do conde de Saint-Simon, e assim como Condorcet, acha que a humanidade avança pelo caminho de um progresso constante. Da mesma forma que Montesquieu, interessa-se por descobrir as leis que regulam os fenômenos sociais. 

O positivismo é uma filosofia dos fatos. Só os fatos são suscetíveis de comprovação por meio da experiência. Nesse sentido, a filosofia de Comte despreza frontalmente a metafísica: "A única máxima absoluta que existe é que não existe nada absoluto".  

A filosofia comtiana é um saber que investiga os fatos e suas relações tal como são concebidos pelas ciências. Partindo desses critérios, cria o termo sociologia que, para ele, é uma ciência "positiva" que tem por objeto a investigação dos fatos sociais, assim como a formulação das leis que os governam.  

A lei dos três estados 

A doutrina de Comte é justificada pela lei dos três estados:  

1.º) estado teológico. A mente humana explica os fenômenos de maneira fictícia, apelando para causas sobrenaturais; 

2.º) estado metafísico. Aqui, a indagação das causas é feita no terreno da natureza, mas de forma abstrata; 

3.º) estado científico. Abandona-se o saber causal e limita-se a observar os fatos e a estabelecer leis positivas a partir deles.  

De acordo com a lei dos três estados, o positivismo comtiano é a filosofia que corresponde a estado científico da humanidade. Comte acredita que o positivismo é também uma religião, pois herda, como ciência social, aquela força coesiva do coletivo que se encontra nas religiões tradicionais.  

Stuart Mill 

John Stuart Mill (1806-1873), sendo utilitarista e liberal, adapta o positivismo comtiano ao utilitarismo inglês, porém impregnado de conteúdos éticos e políticos bem específicos. Herdeiro de Jeremy Bentham (1748-1832), que relaciona o bem ao prazer e o mal à dor, Mill estabelece que o bem-estar deva estar disponível ao maior número possível de indivíduos. Ressaltemos que o positivismo de Mill é essencialmente pragmático. 

Comte e a sociologia 

Comte parte do pressuposto de que em toda sociedade se distinguem dois momentos: o de equilíbrio e o de movimento, o de "ordem" e o de "progresso". Daí, a sociologia, que nada mais é do que uma “física social”, ser dividida em estática social e dinâmica social.

A estática social é o estudo das condições em que se produz a "ordem" coletiva. Ao estudar o papel da família, Comte percebeu que toda comunidade implica uma divisão de trabalho e uma ou outra forma de autoridade, porque "não existe sociedade sem governo nem governo sem sociedade". 

A dinâmica social é a investigação das leis de transformação que determinam o movimento, ou "progresso", de uma sociedade. Partindo dessa dinâmica social, Comte estabelece que a evolução social ocorreu segundo a lei dos três estados.  

Comte concebe à sociologia a primazia para uma melhor organização da sociedade. Compreendeu, também, que a filosofia é um saber estéril se não é vinculado de forma reflexiva ao conhecimento científico.

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia (Resumo do texto) 

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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