Platão

"A filosofia tem origem na admiração."
Teeteto 

Sérgio Biagi Gregório 

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Dados Pessoais. 3. Considerações Iniciais. 4. Filosofia: 4.1. A Teoria das Ideias; 4.2. Mundo Sensível e Mundo Inteligível; 4.3. Mito da Caverna. 5. Platão e Aristóteles: 5.1. Construção do conhecimento; 5.2. Percepção do Conhecimento; 5.3. Aprendizagem. 6. Os Diálogos Platônicos: 6.1. Os Primeiros Diálogos; 6.2. Os Diálogos Intermediários; 6.3. Últimos Diálogos. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada. 

1. INTRODUÇÃO 

Quem foi Platão? Qual o seu verdadeiro nome? Que legado nos deixou? Qual a importância de Sócrates em sua obra?  O que distingue Platão de Aristóteles?  

2. DADOS PESSOAIS 

Platão (427-347 a.C.). Filho de Ariston e Perictione, que pertenciam a uma das mais nobres famílias atenienses. Seu nome verdadeiro é Aristocles, mas devido a sua constituição física, recebeu o apelido de Platão, que em grego significa “de ombros largos”. Discípulo de Sócrates. Depois da morte de seu mestre, empreendeu várias viagens. Retornou a Atenas, em 387 a.C. Era íntimo de Dionísio I, tirano de Siracusa. Dizia-se que esperava fundar um Estado ideal, em Siracusa. Fundou a Academia num bosque de Atenas. A teoria das ideias, ou como se desenvolve o conhecimento é a pedra angular de sua filosofia. Dentre as suas obras, destacam-se: A República, As Leis, O Político. 

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS  

Platão viveu no final do "século de ouro" da cultura grega, período em que começou a vigorar uma postura mais crítica e autônoma em relação à tradição. Esse período estava associado ao aparecimento da democracia – o novo regime político –, em que foi possível também o surgimento da retórica e da sofística, modos de utilização da palavra intimamente associados à democracia. 

Como todos os outros jovens de sua época, Platão tinha sido introduzido na retórica. Contudo, teve a oportunidade de conhecer Sócrates, chamado por ele o "mais sábio homem de sua época". A morte de Sócrates, de forma injusta, provocou-lhe uma profunda mudança de concepção. Passou, daí em diante, a escrever os ensinamentos de Sócrates e a defender a filosofia como sendo a única que poderia salvar a cidade dos sofistas. Para ele, somente os filósofos eram capazes de conhecer a verdade, o sumo bem, e, com isso, dirigir corretamente os destinos da cidade, porque não agiriam em causa própria, mas segundo o interesse geral. 

Desiludido pela morte de Sócrates, Platão deixou Atenas em 399 a.C. e viajou pela Grécia, Egito, sul da Itália e Sicília. No entanto, por volta de 387 a.C., voltou para a sua cidade natal, onde fundou a Academia, chamada por alguns de primeira universidade. O lugar era dedicado ao estudo filosófico, matemático e científico, com o objetivo de melhorar a vida política nas cidades gregas. Platão presidiu a escola até o fim da vida. A maior parte de suas obras chegou até nós sob a forma de diálogos entre Sócrates e uma série de outras pessoas. 

Costuma-se dizer que não se sabe quando Platão fala por ele e quando fala pelo Sócrates histórico. Hoje, de acordo com vários estudos hermenêuticos, pode-se distinguir onde começa o Sócrates histórico e onde começa o Platão verdadeiro. Sócrates, por exemplo, não se preocupava com a metafísica e a epistemologia. Ele estava interessado na ética, mas não na ética dos valores; ele queria descobrir o método, o método da refutação, o elencus. A maiêutica, que é fruto da metafísica e da epistemologia, já pertence a Platão. 

Platão é um opositor dos sofistas. Os sofistas eram professores de retórica. Eles percorriam as cidades para vender o seu saber, que era o de ensinar a persuadir pela palavra, não importando muito com o caráter moral da questão. A palavra "sofista" assemelha-se à palavra "filósofo", pois ambas têm origem na palavra grega sophia, que significa "sabedoria". O que diferencia um do outro? O sofista é o "sábio", enquanto o filósofo é "aquele que aspira à sabedoria". Platão passa a combater os sofistas, porque achava que estes dificultavam o livre exercício da justiça no regime democrático. 

4. FILOSOFIA  

4.1. A TEORIA DAS IDEIAS 

teoria das ideias é a trave mestra da filosofia de Platão. Trata da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura. Diz-nos que a alma, antes de reencarnar, pertence ao mundo das essências e, a ele voltará, após a morte do corpo físico. As almas impuras poderão transmigrar para um novo corpo, enquanto as puras permanecem nas essências.  

A premissa básica da filosofia de Platão é a distinção entre a realidade e a ilusão. Essa tese foi lançada em virtude de ter sido discípulo indireto de Heráclito, que afirmara que todas as coisas fluem e que, por isso, não é possível entrarmos duas vezes no mesmo rio, porque tanto nós quanto o rio se modificaram. Para resolver esta questão, queria achar um ponto fixo, uma forma perfeita e imutável. A "Teoria das Formas" seria esse mundo imutável, o mundo real. Em contrapartida, o mundo sensível seria o ilusório. É uma verdadeira inversão do senso comum, que tem por real o que é sensível. 

