Curso de Introdução à Filosofia Espírita

Conceito de Filosofia

Noções de Lógica

O Método da Filosofia

Intuição e Inspiração

Filosofia Espírita

Senso Crítico

Teoria Espírita do Conhecimento

A Verdade e o  Erro

Ontologia Espírita

O Conhecimento de Si Mesmo

Ética Espírita

O Bem e o Mal

Estética e Espiritismo

Útil e Inútil

Descartes e o Espiritismo

Razão e Fé

Kant, Hegel e o Espiritismo

Consciência e Inconsciência

Existencialismo Espírita

Vida e Morte

Fenomenologia e Espiritismo

Real e Irreal

Materialismo Dialético e Espiritismo

Liberdade e Escravidão

Sociologia e Espiritismo

Igualdade e Desigualdade

Poder Político e Espiritismo

Justiça e Injustiça

Bibliografia Consultada

Vocabulário Filosófico

CENTRO ESPÍRITA ISMAEL

DEPARTAMENTO DE ENSINO DOUTRINÁRIO

AV. HENRI JANOR, 141, JAÇANà -  S. P.

FONE: 2242-6747

 

APOSTILA

CURSO DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ESPÍRITA

(SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO)

 

Í N D I C E

 

 

Conceito de Filosofia.....................................................................

   4

Noções de Lógica..........................................................................

   7

O Método da Filosofia....................................................................

 10

Intuição e Inspiração......................................................................

 13

Filosofia Espírita............................................................................

 17

Senso Crítico ................................................................................

 20

Teoria Espírita do Conhecimento...................................................

 24

A Verdade e o  Erro.......................................................................

 27

Ontologia Espírita..........................................................................

 31

O Conhecimento de Si Mesmo......................................................

 34

Ética Espírita.................................................................................

 37

O Bem e o Mal...............................................................................

 40

Estética e Espiritismo....................................................................

 44

Útil e Inútil .....................................................................................

 47

Descartes e o Espiritismo..............................................................

 50

Razão e Fé....................................................................................

 53

Kant, Hegel e o Espiritismo............................................................

 57

Consciência e Inconsciência..........................................................

 60

Existencialismo Espírita.................................................................

 64

Vida e Morte .................................................................................

 67

Fenomenologia e Espiritismo.........................................................

 71

Real e Irreal...................................................................................

 74

Materialismo Dialético e Espiritismo...............................................

 78

Liberdade e Escravidão.................................................................

 81

Sociologia e Espiritismo.................................................................

 85

Igualdade e Desigualdade..............................................................

 88

Poder Político e Espiritismo...........................................................

 92

Justiça e Injustiça..........................................................................

 95

Bibliografia Consultada..................................................................

 98

Vocabulário Filosófico....................................................................

100

Índice Remissivo............................................................................

107

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

 

 

 

O objetivo desta apostila é fornecer conteúdo básico para a formulação do pensamento crítico e reflexivo à luz dos princípios codificados por Allan Kardec

 


 

 

 

·      CONCEITO E DEFINIÇÃO

 

Conceito - do latim conceptu - representação de um objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais.

Definição - do latim definitione. Definir, segundo a lógica formal, é dizer o que a coisa é, com base no gênero próximo e na diferença específica. É enunciar os atributos essenciais específicos de um objeto ou o sentido de um conceito, seu conteúdo e limite, de modo que o torna inconfundível com o outro (1).

O conceito de Filosofia deve ser enunciado de acordo com a época histórica: Antigüidade - os filósofos; Idade Média - os sistemas doutrinários; Idade Moderna e Contemporânea - os problemas.

 

 

·      O PROBLEMA DO CONCEITO DE FILOSOFIA

 

Colocar o problema do conceito de filosofia é procurar determinar em que termos a filosofia poderá ter assegurada sua autonomia.

O verdadeiro conceito da filosofia deve atender conformemente a quatro problemas específicos:

1º) o da atitude filosófica;

2º) o do objeto da filosofia;

3º) o do método da filosofia;

4º) o do fim da filosofia.

O pensamento grego foi quem melhor se encaminhou para esta visão completa da filosofia (2).

 

 

·      DEFINIÇÃO DE FILOSOFIA

 

Filosofia - do grego philos e sophia significa “amor à sabedoria”. Filósofo é, portanto,  o amante da sabedoria.

Com o decorrer do tempo, entretanto, a palavra filosofia foi perdendo esse seu significado etimológico.

Na própria Grécia Antiga o termo filosofia passou a designar não apenas o amor ou a procura da sabedoria, mas um tipo especial de sabedoria. Aquela que nasce do uso metódico da razão, da investigação racional em busca do conhecimento(3).

                                                                                                                              

 

·      A FILOSOFIA ANTIGA

 

Platão distingue a doxa, opinião, ou seja, o saber que temos sem tê-lo procurado, e a episteme, a ciência, que é o saber que temos porque o procuramos.

Então, a filosofia já não significa “amor à sabedoria”, nem tampouco significa o saber em geral, qualquer saber; senão que significa esse saber especial que temos, que adquirimos depois de tê-lo procurado e de tê-lo procurado metodicamente.

Na filosofia, distinguem-se, ainda,  diferentes partes. Na época de Aristóteles, a divisão era: lógica, física, metafísica e ética (4).

 

 

·      A FILOSOFIA NA IDADE MÉDIA

 

Durante a Idade Média o saber humano dividiu-se em dois grandes setores: teologia e filosofia.

A teologia é o conhecimento acerca de Deus.

A filosofia são os conhecimentos humanos acerca das coisas e da Natureza e até mesmo de Deus por via racional.

Nesta situação a palavra “filosofia” continua designando todo o conhecimento, menos o de Deus. E assim adentrou muito o século XVII (4).

 

 

·      A FILOSOFIA NA ATUALIDADE

 

A partir do século XVII, o campo imenso da filosofia começa a partir-se. Saem do seio da filosofia as ciências particulares: as matemáticas, física, química etc.

Assim, atualmente, a filosofia é uma ciência que estuda as leis mais gerais do ser, do pensamento, do conhecimento e da ação. É uma concepção científica do mundo como um todo, da qual se pode deduzir certa forma de conduta (5).

 

 

CONCEITO DE FILOSOFIA

 

O conceito de Filosofia deve ser elaborado de acordo com as características filosóficas de um  determinado período de tempo, no curso de sua história. Na Antigüidade, os filósofos; na Idade Média, a Escolástica; na Atualidade, os problemas.

Os filósofos gregos da Antigüidade fornecem-nos uma visão completa da Filosofia. A atitude desinteressada na busca do conhecimento objetivava à última redução do real, sem compromissos particulares e limitados. Utilizavam o método demonstrativo não apenas aplicando a um plano lógico, mas metafísico. A finalidade era favorecer a reta razão, a perfeição interior e a autoconsciência do homem.

Na Idade Média não existia uma Filosofia mas correntes de opiniões, doutrinas e teorias, denominadas de Escolástica. Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho são seus principais representantes. Buscava-se conciliar fé com razão. O método utilizado é o da disputa: baseando-se no silogismo aristotélico, partiam de uma intuição primária e, através da controvérsia, caminhavam até às últimas conseqüências do tema proposto. A finalidade era o desenvolvimento do raciocínio lógico.

Na Idade Moderna, as ciências se desprendem do tronco comum da Filosofia. Restam à Filosofia as reflexões sobre a Ontologia ou Teoria do Ser, a Gnoseologia ou Teoria do Conhecimento e a Axiologia ou Teoria dos Valores. O método utilizado é o da intuição: intelectual, emotiva e volitiva. Discutem-se problemas relacionados ao ser, ao pensamento e à conexão entre ambos. A finalidade é a transformação da sociedade pela autoconsciência do indivíduo.

A atitude, o método, o objeto e a finalidade da Filosofia mudam-se no decorrer de sua história. Hoje, já não comporta as cogitações metafísicas e transcendentais, divorciadas da realidade e da vida social. Há que se pensar em transformar a sociedade, oferecendo-lhe subsídios para uma vivência plena e participativa dos indivíduos que a compõem.

Desta forma, o conceito atual de Filosofia fundamenta-se no estudo da essência e do valor de todas as coisas: cosmos, vida, sociedade, natureza. É uma reflexão critica sobre o “eu”, o “nós” e a “natureza”, com a finalidade de tornar mais humana a vida social.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o significado de conceito?

2)  Qual o significado de definição?

3)  Qual o conceito de filosofia?

4)  Qual o conceito de filosofia na Idade Média?

5)  Qual o conceito de filosofia na atualidade?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  A partir da Idade Moderna, a extensão do conhecimento filosófico tendeu a reduzir-se ou a ampliar-se?

2)  O método da disputa usado na Idade Média tem utilidade para a Filosofia Moderna?

3)  A filosofia é uma reflexão crítica sobre o “eu”, o “nós” e a “natureza”. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) BAZARIAN, J.  Introdução à Sociologia.

(2) MENDONÇA, E. P. de.  O Problema do Conceito de Filosofia.

(3) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(4) GARCIA MORENTE, M.  Fundamentos de Filosofia.

(5) BAZARIAN, J.  O Problema da Verdade.

 


 

 

 

·      CONCEITO DE LÓGICA

 

Lógica é a ciência das leis ideais do pensamento e a arte de aplicá-los à pesquisa e à demonstração da verdade.

Diz-se que a lógica é uma ciência porque constitui um sistema de conhecimentos certos, baseados em princípios universais.

Formulando as leis ideais do bem pensar, a lógica se apresenta como ciência normativa, uma vez que seu objeto não é definir o que é, mas o que deve ser, isto é, as normas do pensamento correto.

A lógica é também uma arte porque, ao mesmo tempo que define os princípios universais do pensamento, estabelece as regras práticas para o conhecimento da verdade (1).

 

 

·      EXTENSÃO E COMPREENSÃO DOS CONCEITOS

 

Ao examinarmos um conceito, em termos lógicos, devemos considerar a sua extensão e a sua compreensão.

Vejamos, por exemplo, o conceito homem.

A extensão desse conceito refere-se a todo o conjunto de indivíduos aos quais se possa aplicar a designação homem.

A compreensão do conceito homem refere-se ao conjunto de qualidades que um indivíduo deve possuir para ser designado pelo termo homem: animal, vertebrado, mamífero, bípede, racional.

Esta última qualidade é aquela que efetivamente distingue o homem dentre os demais seres vivos (2).

 

 

·      O JUÍZO E O RACIOCÍNIO

 

Entende-se por juízo qualquer tipo de afirmação ou negação entre duas idéias ou dois conceitos. Ao afirmarmos, por exemplo, que “este livro é de filosofia”, acabamos de formular um juízo.

O enunciado verbal de um juízo é denominado proposição ou premissa.

Raciocínio - é o processo mental que consiste em coordenar dois ou mais juízos antecedentes, em busca de um juízo novo, denominado conclusão ou inferência.

Vejamos um exemplo típico de raciocínio: 1ª) premissa - o ser humano é racional; 2ª) premissa - você é um ser humano; conclusão - logo, você é racional.

O enunciado de um raciocínio através da linguagem falada ou escrita é chamado de argumento. Argumentar significa, portanto, expressar verbalmente um raciocínio (2).

·      SILOGISMO

 

Silogismo é o raciocínio composto de três proposições, dispostas de tal maneira que a terceira, chamada conclusão, deriva logicamente das duas primeiras, chamadas premissas.

Todo silogismo regular contém, portanto, três proposições nas quais três termos são comparados, dois a dois. Exemplo: toda a virtude é louvável; ora, a caridade é uma virtude; logo, a caridade é louvável (1).

 

 

·      SOFISMA

 

Sofisma é um raciocínio falso que se apresenta com aparência de verdadeiro. Todo erro provém de um raciocínio ilegítimo, portanto, de um sofisma.

O erro pode derivar de duas espécies de causas: das palavras que o exprimem ou das idéias que o constituem. No primeiro, os sofismas de palavras ou verbais; no segundo, os sofismas de idéias ou intelectuais.

Exemplo de sofisma verbal: usar mesma palavra com duplo sentido; tomar a figura pela realidade.

Exemplo de sofisma intelectual: tomar por essencial o que é apenas acidental; tomar por causa um simples antecedente ou mera circunstância acidental (3).

 

 

LÓGICA

 

Lógica - do grego logos significa “palavra”, “expressão”, “pensamento”, “conceito”, “discurso”, “razão”. Para Aristóteles, a lógica é a “ciência da demonstração”; Maritain a define como a “arte que nos faz proceder, com ordem, facilmente e sem erro, no ato próprio da razão”; para Liard é “a ciência das formas do pensamento”. Poderíamos ainda acrescentar: “É a ciência das leis do pensamento e a arte de aplicá-las corretamente na procura e demonstração da verdade.

A filosofia, no correr dos séculos, sempre se preocupou com o conhecimento, formulando a esse respeito várias questões: Qual a origem do conhecimento? Qual a sua essência? Quais os tipos de conhecimentos? Qual o critério da verdade? É possível o conhecimento? À lógica não interessa nenhuma dessas perguntas, mas apenas dar as regras do pensamento correto. A lógica é, portanto, uma disciplina propedêutica.

Aristóteles é considerado, com razão, o fundador da lógica. Foi ele, realmente, o primeiro a investigar, cientificamente, as leis do pensamento. Suas pesquisas lógicas foram reunidas, sob o nome de Organon, por Diógenes Laércio. As leis do pensamento formuladas por Aristóteles se caracterizam pelo rigor e pela exatidão. Por isso, foram adotadas pelos pensadores antigos e medievais e, ainda hoje, são admitidas por muitos filósofos.

O objetivo primacial da lógica é, portanto, o estudo da inteligência sob o ponto de vista de seu uso no conhecimento. É ela que fornece ao filósofo o instrumento e a técnica necessárias para a investigação segura da verdade. Mas, para conseguirmos atingir a verdade, é preciso raciocinarmos com exatidão e partirmos de dados exatos, a fim de que o espírito não caia em contradição consigo mesmo ou com os objetos, afirmando-os diferente do que, na realidade, são. Daí as várias divisões da lógica.

Assim sendo, a extensão e compreensão do conceito, o juízo e o raciocínio, o argumento, o silogismo e o sofisma são estudados dentro do tema lógica. O silogismo, que é um  raciocínio composto de três proposições, dispostos de tal maneira que a terceira, chamada conclusão, deriva logicamente das duas primeiras chamadas premissas, tem lugar de destaque. É que todos os argumentos começam com uma afirmação caminhando depois por etapas até chegar à conclusão.

Estudemos a lógica, pois não basta conhecer a verdade, é preciso que saibamos refutar os erros. E só o conseguiremos com a exatidão do pensar.

 

 

QUESTÕES

1)  O Que significa a palavra lógica?

2)  O que se entende por extensão e compreensão do conceito?

3)  Conceitue juízo e raciocínio.

4)  O que é um sofisma? Dê um exemplo.

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  A lógica é boa para o raciocínio, mas mal para a prática. Comente.

2)  O todo é sempre a soma das partes?

3)  Relacione acidental e essencial.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) SANTOS, T. M. dos.  Manual de Filosofia.

(2) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(3) BAZARIAN, J.  O Problema da Verdade.

 

 


 

 

 

·      O MÉTODO E OS PROBLEMAS

 

Método - do grego methodos significa caminho para chegar a um fim.

Todo método, seja na filosofia ou em qualquer outro campo, tem por finalidade formular ou tentar afirmações, previsões e explicações, e, no caso específico da filosofia, descobrir meios de chegar a uma reflexão mais precisa e eficaz sobre o eu, o outro e o mundo da natureza.

Entretanto, os métodos úteis para solucionar um certo conjunto de problemas podem ser totalmente ineficazes para solucionar outros conjuntos.

Lembremo-nos, porém, de que ainda há problemas para os quais não se conseguiu nenhum método capaz de proporcionar uma solução (1).

 

 

·      DIALÉTICA

 

Sócrates inaugura o método quando institui a maiêutica, ou seja, a arte de perguntar.

Platão aperfeiçoa a maiêutica de Sócrates e a transforma no que ele chama dialética.

A dialética platônica conserva a idéia de que o método filosófico é uma contraposição, não de opiniões distintas, mas de uma opinião e a crítica da mesma. Conserva pois, a idéia de que é preciso partir de uma hipótese primeira e depois ir melhorando, à força das críticas que se lhe fizerem.

Em Hegel, abrange três momentos: 1º) o positivo, da unidade; 2º) o negativo, da divisão; 3º) o da nova unidade. Este processo renova-se constantemente. Exemplo: posição - botão; divisão - flor; nova unidade - fruto (2).

 

 

·      A LÓGICA E A DISPUTA

 

Aristóteles atenta para este movimento da razão intuitiva que passa, por meio da contraposição de opiniões, de uma afirmação à seguinte e desta à seguinte.

Esforça-se para encontrar a lei em virtude da qual, de uma afirmação passamos à seguinte.

As leis do silogismo, suas formas, suas figuras, são, pois, o desenvolvimento que Aristóteles faz da dialética.

Esta concepção da lógica como método da filosofia é herdada de Aristóteles pelos filósofos da Idade Média, os quais a aplicam com um rigor extraordinário.

O método que seguem os filósofos da Idade Média não é somente, como em Aristóteles, a dedução, a intuição racional, mas também a contraposição de opiniões divergentes. Por isso, a disputa (2).

