Ética Espírita

1. CONCEITO DE ÉTICA

A Ética é a parte da Filosofia que se ocupa com o valor do comportamento humano. Investiga o sentido que o homem imprime à sua conduta para ser verdadeiramente feliz.

Etimologicamente, a palavra ética deriva do grego ethos, que significa comportamento.

Pertencem ao vasto campo da Ética a reflexão sobre os valores da vida, a virtude e o vício, o direito e o dever, o bem e o mal (1).

2. CONSCIÊNCIA MORAL E LIBERDADE HUMANA

A consciência de si mesmo confere ao ser humano a capacidade de julgar suas ações, e de escolher, dentre as circunstâncias possíveis, seu próprio caminho na vida. A essa característica peculiar damos o nome de consciência moral.

À possibilidade que o homem tem de escolher seu caminho na vida e construir sua história, damos o nome de liberdade.

Evidentemente, a liberdade não é algo que se exerce no vazio, mas dentro das limitações impostas pelas circunstâncias; o exercício da liberdade é a luta para ampliar ou romper os limites das circunstâncias.

A liberdade e a consciência moral estão intimamente relacionadas. Quando estamos livres para escolher entre esta ou aquela ação, tornamo-nos responsáveis pelo que praticamos (1).

3. A ÉTICA NA HISTÓRIA

Em Kant, a Ética é “Autônoma” e não Heterônoma, isto é, a lei é ditada pela própria consciência moral, e não por qualquer instância alheia ao Eu.

Espinosa, no seu livro A Ética, cujo conteúdo incorpora não somente princípios morais, como todo o acervo filosófico espinosiano e seu panteísmo singular, destaca Deus como Natureza Criadora e a Criação como a Natureza criada.

A Ética a Nicômaco, de Aristóteles, contém, em detalhes, a exposição de seus conceitos morais e constitui a expressão mais elevada da filosofia ética grega.

Na segunda metade do século XIX, surge a Filosofia Espírita, como núcleo central do pensamento do Espírito Verdade e o processo da revelação (2).

4. A ÉTICA ESPÍRITA

A Ética Espírita é uma decorrência natural de sua própria Essência.

Contudo, o Codificador, dando-lhe um Código preestabelecido - O Evangelho Segundo o Espiritismo - alcança, num só passo, dois objetivos: a emergência da religiosidade, cuja potência se atualiza no Ser Humano, e mantém ausente o sentido que a palavra Religião contém como convenção tradicional.

O Evangelho Segundo o Espiritismo não é o Evangelho comum em que se misturam profecias, milagres, ocorrências históricas da vida de Jesus.

O Chamado Evangelho Espírita é tão somente a compilação dos ensinos de Jesus, imbuído do Espírito da Missão que lhe competia: por isso segundo o Espiritismo, ou posto em nossas mãos, sob os reflexos da Verdade (2).

5. O COMPORTAMENTO ÉTICO-ESPÍRITA

A Ética Espírita é o fruto saboroso de uma Semente que só pode germinar em terra fértil.

O comportamento ético-espírita não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem, mas em exemplificar em si mesmo, uma vida laboriosa que se expanda e se eleve na hierarquia da justiça social, e, sobretudo, do próprio conceito, pois é este o que remodela o Espírito, numa tal freqüência vibratória, que o aproxima dos níveis intelectuais que roçam as esferas superiores (2).

ÉTICA E ESPIRITISMO

Ética - etimologicamente deriva da palavra grega ethos (comportamento). É a parte da Filosofia que se ocupa do valor do comportamento humano. Investiga, assim, o sentido que o homem impõe à sua conduta para ser verdadeiramente feliz.

A consciência moral e a liberdade humana estão intimamente ligadas. Por consciência moral, entende-se a capacidade que o homem tem de julgar e escolher o seu próprio caminho na vida. Já, a liberdade, refere-se à possibilidade da escolha deste ou daquele caminho. A liberdade não é algo que se forma no vazio, mas dentro das limitações impostas pelas circunstâncias. Assim sendo, o exercício da liberdade é a luta que o homem trava para ampliar ou romper esses limites. 

Os grandes filósofos sempre destacaram os valores morais em suas obras. Aristóteles em A Ética a Nicômaco, desenvolve, em detalhes, o acervo dos conceitos sobre a ação humana e sua relação com as idéias elevadas de uma vida superior. Espinosa, em A Ética, encerra extensa doutrina sobre a maneira de fortalecer as virtudes e combater as paixões. Em Kant, a Ética é deixada ao sabor da própria consciência, onde a ação humana é ditada pela “boa vontade”, ou seja, pela intencionalidade do eu.

Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, quando trata das Leis Morais, define a moral como a regra da boa conduta e portanto, da distinção entre o bem e o mal. Dá sua contribuição à formação da ética espírita. Em sua resposta à pergunta 630 - como se pode distinguir o bem  do mal? -, diz-nos que o bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.

A Ética espírita é uma decorrência da Lei Natural. Contudo, o Codificador, para lhe dar um cunho de praticidade, legou-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo, como norma de conduta. Observe que, das cinco partes das matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja e o ensinamento moral, ateve-se, exclusivamente, à última, por se tratar de um código divino onde a própria incredulidade se inclina.

O comportamento ético-espírita só pode fixar-se e expandir-se em terra fértil. Desta forma, o adepto do Espiritismo deve, em primeiro lugar, limpar, adubar e regar o “terreno interior”, a fim de criar condições favoráveis de receber a semente evangélica para, posteriormente, fazê-la frutificar cento por um.

QUESTÕES

1) Qual o conceito de Ética?

2) O que entende por consciência moral?

3) O que significa dizer que a Ética é Autônoma e não Heterônoma?

4) Como a Ética pode ser vista no processo histórico?

TEMAS PARA DEBATE

1) A Ética Espírita é uma decorrência da Lei Natural? Comente.

2) Relacione consciência moral e liberdade humana.

3) O comportamento ético-espírita só pode expandir-se em “terra fértil”. Por quê?

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia.

(2) SÃO MARCOS, M. P. Filosofia Espírita e seus Temas.

São Paulo, dezembro de 1996.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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