A Ciência no Mundo Clássico e na Idade Média

1. A Ciência no Mundo Clássico 

1.1. Filosofia e Ciência  

Na Grécia antiga, ciência (conjunto de conhecimentos objetivos e sistemáticos acerca da natureza e do ser humano) e filosofia nascem juntas, ou seja, a partir de 600 a.C. A episteme, palavra para designar ciência, tinha o sentido do conhecimento acima de qualquer dúvida, incontroverso, totalizante, que se adquire com a filosofia. Na época, havia dois tipos de conhecimento: o conhecimento puro, teórico e o aplicado.  

1.2. Evolução da Ciência no Mundo Clássico  

Filosofia e ciência se identificavam na época dos pré-socráticos. De 480 a 300 a.C. as atividades científicas começam a se diferenciar da filosofia. Porém, foi somente no período helenístico que essa diferença se acentuou, principalmente com o aparecimento de Euclides, Arquimedes e Hiparco. Alexandria é o ponto de encontro dessa cultura. Ali surgiu a primeira grande instituição com categoria científica da história: o Museu de Alexandria.  

1.3. O Recurso da Matemática  

O nascimento simultâneo da filosofia e da ciência mostra a importância da matemática. Observe que Tales de Mileto, o primeiro filósofo da história, foi também um notável matemático e astrônomo. Nessa época, temos o teorema de Pitágoras. Arquimedes (287-212 a.C.), por exemplo, realizou os primeiros estudos de geometria infinitesimal e formulou um método para obter o número pi.   

2. A Ciência Medieval  

2.1. Contribuição dos Muçulmanos  

As principais contribuições da ciência muçulmana, que floresce nos séculos IX-XI, ocorrem nos campos da astronomia, das matemáticas, da medicina e da química. Eles inventaram os números arábicos, a trigonometria e a álgebra. A maior contribuição, porém, está na química: 1) graças ao domínio das técnicas (destilação), conhecem um grande número de substâncias; 2) ao assimilarem os processos de transformações químicas dessas substâncias de forma racional, estabelecem alguns princípios gerais.  

2.2. A Ciência na Europa Medieval

A ciência árabe entra em decadência a partir do século XII. Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca, Salerno etc. passam a ser o centro das atenções. Os avanços são modestos, pois as investigações para transformar metais em ouro (alquimia) é um saber hermético que persegue a própria transformação espiritual do alquimista. Por isso, há que se procurar contribuições mais importantes no terreno da técnica, que são dificultados pela economia feudal.

2.3. Imagem Estática e Hierarquizada

A imagem de mundo na Europa Medieval é estática e hierarquizada, onde todas as coisas ocupam seu justo lugar. É a concepção geocêntrica trazida por Ptolomeu. Acrescentem-se, também, os círculos infernais do inframundo, tais como Dante expressa em sua Divina Comédia.

Em todas as teorias medievais havia uma ideia essencial: a da unidade do mundo (Unus Mundus), que se expressa como correspondência entre o Universo (macrocosmos) e o homem (microcosmos).

2.4. Grosseteste e Bacon

Robert Grosseteste (1175-1253) dá os primeiros passos para a concepção do pensamento científico. Na escola de Oxford, explicita a sua “metafísica da luz”. Segundo Grosseteste, a luz é o fator determinante da matéria, o que articula a realidade material como extensão Ao mesmo tempo, seu comportamento pode ser estudado porque segue leis matemáticas. Nesta teoria, a passagem do qualitativo (a matéria como forma) ao quantitativo (a matéria como extensão) mostra o que é indispensável para se fazer ciência.  

Roger Bacon (1214-1294), discípulo de Grosseteste, dá ênfase à linguagem matemática, mostrando a diferença que há entre a experiência vulgar (tradicional), que é passiva,  da científica, que se adquire com a utilização de instrumentos e das matemáticas.

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA - FILOSOFIA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. 

São Paulo, agosto de 2013. 

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
Blogs e Sites do Autor