 

·      DÚVIDA HIPERBÓLICA

 

Paradoxalmente, é o caminho da dúvida que leva Descartes ao método que nos conduz ao conhecimento de todas as coisas.

Descartes parte da seguinte idéia: aquilo que nos enganou, mesmo uma só vez, nunca mais merece a nossa confiança, tornando-se duvidoso. Aquilo que é duvidoso deve ser considerado como falso, pois a realidade só comporta dois valores: o verdadeiro ou falso.

Duvida de tudo. A dúvida, no caso, será sistemática e geral, mas não cética, pois o projeto de Descartes não visa a fechar-se dentro da dúvida, mas antes utilizá-la como instrumento para superar a própria dúvida (1).

 

 

·      A FENOMENOLOGIA COMO MÉTODO

 

O método fenomenológico, que encontra a sua primeira formulação em Edmund Husserl, tem por intuito primeiro elaborar uma descrição rigorosa da realidade.

A essa realidade Husserl chama fenômeno, aquilo que se oferece à  minha observação intelectual, isto é, à observação pura.

Para poder chegar a essa observação pura é necessário deixar de lado todas as idéias preconcebidas, todos os preconceitos, tudo aquilo que ouvimos dizer, tudo aquilo que lemos a respeito (1).

 

 

O MÉTODO

 

Método - do grego methodos significa caminho para se chegar a um fim. Todo método, seja em Filosofia ou em qualquer outro campo, tem por finalidade formular e tentar afirmações, explicações e previsões, com o intuito de descobrir a verdade, contrapondo-se ao erro. Na ciência, utilizamos o método positivo; em filosofia, o método especulativo. Qual o alcance dessa diferença metodológica?

A intuição mística é, muitas vezes, cogitada na especulação filosófica. Não podemos desprezá-la de todo  pois o sentimento com relação ao Ser Supremo pode perfeitamente conter parte da verdade. A dificuldade em aceitá-la como método filosófico está no fato de que essa faculdade extra-racional e extra-empírica oferece pouca ou nenhuma garantia de rigor e precisão que o referido método filosófico exige.

A dialética hegeliana, o transcendentalismo de Kant e a fenomenologia descritiva de Husserl constituem os três mais importantes métodos para superar o método filosófico clássico, baseado no empirismo e no racionalismo. Partem de um conhecimento a priori, puro. Eles, porém, não explicam com clareza como chegam a essa pureza do conhecimento. Por isso, os críticos alimentam sérias dúvidas quanto ao êxito desses ensaios, preferindo a opinião de que não passam de formas disfarçadas do método empírico e do método racionalista.

A axiomática hilbertiana possibilitou nova dimensão à técnica reflexiva da filosofia. Segundo as próprias palavras de Hilbert, tudo que pode ser motivo do pensamento científico recai, desde que se integre na estrutura de uma teoria, sob o domínio da axiomática e, portanto, da matemática. É que toda a teoria, segundo ele, é edificada sobre os indemonstráveis (axiomas). Por isso, a suspeita com relação à garantia do conhecimento a priori.

A criação do sistema especulativo, entretanto, é uma atividade puramente estética que não se submete a preceitos racionais. Nada disso porém deverá impedir-nos de reter, apenas os axiomas arbitrariamente escolhidos dos que se mostram mais fecundos no curso do pensamento e do raciocínio abstrato. Desta forma, são a experiência e razão (não o empirismo ou o racionalismo) que devem constituir o critério para o julgamento crítico do valor de nossas proposições.

A especulação filosófica, como vimos, exige o exercício do bom senso. Urge estarmos sempre alerta para não cairmos na mitificação do conhecimento. 

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o significado de método?

2)  Qual o conceito de dialética?

3)  Como Platão aperfeiçoa a maiêutica socrática?

4)  No que consiste o método da disputa?

5)  Como você explica a dúvida hiperbólica?

6)  O que é fenomenologia como método?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  A intuição mística é aceitável como método da filosofia?

2)  A tese do conhecimento a priori, defendida por Kant, Husserl e Hegel  supera o método baseado no empirismo e no racionalismo?

3)  Experiência e razão (não o empirismo ou o racionalismo) devem constituir o critério para o julgamento crítico do valor de nossas proposições. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) GILES, T. R.  O que é Filosofar?

(2) GARCIA MORENTE, M.  Fundamentos de Filosofia.

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE INTUIÇÃO

 

A palavra intuição (do latim in tueri = ver em, contemplar) significa um conhecimento direto, imediato do conjunto de qualidades sensíveis e essenciais dos objetos e de suas relações, sem uso do raciocínio discursivo (1).

 

 

·      TIPOS DE INTUIÇÃO

 

Dentre os vários tipos de intuição, destacaremos três:

1º) intuição sensível ou empírica: visão da laranja;

2º) intuição intelectual: o todo é maior que as partes;

3º) intuição metafísica: intuição de Deus.

Em filosofia, aceita-se somente a intuição intelectual, porque  é a única que se pode provar (1).

 

 

·      INTUIÇÃO INTELECTUAL

 

Intuição é um ato simples, por meio do qual captamos a realidade ideal de algo.

Intelectual refere-se ao trânsito ou à passagem de uma idéia à outra, àquilo que Aristóteles desenvolve sob a forma de lógica.

Assim, intuição e intelectual são termos que se excluem, que se repelem.

O essencial no pensamento de Fichte, Schelling e Hegel é considerar a intuição como método da filosofia.

E por que consideram a intuição intelectual como método da filosofia? Porque dão à razão humana uma dupla missão:

1ª) penetrar intuitivamente na essência das coisas;

2ª) partindo dessa intuição intelectual, construir, de modo puramente apriorístico, toda a armação, toda a estrutura do universo e do homem dentro do próprio universo (2).

 

 

·      FATORES FAVORÁVEIS À MANIFESTAÇÃO DA INTUIÇÃO

 

1º) - Desejar imperiosamente solucionar o problema.

2º) - Acumular ricos conhecimentos práticos e teóricos.

3º) - Trabalhar e pensar longa e intensamente.

4º) - Passar rapidamente de uma atividade à outra.

5º) - Ter a mente flexível e aberta ao novo.

 

 

 

·      CONHECIMENTO INTUITIVO E CONHECIMENTO CIENTÍFICO

 

A distinção entre ambos pode ser expressa da seguinte forma:

a)  enquanto o conhecimento intuitivo se reduz a um ato, simples e individual, o conhecimento científico resulta de um processo complexo de análise e de síntese.

b)  o conhecimento intuitivo consiste em um ato de experiência sensível ou espiritual, já o conhecimento científico toma a experiência como primeiro passo ou estágio inicial de um longo processo de pesquisa.

c)  o conhecimento intuitivo é de ordem subjetiva, enquanto o conhecimento científico fundamenta-se na objetividade e na evidência dos fatos, e, porque essa objetividade e evidência são demonstradas lógica ou experimentalmente, o conhecimento científico adquire o caráter objetivo de validade geral e independente de intuições (3).

 

 

·      INTUIÇÃO, RAZÃO E ESPIRITISMO

 

O conhecimento vindo através do intelecto nos faz apreender o mundo ambiente, ao passo que a intuição nos dá o discernimento das coisas divinas;

O conhecimento intelectual se estriba na razão que mediu, pesou, dividiu, analisou, concluiu;

A intuição, porém, se apoia na fé, porque somente crê e confia.

O campo da razão vai até onde a inteligência alcança, mas o da intuição não têm limites, porque é o campo da consciência universal. Por isso, às vezes diz “sim”, quando a intuição diz “não”; uma fala “prudência”, a outra ordena “confiança”; uma diz “raciocina primeiro”, mas a outra determina “crê e segue” (4).

 

 

·      CONCEITO DE INSPIRAÇÃO

 

Inspiração - do latim inspiratio do verbo aspiro, soprar para dentro. Segundo o Dicionário Aurélio, qualquer estímulo ao pensamento ou à atividade criadora.

Na aspiração, quando o espírito humano, no seu dinamismo, dirige a um valor puro, como liberdade, justiça, a aspiração torna-se inspiração.

Fala-se muito na inspiração dos artistas, esse misterioso poder de criação espontâneo, que parece como se uma potência exterior viesse em auxílio daquele.

Muitos artistas realizam obras num estado de mínima consciência, apercebendo-se do que fizeram quase no fim ou no término do que encetaram. Alguns chegam a afirmar um caráter de mediunidade, como se o artista não passasse de um instrumento dócil às mãos de um ser misterioso que o guiasse na realização de sua obra, como Mozart que ouvia os seus concertos, num só ato, escrevendo-os, depois, por memorização (5).

 

 

 

·      MÉDIUNS INTUITIVOS E MÉDIUNS INSPIRADOS

 

Médiuns Intuitivos: o papel desta categoria de médiuns é ser intérprete dos Espíritos. Enquanto o médium mecânico age como uma máquina, o  médium intuitivo, para transmitir o pensamento, deve primeiramente compreendê-lo, para depois apropriar-se dele e traduzi-lo fielmente, embora esse pensamento não seja o seu.

Médiuns Inspirados: é uma variedade da mediunidade intuitiva, entretanto a intervenção de um poder oculto é ainda bem menos sensível, ou seja, no inspirado é mais difícil distinguir-se o pensamento próprio daquele que lhe é sugerido. O que caracteriza  este último é sobretudo a espontaneidade (6).

 

 

INTUIÇÃO, INSPIRAÇÃO E MEDIUNIDADE

 

Intuição significa um conhecimento direto, imediato  do conjunto das qualidades sensíveis e essenciais dos objetos e  das suas relações, sem uso do raciocínio discursivo. Inspiração  quer dizer  soprar  para dentro. É o estado de exaltação  emotiva,  de íntima e misteriosa iluminação, em que, pela intuição estética, o artista  apreende  o  seu  objeto  de  modo  impreciso,  mas   em plenitude.

Por  essas  definições depreende-se que na  intuição  o indivíduo busca o conhecimento por si mesmo, penetrando-o através de  seus  próprios  esforços. Por outro lado,  na  inspiração,  a descoberta vem espontaneamente, transparecendo em muitos artistas a  existência  de uma percepção  extra-sensorial  -  mediunidade. Muitos  realizam  suas obras num estado de   mínima  consciência, como  é  o caso de Mozart, que depois do  êxtase,  escrevia  seus acordes de cor.

Teoricamente não é difícil separar esses dois conceitos. Mas como precisar, com certeza, onde começa um e onde termina  o outro? A doutrina dos Espíritos, codificada por  Allan Kardec, fornece-nos uma luz. De acordo com seus postulados, estamos envoltos pela presença de Espíritos, que tanto podem influenciar-nos  para o bem quanto para o mal. Neste  sentido, o insight de uma descoberta poderia, perfeitamente, provir do sopro de um Espírito amigo.

            No desenvolvimento desses raciocínios, o homem de gênio poderia  ser apontado como o ser exclusivamente  intuitivo.  Isso não é impossível, visto  que  ele,  em outras   encarnações, conquistou,  através  dos próprios esforços, condições  para tal fim.  Mesmo  assim, não se invalida a influência exercida  pelos bons  Espíritos. Estes podem  utilizar-se da matéria cerebral do gênio e comunicar-lhe as invenções necessárias para a evolução da humanidade.

No  estudo da psicografia, Kardec usa os termos médium intuitivo  e médium  inspirado.  O médium  intuitivo escreve e percebe que as idéias são do Espírito comunicante e com o médium inspirado isto não ocorre. Afirma, ainda, que o segundo é um caso especial do primeiro. Ele considera a intuição e  a  inspiração como  mediunidade, ao  contrário dos filósofos, que tratam da intuição como sendo uma abstração do próprio sujeito cognoscente.

Excluindo-se a terminologia exclusivamente mediúnica de Kardec, podemos dizer  que a intuição refere-se ao  fenômeno anímico, enquanto a inspiração, ao fenômeno mediúnico. Estejamos atentos para separar um do outro.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de intuição?

2)  Qual o conceito de inspiração?

3)  Quais são os fatores favoráveis à manifestação da intuição?

4)  Como se distingue o conhecimento intuitivo do conhecimento científico?

5)  O que distingue o médium intuitivo do médium inspirado?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  A intuição vai além da razão. Ela se apoia na fé?

2)  O campo da razão vai até onde a inteligência alcança, mas a intuição não tem limites. Comente.

3)  Em termos mediúnicos, é possível separar a intuição da inspiração? Como?

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) BAZARIAN, J .  Intuição Heurística.

(2) GARCIA MORENTE, M.  Fundamentos de Filosofia.

(3) RUIZ, J. A.  Metodologia Científica.

(4) ARMOND, E.  Mediunidade.

(5) SANTOS, M. F. dos.  Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

(6) KARDEC, A.  O Livro dos Médiuns.

 

 


 

 

 

·      INTRODUÇÃO

 

Uma introdução à Filosofia Espírita exige longa pesquisa de suas raízes na coordenadas da evolução humana: o tempo e o pensamento.

A História da Filosofia é um continuum, que nasce da primeira indagação do homem sobre a Natureza e depois sobre a vida e sobre ele mesmo.

Da Magia à Religião e desta à Filosofia, o pensamento se desenrola numa seqüência ininterrupta de formulações pessoais que se encadeiam em processo dialético (1).

 

 

·      A REVELAÇÃO ESPÍRITA

 

Nas civilizações sócio-cêntricas do passado, o processo de representação coletiva, na tribo, se dividia entre o cacique e o pajé - o primeiro representando o poder humano, o segundo o poder espiritual.

Cristo, apresentou-se ainda como revelador pessoal e local.

A revelação espírita é coletiva.

Isto porque no mundo novo que surgiu da abertura cristã, tendo por paradigma a especulação ateniense e por bússola a mensagem racional do Evangelho, não há mais lugar para a autoridade individual, no tocante à problemática da verdade, que brota do real-em-si e não das interpretações individuais, sujeitas a condicionamentos desconhecidos (1).

 

 

·      FILOSOFIA ESPÍRITA

 

Kardec afirma, na introdução de O Livro dos Espíritos, que a força do Espiritismo não está nos fenômenos, como geralmente se pensa, mas na sua “filosofia”, o que vale dizer na sua mundividência, na sua concepção de realidade.

Segundo Gonzales Soriano, o Espiritismo é “a síntese essencial dos conhecimentos humanos aplicada à investigação da verdade”. É o pensamento debruçado sobre si mesmo para reajustar-se à realidade.

Trata-se, pois, não de fazer sessões, provocar fenômenos, procurar médiuns, mas de debruçar o pensamento sobre si mesmo, examinar a concepção espírita do mundo e reajustar a ela a conduta através da moral espírita (1).

 

 

·      O ESPIRITISMO

 

O Espiritismo é uma doutrina que existe nos livros e precisa ser estudada.

É uma doutrina sobre o mundo, dá-nos sua interpretação e nos mostra como nos devemos conduzir nele.

Dizem que nasceu na cabeça de Allan Kardec, mas não é verdade. Dados históricos nos revelam que o Espiritismo se formou lentamente através da observação e pesquisa científica dos fenômenos espíritas, hoje parapsicologicamente chamados de fenômenos paranormais.

Kardec partiu da pesquisa científica, originando-se desta a Ciência Espírita; desenvolveu a seguir a interpretação dos resultados da pesquisa, que resultou na Filosofia Espírita; tirou, depois, as conclusões morais da concepção filosófica, que levaram naturalmente à Religião Espírita (1).

 

 

·      A TRADIÇÃO FILOSÓFICA

 

A Filosofia Espírita se apresenta naturalmente integrada na tradição filosófica.

Dos pitagóricos, passando pela contribuição da doutrina da forma e matéria, de Aristóteles, enaltecendo os pensamentos de Descartes, Espinosa e Kant, a tradição filosófica é terreno vasto e profundo em que podemos descobrir as razões da Filosofia Espírita.

A Filosofia Espírita sintetiza, em sua ampla e dinâmica conceituação, todas as conquistas reais da tradição filosófica, ao mesmo tempo em que inicia o novo ciclo dialético da nova civilização em perspectiva (1).

 

 

FILOSOFIA E ESPIRITISMO

 

Filosofia - do grego filos (amor) e sofia (sabedoria). Tem o sentido etimológico de “amor à sabedoria”. Atualmente é uma ciência que estuda as leis mais gerais do ser, do pensamento e da ação. Divide-se em três partes fundamentais: 1ª) Gnosiologia ou Teoria do Conhecimento; 2ª) Ontologia ou Teoria do Ser; 3ª) Axiologia ou Teoria dos Valores.

A Gnosiologia ou Teoria do Conhecimento estuda a origem, a essência e a validade do conhecimento. Da Antigüidade aos nossos dias, o problema do conhecimento, para a Filosofia, apresenta-se contraditório: conhecemos pelo espírito ou pelos sentidos? Essa dualidade, para a Filosofia Espírita, não existe, pois o homem é essencialmente Espírito. Assim, segundo a Doutrina Espírita, a percepção é faculdade geral do espírito, que abrange todo o seu ser, isto é, o Espírito, o Perispírito e o Corpo Físico.

A Ontologia ou Teoria do Ser estuda a origem, a essência e a causa primária do cosmos, da vida e do pensamento. Para a Filosofia, a dualidade persiste: é o ser que dá origem ao pensamento, ou este àquele? Quem surgiu primeiro: a matéria ou o espírito? Para o Espiritismo, Deus é causa primária de todas as coisas. Dele vertem-se dois princípios: o princípio material e o princípio espiritual. Diz-nos que a ligação entre ambos é feita através do perispírito.

