Estruturalismo

O “estruturalismo”, corrente de pensamento originado na década 1960, teve como base a linguística estrutural de Ferdinand de Saussure. Suas aplicações na França deram-se da seguinte forma: Claude Lévi-Strauss aplicou o método à antropologia social; Jacques Lacan, à psicanálise; Louis Althusser, ao marxismo; Roland Barthes, à crítica literária; Michel Foucault, à filosofia.  

O conceito de estrutura  

Ferdinand de Saussure (1857-1913) distinguia entre língua e fala. A fala se refere ao uso da língua; a língua é anterior à fala, é um sistema de signos impessoal. O sistema de signos da língua forma uma estrutura. 

“O conceito de "estrutura" se aplica à totalidade do conjunto de elementos e de suas relações, de maneira que a mudança de qualquer um deles introduz uma transformação em todos os outros. A estrutura não é uma realidade empiricamente observável, mas um modelo teórico-explicativo, aplicável onde exista um conjunto, e que atende fundamentalmente às relações das partes dentro do todo, uma vez que são elas que o determinam”.  

O estruturalismo diante da filosofia  

As implicações filosóficas do estruturalismo podem ser desmembradas segundo dois pontos de vista: 1) Seu anti-humanismo epistemológico ocorre diante da descoberta da prioridade universal (estrutura) sobre o individual (o homem); 2) O desaparecimento do sujeito. As regras que determinam a estrutura são supra-individuais e inconscientes: não são regras do sujeito, regras que partam dele ou nele se fixem, mas são regras nas quais os sujeitos se inserem.  

Lacan 

Lacan (1901-1981) aplica o método estruturalista à psicanálise com a intenção de dotá-la de um estatuto científico. Sua tese fundamental é a de que o inconsciente está estruturado como uma linguagem: a psicanálise deve analisar o inconsciente de acordo com o modelo da linguística estrutural. 

Para Lacan, o sujeito encontra-se dividido em dois níveis: o consciente (a cultura) e o inconsciente (o desejo). O sujeito não se identifica somente com a consciência, mas concomitantemente com o inconsciente, pois este também é sujeito.  

Foucault 

Foucault (1926-1984) é considerado um pós-estruturalista. Foucault, ao longo do tempo, foi alterando o objeto de seu interesse: primeiro foi o saber, mais tarde o poder e, por último, as formas de subjetivação.  

Em relação ao saber, ele afirma que em cada época aparecem algumas estruturas epistêmicas (epistemes) que determinam, de forma oculta, o que pode ser pensado e o que pode ser dito.  

Em relação ao poder, Foucault o vê como uma rede de relações nas quais o homem se acha inserido. Para ele, onde existe relação, existe poder.  

Em relação à subjetivação, Foucault analise os mecanismos que intervêm na produção dos sujeitos. O sujeito não é algo dado, mas o resultado de uma relação de forças.  

Resumo extraído de:

TEMÁTICA BARSA - FILOSOFIA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005.

São Paulo, setembro de 2013.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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