4.2. MUNDO SENSÍVEL E MUNDO INTELIGÍVEL 

Platão distingue dois mundos: o mundo sensível, no qual nós seres humanos sentimos, temos percepções, adquirimos um conhecimento particular das coisas e experimentamos que elas são mutáveis; e o mundo das ideias, um mundo separado, transcendente, uma vez que as ideias - em grego, eidos -, são de natureza totalmente diferente da dos objetos sensíveis.  

4.3. MITO DA CAVERNA  

Para Platão, a tarefa do filósofo é posta em forma de metáforas, extraídas do Mito da Caverna. A caverna escura é o nosso mundo; os escravos acorrentados são os homens; as correntes são as paixões e a ignorância; as imagens ao fundo da caverna são as percepções sensoriais; a aventura do escravo fora da caverna é a experiência filosófica; o mundo fora da caverna corresponde ao mundo das ideias, o único, verdadeiramente; o Sol que ilumina o mundo verdadeiro é a ideia do Bem, que conduz ao conhecimento; o regresso do escravo é o dever do filósofo de envolver a sociedade na experiência da verdade; a incapacidade do escravo em readaptar-se à vida na caverna é a inadequação dos filósofos; o escárnio do escravo é o destino reservado ao escravo; a morte final do escravo-filósofo é a morte de Sócrates.  

5. PLATÃO E ARISTÓTELES 

5.1. CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO 

A divergência entre Platão e Aristóteles estava centrada na construção do conhecimento. Platão – idealista – acreditava que as idéias provinham de um outro mundo, o mundo das essências, denominado topus uranus. Aristóteles – realista – acreditava que as idéias provinham das sensações ou do mundo circundante do aqui e do agora. Aristóteles achava que o ser humano não devia ficar preocupado com a contemplação do mundo das idéias, mas viver intensamente o momento presente. 

5.2. PERCEPÇÃO DO CONHECIMENTO 

A percepção do conhecimento implicava modos diferentes de analisar as questões: Poder-se-ia vê-las pelo lado sensível ou pela contemplação. Tomemos como exemplo a felicidade. Segundo Platão, a felicidade diz respeito a uma vida futura, àquilo que o individuo poderia esperar pelo que fez de bom ou de ruim nesta vida; Aristóteles, ao contrário, achava que a felicidade era o bem supremo do homem, pois todo o ser humano que alcançasse o fim pelo qual foi criado atingiria esse estado de felicidade. 

5.3. APRENDIZAGEM  

Sobre a relação ensino-aprendizagem. Platão achava que o indivíduo já trazia no seu subconsciente o conhecimento adquirido em outras vidas. Cita Sócrates ensinando matemática ao escravo. As perguntas de Sócrates faziam desabrochar no escravo o conhecimento que já possuía dentro de si mesmo. Para Aristóteles, o conhecimento tem que ser formado no mundo circundante. Ele é como uma tabula rasa que deve encher a sua memória e o seu intelecto de novos conhecimentos.

6. OS DIÁLOGOS PLATÔNICOS  

Os escritos filosóficos de Platão basearam-se em diálogos e não em tratados. Esses diálogos foram classificados em três tipos: juventude, maturidade e velhice. Os diálogos de juventude ou socráticos representam o questionamento que Sócrates fazia aos sábios da época; nos diálogos de maturidade, Sócrates não aparece interrogando, mas proferindo afirmações que podem ser do próprio Platão; nos diálogos de velhice, Sócrates ainda é personagem, embora nem sempre a principal. 

6.1. OS PRIMEIROS DIÁLOGOS  

Nos primeiros diálogos, Sócrates tenta extrair definições de virtudes morais, interrogando os indivíduos quanto a suas crenças: assim, por exemplo, discute sobre piedade com Eutífron, um especialista em religião, e sobre coragem com Laques, um general. Ele realiza a tarefa de forma tão rigorosa e implacável que as seguras afirmações iniciais de seus interlocutores vão sendo desmanteladas uma por uma, mostrando-se inconsistentes. Todos, inclusive Sócrates, acabam desnorteados. Aquilo que para ele podia ser um exercício intelectual gratificante, certamente enlouquecia os outros. 

6.2. OS DIÁLOGOS INTERMEDIÁRIOS  

Os diálogos intermediários - entre eles o Fédon (uma discussão em torno da morte de Sócrates, que acaba levando a uma conversa sobre imortalidade) e A República (reflexões sobre a justiça, no que diz respeito ao indivíduo e ao Estado) - exibem uma abordagem mais positiva, mais construtiva. Neles, Platão esboça várias ideias importantes: que a alma é imortal; que o conhecimento é uma recordação de uma época antes de nossa alma imortal ser aprisionada em nosso corpo; que o mundo material é sombra do mundo espiritual.  

6.3. ÚLTIMOS DIÁLOGOS  

Os últimos diálogos voltam ao tema das formas e, em vez disso, investigam mais a fundo os conceitos de conhecimento, revisitam a República ideal e exploram o mundo natural por meio da física, da química, da fisiologia e da medicina.  

7. CONCLUSÃO 

Platão ainda é visto como o responsável por ter introduzido o argumento filosófico como o conhecemos hoje, embora a abrangência e a profundidade de seus interesses nunca tenham sido superadas. Como Alfred North Whitehead observou em Processo e Realidade, "o modo mais correto de se caracterizar a tradição filosófica europeia é afirmar que ela consiste em uma série de notas de rodapé referentes a Platão". 

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA  

LEVENE, Lesley. Penso, Logo Existo: Tudo o que Você Precisa Saber sobre Filosofia. Tradução de Debora Fleck. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013. 

TEMÁTICA BARSA (Filosofia). Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005. 

VÁRIOS COLABORADORES. O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011. 

São Paulo, junho de 2013. 

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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