No conhecimento do perispírito está a solução para muitos de nossos problemas, inclusive os filosóficos. Ele é o elo de ligação entre o ser e o pensamento. Enquanto a Filosofia debate se a origem está na matéria (materialismo filosófico) ou no espírito (idealismo filosófico), o Espiritismo afirma que o ser é essencialmente um Espírito, que deve ser visto no seu tríplice aspecto, ou seja: Espírito, Perispírito e Corpo Físico.

A Axiologia ou Teoria dos Valores estuda a origem, a essência e a evolução dos valores existenciais e indica os princípios da ação. Um estudo pormenorizado das Aleis Morais e, especificamente, a Lei de Justiça, Amor e Caridade, contidas em O Livro dos Espíritos nos fornecerá os princípios da ação voltados para o bem. Automatizando-os em nossos atos cotidianos, poderemos construir uma sociedade mais justa e igualitária.

A atitude filosófica da dúvida, crítica, reflexão e contradição aliada aos princípios codificados por Allan Kardec, fornecem-nos subsídios valiosos para a compreensão de nós mesmos, do nosso próximo, da natureza e do mundo que nos circunda.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual a divisão da Filosofia, na atualidade?

2)  Qual o caráter da revelação espírita?

3)  O que é o Espiritismo?

4)  Como a Filosofia Espírita se integra na Tradição Filosófica?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  A força do Espiritismo não está nos fenômenos mas na sua filosofia. Comente.

2)  A Filosofia Espírita nasceu na cabeça de Allan Kardec?

3)  A atitude de dúvida, crítica, contradição podem ser aplicados na Filosofia Espírita?

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

 

 

 


 

 

 

·      CONCEITO

 

Senso Crítico é a busca da verdade pelo questionamento do “eu” do “outro” e do “mundo”.

 

 

·      ESPÍRITO CRÍTICO E ESPÍRITO DE CRÍTICA

 

Espírito crítico é a atitude amadurecida do homem que busca com seriedade a verdade, suprema virtude da mente.

O espírito crítico pondera razões, confronta motivos, busca o desvelamento da verdade, que tranqüiliza as exigências da razão, dissipa as trevas da ignorância e promove o progresso da mente.

Espírito de crítica é o espírito de contradição.

O espírito de crítica é o indício de uma desorganização mental, de uma superficialidade irresponsável que conduz ao ceticismo, à inanição; nasce do nada e não conduz a coisa alguma, ou nasce da inquietação pessoal e conduz à inquietação de muitos (1).

 

 

·      O PAPEL DA FILOSOFIA

 

A tarefa da Filosofia é desenvolver no estudante o senso crítico, que implica a superação das concepções ingênuas e superficiais sobre os homens, a sociedade e a natureza; concepções essas forjadas pela “ideologia” social dominante.

O resultado desse processo é a ampliação da consciência reflexiva do estudante, voltada para dois setores fundamentais:

- a consciência de si mesmo: crítica de si próprio enquanto pessoa e de seu papel individual e social (autocrítica).

- a consciência do mundo: compreensão do mundo natural e social e de suas possibilidades de mudança (2).

 

 

·      ESTIGMA E PRECONCEITO

 

Nossas concepções ingênuas forjaram “ideologias” e estigmatizaram “povos”.

Não paramos para pensar se as atitudes de alguns indivíduos referem-se ou não à totalidade das pessoas. Exemplo:

- o judeu é ganancioso;

- o negro é indolente;

- os americanos são superficiais.

 

 

·      PASSAGEM DO ESPÍRITO NÃO CRÍTICO PARA O ESPÍRITO CRÍTICO

 

A lei de evolução é inexorável. Neste sentido, podemos passar de uma situação não crítica para uma que seja crítica, da seguinte forma:

- de forma espontânea: quando novas crenças se chocam com as antigas e requerem uma mudança;

- de forma provocada: quando deliberamos por nós mesmos uma mudança em nossos hábitos e atitudes (3).

 

 

·      PENSADOR CRÍTICO

 

O espírito crítico arranca o pensador das limitações da particularidade, situando-o no plano das intencionalidades globais, originárias e finais do movimento da existência.

Para J. Ladrière, a crítica é um recuo em direção ao momento originário da existência e também um mergulho na obscuridade do futuro, na tentativa de discernir as melhores possibilidades do devir.

A crítica consiste “num discernimento, num esforço de separar o que pode ser reconhecido como válido daquilo que não o é, a fim de reencontrar as orientações autênticas das intencionalidades constitutivas” (4).

 

 

·      SENSO CRÍTICO NA ÓTICA ESPÍRITA

 

Podemos vê-lo, dentro da ótica espírita, sob três aspectos:

1º) vias de inspeção: as informações nos chegam através das percepções sensoriais e das extra-sensoriais. Passam, primeiramente, pelo corpo físico; depois, pelo corpo perispiritual, e, por último, chegam ao Espírito propriamente dito. O senso crítico está localizado no Espírito, que faz a seleção de tudo o que lhe chega, enviando de volta, como crítica conceituada.

Graficamente

2º) herança e automatismo: o princípio inteligente estagiando no reino mineral adquiriu a atração; no reino vegetal, a sensação; no reino animal o instinto; no reino hominal, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e a razão. Hoje, somos o resultado de toda essa herança cultural.

 

3º) a evolução é do Espírito: a lei do progresso exige que o princípio inteligente vá-se despojando dos liames da matéria. Para que tenhamos um olhar crítico, devemos libertar-nos da obscuridade da matéria, consubstanciada no egoísmo, no orgulho e no interesse próprio (5).

O Espiritismo auxilia-nos a pensar criticamente, porque enfoca o ser no seu sentido global, ou seja, relaciona-o às existências anteriores.

 

 

SENSO CRÍTICO E ESPIRITISMO

 

Senso crítico  -  é a busca da  verdade pelo questionamento do “eu”, do “outro” e do “mundo”. Tenciona-se, com isso, superar as concepções ingênuas formadas pela “ideologia” dominante.

       O espírito crítico distingue-se do espírito de crítica. No primeiro, procura-se a verdade de forma amadurecida, ou  seja, estimula-se o progresso mental, pela ponderação  de razões e discussão de motivos. No segundo, desenvolve-se o  espírito de contradição, não no sentido positivo, mas no sentido de que,  uma vez estabelecida a inquietação pessoal, passa-se à inquietação de muitos. Há que se evitar a crítica contumaz e leviana.

O pensador crítico afasta-se das limitações particulares e impulsiona o seu pensamento para as generalizações da existência. Não perde tempo com  questiúnculas,  tratando, exclusivamente, dos  aspectos relevantes da  evolução  do ser. Direciona seu  entendimento não somente para o  futuro  obscuro, tentando captar o seu devir, como também para o passado, buscando suas  origens. Neste vai-e-vem não esquece o presente,  vivendo-o intensamente, com todas as forças de sua alma.

O  senso  crítico, segundo o espiritismo, é realizado pelo Espírito. Como se explica?  Há percepção sensorial  e percepção  extra-sensorial.  Nossa  mente capta  as  sensações  e transmite-as ao perispírito.  Este, por sua  vez,  envia-as  ao Espírito, que faz a crítica e retorna-as, em seguida, como crítica conceituada.  A  essência  espiritual é a herança  de  todas  as encarnações e, de acordo com nossas vivências anteriores, podemos ser mais ou menos ricos de inteligência e de moral.

O  princípio  inteligente, na sua escalada evolutiva, adquiriu a atração no reino mineral; a sensação, no reino vegetal;  o instinto, no reino animal; o pensamento  contínuo,  a razão e o livre-arbítrio, no reino hominal.  Disso  resulta os automatismos de nossa existência, em que a linguagem, o tato e a locomoção são os aspectos positivos, e os vícios e  defeitos,  os negativos.  Na  presente encarnação, temos de nos esforçar para estimular os atos bons, reprimindo, em contrapartida, os maus.

A evolução é do Espírito. Para que possamos melhorar o nosso "olhar  crítico", temos de nos despojar dos automatismos negativos. Essa atitude, tornando-se constante, libera  a  nossa mente para a compreensão das essências mais puras do nosso ser.

 

 

QUESTÕES

1)  O que é senso crítico?

2)  Qual a distinção entre espírito crítico e espírito de crítica?

3)  Qual o papel da Filosofia?

4)  Como se dá a passagem do espírito não crítico para o crítico?

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  É fácil adquirir o olhar crítico? Em caso contrário, o que dificulta tal aquisição?

2)  O pensador crítico e as generalizações da existência. Comente.

3)  Relacione senso crítico e Espiritismo.

4)  Para que possamos melhorar o nosso “olhar crítico”, temos de nos despojar dos automatismos negativos?

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) RUIZ, J. A.  Metodologia Científica.

(2) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(3) BORNHEIM, G. A.  Introdução ao Filosofar.

(4) LADRIÈRE, J.  Filosofia e Práxis Científica.

(5) LUIZ, A.  Evolução em Dois Mundos.

 

 


 

 

 

·      DIVISÃO DA FILOSOFIA

 

Como ciência que estuda as leis mais gerais do ser, do conhecimento e da ação, podemos distinguir na filosofia três partes fundamentais:

1ª) Ontologia ou teoria do ser: estuda a origem, a essência e a causa primeira do cosmos, da vida e do pensamento; e a relação entre o ser e o pensamento;

2ª) Gnosiologia ou teoria do conhecimento: estuda a origem e a validade do conhecimento;

3ª) Axiologia ou teoria dos valores: estuda a origem, a essência e a evolução dos valores existenciais e indica os princípios da ação (1).

 

 

·      O CONHECIMENTO

 

Diante da pergunta como conhecemos, a tradição filosófica mostra duas posições clássicas: a platônica ou socrático-platônica, que envolve a questão da reminiscência, das idéias inatas, e a sofística ou empírica que se refere apenas aos nossos sentidos.

Surge a contradição: 1ª) “conhecemos pelo espírito”; 2ª) “conhecemos pelos sentidos”.

O primeiro a dar uma resposta conciliatória, ao que nos parece, foi Aristóteles, com sua teoria dos dois espíritos do homem: o formativo e o receptivo.

Essa dualidade é resolvida pela Filosofia Espírita (2).

 

 

·      ESPÍRITO E CORPO

 

Para a Filosofia Espírita, portanto, a dualidade de espíritos da teoria aristotélica não existe. O homem é essencialmente um espírito.

O Espírito é a substância do homem e o corpo seu acidente.

A percepção é uma faculdade do espírito e não do corpo. É o escafandrista que vê através dos vidros do escafandro e não este que vê pelos seus vidros.

Veja-se o ensaio teórico sobre as sensações dos espíritos, em O Livro dos Espíritos. O Espírito não percebe através dos órgãos, não vê pelos olhos nem ouve pelos ouvidos. Vê e ouve por todo o seu ser (2). 

 

 

·      PERCEPÇÃO OBJETIVA E SUBJETIVA

 

Há a percepção objetiva que estabelece a relação sujeito-objeto, e a percepção subjetiva, que faz do sujeito o seu próprio objeto.

Isso quer dizer, em termos epistemológicos (na teoria das ciências) que há Ciência e há Filosofia.

A Ciência investiga os objetos exteriores, a Filosofia investiga a si mesma, é o pensamento debruçado sobre si mesmo.

Hoje, temos o mundo dividido em duas partes: numa, se desenvolve o pensamento materialista como ideologia oficial dos Estados; noutra, o pensamento espiritualista na mesma posição (2).

A Filosofia Espírita se coloca entre ambas e nos oferece a síntese, mostrando o equívoco desse divisionismo artificial e anunciando o advento global da realidade.

                                              

 

·      O PROCESSO GNOSEOLÓGICO

 

A lei dos três estados da evolução gnoseológica segundo Auguste Comte são:

1º) o estado teológico em que tudo se explica pela intervenção dos deuses;

2º) o estado metafísico das explicações abstratas (o ópio faz dormir porque tem a virtude dormitiva);

3º) o estado positivo em que predominam as Ciências.

Kardec acrescentou a essa teoria, por sugestão de um leitor da “Revista Espírita”, o estado psicológico iniciado pelo Espiritismo (2).

 

 

·      HUMANIDADE CÓSMICA

 

A Teoria Espírita do Conhecimento amplia a nossa visão.

Não pensamos mais em termos geocêntricos, organocêntricos ou antropocêntricos e, por isso mesmo, não vivemos mais apegados a temores e superstições.

O Espiritismo nos confere a emancipação espiritual de cidadãos do Cosmos (2).

 

 

CONHECIMENTO E ESPIRITISMO

 

A Filosofia, depois que se desprendeu do tronco geral do conhecimento ficou, na atualidade, dividida em três partes fundamentais: a Ontologia ou teoria do ser, a Gnosiologia ou teoria do conhecimento e a Axiologia ou teoria dos valores. A teoria do conhecimento, objeto de nossa atenção, procura estudar a origem e a validade do conhecimento, inclusive distinguindo a verdade e o erro.

O conhecimento é a relação que existe entre o “observador” e a “coisa observada”. A realidade é o que é. Ela não é falsa nem verdadeira. Verdadeiros ou falsos são os nossos juízos acerca da mesma. Se a imagem que fazemos de um objeto coincide com o que ele é, estamos de posse da verdade; se, ao contrário, houve um viés, estamos em erro. Assim sendo, é muito mais importante a imagem que fazemos do objeto do que ele próprio.

Como é que o conhecedor conhece? Conhece pelo Espírito? Ou conhece pelo sentido? Embora Aristóteles tenha dado sua contribuição a essa contradição, quando elaborou a  teoria dos dois espíritos do homem - formativo e receptivo - , ainda persiste muitas dúvidas. Para os materialistas, conhecemos pelos sentidos; para os idealistas, conhecemos pelo espírito.

Para o Espiritismo essa dualidade de Espírito e Matéria não existe. O homem é essencialmente um Espírito. Nesse sentido, o Espírito é a substância do homem e o corpo seu acidente. A percepção é uma faculdade do Espírito e não do corpo físico. O Espírito não percebe através dos órgãos, não vê pelos olhos nem ouve pelos ouvidos. Vê e ouve por todo o seu ser.

Como vemos há a percepção objetiva que estabelece a relação sujeito-objeto, e a percepção subjetiva, que faz do sujeito o seu próprio objeto. Isto quer dizer que há ciência e filosofia. Não há, assim, uma  separação total entre ciência e  Filosofia. É justamente esse viés do pensamento que divide o mundo em duas partes: numa o pensamento materialista como ideologia oficial dos Estados; noutra o pensamento espiritualista na mesma posição. A Filosofia Espírita coloca-se entre ambas e oferece-nos a síntese, no sentido de compreender a realidade como um

A convicção de que somos um todo formado por Espírito, Perispírito e Corpo Físico, auxilia-nos sobremaneira na construção dos conhecimentos verdadeiros que nem a traça e nem a ferrugem desgastam.

 

 

QUESTÕES

1)  Quais as duas posições clássicas diante da pergunta como conhecemos?

2)  Como o Espiritismo responde à pergunta como conhecemos?

3)  O que é a Filosofia Espírita?

4)  Quais são os estados da evolução gnoseológica?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  O Espírito vê e ouve por todo o seu ser?

2)  Percepção objetiva, percepção subjetiva e Espiritismo. Comente

3)  O Espiritismo nos  confere a emancipação espiritual de cidadãos do cosmos?

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) BAZARIAN, J.  O Problema da Verdade.

(2) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

 

 

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE VERDADE

 

Conhecimento é o reflexo e a reprodução do objeto em nossa mente.

Conhecimento verdadeiro é aquele que reflete corretamente a realidade na mente.

Verdade é o reflexo fiel do objeto na mente, adequação do pensamento com a coisa.

É verdadeiro todo o juízo que reflete corretamente a realidade (1).

 

 

·      CONCEITO DE ERRO

 

O erro é o conhecimento que não reflete fielmente a realidade e por isso mesmo não corresponde à realidade.

O erro consiste no desacordo, na não-conformidade, na inadequação do pensamento com a coisa, do juízo com a realidade (1).

 

 

·      O VERDADEIRO E O ERRADO

 

O que existe na realidade não pode ser verdadeiro ou errado. Simplesmente existe.

Verdadeiros ou errados só podem ser nossos conhecimentos ou juízos a respeito do objeto.

Em outras palavras, verdadeiro ou errado pode ser apenas o reflexo subjetivo da realidade objetiva (1).

 

 

·      ESTADOS DA MENTE EM RELAÇÃO À VERDADE

 

Ignorância: estado de completa ausência de conhecimento do Sujeito em relação Objeto. Ignorar é desconhecer.

Dúvida: estado em que determinado conhecimento é tido como possível. Mas as razões para afirmar ou negar alguma coisa estão em equilíbrio.

Opinião: estado em que o Sujeito julga ter um conhecimento provável do objeto. Afirma conhecer, mas com temor de se enganar.

Certeza: estado em que o Sujeito tem plena firmeza de seu conhecimento em relação ao Objeto. O conhecimento surge como algo evidente (2).

 

 

 

 

·      FUNDAMENTO ÚNICO

 

A Filosofia procura, desde suas origens, a verdade diante da falsidade, o ser verdadeiro diante do ser aparente, o reino da certeza diante do reino da ilusão (3).

