Antropologia

1. Introdução

A filosofia, nos seus primórdios, abrangia a totalidade dos conhecimentos. Com o passar do tempo, certos aspectos da realidade foram adquirindo estrutura própria e, consequentemente, desgarram-se do tronco comum da filosofia. A cada corte da realidade, surgia uma ciência – com ferramentas metodológicas próprias – para dar explicação a esses novos fatos. Nessa trajetória, a antropologia foi uma das últimas, e ocorreu nos fins do século XIX.  

2. A Origem da Antropologia como Disciplina Científica  

Dois fatos contribuíram para o surgimento desta disciplina científica: 1) as descobertas arqueológicas e paleontológicas que permitiram ao ser humano investigar a sua natureza, cuja evolução ocorreu desde tempos remotos: 2) o próprio desenvolvimento da ciência como método teórico-experimental e as diversas conexões que faz interligando fatos, observando dados, entre outros.  

3. Os Precursores 

Inicialmente, a antropologia era objeto de estudo de gabinete; não se faziam estudos de campo. James Frazer (1854-1941), autor de Compilação sobre folclore universal e as religiões primitivas, foi um dos primeiros precursores. Seguem-no os trabalhos de Lewis Henry Morgan (1818-1881), que estuda de perto a cultura dos índios iroqueses. Morgan é o primeiro a estabelecer uma teoria da evolução cultural em três etapas: estado selvagem; estado bárbaro e estado civilizado.  

O evolucionismo dá lugar ao difusionismo, que explica a formação das culturas baseada na propagação das ideias, técnicas, instituições, formas de vida etc.

4. Ênfase Científica dos Antropólogos Americanos 

Franz Boas (1858-1942) entende a antropologia como ciência comparada da cultura, em que ressalta a importância do trabalho de campo, insistindo na necessidade de investigações empíricas e descritivas, desconfiando de sistematizações e classificações arbitrárias. 

Edward Sapir (1884-1939), Ruth Fulton Benedict (1887-1948), Alfred Louis Kroeber (1876-1960) e Margaret Mead (1901-1978) são outros antropólogos americanos que se destacam. 

5. O Funcionalismo de Malinowski

Bronislaw Malinowski (1884-1942), antropólogo de origem polonesa fixado no Reino Unido, influenciado pela sociologia de Durkheim, inaugura o funcionalismo antropológico. 

A tese central: o estudo de uma cultura primitiva deve ser feito dentro de um objetivo totalizador e sincrônico. Para ele, não existem traços culturais que sobrevivam do passado. Todo elemento cultural tem uma função, é útil e possui um significado, que o antropólogo deve saber extrair.  

6. A Antropologia Social  

Alfred Reginald Radcliffe-Brown (1881-1955) é o fundador da escola britânica de antropologia social. 

O termo “antropologia” refere-se à antropologia física e à antropologia social. A primeira pertence ao âmbito das ciências biológicas; a segunda, encaixa-se no âmbito da sociologia comparada. 

Segundo Radcliffe-Brown, a antropologia social é "a investigação da natureza da sociedade humana por meio da comparação sistemática de sociedades de tipo diverso, prestando atenção particular às formas mais simples das sociedades dos povos primitivos, selvagens ou sem alfabeto". 

7. A Antropologia Estrutural  

Claude Lévi-Strauss (1908-2009) criou o termo “antropologia estrutural”. Para ele, as investigações devem desenvolver-se num plano sincrônico com o objetivo de abordar a estrutura ou forma como os indivíduos e os grupos estão ligados no interior do corpo social. 

Essa estrutura, porém, não pode ser obtida empiricamente através de comparações entre sociedades. A estrutura não é "visível", já que se mantém além das relações sociais suscetíveis de observação empírica e só pode chegar a ser descoberta por meio de um trabalho teórico de formalização.  

Fonte de Consulta 

TEMÁTICA BARSA - FILOSOFIA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. 

São Paulo, setembro de 2013.

Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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