Pensamento Helenístico

Introdução  

Na história da filosofia, as teorias platônica e aristotélica dão lugar ao helenismo, que ganha força a partir das expedições de Alexandre Magno ao Oriente que, após realizar grandes conquistas, põe em cheque o status quo da Pólis (Cidade-Estado). 

Mudança de paradigma  

O ideal da Pólis (tudo girava ao redor da Cidade-Estado) é substituído pelo ideal “cosmopolita”, em que o mundo inteiro é uma Pólis. O homem-citadino perde a sua capacidade de intervenção na vida política e é substituído pelo homem-indivíduo, aquele que cuida apenas da vida privada, apenas de si mesmo.    

Da cultura helênica à cultura helenística 

Com exceção da filosofia socrática, que incentiva o ser humano a voltar-se para si mesmo, todas as outras perderam substância, tornaram-se desatualizadas. Havia a exigência de novas filosofias mais eficazes quanto ao aspecto prático. Estas, ao se formarem, difundiram-se em vários lugares, transformando-se em cultura helenística. O centro da cultura passou de Atenas para Alexandria. O epicurismo, o estoicismo e o ceticismo surgem dentro desse novo contexto.  

O epicurismo 

Epicuro (341-270 a.C.) afirma ser o continuador do atomismo de Demócrito. Nesse sentido, sua filosofia é materialista e situa-se no extremo oposto das teorias de Platão e Aristóteles, que são transcendentais. Para Epicuro, não existe nem imortalidade nem um “mais além”. A morte do indivíduo é morte do corpo e da alma.  

Apesar do seu materialismo, pregava que não se devia temer a morte. Dizia: “Quando estamos vivos a morte não está presente, e quando ela se apresenta nós já não somos — nada pode nos acontecer”. Além disso, afirmava que o medo torna os humanos escravos: devemos refletir sobre ele para dissipá-lo de nossas entranhas. 

O importante é a vida, que se fundamenta na busca do prazer, não do prazer hedonista. O ideal é alcançar a ataraxia —  “a tranquilidade do espírito que evita cair na dor decorrente da carência ou do excesso de prazeres — e a autarquia — auto-suficiência, não depender de nada a não ser de si mesmo, encontrar satisfação com pouco, uma vez que o desejo de abundância nos torna dependentes do objeto”. 

O estoicismo 

Zenão de Cicia (335-264 a.C.) foi o fundador do estoicismo, que terá grande importância na época romana (com Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio).  

Para o estoicismo, o mundo é regido por uma lei universal, o logos, a razão. O ser humano, sendo parte desse mundo, deve se submeter à ordem universal, deve aprender a viver de acordo com a natureza, orientado pela razão.  

A vida, de acordo com a razão é a vida do sábio, mas também do virtuoso. Em virtude dessa lei, que é inexorável, o sábio só pode aspirar à ataraxia, ou seja, à serenidade e imperturbabilidade da alma. “O sábio não deseja nunca o que está fora de seu alcance e suporta as adversidades sem se alterar, já que, se elas não dependem de nós, nada podemos fazer para evitá-las, a não ser procurar que nos produzam o mínimo de dor possível. Um homem assim há de ser, inevitavelmente, feliz”.  

O ceticismo 

Pirro de Élida (365-275 a.C.) é o iniciador do ceticismo. A tranqüilidade de espírito aqui está na recusa de qualquer doutrina, pois ele considera que a razão não pode penetrar na essência das coisas e prega a dúvida diante de todas as questões. 

Pirro diz: já que nada sabemos com certeza sobre as coisas do mundo, tudo deve nos deixar em absoluta indiferença — e que nada perturbe nosso espírito. Esta é a sua ataraxia.  

Fonte de consulta

Temática Barsa - Filosofia

São Paulo, outubro de 2013.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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