 

 

·      CRITÉRIO DA VERDADE

 

Evidência: o mais conhecido, divulgado e aceito critério, desde Aristóteles até nossos dias. A palavra “evidência” deriva de “ver” - ato de visão direta e imediata, obtida pela intuição de evidência.

Crítica: a evidência como critério da verdade, embora seja bastante eficiente, não é, entretanto, suficiente, pois a evidência pode ser verdadeira e falsa, real e aparente, ainda que haja no Sujeito o sentimento subjetivo de certeza (1).

Outros critérios: critério da autoridade, critério da ausência de contradição (ou da não-contradição), critério da utilidade, critério da prova, critério da prática etc.

 

 

·      A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO

 

Somos capazes de conhecer a verdade? É possível ao Sujeito apreender o Objeto? Respondendo a essas questões existem duas correntes básicas e antagônicas na história da Filosofia:

Ceticismo: defende nossa impossibilidade de conhecer a verdade.

Dogmatismo: defende nossa possibilidade de conhecer a verdade.

 

 

·      O FUNDAMENTO DO CONHECIMENTO

 

Existem várias correntes filosóficas para aqueles que admitem a possibilidade do conhecimento humano:

Empirismo: defende que todas as nossas idéias são provenientes de nossas percepções sensoriais.

Racionalismo Gnosiológico: afirma que somente a razão humana pode atingir o conhecimento verdadeiro.

O Realismo Crítico e o Materialismo Dialético: meio-termo - tanto os sentidos como a razão humana têm participação determinante na origem de nossos conhecimentos (2).

 

 

·      VERDADE REVELADA

 

O conceito de verdade como revelação pode ser encontrado entre os empiristas e teólogos.

Os empiristas defendem que a verdade representa aquilo que, imediatamente, se revela ao homem.

Os teólogos, que a verdade é a evidência manifestada nas coisas e que o princípio de todas as coisas é Deus (2).

 

 

·      CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA

 

Revelar, do latim revelare, cuja raiz é velum = véu, significa literalmente sair de sob o véu, e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida.

O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus.

O que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e a iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem (4).

 

 

·      O PARADOXO

 

A arte de pensar consiste em supor, por um momento, que as coisas poderiam ser o contrário do que são. Supor que o impossível exista é um dos preceitos da arte de inventar.

Comparar: “louco é um homem que perdeu a razão” com “louco é um homem que perdeu tudo, exceto a razão” (5).

 

 

A VERDADE, O ERRO E O ESPIRITISMO

 

            Verdade  - é o conhecimento que reflete corretamente  a realidade na  mente. Erro - é o conhecimento  que  não  reflete fielmente a realidade na mente. A realidade é o que é. Ela não  é verdadeira nem falsa. Verdadeiros ou falsos são os nossos  juízos acerca dela.

            A  verdade  é uma relação entre o Sujeito e  o Objeto. Embora  haja  várias  espécies de verdade,  tais  como  a  lógica formal, a pragmática, a axiológica  e outras, o seu fundamento  é único: distinguir o erro da verdade. Neste sentido,  estabelecem-se  os argumentos dos vários sistemas filosóficos.  O dogmatismo defende  a  possibilidade  de conhecê-la; o  ceticismo,  não.  Os empiristas  admitem o conhecimento vindo,  exclusivamente,  pelas vias sensoriais; os racionalistas, somente pela razão.

Buscar  a  verdade  é obter  o  verdadeiro  reflexo da realidade.  Para  que  possamos captá-la  globalmente,  temos  de admitir, também, uma realidade espiritual sobreposta à  realidade material.  A  realidade  espiritual é  explicada  pelas  diversas religiões. Assim, no contexto religioso, a verdade apresenta-se como evidência manifestada nas coisas. E o princípio de todas  as coisas  é Deus. Este critério da verdade é problemático.  Quantos não são os fatos que, no primeiro momento, parecem verdadeiros  e que são desmentidos logo após uma análise ampla e profunda.

            A Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan  Kardec, aceita  a revelação divina. Como pode haver revelações  sérias  e mentirosas, há que se precaver o espírito, deixando-o de atalaia. Deve-se, também, tomar consciência de que o caráter essencial  da revelação  divina  é o da eterna verdade. Conforme já  foi  dito, toda  a  revelação eivada de erros ou sujeita a  modificação  não pode emanar de Deus.

A revelação espírita apresenta-se com duplo caráter: de um lado, há a iniciativa dos Espíritos e, de outro, o trabalho do homem.  Por  isso, na sua elaboração, o Espiritismo  procedeu  do mesmo  modo  que  as  ciências  positivas,  aplicando  o método experimental. Ainda mais, um mesmo problema foi enviado a  vários médiuns, em todo o mundo, a fim de se alcançar  a  universalidade do conhecimento.                          

A  construção rigorosa dos princípios doutrinários  dá-nos condições de melhor conhecer a realidade que nos absorve.  De acordo  com  esses  postulados,  captamos  as  verdades  que  nos libertam e distanciamo-nos dos erros que nos escravizam.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de verdade?

2)  Qual o conceito de erro?

3)  Quais os estados da mente com relação à verdade?

4)  Qual o caráter da revelação espírita?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Há verdades reveladas?

2)  “A arte de pensar consiste em supor, por um momento, que as coisas poderiam ser o contrário do que são”. Comente.

3)  Captarmos as verdades que nos libertam e desviarmo-nos dos erros que nos escravizam. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) BAZARIAN, J.  O Problema da Verdade.

(2) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(3) VITA, L. W.  Compêndio de Filosofia.

(4) KARDEC, A.  A Gênese.

(5) GUITTON, J.  Nova Arte de Pensar.

 

 

 


 

 

 

·      O SER HISTÓRICO

 

O problema do ser empolga toda a História da Filosofia e podemos considerá-lo como o elo que mantém a união do pensamento religioso com o filosófico.

O início da cogitação filosófica encontra-se em Pitágoras, quando o representa pelo número um.

Para Sartre, criador do Existencialismo Ateu, o Ser é uma espécie desses ovóides de que nos falam os livros de André Luiz.

No marxismo e no neopositivismo, é o ser humano o que importa.

E o que é o ser humano, senão a projeção pitagórica do Ser único e a projeção sartreana do mistério limboso? Assim, o Ser é sempre, em qualquer sistema ou concepção, o mistério do Um e do Múltiplo (1).

 

 

·      REVELAÇÃO E COGITAÇÃO

 

Na Filosofia Espírita esse mistério se aclara através da revelação e da cogitação.

A revelação, como vimos, pode ser humana e divina. No caso, é divina, pois reservamos para o campo humano a expressão clássica da técnica filosófica: a cogitação.

Os Espíritos revelaram a existência do Ser pela comunicação mediúnica (e a provaram pela fenomenologia mediúnica), mas os homens confirmaram essa existência pela cogitação, pela pesquisa mental do problema.

Kardec não repetiu Descartes - cogito ergo sum - mas ampliou o conceito da presença de Deus no homem. Podemos interpretar assim a posição de Kardec: sinto Deus em mim, logo existo (1).

 

 

·      O SER HUMANO

 

Para Aristóteles, o Ser é “aquilo que é”.

Na Bíblia é Deus quem fala, embora figuradamente, e se explica: “Eu sou o que é”.

Deus é e se afirma na intuição cartesiana de Um Ser supremo, como se afirma no sentimento intuitivo kardeciano.

Na Filosofia Espírita o conceito de Ser abrange todas as categorias daquilo que é, concordando portanto com o pensamento filosófico antigo e moderno.

A definição do Ser supremo, por exemplo, nos é dada no item 1º de O Livro dos Espíritos da seguinte forma: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” ( 1).

·      ESSÊNCIA E EXISTÊNCIA

 

Os seres têm essência e essa essência se desenvolve através da evolução: é o princípio inteligente. Essa essência se reveste de formas diversas no processo evolutivo, isto é, toma determinada forma e se reveste de matéria.

No ser humano, essa realidade se apresenta no complexo Espírito, Perispírito e Matéria. Entre os dois últimos existe ainda o fluido vital.

Toda essa complexidade, entretanto, é simplesmente a expressão  pluralista de um monismo fundamental. A essência é que tudo domina. Ela é a realidade última. Mas só através da existência conseguimos atingi-la.

Temos de penetrar as capas existenciais do Ser para encontrá-lo na sua realidade essencial (1).

 

 

·      VISÃO DIALÉTICA DAS COISAS E DOS SERES

 

Aprendemos que a realidade aparente é ilusória mas que também é necessária para chegarmos à realidade verdadeira.

O ser humano está no ápice da escala evolutiva existencial. Acima dele, os que superaram o domínio da matéria e que as religiões chamam anjos, devas, arcanjos e assim por diante.

Esses Espíritos conservam sua individualidade após a morte do corpo e a conservam através da evolução nos mundos superiores. Só a parte formal é perecível: o corpo e o perispírito.

A essência do Espírito é indestrutível, pois representa a atualização das potencialidades do princípio inteligente, uma criação de Deus para fins que ainda desconhecemos (1).

 

 

·      ESCALA ESPÍRITA

 

O Livro dos Espíritos, a partir do n.º 100, oferece-nos um esquema ontológico da evolução do homem. Não é um esquema rígido, mas uma orientação aos estudiosos (1).

 

 

ONTOLOGIA E ESPIRITISMO

 

Ontologia - do grego onto mais logia significa parte da Filosofia que  trata do ser enquanto ser, ou seja, do ser concebido na sua totalidade e na sua universalidade. A Ontologia seria, então, a ciência do noumeno. A ela caberia o papel especial de estudar o que permanece atrás dos fenômenos, de explicá-los, enquanto os fenômenos, propriamente ditos,  caberiam às ciências particulares. 

Essência e existência são os elementos básicos do ser. À pergunta: que é o ser, temos uma infinidade de respostas, dependendo, é claro, do ponto de vista considerado. Se materialista, a essência estaria na matéria; se idealista, no espírito; se religioso dogmático, em Deus. Essa aparente contradição de pontos de vista é aclarada pelo Espiritismo, que faz a síntese de todas as correntes filosóficas.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, define o Ser, com s maiúsculo, como sendo Deus, a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. A prova da existência de Deus não se dá Nele mesmo, mas nos efeitos que Dele provém. Dessa forma, se o efeito é inteligente deduz-se que a causa também o seja. Embora ainda nos falte um sentido para compreender o mistério da Divindade, chegará um dia que o compreenderemos, principalmente quando os nossos espíritos não estiverem mais obscurecidos pela matéria.

O Ser maiúsculo é Deus, o ser minúsculo é o homem. O ser minúsculo provém do Ser maiúsculo, ou seja, no ser minúsculo existe uma essência criada pelo Ser maiúsculo, cujo processo de criação ainda nos é infenso. Sabemos apenas que fomos criados simples e ignorantes, o que já é suficiente para entendermos o ser no seu tríplice aspecto: Espírito, Perispírito e Corpo Vital. Essa é a grande diferença que o Espiritismo nos proporciona com relação às diversas filosofias existentes. É por esse conhecimento que fazemos a síntese dessas filosofias.

O Espiritismo é uma doutrina com recursos extraordinários para desvendarmos os mistérios que se ocultam atrás do ser. Mas, mesmo assim, há muitos conhecimentos que não nos são revelados, porque não temos condições de absorvê-los. À medida, porém, que evoluímos através do nosso esforço e da nossa perseverança, vamos adentrando, também,  em níveis mais elevados do conhecimento superior.

Estejamos sempre alertas a fim de sermos dignos de captar o conteúdo da revelação que os Espíritos superiores nos proporcionam. Os bons Espíritos desejam apenas a constância do nosso progresso espiritual.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de Ontologia?

2)  Como o Ser é visto no processo histórico?

3)  Como o mistério do Um e do Múltiplo se aclara no Espiritismo?

4)  O que é o Ser supremo para o Espiritismo?

5)  O que distingue a essência da existência?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  O homem, no processo evolutivo, é o último estádio de evolução do Espírito?

2)  No que se transforma o ser após a morte física?

3)  Essência, existência e Espiritismo. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE CONHECER

 

Conhecer é reproduzir em nosso pensamento a realidade.

Damos o nome de conhecimento à posse desse pensamento que concorda com a realidade.

À concordância do pensamento com a realidade chamamos verdade.

Que é pensar bem? É chegar a fazer de nosso pequeno modelo interior de mundo uma imagem, tão perfeita quanto somos capazes, do grande mundo real.

 

 

·      ANTIGÜIDADE CLÁSSICA

 

Antes de Sócrates, os ensinamentos e reflexões dos primeiros filósofos voltaram-se para os problemas do ser, do movimento e da substância primordial do mundo, a “Physis”, procurando dar-lhes uma explicação racional.

Para Tales de Mileto, a água era a origem de tudo;

para Anaximandro, o infinito;

para Pitágoras, o número;

para Empédocles, o ar, o fogo, a terra e a água, e,

para Demócrito, o átomo.

Sócrates inaugura o método da volta reflexiva sobre si mesmo.

 

 

·      CONHECE-TE A TI PRÓPRIO

 

Conhece-te a ti próprio é o dístico colocado no frontispício do oráculo de Delfos.

Após a visita de Sócrates a este templo, emanam-se dois diálogos, que podem ser encontrados em: Platão (Alcibíades, 128d-129) e Xenofontes (Memoráveis, IV, II, 26) (1).

 

 

·      O MÉTODO SOCRÁTICO

 

Sócrates procura o conceito. Este é alcançado através de perguntas. As perguntas têm um duplo caráter: ironia e maiêutica.

Na ironia, confunde o conhecimento sensível e dogmático.

Na maiêutica, dá à luz um novo conhecimento, um aprofundamento, sem, contudo, chegar ao conhecimento absoluto (2).

 

 

 

·      REFLEXÃO

 

É uma volta sobre si mesmo. A reflexão seria mais perfeita se fosse somente sobre o próprio pensamento, sem a intervenção dos sentidos; mas, como o pensamento e os sentidos são inseparáveis, de qualquer forma é uma reflexão (3).

 

 

·      HERANÇA E AUTOMATISMO

 

Nosso passado histórico propiciou-nos a automatização de hábitos e atitudes.

É nossa herança, que começa desde o reino mineral. Há hábitos positivos e negativos. Os positivos devem ser incrementados; os negativos, extirpados.

A função da reforma íntima, no seu sentido amplo, é melhorar o reflexo condicionado, arquitetado pelo nosso Espírito (4).

 

 

·      COMO CONHECER-SE?

 

Pela Dor: a dor é teleológica e leva consigo um destino. Por ela podemos saber o que fomos e, também, o que tencionamos ser. Ela é sempre positiva; no sofrimento, estamos purgando algo ou preparando-nos para o futuro.

Pelo Convívio com o Próximo: podemos avaliar-nos, observando as reações dos outros com relação às nossas atitudes.

Pela Auto-Análise: as questões 919 e 919A  de O Livro dos Espíritos auxiliam-nos a praticá-la. Santo Agostinho sugere que todas as noites devíamos revisar o dia para ver como fomos em pensamentos, palavras e atos (5).

 

 

·      CONSCIÊNCIA DA IGNORÂNCIA

 

Tomando consciência de nossa ignorância, estaremos alicerçados para detectar a nossa verdadeira capacidade.

 

 

O CONHECIMENTO DE SI MESMO

 

            Os primeiros filósofos antes de Sócrates buscavam, nos elementos externos do ser, as explicações racionais do mundo. Para Tales de Mileto, a substância primordial era a água;  para Anaxímenes, o ar; para Pitágoras, o número e para  Demócrito,  o átomo. Nesse contexto, surge Sócrates, com a autoconsciência, ou seja, com uma volta reflexiva sobre si mesmo.

Sócrates, depois da visita a Cherofonte, o oráculo  de Delfos,  passa a refletir sobre o "conhece-te a ti  mesmo". Este dístico,  inscrito  no frontispício do templo,  inspira-lhe  dois diálogos, narrados  em  Platão  (Alcibíades,  l28d-l29)  e  em Xenofontes (Memoráveis IV, II, 26), onde retrata a importância do autoconhecimento.

A  reflexão  é uma volta do espírito sobre si mesmo, colocando em pauta os conhecimentos que possui. Seria perfeita se o ato de refletir se restringisse, somente, ao processo  racional do  pensamento.  Contudo  entram  em cena  os  sentimentos  e  as emoções, o que não deixam de ser, também, uma reflexão.

O método usado por Sócrates para o "conhecimento de si mesmo" é o de perguntar. As perguntas objetivavam  descobrir  o conceito  que  se ocultava na superficialidade  do  conhecimento. Primeiramente  aplicava  a ironia (confundir o  interlocutor)  e, depois, a maiêutica (vir à luz um novo saber). Ele não  ensinava, mas criava condições para que o conhecimento brotasse do ouvinte.

            Allan Kardec  trata desse tema em  O Livro dos Espíritos, nas questões  9l9 e 9l9A.  As  elucidações  são  do Espírito Santo Agostinho, que nos orienta a repassar mentalmente, todas  as  noites,  o  nosso dia, a fim  de  verificar  como  nos expressamos  em  pensamentos, palavras e atos. Na  Psicanálise  é conhecido como auto-análise.

A dor é,   também,  uma avaliadora de nosso autoconhecimento.  Através dela podemos intuir o  que  fomos  no passado, pois, sendo teleológica, leva consigo um destino.  Nesse sentido,  buscar  a causa do sofrimento tem mais valor do que, simplesmente, eliminá-lo.

