Patrística

Introdução

Patrística é o termo usado para expressar a junção do mundo antigo grego, elaborado pela razão, com o mundo cristão, concebido pela revelação.  

A helenização do cristianismo 

Jerusalém, Atenas e depois Roma foram os centros de expansão cristã na antiguidade. As concepções apocalípticas de salvação no judaísmo são substituídas pela salvação espiritual no cristianismo. Não se espera uma redenção imediata do sofrimento e da morte como acontecia no judaísmo. Para manter a esperança da salvação, há necessidade de aprofundar os conteúdos da verdade revelada.  

Para que isso ocorra, os padres da igreja adotam os pressupostos da cultura grega, conciliando-os com a revelação cristã. "Patrística" é o termo usado para fundamentar esse tipo de pensamento.  

Antecedentes da patrística  

Tertuliano, nascido por volta do ano 155, em Cartago, embora contrário à patrística, e posto à margem pela igreja, foi um dos precursores desse tipo de filosofia, pois criou um cristianismo místico e vivencial que encontrará sua máxima expressão na síntese agostiniana de razão e fé.  

Tertuliano contrapõe os filósofos aos cristãos do seguinte modo: "Em seu conjunto, que semelhança pode-se perceber entre o filósofo e o cristão, entre o discípulo da Grécia e o candidato ao céu, entre o traficante de fama terrena e aquele que faz questão de vida, entre o vendedor de palavras e o realizador de obras, entre quem constrói sobre a rocha e quem destrói, entre quem altera e quem tutela a verdade, entre o ladrão e o guardião da verdade?"  

Orígenes, que nasceu por volta do ano 185, em Alexandria, é o primeiro grande sistematizador da teologia cristã e, por isso mesmo, o primeiro criador de um sistema filosófico cristão, ao qual incorpora elementos neoplatônicos e até gnósticos. Sua influência chega, inclusive, até a escolástica medieval.  

A patrística 

A progressiva helenização do cristianismo e os primeiros esforços para conciliá-lo com a filosofia, a patrística surge a partir do século II, com são Justino. Justino e os demais padres da igreja buscam conciliar o pensamento platônico e neoplatonico às Sagradas Escrituras.  

A patrística é, também, uma doutrina que se esforça por se diferenciar de heresias como o gnosticismo, o arianismo, o maniqueísmo e o monofisismo.  

A criação, a revelação de Deus com o mundo, o mal, a alma, o destino da existência e o sentido da redenção são problemas fundamentais da patrística. Há, também, os problemas teológicos: essência de Deus, trindade das pessoas divinas etc. Por último, os problemas morais: embora utilizando os conceitos helênicos, adota uma postura na graça e na relação do homem com seu criador, e termina na concepção da salvação, estranha ao pensamento grego.   

Clemente de Alexandria, são Gregório Nazianzeno, são Basílio, são João Crisóstomo e são Jerônimo trouxeram contribuições da máxima importância a essa corrente de pensamento que perdurará até o século VIII. 

Platonismo e cristianismo  

As teses platônicas, que ofereciam mais possibilidades para a formulação das ideias cristãs, são as seguintes:  

1) a existência de dois mundos, um sensível e imperfeito e outro inteligível e perfeito. O cristianismo situa as ideias na mente de Deus: o mundo perfeito é o divino;  

2) No platonismo, o mundo sensível foi feito à imagem e semelhança das ideias, para o cristianismo a criação leva também a marca das ideias do Criador;  

3) os filósofos cristãos sublinham a contingência da coisa criada (a coisa criada é, mas pode não ser: não possui o ser por si mesmo, mas o recebe de Deus) e, com a contingência, a dependência de seu ser em relação ao Criador;  

4) os cristãos acreditaram encontrar a própria ideia de criação prefigurada no Demiurgo platônico;  

5) tanto Platão quanto o neoplatonismo, ao situarem a ideia do Bem no topo da hierarquia, abriram grandes possibilidades ao cristianismo para expressar o monoteísmo.  

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia 

São Paulo, outubro de 2013. 

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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