Consciência e Inconsciência

1. CONCEITO DE CONSCIÊNCIA

Consciência (do latim conscientia) significa etimologicamente um saber testemunhado ou concomitante. Por analogia, dualidade ou multiplicidade de saberes ou de aspectos num mesmo e único ato de conhecimento (1).

Definida de forma simples, é através da consciência que conhecemos a nossa vida interior.

Escreve A. Montalvão: “Em qualquer ato de conhecimento há sempre um indivíduo que pretende conhecer, que é o “sujeito do conhecimento”, e um assunto que deve ficar conhecido, que é o “objeto do conhecimento” (2).

2. GRAUS DE CONSCIÊNCIA

Na psicologia clássica, distinguem-se dois modos ou graus de consciência:

Consciência espontânea - é a consciência direta, imediata, primitiva, isto é, não separada do objeto.

Consciência reflexiva (do latim reflexu + ivo = voltado para trás) - é a consciência mediata, é o retorno do espírito sobre as idéias. Ela é dirigida para as idéias.

As pessoas emotivas têm o campo da consciência mais estreito do que as não emotivas (3).

3. DESCARTES E KANT

Sob a influência de Descartes, o pensamento moderno surge profundamente marcado pela problemática da Consciência, devido ao seu caráter de evidência da verdade.

Dentro desse clima espiritual, situa-se a concepção kantiana da Consciência em geral como condição transcendental da possibilidade do conhecimento (1).

4. TIPOS DE CONSCIÊNCIA

Liberdade de consciência, consciência religiosa, consciência infeliz, exame de consciência, comunicação da consciência, lei de tomada de consciência, consciência moral, boa consciência, má consciência, voz da consciência e campo da consciência.

5. CONCEITO DE INCONSCIÊNCIA

Apesar de sua base etimológica precisa e clara, enquanto negação da consciência, torna-se contudo extremamente difícil definir o inconsciente.

Pode-se, também, definir a inconsciência com relação ao ser: que não possui qualquer consciência (átomo); que é pouco ou nada capaz de debruçar sobre si próprio, e (relativamente) que não tem consciência de tal fato particular: “uma alma inconsciente das suas verdadeiras crenças” (4).

6. NEGAÇÃO DA INCONSCIÊNCIA

Muitos são os psicólogos que negam a existência de fenômenos psicológicos inconscientes, pois alegam que, sendo a consciência própria do pensamento, o que não é consciência, deixa de ser psicológico.

Crítica - Uma análise dos fatos da vida mostra-nos, patentemente, o quanto o inconsciente penetra e intervém no que fazemos. O pianista, ao executar um trecho da música não é consciente de todos os seus movimentos; o mesmo acontece com o operário ou o artista.

Mozart declara ter ouvido todo um acorde, antes de compor uma melodia - o consciente, nesse caso, estaria ligado ao trabalho de coordenação (3).

7. A CASA MENTAL

Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fosse um castelo de três andares:

subconsciente: 1º andar, onde situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados - hábitos e automatismos;

consciente: 2º andar, localizamos o “domínio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando - esforço e vontade;

superconsciente: 3º andar, temos a “casa das noções superiores”, indicando as iminências que nos cumpre atingir - ideal e meta superiores (5).

8. LEI DE DEUS

Onde está escrita a lei de Deus? Resposta: na consciência do ser.

H. Pires tece o seguinte comentário: “a idéia de Deus é inata no homem e o impele à perfeição. Embora as escolas modernas de Psicologia neguem a existência de idéias inatas, o Espiritismo a sustenta”.

Parafraseando Descartes, J. H. Pires diz que a lei de Deus está escrita na consciência do homem, como a assinatura do artista na sua obra. V. pergunta 621 de O Livro dos Espíritos.

9. IDÉIAS INATAS

O Espiritismo sustenta a noção de idéias inatas.

De acordo com esse parecer a nossa consciência é global, isto é, há nela o presente, o passado e o futuro, correspondendo ao consciente, ao subconsciente e ao superconsciente.

O esforço e a vontade do presente são um reflexo do passado e uma meta para o futuro. Cabe-nos dosá-los, para avançarmos equilibradamente.

 

CONSCIÊNCIA, INCONSCIÊNCIA E ESPIRITISMO

Consciência  significa etimologicamente um saber testemunhado ou concomitante.  Por analogia, dualidade ou multiplicidade de saberes ou de aspectos num mesmo e único ato de conhecimento. Inconsciência - apesar de sua base etimológica ser clara e precisa,  enquanto negação da consciência,  torna-se contudo extremamente difícil definir o inconsciente. O fato é devido não só à obscuridade como, também, aos vários  conteúdos que o termo encerra.

Os psicólogos aceitam o termo consciência. Dividem-na, porém, em  espontânea  e  reflexiva. A primeira refere-se à consciência direta, imediata; a segunda, à mediata, ou seja,  ao retorno do espírito sobre as idéias. Quanto à inconsciência, são muitos os que a negam, alegando que, sendo a consciência própria do pensamento, o que não é consciência deixa de ser psicológico.

Em Descartes, a consciência é posta como fundamento inabalável da verdade,  devido ao seu caráter de evidência imediata. Em Kant, é a consciência em geral que se  situa como condição transcendental da possibilidade  do  conhecimento. No idealismo posterior, é a consciência absoluta, visto absorver em seu seio a própria materialidade, identificando-a com o infinito.

O Espírito André Luiz, no livro  No  Mundo  Maior, psicografado por Francisco  Cândido Xavier, afirma-nos que possuímos um único cérebro, dividido em três regiões,  como se fosse um castelo de três andares. No primeiro andar, o subconsciente,  representando nossos hábitos e automatismos; no segundo andar, o consciente, em que  situamos as conquistas atuais, e, no terceiro andar, o superconsciente, ou seja, a casa das noções superiores. Diz-nos, ainda, que essas três regiões devem  estar sob controle,   para que possamos viver equilibradamente.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, ao tratar das idéias inatas, oferece-nos, também, subsídios para uma melhor interpretação do tema. Segundo a Doutrina Espírita, a cada nova encarnação temos o esquecimento do passado, mas permanece a intuição de todos os nossos conhecimentos adquiridos. É por  isso que, para muitos de nós, alguns conhecimentos vêm à tona como se fossem algo do inconsciente, ou seja, não foram  adquiridos na atual  existência  e sim numa existência anterior. Mozart, por exemplo, recebia de ouvido uma composição. Depois tinha apenas o trabalho de coordená-la conscientemente.

O passado, o presente e o futuro formam a nossa consciência global. Assim sendo, hoje somos um misto do que fomos e daquilo que desejamos ser. Por isso, o esforço e a  vontade devem estar sempre presentes em cada um de nossos atos.

QUESTÕES

1) Qual o conceito de consciência?

2) Qual o conceito de inconsciência?

3) Quais são os graus da consciência?

4) Onde está escrita a lei de Deus?

5) Quais são as fronteiras da consciência?

TEMAS PARA DEBATE

1) Há possibilidade de negarmos a consciência?

2) Quais as fronteiras da consciência? Há uma ou várias consciências?

Idéias Inatas.

3) Consciência, inconsciência e Espiritismo.

4) “Hoje” somos um misto do “ontem” e do “amanhã”.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) LOGOS - Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia.

(2) EDIPE - Enciclopédia Didática de Informação e Pesquisa Educacional.

(3) SANTOS, M. F. dos.  Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

(4) LALANDE, A.  Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia.

(5) LUIZ, A.  No Mundo Maior.

São Paulo, dezembro de 1996.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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