Embora  haja dificuldade de conhecermos a  nós  mesmos, uma avaliação serena de nossa dor e do nosso relacionamento com o próximo pode oferecer-nos uma luz no fim do túnel.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual a origem do “Conhece-te a ti mesmo”?

2)  O que representa para Sócrates o “Conhece-te a ti próprio”?

3)  O que significam a ironia e a maiêutica?

4)  O que é reflexão?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  É possível conhecermos a nós mesmos?

2)  O esquecimento do passado apregoado pela Doutrina Espírita dificulta o conhecimento de nós mesmos?

3)  Sei que nada sei. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) SAUVAGE, M.  Sócrates e a Consciência do Homem.

(2) GILES, T. R.  Introdução à Filosofia.

(3) PAULI, E.  Que é Pensar.

(4) LUIZ, A.  Evolução em Dois Mundos.

(5) PERES, N. P.  Manual Prático do Espírita.

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE ÉTICA

 

A Ética é a parte da Filosofia que se ocupa com o valor do comportamento humano. Investiga o sentido que o homem imprime à sua conduta para ser verdadeiramente feliz.

Etimologicamente, a palavra ética deriva do grego ethos, que significa comportamento.

Pertencem ao vasto campo da Ética a reflexão sobre os valores da vida, a virtude e o vício, o direito e o dever, o bem e o mal (1).

 

 

·      CONSCIÊNCIA MORAL E LIBERDADE HUMANA

 

A consciência de si mesmo confere ao ser humano a capacidade de julgar suas ações, e de escolher, dentre as circunstâncias possíveis, seu próprio caminho na vida. A essa característica peculiar damos o nome de consciência moral.

À possibilidade que o homem tem de escolher seu caminho na vida e construir sua história, damos o nome de liberdade.

Evidentemente, a liberdade não é algo que se exerce no vazio, mas dentro das limitações impostas pelas circunstâncias; o exercício da liberdade é a luta para ampliar ou romper os limites das circunstâncias.

A liberdade e a consciência moral estão intimamente relacionadas. Quando estamos livres para escolher entre esta ou aquela ação, tornamo-nos responsáveis pelo que praticamos (1).

 

 

·      A ÉTICA NA HISTÓRIA

 

Em Kant, a Ética é “Autônoma” e não Heterônoma, isto é, a lei é ditada pela própria consciência moral, e não por qualquer instância alheia ao Eu.

Espinosa, no seu livro A Ética, cujo conteúdo incorpora não somente princípios morais, como todo o acervo filosófico espinosiano e seu panteísmo singular, destaca Deus como Natureza Criadora e a Criação como a Natureza criada.

A Ética a Nicômaco, de Aristóteles, contém, em detalhes, a exposição de seus conceitos morais e constitui a expressão mais elevada da filosofia ética grega.

Na segunda metade do século XIX, surge a Filosofia Espírita, como núcleo central do pensamento do Espírito Verdade e o processo da revelação (2).

 

 

 

 

 

 

·      A ÉTICA ESPÍRITA

 

A Ética Espírita é uma decorrência natural de sua própria Essência.

Contudo, o Codificador, dando-lhe um Código preestabelecido - O Evangelho Segundo o Espiritismo - alcança, num só passo, dois objetivos: a emergência da religiosidade, cuja potência se atualiza no Ser Humano, e mantém ausente o sentido que a palavra Religião contém como convenção tradicional.

O Evangelho Segundo o Espiritismo não é o Evangelho comum em que se misturam profecias, milagres, ocorrências históricas da vida de Jesus.

O Chamado Evangelho Espírita é tão somente a compilação dos ensinos de Jesus, imbuído do Espírito da Missão que lhe competia: por isso segundo o Espiritismo, ou posto em nossas mãos, sob os reflexos da Verdade (2).

 

 

·      O COMPORTAMENTE ÉTICO-ESPÍRITA

 

A Ética Espírita é o fruto saboroso de uma Semente que só pode germinar em terra fértil.

O comportamento ético-espírita não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem, mas em exemplificar em si mesmo, uma vida laboriosa que se expanda e se eleve na hierarquia da justiça social, e, sobretudo, do próprio conceito, pois é este o que remodela o Espírito, numa tal freqüência vibratória, que o aproxima dos níveis intelectuais que roçam as esferas superiores (2).

 

 

ÉTICA E ESPIRITISMO

 

Ética - etimologicamente deriva da palavra grega ethos (comportamento). É a parte da Filosofia que se ocupa do valor do comportamento humano. Investiga, assim, o sentido que o homem impõe à sua conduta para ser verdadeiramente feliz.

A consciência moral e a liberdade humana estão intimamente ligadas. Por consciência moral, entende-se a capacidade que o homem tem de julgar e escolher o seu próprio caminho na vida. Já, a liberdade, refere-se à possibilidade da escolha deste ou daquele caminho. A liberdade não é algo que se forma no vazio, mas dentro das limitações impostas pelas circunstâncias. Assim sendo, o exercício da liberdade é a luta que o homem trava para ampliar ou romper esses limites. 

Os grandes filósofos sempre destacaram os valores morais em suas obras. Aristóteles em A Ética a Nicômaco, desenvolve, em detalhes, o acervo dos conceitos sobre a ação humana e sua relação com as idéias elevadas de uma vida superior. Espinosa, em A Ética, encerra extensa doutrina sobre a maneira de fortalecer as virtudes e combater as paixões. Em Kant, a Ética é deixada ao sabor da própria consciência, onde a ação humana é ditada pela “boa vontade”, ou seja, pela intencionalidade do eu.

Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, quando trata das Leis Morais, define a moral como a regra da boa conduta e portanto, da distinção entre o bem e o mal. Dá sua contribuição à formação da ética espírita. Em sua resposta à pergunta 630 - como se pode distinguir o bem  do mal? -, diz-nos que o bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.

A Ética espírita é uma decorrência da Lei Natural. Contudo, o Codificador, para lhe dar um cunho de praticidade, legou-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo, como norma de conduta. Observe que, das cinco partes das matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja e o ensinamento moral, ateve-se, exclusivamente, à última, por se tratar de um código divino onde a própria incredulidade se inclina.

O comportamento ético-espírita só pode fixar-se e expandir-se em terra fértil. Desta forma, o adepto do Espiritismo deve, em primeiro lugar, limpar, adubar e regar o “terreno interior”, a fim de criar condições favoráveis de receber a semente evangélica para, posteriormente, fazê-la frutificar cento por um.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de Ética?

2)  O que entende por consciência moral?

3)  O que significa dizer que a Ética é Autônoma e não Heterônoma?

4)  Como a Ética pode ser vista no processo histórico?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1) A Ética Espírita é uma decorrência da Lei Natural? Comente.

2)  Relacione consciência moral e liberdade humana.

3)  O comportamento ético-espírita só pode expandir-se em “terra fértil”. Por que?

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(2) SÃO MARCOS, M. P.  Filosofia Espírita e seus Temas.

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE BEM

 

O bem designa, em geral, o acordo entre o que uma coisa é com o que ela deve ser.

É a atualização das virtualidades inscritas na natureza do ser.

Relaciona-se com perfeito e com perfectibilidade (1).

 

 

·      CONCEITO DE MAL

 

Para a moral, é o contrário de bem.

Aceita-se, também, como mal, tudo o que constitui obstáculo ou contradição à perfeição que o homem é capaz de conceber, e, muitas vezes, de desejar.

Divide-se em:

a) mal metafísico (imperfeição);

b)  mal físico (sofrimento);

c)  mal moral (pecado) ( 2).

 

 

·      CONCEITO DE VALOR

 

As noções que temos do bem e do mal dependem da avaliação que fazemos deles.

Acontece que o valor pode ser entendido como:

a)  valor moral (refere-se à ação);

b)  valor estético (refere-se ao dever-ser);

c)  valor religioso (refere-se ao sentimento de temor ou de confiança na divindade).

Um fato pode ser analisado, respectivamente, como proveniente de uma ação má, feia ou pecaminosa.

No centro das discussões está a questão da mudança das avaliações. Malinovsky, etnólogo polonês, estudando a moral sexual dos selvagens australianos, chegou à conclusão de que tudo o que entre nós é considerado válido e até santo, lá é considerado mau (3).

 

 

·      PRINCÍPIOS MORAIS E CONHECIMENTO MORAL

 

O bem e o mal como princípios podem ser encontrados no livro da natureza.

O conhecimento deles requer experiência.

 

 

Tomemos as figuras de Adão e Eva.

Eles comeram o fruto proibido, instigados pela serpente. Para conhecerem o bem e o mal, tiveram de prová-los. Mas Adão pode ter pensado: não vou ligar para isso, pois foram a serpente e a Eva que me tentaram. Porém, nesse momento, Deus passa-lhe a noção de responsabilidade.

A “consciência moral” começa com a responsabilidade (4).

 

 

·      A RESPONSABILIDADE

 

O Espírito André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, traça-nos a trajetória do princípio inteligente através dos vários reinos da natureza.

O princípio inteligente é conduzido pelos “Operários Espirituais”. A repetição dos atos cria a herança e o automatismo. Ao adentrar na fase hominal, ele adquire o pensamento contínuo, o livre-arbítrio e a razão.

Aos poucos esses operários espirituais vão entregando o aprendizado ao livre-arbítrio, sob a própria responsabilidade (5).

 

 

·      O BEM E O MAL SEGUNDO ALLAN KARDEC

 

Uma vez adquiridos o livre-arbítrio e a responsabilidade, o Espírito tem condições de distinguir o bem do mal. Mas o que é o bem e o que é o mal?

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, nas perguntas 630 e 632, esclarece-nos: “o bem é tudo aquilo que está de acordo com a lei de Deus; o mal é tudo o que dela se afasta”. Para evitar o engano, devemos apoiar-nos se estribar na lei áurea de Jesus: “Vede o que quereríeis que vos fizessem ou não (6).

Deus, sendo justo, a origem do mal não pode Nele estar. Entretanto, o mal existe e tem uma causa. Qual?

Há duas categorias:

a)  o que não se pode evitar (flagelo);

b)  o que se pode evitar (vício).

Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, das sua cupidez, de seus excessos em tudo (7).

 

 

·      IDEAL EVANGÉLICO

 

O princípio inteligente, impulsionado pela lei do progresso, busca a sua perfeição.

O ideal evangélico tem grande peso nesse mister.

Cuidemos de absorvê-lo dentro das nossas necessidades reais, sem nos importarmos com as avaliações de nossos semelhantes.

 

O BEM, O MAL E O ESPIRITISMO

 

A questão das mudanças de nossas avaliações é um dos pontos centrais para o entendimento do bem e do mal. Embora  haja uma moral objetiva, traçada pelas leis divinas, só captamos o que nossa visão interior consegue abarcar. O valor das coisas está constantemente alterando-se, principalmente devido à educação cultural dos diversos povos.

A experiência propicia-nos condições de conhecer o bem e o mal. Se Adão e Eva  não tivessem provado a maçã, não saberiam o que é o bem e o que é o mal. O fato bíblico,  nesse contexto, pode ser analisado da seguinte forma: Adão, estimulado pela Eva e esta,  pela serpente, comem o fruto proibido - cometem o  pecado. Adão poderia  escusar-se  dizendo que a culpa era da Eva e da serpente. Mas é justamente nesse ponto que a divindade intervém e dá-lhe a noção de responsabilidade.

            A responsabilidade pode ser visualizada espiritualmente. O Espírito André Luiz, no livro  Evolução em Dois Mundos, psicografado por Francisco Cândido Xavier,  traça-nos  a  trajetória do princípio inteligente, através dos vários reinos da natureza. Diz-nos que, desde a nossa criação,  estamos sendo  conduzidos pelos “Operários Espirituais”. A  diferença  é que, uma vez adquirido o livre-arbítrio no reino  hominal,  o princípio, agora denominado Espírito, é deixado ao sabor de  suas próprias forças, porém com a responsabilidade  pelos atos praticados.

            O estudo ora encetado comporta a  seguinte  pergunta: onde  está  a origem do mal? Deus, que é sabedoria,  justiça  e bondade,  não pode ser a sua causa. Mas o mal existe e, portanto, deve ter uma causa. Excluindo-se os males que não podemos evitar, tais como os flagelos destruidores, a maioria deles tem sua causa no orgulho, na ambição e no egoísmo humanos.

Podemos, ainda, levantar outra questão: como distinguir o bem do mal? Allan  Kardec, em  O  Livro  dos  Espíritos, esclarece-nos  que o bem é agir de acordo com a lei de Deus. Diz-nos, também, que se tivermos dúvida sobre o ato, devemos reportar-nos à regra áurea, ensinada por Jesus: "não fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem".

À medida que se depura o Espírito, vamo-nos colocando em condições de melhor distinguir o bem do mal. Aquilo que era um bem, num nível inferior de evolução, deixa de sê-lo, num estado mais elevado. Cuidemos, pois, de não nos medirmos pelas avaliações dos  nossos semelhantes.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de bem?

2)  Qual o conceito de mal?

3)  O que se entende por responsabilidade?

4)  Como se distingue o bem do mal?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  O bem e o mal são absolutos ou dependem de um juízo de valor?

2)  Como situar a responsabilidade do Espírita frente aos problemas do mundo?

3)  Como é possível a existência do mal se os Espíritos foram criados simples e ignorantes?

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) LOGOS - Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia.

(2) LALANDE, A.  Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia.

(3) BOCHENSKI, J. M.  Diretrizes do Pensamento Filosófico.

(4) SCHNEIDER, H. W.  Moral para a Humanidade. 

05) LUIZ, A.  Evolução em Dois Mundos.

(6) KARDEC, A.  O Livro dos Espíritos.

(7) KARDEC, A.  A Gênese.

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE ESTÉTICA

 

Em sua origem grega, a palavra estética tinha o seguinte significado: coisa possível de ser percebida pelos sentidos humanos.

Baseando-se nesse significado etimológico, o filósofo Kant definiu estética como a “ciência que tratava das condições da percepção pelos sentidos”.

Foi, entretanto, com o alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) que a palavra estética adquiriu o significado de ciência do belo, cujo objetivo era alcançar a “perfeição do conhecimento captado pelos sentidos”.

Dentre os principais problemas filosóficos pertencentes à Estética podemos citar aqueles que se referem aos fundamentos da arte e do belo, aos diferentes tipos de obras de arte, às relações da arte com a sociedade (1).

 

 

·      A ARTE

 

De acordo com Susanne Langer, “a função primordial da arte é objetivar o sentimento de modo que possamos contemplá-lo e entendê-lo. É a formulação da chamada “experiência interior”, que é impossível de atingir pelo pensamento discursivo”.

Desta forma, ela pode ser definida como a prática de criar formas perceptíveis expressivas do sentimento humano.

Há que se distinguir realizações técnicas e belas-artes: a primeira enfatiza a utilidade, enquanto a segunda, o belo.

Dentre as belas-artes, citamos: música, dança e pintura (1).

 

 

·      A ARTE ESPÍRITA

 

Assim como a arte cristã sucedeu à arte pagã, transformando-a, a arte espírita será o complemento e a transformação da arte cristã.

O Espiritismo, efetivamente, nos mostra o porvir sob uma luz nova e mais ao nosso alcance. Por ele, a felicidade está mais perto de nós, principalmente, nos Espíritos que nos cercam e que jamais deixaram de estar em relação conosco (2).

 

 

·      BELEZA NO TEMPO

 

Lançando-se um olhar para o passado, vemos que, pelo que toca a beleza do rosto, à graça da fisionomia, ao conjunto que constitui a estética do corpo, houve uma melhoria acentuada.

A iconografia de Visconte e o museu do Conde de Clarol oferecem-nos um conjunto de figuras, cuja característica é a rudez dos traços, a animalidade da expressão, a crueza do olhar.

Por outro lado, Cícero, orador brilhante, escritor espiritual e profundo, que deixou tão grande recordação de sua passagem por este mundo, tem um rosto acachapado e vulgar, que certamente tornava muito menos agradável vê-lo, do que ouvi-lo (2). 

 

 

·      BELEZA E MORAL

 

A forma dos corpos se modificou em sentido determinado e segundo uma lei, à medida que o ser moral se desenvolveu:

1º) que a forma exterior está em relação constante com o instinto e os apetites do ser moral;

2º) que, quanto mais, seus instintos se aproximam da animalidade, tanto mais a forma igualmente dele se aproxima;

3º) que, à medida que os instintos materiais se depuram e dão lugar a sentimentos morais, o envoltório material, que já não se destina à satisfação de necessidades grosseiras, toma forma cada vez menos pesada, mais delicada, de harmonia com a elevação e a delicadeza das idéias (2).

 

 

·      O SEMBLANTE É O ESPELHO DA ALMA

 

Esta verdade, que se tornou axioma, explica o fato vulgar de desaparecerem certas fealdades sob o reflexo das qualidades morais do Espírito e o de, muito amiúde, se preferir uma pessoa feia, dotada de eminentes qualidades, a outra que apenas possui a beleza plástica.

É que semelhante fealdade consiste unicamente em irregularidades da forma, sem contudo excluir a finura dos traços, necessária à expressão dos sentimentos delicados (2).

 

 

ESTÉTICA E ESPIRITISMO

 

A estética, segundo Alexander Baumgarten ( 1714-1762), significa a ciência do belo, cujo objetivo era alcançar a “perfeição do conhecimento captado pelos sentidos”. Os principais problemas da estética referem-se aos fundamentos da arte e do belo, aos diferentes tipos de obras de arte e às relações da arte com a sociedade.

A arte é um “sentimento interior” ou “experiência interior”, que é impossível dizer pelo pensamento discursivo. Desta forma, ela pode ser definida como a prática de criar formas perceptíveis expressivas do sentimento humano. Neste sentido, há que se distinguir  realizações técnicas e belas-artes: a primeira enfatiza a utilidade, enquanto a segunda o belo.

Numa visão comparativa, percebemos: 1º) que a arte pagã enalteceu a perfeição da forma; 2º) que a arte cristã ressalta a beleza da alma sobre a beleza da forma, embora os seus autores tenham enfatizado o sofrimento e a morte; 3º) que a arte espírita, sintetizando as duas anteriores, mostra a felicidade futura, sem as agruras do fogo eterno e os diversos tridentes a nos perfurar.

A beleza, no que tange à forma do corpo evoluiu sensivelmente. A forma dos corpos se modificou em sentido determinado e segundo uma lei, à medida que o ser moral se desenvolveu, o ser físico também. Assim sendo, à medida que o instintos materiais se depuram e dão lugar aos sentimentos morais, o envoltório material que já não se destinam à satisfação de necessidades grosseiras, tomam formas cada vez menos pesada, mais delicada, de harmonia com a elevação e a delicadeza das idéias.

O semblante é o espelho da alma. Esta verdade, que se tornou axioma, explica o fato vulgar de desaparecerem certas fealdades sob o reflexo das qualidades morais do Espírito e de, muito amiúde, preferir-se uma pessoa feia dotada de eminentes qualidades a outra que apenas possui a beleza plástica. É que semelhante fealdade consiste unicamente em irregularidades da forma, mas sem excluir a finura dos traços, necessária à expressão dos sentimentos delicados.

O Espiritismo mostra-nos o porvir sob uma luz nova e mais ao nosso alcance. Por ele, a felicidade está mais perto de nós, está ao nosso lado, nos Espíritos que nos cercam e que jamais deixaram de estar em relação conosco.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de estética?

2)  O que distingue as realizações técnicas das belas artes?

3)  Qual o significado da arte espírita?

4)  O que é beleza?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Beleza e moral

2)  O semblante é o espelho da alma. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(2) KARDEC, A.  Obras Póstumas. 

 

 

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE ÚTIL

 

“Útil” significa tudo aquilo que tem um fim noutro e não em si mesmo. Um lápis é útil, porque o seu fim é escrever. O “útil” é sempre instrumento, sempre meio, é intermediário, e vale por tudo aquilo a que se dirige: não vale por si.

 

 

·      CONCEITO DE INÚTIL

 

“Inútil” significa o que não tem um fim noutro. Ora, aqui está todo o problema - “o que não tem um fim noutro” pode ser entendido de duas formas:

1ª) “não tem um fim noutro” porque não possui finalidade alguma;

2ª) ou, então, “não tem fim noutro” porque possui um fim em si mesmo (1).

 

 

·      CARÁTER DE ÚTIL

 

O caráter de útil se prende à idéia de criação, de uma criação renovada, de um mudar constante, de um dirigir-se sempre na escalada do progresso.

O fim torna-se meio, porque produzimos por produzir sem saber para que fim.

A angústia surge, porque a idéia de produzir perdeu o sentido ao não se saber o que produzir (1).

 

 

·      CARÁTER DE INÚTIL

 

Em se tratando do fim em si mesmo, “inútil” caracteriza-se pela perfeição e pela liberdade.

A existência lúdica, a estética e a especulação intelectual desinteressada chegam a ser uma necessidade, visto serem um desligamento dos aspectos práticos da vida. A contemplação de um quadro, de uma música pode levar-nos ao êxtase (1).

 

 

·      BEM-ESTAR E FELICIDADE

 

Bem-estar favorece o progresso técnico, portanto a melhoria das condições materiais de nossa existência. A felicidade prende-se às conquistas imperecíveis do Espírito (2).

 

 

 

 

 

·      A CRIANÇA E O ARTISTA

 

A fase da criança é útil ou inútil? A criança joga, pula, corre. Ela não pergunta “para que”, mas sim “o que”.

Esse mundo da criança prolonga-se na existência dos artistas. Estes últimos querem revelar sempre uma função nova das coisas (1).

 

 

·      PROGRESSO E ESPIRITISMO

 

De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso? Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.

O Espiritismo faz os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro interesse. Destrói, também, os preconceitos de seita, de casta e de cor, ensinando aos homens a grande solidariedade que os deve unir como irmãos (2).

 

 

·      PROGRESSO MORAL E UTILIDADE

 

O progresso moral e religioso não tem conotação de utilidade. Mas, bem entendido, leva ao aperfeiçoamento da criatura. Se há povos intelectuais que são maus, é porque o desenvolvimento espiritual e moral está por realizar-se.

 

 

·      O MEIO-TERMO

 

Depreende-se do estudo que temos de encontrar o meio-termo entre o útil e o inútil. Sabermos usar a máquina em benefício de nosso desenvolvimento espiritual. Dificuldade não implica necessariamente em impossibilidade. Atendamos ao “eu” superficial, mas não nos descuidemos do “eu” espiritual.

 

 

ÚTIL, INÚTIL E ESPIRITISMO

 

O "útil" caracteriza-se pela intermediação,  vale por tudo aquilo a que se dirige, não  por si mesmo. A criação e a renovação constante são seus atributos. Constroem-se máquinas e equipamentos  com a finalidade de aumentar  produção e produtividade. O produzir por produzir gera angústia, pois não se divisa o "para que" produzir.

O "inútil", em se tratando de um fim em si mesmo, caracteriza-se pela perfeição e pela liberdade. Nesse sentido, a existência lúdica, a estética e a  especulação  intelectual desinteressada tornam-se uma necessidade, porque  distanciam-nos dos aspectos práticos da vida. A contemplação de uma boa  música ou de uma obra de arte pode levar-nos ao êxtase.

 O útil relaciona-se ao progresso material; o inútil, ao progresso moral. Como podemos vê-los sob a ótica espírita?  Allan Kardec, ao tratar da Lei do Progresso, diz-nos que os povos  não podem ficar eternamente no estado natural. Afirma-nos, ainda, que conforme as civilizações tornam-se complexas, o homem tem de descobrir novos  meios  de produção, a fim de atender às suas necessidades, que também se ampliam. Portanto, o útil,  em si mesmo, não é fator negativo.

Por outro lado,  esclarece-nos  que  devemos dosar progresso técnico e progresso moral. É difícil os dois caminharem juntos. O progresso material vem à frente, para  desenvolver a inteligência.  Esta, depois, terá condições de escolher  entre  o bem e o mal. Optando pelo bem, sabe-se o que se produz e para que finalidade. O produzir por produzir deixa de existir.

A  Mente, refletida pelos postulados  espíritas, cria condições de conduzir nossas ações para o meio-termo. Possuamos a máquina, mas não nos deixemos possuir por ela.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de “útil”?

2)  Qual o conceito de “inútil”?

3)  Qual o caráter de “útil”?

4)  Qual o caráter de “inútil”?

5)  O que se entende por bem-estar?

6)  Relacione bem-estar e felicidade.

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  O “inútil” pode ser mais útil que o “útil”?

2)  Bem-estar é sinônimo de felicidade?

3)  Aprender o Espiritismo é útil ou inútil?

4)  Criança, artista e utilidade. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) MENDONÇA, E. P. de.  O Mundo Precisa de Filosofia.

(2) KARDEC, A.  O Livro dos Espíritos.

 

 

 

 


 

 

 

·      BIOGRAFIA SUCINTA

 

René Descartes (1596-1650) nasceu em La Haye, França, pertencendo a uma família de prósperos burgueses. Estudou no colégio jesuíta de La Fléche, na época um dos mais conceituados estabelecimentos de ensino europeu.

Foi soldado, esteve sob as ordens de Maurício de Nassau. Participou de várias campanhas militares.

As obras de Descartes são de considerável extensão. As mais importantes são: Regras para a Direção do Espírito (1628), O Discurso do Método (1637) e Meditações Filosóficas (1641) (1).

 

 

·      SONHO PREMONITÓRIO

 

A dez de novembro de 1616, o jovem Descartes teve um sonho premonitório.

Sonhou que o Espírito da Verdade o visitara e, reverente, tal como é natural à Entidade de sua estirpe, comunicou-lhe que lhe competia a missão de edificar uma “Ciência Admirável”, cujas coordenadas lhe trouxe em outra visita onírica. Houve, ainda, uma terceira, concluindo o esclarecimento devido.

Ao acordar, preocupado com a responsabilidade de tão grande missão, pediu a Deus que o amparasse a fim de que pudesse fielmente cumprir a grande tarefa, tão acima de suas parcas forcas (2).

 

 

·      A DÚVIDA METÓDICA

 

Descartes analisa o conhecimento vigente e conclui que nada se lhe oferece, de modo indubitável, sobre o que possa fundamentar o seu trabalho.

Tem que buscar alguma coisa fora da tradição, uma idéia, uma única que seja, mas que resista a todas as dúvidas.

Toma como paradigma a geometria que partindo de algumas proposições certas em si mesmas, descobre outras verdades e esgota todas as possibilidades; também a filosofia deve, de igual modo, descobrir e demonstrar as suas verdades, dedutivamente, partindo de algumas proposições certas, indubitáveis.

O edifício filosófico que lhe compete estruturar a de assentar, sobre uma verdade contra a qual nenhuma dúvida, a mínima que seja, possa pairar (2).

 

 

·      INTUIÇÃO E DEDUÇÃO

 

Dois atos fundamentais nos conduzem à verdade: a intuição e a dedução.

A intuição é o conceito, fácil e distinto, de um espírito puro e atento, de que nenhuma dúvida poderá pesar sobre o que nós compreendemos.

A dedução é apenas uma série de intuições - e, como se pode sempre esquecer um momento da série, será necessário pela imaginação e pela memória habituarmo-nos a repassar cada vez mais rapidamente no nosso espírito os termos da dedução, até que leve a uma “quase intuição” (3).

 

 

·      O CONTEÚDO DO MÉTODO

 

Cinco problemas definem o seu conteúdo:

1º) a significação da dúvida;

2º) a prova da existência de Deus;

3º) a possibilidade do erro;

4º) a realidade do mundo exterior;

5º) a união da alma e do corpo.

J. H. Pires, em O Espírito e o Tempo, e Manoel São Marcos em Noções de História da Filosofia, auxiliam-nos a dar uma interpretação espírita a esses problemas.

 

 

·      O RACIONALISMO E O IDEALISMO

 

O critério de evidência é todo o fundamento da especulação filosófica de Descartes.

Mas a sua evidência não se refere aos sentidos que nos enganam, mas unicamente à razão. É pela razão que a evidência das idéias claras e distintas se recomenda com segurança.

A colocação exprime o sentido racionalista do pensamento cartesiano, estruturando o seu sistema idealista, com o qual se inaugura aquela nova etapa da história da filosofia (2).

 

 

CARTESIANISMO E ESPIRITISMO

 

A invenção da imprensa no Século XVI propiciou a veiculação de uma grande quantidade de conhecimentos que até então estava adormecida. Vem à luz os escritos dos pensadores Antigos e os da Idade Média. Esse volume de informações torna o mundo incerto e confuso. Nesta fase crítica em que o Ser, o Mundo e o Cosmo se desagregam, a Filosofia volta-se para o homem. P. Chacon apoia-se na fé para salvá-lo; Francis Bacon no empirismo; Montaigne no desespero; a Escolástica no silogismo aristotélico.

René Descartes (1596-1650) surge dentro desse contexto histórico. O termo cartesianismo vem dele e significa não só o método pelo qual buscava os conhecimentos, como também os seus seguidores. As soluções propostas pelos pensadores da Escolástica, por francis Bacon e por Montaigne não resolviam o problema íntimo do indivíduo. Descartes rompe esse quadro, faz tábua rasa e propõe o seu método.

As regras do seu método são publicados no livro intitulado Discurso do Método, em 1637, considerado pelos críticos como uma autobiografia espiritual do autor. O tiítulo original era: O Discurso do Método para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências, mais a Dióptrica, os Meteoros e a Geometria que são os Ensaios deste método. Suas quatro célebres regras explicitam-nos a maneira de se adquirir a certeza da verdade. Parte da dúvida metódica e dos princípios incondicionais da matemática. Suas teses influenciaram a maioria dos pensadores filosóficos posteriores.

Allan Kardec no livro A Gênese afirma que se o Espiritismo tivesse vindo antes do desenvolvimento das Ciências, ele teria abortado. Francis Bacon enfatiza o empirismo e descartes a razão. Os cientistas associam experimentação e razão e constróem o método teórico-experimental. O Espiritismo procede da mesma forma que as ciências naturais, isto é, utiliza-se do método teórico-experimental, porém substitui a percepção sensorial pela percepção extra-sensorial - a mediunidade.

O método cartesiano pode ser vislumbrado nas entrelinhas da Doutrina Espírita. Allan Kardec, em várias passagens da Codificação, fala-nos que devemos colocar tudo sobre o crivo da razão; que é preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma única verdade como falsidade; que a fé inabalável somente é aquela que consegue enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.

Esse estudo do Cartesianismo serve não só para nos chamar a atenção sobre o tema, como também o de sugerir o desenvolvimento e aprofundamento do mesmo. Se assim o fizermos, vamos encontrando o verdadeiro encadeamento das idéias e uma explicação racional da síntese filosófica elaborada por Allan Kardec.

 

 

QUESTÕES

1)  Quem foi Descartes?

2)  No que consiste a dúvida metódica?

3)  Como a dúvida objetiva e racional torna-se hiperbólica?

4)  O que significam intuição e dedução para Descartes?

5)  Que problemas definem o método de Descarte?

6)  Em que sentido o racionalismo inaugura uma nova fase da História de Filosofia?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Os sonhos têm poderes para direcionar a vida racional do homem?

2)  Descartes e o Cartesianismo

3)  Cartesianismo e Espiritismo.

4)  Cogito ergo sum, Deus e Kardec.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) ENCICLOPÉDIA.

(2) SÃO MARCOS, M. P.  Noções de História da Filosofia.

(3) JERPHAGNON, L.  Dicionário das Grandes Filosofias.

 


 

 

 

·      CONCEITO DE RAZÃO

 

Sentido Original - Parece ser aquele que a velha expressão “livro da razão” sugere, e que significa registro discursivo de todo o movimento de uma casa: despesas, receitas, reformas, óbitos, nascimentos etc.

Liga-se a ratus, particípio de reor (crer, pensar), e parece ter sobretudo como significado cálculo e relação, antes da época clássica (1).

Enquanto Faculdade - Faculdade de bem julgar, de raciocinar discursivamente: conhecimento natural enquanto oposto ao conhecimento revelado, objeto da fé.

 

 

·      RAZÃO E INTUIÇÃO

 

A razão de per si não cria. Seu papel é sintetizador e eminentemente abstrato. É fácil compreender o malogro da matematização em Filosofia, pois caímos em construções vazias (2).

 

 

·      RAZÃO RACIOCINANTE E RAZÃO RACIOCINADA

 

A razão não é fixa, mas encontra-se em constante estado de devir.

Ela é o acordo entre coisas e espírito, por um lado, e, por outro, entre os diversos espíritos. Seria difícil, no estado atual dos nossos conhecimentos, conceber essa ordem como uma realidade fixa e imutável (1).

 

 

·      CONCEITO DE FÉ

 

Fidelidade a um compromisso, confiança absoluta, segurança válida. Quando se trata da fé religiosa, o oposto é a razão.

 

 

·      O FUNDAMENTO DA FÉ

 

Ela não é nem anti-racional e nem a-racional, não desconhece nem renega o saber; funda-se em razões tais que a razão, uma vez consultada, desdobra-se num atestado de confiança de que seria ridículo e até odioso estabelecer as provas através de um raciocínio formal (1).

 

 

·      ATO DE FÉ

 

Volição pela qual se adota como verdadeira uma proposição que não é nem racionalmente demonstrável nem evidente. Pode ser também a expressão verbal da fé religiosa (1).

·      FIDEÍSMO

 

Teologal - O homem dispõe de um só princípio de conhecimento para as verdades da religião natural: a revelação divina manifestada ao homem através da Tradição; fora desta, a razão humana é apenas fraqueza e erro. Para os protestantes franceses é o dogma da salvação pela fé, independentemente não só das obras como de crenças determinadas.

Filosófico - Os filósofos fideístas são os que fundamentam todo o conhecimento humano numa “fé” mais ou menos sentimental. Só a fé pode apreender a essência das coisas (3).

 

 

·      RAZÃO E FÉ COMO POTÊNCIAS DO ESPÍRITO

 

A Razão e a Fé pertencem à essência da natureza humana. São, pois, atributos potenciais do Espírito, que se atualizam e se desenvolvem no decurso da Vida, em etapas sucessivas, desde a indiferenciação primitiva até as formas mais bem definidas da consciência, no rumo certo da entelequia aristotélica (4).

 

 

·      IMANENTE E TRANSCENDENTE

 

No capítulo XIX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec estuda os aspectos imanentes e transcendentes da Fé.

O imanente é o que ele chama de Fé humana, que consiste na “confiança na realização de alguma coisa e na certeza de atingir um fim”.

O transcendente é a Fé religiosa.

O homem tem fé em si mesmo, na sua força, na sua inteligência, na sua capacidade. Mas tem fé, também, no seu destino, nas forças sobrenaturais e em Deus (4).

 

 

·      COSMOVISÃO ESPÍRITA

 

As leis naturais, físicas, psíquicas, morais ou metafísicas são todas leis de Deus.

A Fé humana do vendedor que confia em si mesmo, a Fé científica do sábio que confia na ordem universal, a Fé mística do crente que confia no seu santo ou no seu Deus são todas manifestações de uma mesma lei, que é estudada em O Livro dos Espíritos como lei de adoração (4).

 

·      FÉ RACIOCINADA

 

Allan Kardec tratou o tema fé de forma científica. E para explicitar a matéria, deixou-nos uma frase que tornou lapidar dentro do movimento espírita: “Fé inabalável só é aquela que enfrenta a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”.

 

RAZÃO, FÉ E ESPIRITISMO

 

            Razão significa a faculdade de "bem  julgar". Tem relação com o raciocínio discursivo. É conhecimento natural enquanto oposto ao conhecimento revelado, objeto da  fé.   - fidelidade a um compromisso; confiança absoluta. Quando se  trata da fé religiosa, o oposto é a razão.

            Os filósofos racionalistas, tais como Descartes, Kant e Espinosa, dão primazia à razão na elaboração do conhecimento. Descartes,  por exemplo, descobre Deus no seu “cogito ergo  sum”. Em contrapartida, os filósofos fideístas, tais como F. H. Jacobi (l743-  l8l9), Herder (l743 - l8l0)  e  Lamennais  (1782-1854), fundamentam todo o conhecimento humano numa “fé” mais  ou menos sentimental.

            Em Teologia, exclui-se a razão, como fonte de conhecimento. Para A. Bonnety, fundador, em l830, dos  Anais da Filosofia  Cristã,  o  homem dispõe de um só princípio de conhecimento para as verdades da religião natural: a revelação divina  manifestada ao homem através da Tradição; fora desta, a razão humana é apenas fraqueza e erro. Esse sistema põe a fé na base do conhecimento religioso. Não admite que  se  provem os preâmbulos da fé pela razão e que, assim, a razão leve à fé.

Para o Espiritismo, Razão e Fé pertencem à essência da natureza humana. São potências que se atualizam no decurso das existências. Parte do geral indiferenciado (reino mineral) para a diferenciação progressiva (reino vegetal, animal e hominal), buscando, sempre, a perfeição. A Razão e a Fé estão centradas no eixo, que é a Vontade. Esta, por sua vez, assenta-se no Livre-Arbítrio,  princípio de liberdade, sem o qual a  Razão de nada serviria e a Fé não teria sentido.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o  Espiritismo, trata dos aspectos imanentes e transcendentes da fé. Observe que ele relaciona fé humana e fé divina. Na  primeira, acentua o esforço do homem para a realização de seu fim; na segunda, coloca a  crença humana sob a orientação dum poder superior, que supervisiona  os nossos atos. Acrescenta, ainda, que a fé, sendo inata,  pode  manifestar-se racional ou dogmaticamente  e que o Espiritismo aceita, somente, a primeira.

A fé, direcionada pela razão, encaminha-nos  para a atualização do nosso ser. Vençamos o ridículo e a miopia alheia, caso queiramos obter bom êxito em nossas realizações.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de razão?

2)  Qual o conceito de fé?

3)  Qual a diferença entre razão raciocinante e razão raciocinada?

4)  O que é um ato de fé?

5)  Como se divide o fideísmo?

6)  O que é fé raciocinada?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Discuta os aspectos imanentes e transcendentes da fé.

2)  “Fé inabalável só é aquela que enfrenta a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”. Comente.

3)  Ridículo e miopia alheia.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) LALANDE, A.  Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia.

(2) SANTOS, M. F. dos.  Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

(3) JERPHAGNON, L.  Dicionário das Grandes Filosofias.

(4) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

 

 


 

 

 

·      BIOGRAFIA SUCINTA DE KANT

 

Immanuel Kant, filho de modesta família, nasceu em Konigsberg, em 1724 e morreu em 1804, nessa mesma cidade.

Estudou na Universidade de Konigsberg, onde foi professor particular, tendo depois participado de atividades universitárias e, em 1770, foi nomeado professor de Lógica e Matemática.

Sete anos antes de sua morte, abandonou a cátedra em razão de sua debilidade física.

A Crítica da Razão Pura (1781) e a Crítica da Razão Prática (1788) sintetizam o pensamento renovador de Kant e a essência da sua filosofia (1).

 

 

·      BIOGRAFIA SUCINTA DE HEGEL

 

Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Stuttgart, em 1770 e faleceu em 1831.

São características de seu caráter a serenidade, o pensar lento, mas firme e tenaz unidos à profundidade do sentimento.

Faltava-lhe todo o ímpeto, toda a genialidade, toda a inclinação para manifestar o subjetivo. Sua natureza era fria e objetiva, e vai se desdobrando lentamente em um trabalho sereno e amplo (1).

 

 

·      A FILOSOFIA DE KANT

 

“A missão da filosofia que há de suceder a Leibniz, a filosofia de Kant, vai consistir em dar plena terminação e remate ao movimento iniciado pela atitude idealista”.

Os tópicos estudados por Kant podem ser enumerados: Conhecimento Transcendental, Razão Pura, Juízos Analíticos e Sintéticos, Noções de Espaço e Tempo, Metafísica etc.

Maiores detalhes poderão ser encontrados em Fundamentos da Filosofia, de Garcia Morente e em Noções de História da Filosofia, de Manoel São Marcos.

 

 

·      A FILOSOFIA DE HEGEL

 

Ficou conhecido pela lei da Dialética. O ponto de partida é o Ser, indeterminado, absoluto, pura potencialidade - Tese. Mas é um conceito vazio de realidade e, por isso, identifica-se ao não-ser-antítese. Necessita sair dessa contradição e se atualiza no devir - Síntese.

Os tópicos da sua filosofia são: Problema do Panteísmo, Fenomenologia, Lógica, Dialética, Filosofia da Natureza, Teoria do Espírito Subjetivo e Objetivo, Moralidade e Ética (1).

·      KANT E HEGEL À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA

 

A tradição filosófica é o terreno vasto e profundo em que podemos descobrir as raízes da Filosofia Espírita.

No mundo moderno podemos lembrar as figuras de Kant e Hegel.

Kant pela teoria do númeno e do fenômeno e sua crítica da razão pura (correspondentes à teoria espírita da alma e matéria e a crítica da fé em Kardec).

Hegel com a sua dialética da idéia (evolução do princípio inteligente através da matéria) (2).

 

 

KANT, HEGEL E O ESPIRITISMO

 

      O horizonte histórico vivenciado por Kant é marcado pela independência americana e a Revolução Francesa. Sua filosofia está na confluência do racionalismo, do empirismo inglês (Hume) e da ciência físico-matemática de Newton. À Hegel, acrescentam-se o idealismo e criticismo kantiano.

A base da filosofia de Kant (1724-1804) está na teoria do conhecimento. Deseja saber, mas sem erro. Para tanto, elabora-a na relação entre os juízos sintéticos “a priori” e os juízos sintéticos “a posteriori”. Aos primeiros, chama-os puros, que caberia à matemática desvendá-los; aos segundos, de fenômenos, influenciados pela percepção sensorial. Nesse sentido, o idealismo e o criticismo kantiano nada mais são do que seus próprios esforços para aproximar o fenômeno à “coisa em si”.

O ponto central da filosofia de Hegel (1770-1831) encontra-se na dialética da idéia. Herda, para a construção de sua teoria, os pensamentos de Heráclito, Aristóteles, Descartes, Kant, Espinosa, Fichte e Schelling. Parte da Tese - Ser, pura potencialidade, o qual deve se manifestar na realidade através da Antítese - Não-Ser. Na contradição entre tese e antítese surge a Síntese - Vir-a-Ser. Esse raciocínio é aplicado tanto à aquisição de conhecimento quanto à explicação dos processos históricos e políticos.

Os juízos “a priori”, os juízos “a posteriori” e a crítica da razão pura, em Kant eqüivalem, respectivamente, à noção de alma, de matéria e a crítica da fé, em Kardec. Kant, para demonstrar a relação entre “a coisa em si” e o fenômeno, comete o pecado de não submeter à razão a metafísica. Com isso separa a matéria do espírito. Kardec, instruído pelos Espíritos, não divide a realidade em duas partes. Ao contrário, esclarece-nos que as leis naturais, físicas, psíquicas, morais ou metafísicas são todas leis de Deus e formam o conteúdo monista do Universo.

A dialética da idéia de Hegel pode ser comparada à evolução do princípio espiritual através da matéria, em Kardec. De acordo com Hegel, o espírito evolui, passando por sucessivas sínteses, tal qual o desenvolvimento de uma planta: semente, botão, fruto, novamente semente, ... De acordo com Kardec, os Espíritos são criados simples e ignorantes e, em cada reino da natureza, vão potencializando virtudes, até atingirem o estado de Espíritos puros, quando, então, não terão necessidade de reencarnar novamente.

 Uma reflexão sobre Kant e Hegel é sumamente valiosa. Contudo, convém não nos esquecermos de que vão até certo limite. A partir daí, o Espiritismo caminha sozinho, principalmente, quando trata da mediunidade e da natureza espiritual.

 

 

QUESTÕES

1)  Descreva sucintamente a vida de Kant.

2)  Descreva sucintamente a vida de Hegel.

3)  Qual a Missão da filosofia de Kant?

4)  Qual a base da filosofia de Hegel?

5)  Qual a base da filosofia de Kant?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  “Juízos a priori” e “juízos a posteriori”.

2)  Dialética da idéia.

3)  Kant, Hegel e o Espiritismo.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) SÃO MARCOS, M. P.  Noções de História da Filosofia.

(2) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE CONSCIÊNCIA

 

Consciência (do latim conscientia) significa etimologicamente um saber testemunhado ou concomitante. Por analogia, dualidade ou multiplicidade de saberes ou de aspectos num mesmo e único ato de conhecimento (1).

Definida de forma simples, é através da consciência que conhecemos a nossa vida interior.

Escreve A. Montalvão: “Em qualquer ato de conhecimento há sempre um indivíduo que pretende conhecer, que é o “sujeito do conhecimento”, e um assunto que deve ficar conhecido, que é o “objeto do conhecimento” (2).

 

 

·      GRAUS DE CONSCIÊNCIA

 

Na psicologia clássica, distinguem-se dois modos ou graus de consciência:

Consciência espontânea - é a consciência direta, imediata, primitiva, isto é, não separada do objeto.

Consciência reflexiva (do latim reflexu + ivo = voltado para trás) - é a consciência mediata, é o retorno do espírito sobre as idéias. Ela é dirigida para as idéias.

As pessoas emotivas têm o campo da consciência mais estreito do que as não emotivas (3).

 

 

·      DESCARTES E KANT

 

Sob a influência de Descartes, o pensamento moderno surge profundamente marcado pela problemática da Consciência, devido ao seu caráter de evidência da verdade.

Dentro desse clima espiritual, situa-se a concepção kantiana da Consciência em geral como condição transcendental da possibilidade do conhecimento (1).

 

 

·      TIPOS DE CONSCIÊNCIA

 

Liberdade de consciência, consciência religiosa, consciência infeliz, exame de consciência, comunicação da consciência, lei de tomada de consciência, consciência moral, boa consciência, má consciência, voz da consciência e campo da consciência.

 

 

 

 

 

·      CONCEITO DE INCONSCIÊNCIA

 

Apesar de sua base etimológica precisa e clara, enquanto negação da consciência, torna-se contudo extremamente difícil definir o inconsciente.

Pode-se, também, definir a inconsciência com relação ao ser: que não possui qualquer consciência (átomo); que é pouco ou nada capaz de debruçar sobre si próprio, e (relativamente) que não tem consciência de tal fato particular: “uma alma inconsciente das suas verdadeiras crenças” (4).

 

 

·      NEGAÇÃO DA INCONSCIÊNCIA

 

Muitos são os psicólogos que negam a existência de fenômenos psicológicos inconscientes, pois alegam que, sendo a consciência própria do pensamento, o que não é consciência, deixa de ser psicológico.

Crítica - Uma análise dos fatos da vida mostra-nos, patentemente, o quanto o inconsciente penetra e intervém no que fazemos. O pianista, ao executar um trecho da música não é consciente de todos os seus movimentos; o mesmo acontece com o operário ou o artista.

Mozart declara ter ouvido todo um acorde, antes de compor uma melodia - o consciente, nesse caso, estaria ligado ao trabalho de coordenação (3).

 

 

·      A CASA MENTAL

 

Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fosse um castelo de três andares:

subconsciente: 1º andar, onde situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados - hábitos e automatismos;

consciente: 2º andar, localizamos o “domínio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando - esforço e vontade;

superconsciente: 3º andar, temos a “casa das noções superiores”, indicando as iminências que nos cumpre atingir - ideal e meta superiores (5).

 

 

·      LEI DE DEUS

 

Onde está escrita a lei de Deus? Resposta: na consciência do ser.

J.   H. Pires tece o seguinte comentário: “a idéia de Deus é inata no homem e o impele à perfeição. Embora as escolas modernas de Psicologia neguem a existência de idéias inatas, o Espiritismo a sustenta”.

Parafraseando Descartes, J. H. Pires diz que a lei de Deus está escrita na consciência do homem, como a assinatura do artista na sua obra. V. pergunta 621 de O Livro dos Espíritos.

 

 

·      IDÉIAS INATAS

 

O Espiritismo sustenta a noção de idéias inatas.

De acordo com esse parecer a nossa consciência é global, isto é, há nela o presente, o passado e o futuro, correspondendo ao consciente, ao subconsciente e ao superconsciente.

O esforço e a vontade do presente são um reflexo do passado e uma meta para o futuro. Cabe-nos dosá-los, para avançarmos equilibradamente.

 

 

CONSCIÊNCIA, INCONSCIÊNCIA E ESPIRITISMO

 

Consciência  significa etimologicamente um saber testemunhado ou concomitante.  Por analogia, dualidade ou multiplicidade de saberes ou de aspectos num mesmo e único ato de conhecimento. Inconsciência - apesar de sua base etimológica ser clara e precisa,  enquanto negação da consciência,  torna-se contudo extremamente difícil definir o inconsciente. O fato é devido não só à obscuridade como, também, aos vários  conteúdos que o termo encerra.

            Os psicólogos aceitam o termo consciência. Dividem-na, porém, em  espontânea  e  reflexiva. A primeira refere-se à consciência direta, imediata; a segunda, à mediata, ou seja,  ao retorno do espírito sobre as idéias. Quanto à inconsciência, são muitos os que a negam, alegando que, sendo a consciência própria do pensamento, o que não é consciência deixa de ser psicológico.

Em Descartes, a consciência é posta como fundamento inabalável da verdade,  devido ao seu caráter de evidência imediata. Em Kant, é a consciência em geral que se  situa como condição transcendental da possibilidade  do  conhecimento. No idealismo posterior, é a consciência absoluta, visto absorver em seu seio a própria materialidade, identificando-a com o infinito.

            O Espírito André Luiz, no livro  No  Mundo  Maior, psicografado por Francisco  Cândido Xavier, afirma-nos que possuímos um único cérebro, dividido em três regiões,  como se fosse um castelo de três andares. No primeiro andar, o subconsciente,  representando nossos hábitos e automatismos; no segundo andar, o consciente, em que  situamos as conquistas atuais, e, no terceiro andar, o superconsciente, ou seja, a casa das noções superiores. Diz-nos, ainda, que essas três regiões devem  estar sob controle,   para que possamos viver equilibradamente.

            Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, ao tratar das idéias inatas, oferece-nos, também, subsídios para uma melhor interpretação do tema. Segundo a Doutrina Espírita, a cada nova encarnação temos o esquecimento do passado, mas permanece a intuição de todos os nossos conhecimentos adquiridos. É por  isso que, para muitos de nós, alguns conhecimentos vêm à tona como se fossem algo do inconsciente, ou seja, não foram  adquiridos na atual  existência  e sim numa existência anterior. Mozart, por exemplo, recebia de ouvido uma composição. Depois tinha apenas o trabalho de coordená-la conscientemente.

                   O passado, o presente e o futuro formam a nossa consciência global. Assim sendo, hoje somos um misto do que fomos e daquilo que desejamos ser. Por isso, o esforço e a  vontade devem estar sempre presentes em cada um de nossos atos.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de consciência?

2)  Qual o conceito de inconsciência?

3)  Quais são os graus da consciência?

4)  Onde está escrita a lei de Deus?

5)  Quais são as fronteiras da consciência?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Há possibilidade de negarmos a consciência?

2)  Quais as fronteiras da consciência? Há uma ou várias consciências?

3)  Idéias Inatas.

4)  Consciência, inconsciência e Espiritismo.

5)  “Hoje” somos um misto do “ontem” e do “amanhã”.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) LOGOS - Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia.

(2) EDIPE - Enciclopédia Didática de Informação e Pesquisa Educacional.

(3) SANTOS, M. F. dos.  Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

(4) LALANDE, A.  Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia.

(5) LUIZ, A.  No Mundo Maior.

 

 


 

 

 

·      FILOSOFIAS DA EXISTÊNCIA

 

Nicola Abbagnano, existencialista italiano, entende que as Filosofias da Existência podem ser divididas em três grupos, tomando-se como critério o sentido e o emprego que dão à categoria filosófica do possível.

Abbagnano estabeleceu a seguinte divisão:

a)  grupo da impossibilidade do possível, formado por Kierkegaard, Martin Heidegger, Karl Jaspers e Jean Paul Sartre, como figuras exponenciais;

b)  grupo da necessidade do possível, com Louis Lavelle, Rene le Senne e Gabriel Marcel;

c)  grupo da possibilidade do possível, iniciado pelo próprio Abbagnano. O Existencialismo Espírita se aproxima mais da posição de Abbagnano (1).

 

 

·      EXPLICAÇÃO DO PROBLEMA

 

Para o primeiro grupo as possibilidades humanas são irrealizáveis;

para o segundo grupo são realizáveis e mais do que isso, necessariamente se realizam graças ao Absoluto, ao Transcendente que supera a Existência (aceitação dos conceitos metafísicos do Ser do Valor numa perspectiva religiosa);

para o terceiro grupo, as possibilidades são o que são, ou seja, possíveis em si mesmas, de maneira que não podem tornar-se impossíveis, nem apresentar-se como necessidades. A frustração de um possível não o anula, pois ele continua como possível.

A posição de Abbagnano representa uma síntese, uma solução dialética dos impasses em que caíram os dois grupos anteriores. E por isso se aproxima da posição espírita (1).

 

 

·      A FACTICIDADE

 

Com o nascimento, o homem aparece feito no mundo.

Sua Facticidade se compõe do seu corpo e do seu psiquismo (corpo e espírito), de sua afetividade e sua liberdade( sua capacidade de percepção e seu livre-arbítrio) e esta facticidade está carregada de possíveis, das possibilidades que irão se desenvolver na existência.

O homem parte do nascimento para a morte. Não há, portanto, uma essência no homem, mas apenas possibilidades.

Sartre define a essência do homem como um suspenso na sua existência, pois a essência humana vai ser elaborada através da sua vivência no mundo. Esta essência, portanto, só se completa com a morte, com o fim da existência. O homem permanece no mundo como um fato cultural (1).

·      ÊXTASE EXISTENCIAL

 

A Filosofia Espírita, em sua êxtase existencial, ilumina os problemas obscuros do Existencialismo.

A facticidade misteriosa se explica pelo fazer anterior do Ser, através do desenvolvimento do princípio inteligente e sua projeção na existência como ser humano.

Atravessando a existência, como um projétil (o projeto existencial) o homem completa na morte, não o seu próprio Ser, mas o ser do corpo que chegou aos limites de suas possibilidades, nem a sua própria essência, mas apenas a essência de uma existência, através da vivência das experiências necessárias ao seu atualizar progressivo (1). 

 

 

·      O CONCEITO DE MEDIUNIDADE

 

A mediunidade ilumina também a existência terrena, dando-lhe uma nova dimensão.

O existente ou homem no mundo adquiriu a condição espírita de interexistente ou homem no intermúndio. O existente, com a atualização dos seus possíveis espirituais, torna-se um interexistente, um ser no intermúndio.

Mas o intermúndio não é um conceito espacial e sim um conceito hipostático, não é quantitativo, mas qualitativo.

Deve-se acrescentar que a Filosofia Espírita da Existência coloca o problema da mediunidade em termos de moralidade - não o fenômeno em si, mas o desenvolvimento de suas potencialidades espirituais (1).

 

 

EXISTENCIALISMO E ESPIRITISMO

 

Existencialismo - Aplica-se esse nome às idéias filosóficas de Heidegger, Kierkegaard, Sartre e  outros. Caracteriza-se pela negação do abstracionismo racional de Hegel. Para Kierkegaard, por exemplo, um sistema lógico de idéias não alcança a existência, o individual. Faz abstração deste, tem por objetivo as essências, os possíveis, e não o existente, o indivíduo, que não se explica, não se deduz, nem se demonstra.

As concepções de existência e de essência auxiliam-nos a compreender o tema. A existência vem de ex-sistência (estar aí, ex, fora das causas), o que se acha na coisa, in re. Existência é o fato de ser da essência. Difere da essência, pois, a existência consiste no fato de ser da essência. A essência, por outro lado, é o “fundo” do ser, metafisicamente considerado. 

A base do existencialismo está na discussão do possível. Para Sartre: “A existência precede a essência”. É a tese da impossibilidade do possível. Ele retoma a fórmula de Lequier: “Fazer e, ao faze, fazer-se”. É a expressão metafísica da crença na liberdade absoluta segundo a qual o ser vivo e pensante faz a si mesmo tanto quanto lho permitem certas determinações já tomadas. Além do exposto, Abbagnano acrescenta o grupo da necessidade do possível e o grupo da possibilidade do possível.

O existencialismo espírita aproxima-se da possibilidade do possível. De acordo com os princípios codificados por Allan Kardec, a essência (possível) é o princípio inteligente (Espírito na fase humana), que se atualiza em cada existência. O elo de ligação é a reencarnação, em que se processa a união da essência ao corpo físico, através do perispírito. O ir-e-vir dá consistência à essência, deixando-a cada vez mais purificada.

A mediunidade apresenta-se, também, como ponto de ligação entre a essência e a existência. Por intermédio dela, as essências, fora da existência, podem se comunicar com as essências, na existência. Prova-se, assim, que a essência não só precede a existência, como continua depois de ter estagiado na existência. Nesse sentido, o verdadeiro mundo é o mundo das essências, ou seja, o mundo espiritual.

O existencialismo espírita é como um projétil do ser, que passa por esta existência, rumo à perfeição da essência.

 

 

QUESTÕES

1)  O que é o Existencialismo?

2)  Quais são os três grupos da Filosofia da Existência, segundo Abbagnano?

3)  O que se entende por Facticidade?

4)  Defina êxtase existencial.

5)  O que é a mediunidade?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Possibilidade do possível.

2)  Essência, existência e mediunidade.

3)  O Ser como um projétil rumo à perfeição.

4)  Existencialismo e Existencialismo Espírita.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

 


 

 

 

·      CONCEITO DE VIDA

 

Vida é o conjunto dos fenômenos de toda a espécie (particularmente de nutrição e de reprodução), que, para os seres que têm um grau elevado de organização, se estende do nascimento  (ou produção do germe) até a morte (1).

Não existe uma definição suficiente de vida.

 

 

·      CIÊNCIA E FILOSOFIA

 

Qual a essência da vida? A esta pergunta filosófica a ciência ainda não pode responder, senão por hipóteses diversas. Implica outras perguntas: de onde veio a vida? Qual a origem das diversas espécies?

Em Platão a alma preexiste ao corpo.

Observe que Aristóteles considerou a alma como uma manifestação do logos (=o princípio da inteligibilidade; a razão), e subdividiu-a em alma vegetativa (a alma das plantas), em sensitiva (a dos animais), e em racional (a do homem).

A alma racional, pensante para os gregos, é o Nous, o espírito (2).

 

 

·      CARACTERES DA VIDA

 

O primeiro caráter da vida é a ocupação - viver é fazer, praticar. Mas a ocupação é, antes de tudo, preocupação (3).

 

 

·      EROS E THANATOS

 

Binômino imaginado por Freud na sua última teoria dos “instintos” a partir do nome de duas divindades gregas, Eros (“desejo amoroso”) e Thanatos (“a morte”) (4).

 

 

·      ASPECTO CULTURAL

 

O Dr. Frank Mahoney, professor de Antropologia da Universidade do Havaí, mostrou a diferença entre a cultura americana e a da sociedade Micronésia, a dos Trukeses.

Os americanos negam a morte e o envelhecimento; os habitantes das ilhas Truk (Pacífico) ratificam-na.

Para estes a vida termina aos 40 anos de idade e a partir daí começa a morte (5).

 

 

 

·      COM RELAÇÃO À EXISTÊNCIA HUMANA

 

- Como início de um ciclo da vida: a morte refere-se à imortalidade. Observe, em Platão, a separação da alma e do corpo.

- Como fim do ciclo: refere-se aos existencialistas.

- Como possibilidade existencial: a morte está presente em cada instante de nossa vida (6).

 

 

·      ENCARNAÇÃO E DESENCARNAÇÃO

 

Na encarnação há a ligação do Espírito ao princípio vito-material do germe.

A vida começa no ato da concepção. Negam-se, por assim dizer, o aborto, o suicídio, as guerras e a pena de morte.

A morte é o desligamento do Espírito pelo afrouxamento dos laços que o prendem.

 

 

·      A EXISTÊNCIA FÍSICA

 

Passagem por este mundo de provas e expiações com a finalidade de expiar o passado; submeter-se a nova prova para a evolução do Espírito, ou, ainda, em missão redentora da humanidade.

 

 

·      DEIXAR OS MORTOS O CUIDADO DE ENTERRAR OS MORTOS

 

Esta passagem evangélica mostra o nosso cuidado para com a vida espiritual, a verdadeira vida. Há muitos que estão vivos (materialmente) e mortos espiritualmente. É um tema para vasta reflexão em nosso caminho da vida. A vida não se encontra feita, ela tem de ser feita.

 

 

·      ALTERNATIVAS DA HUMANIDADE COM RELAÇÃO À MORTE

 

- Niilista

 

- Panteísta

                                                      Dogmática

- Individualidade da alma    

                                                      Espiritismo

 

 

·      NOSSA VIVÊNCIA

 

Há que se viver intensamente cada momento de nossa existência, acatando os clamores de nossa consciência, a fim de que a morte encontre-nos ativos na prática do bem e do amor ao próximo.

 

VIDA, MORTE E ESPIRITISMO

 

            A vida é o conjunto dos fenômenos de toda  a  espécie (particularmente de nutrição e de reprodução), que, para os seres que têm um grau de organização, se estende do  nascimento (ou produção do germe) até a morte. A morte é a cessação da vida e manifesta-se pela extinção das atividades vitais: crescimento, assimilação e  reprodução no  domínio vegetativo; apetites sensoriais no domínio sensitivo.

Qual a essência da vida? A esta pergunta filosófica a Ciência só pode responder através de hipóteses: uma delas é a cadeia evolutiva do germe trazido de outros planetas. A Filosofia tenta penetrar no âmago da questão. Platão, em seu "Mito da Reminiscência das Idéias", informa-nos que a alma  preexiste ao corpo. Ela, antes de encarnar, pertence ao mundo das essências  - o  “topus uranus”. Depois de sua passagem aqui na Terra voltaria ao lugar de origem.

            A morte pode ser vista sob vários ângulos: 1.º) como ciclo de uma nova vida - tese de Platão: a alma, mesmo separada do corpo, continua a sua existência; 2.º) como fim do ciclo - tese existencialista: tudo acaba com a morte física; 3.º) como possibilidade  existencial - a morte está presente em todos os instantes de nossa vida.

            Segundo a Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, fazemos parte de  uma única população, denominada espiritual. A diferença é que ora estamos encarnados e  ora desencarnados. A morte é a mudança do estado de encarnado para o de desencarnado. Contudo, a essência inteligente é  indestrutível e continua a existir além-túmulo. Perceber-se vivo é a grande surpresa daqueles que cometem suicídio.

As alternativas da humanidade com relação à vida futura variam de acordo com a  concepção de vida adotada. Se materialistas, o nada aguarda-nos; se panteístas, a absorção no todo universal; se dogmáticos, a ida para o Céu  ou para o Inferno. O  Espiritismo fornece-nos uma expectativa racional: somos uma individualidade e continuaremos a sê-la, no mundo dos Espíritos. E lá estaremos, inexoravelmente, sujeitos à  lei do progresso.

A vida e a morte fazem parte do processo evolutivo do ser. Encaremo-las de  forma  natural, a fim de vivermos intensamente os instantes de nossa existência.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de vida?

2)  Qual o conceito de morte?

3)  Qual o caráter da vida?

4)  Quais são as alternativas da humanidade com relação à morte?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Deixar os mortos o cuidado de enterrar os mortos. Comente

2)  Qual a essência da vida?

3)  Vida, morte e Espiritismo.

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) LALANDE, A.  Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia.

(2) SANTOS, M. F. dos.  Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

(3) GARCIA MORENTE, M.  Fundamentos de Filosofia.

(4) LEGRAND, G.  Dicionário de Filosofia.

(5) KUBLER-ROSS, E.  Morte - Estágio Final da Evolução.

(6) ABBAGNANO, N.  Dicionário de Filosofia.

 

 

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE FENOMENOLOGIA

 

Designação que remonta ao século XVIII, do estudo das “aparências” ou dos “fenômenos” (em sentido kantiano): o seu emprego específico por Hegel deriva daqui.

Nestas obras de dupla leitura, Hegel descreve historicamente e psicologicamente as “aparições” pelas quais o espírito passa da sensação individual até a idéia absoluta encarada pela razão universal.

Hoje diz-se apenas do método e do sistema (fenomenologia transcendental) próprias de Husserl e dos seus sucessores.

Trata especificamente do problema da redução do “eu transcendental” (1).

 

 

·      A REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA

 

O significado autêntico da redução consiste em trazer à luz uma zona do ser onde subjetividade e objetividade se envolvem uma na outra, e onde, no limite, são indissociáveis.

Husserl apresenta-a como um simples por entre parêntesis do mundo.

Trata-se apenas de reservar o nosso juízo existencial: “o mundo continua a aparecer-me como até então me surgia, mas, na atitude reflexiva que me é própria enquanto filósofo, já não efetuo o ato de crença existencial da experiência natural; deixo de admitir como válida esta crença, ao mesmo tempo, ela se conserve” (2).

 

 

·      O ESPÍRITO

 

É aquela Unidade recortada do Princípio Inteligente que, através do processo natural de interação dos dois elementos capitais do Universo, se desencadeia, ganhando individualidade, cada vez mais marcante, e assim, liberto e responsável, transita um tanto consciente, amparado pela Lei da Harmonia Universal, no curso irredutível e inalterável da vida, em manifesta e infinita atualização de suas potencialidades, sob a salvaguarda do Pensamento Criador (3).

 

 

·      O PERISPÍRITO

 

A Ciência Espírita desentranha da fenomenologia do Espírito a noção de Perispírito e todas as funções características da sua natureza, em intuição plena da razão, e, assim, pode, com extrema realidade, apresentar ao Conhecimento Geral o Homem em sua intrínseca individualidade ternária do Espírito, Perispírito e Corpo Biológico.

A Energia Vital - Fluido - é a essência da matéria orgânica. A substância constitutiva do Perispírito tem por fundamento a Energia Vital.

Assim, pois, a Vida se manifesta, conseqüentemente, pela interação da substância vital sob a orientação do Princípio Inteligente, já agora manifesto em expressão entelequial, como Espírito, o Ser Racional da Criação, a expressão maior conhecida do homem (3).

 

 

·      FENOMENOLOGIA MEDIÚNICA

 

Na paranormalidade e na fenomenologia mediúnica, o Perispírito exerce a função mediadora.

É ele que recebe os estímulos volitivos do Espírito comunicante, passando-os, depois, em ordem, à mente do médium que os interpreta e transmite ao exterior, por gestos, palavras ou sinais convencionais.

É ele que sai como pessoa de si mesmo ou de outrem, e se manifesta, à distância, pela própria presença tangível ou não, no cumprimento de uma incumbência. Uma participação autêntica, mas  nem sempre identificável (3). 

 

 

·      NOVO SOL FILOSÓFICO

 

Com o advento do Espiritismo, levanta-se, no horizonte, um novo Sol filosófico para renovar a filosofia, mas é preciso que a filosofia o reconheça.

Chama-se Filosofia Espírita, cuja idéia se encontra entranhada na tradição a partir da Grécia Antiga, no realismo, passou pelo idealismo e, agora, aparece com uma nova concepção do homem e do Universo: uma cosmovisão que envolve a Cosmossociologia (3).

 

 

FENOMENOLOGIA E ESPIRITISMO

 

Fenomenologia é definida como “um estado puramente descritivo dos fatos vividos de pensamento e de conhecimento”. Hegel, na sua obra Fenomenologia do Espírito (1807), expõe que o progresso da consciência se realiza de forma dialética até atingir o saber absoluto; Kant, por outro lado, separa os juízos “a priori” (essências) e os juízos “a posteriori”. Somente em Husserl, a fenomenologia toma o sentido corrente e específico: “o fenômeno constitui, pois, a manifestação do que é, aparência real e não aparência ilusória”.

A fenomenologia, portanto, para Husserl e seus seguidores, significa uma redução do “eu transcendental”. Nela, supõe-se que os dados da consciência relativos aos fenômenos, não podem estar separados da essência. O grande desafio do ser humano é captar a essência que está embutida na existência. Neste mister, cabe-nos renunciar aos dogmas a aos preconceitos, tala qual fizeram Descartes, Hume e outros.

A fenomenologia, dentro da ótica espírita, pode ser visualizada pela análise do Espírito, do Perispírito e da Mediunidade. O Espírito é a essência primeira, o princípio inteligente, que na fase humana adquire o pensamento contínuo, a razão e o livre-arbítrio. A cada nova existência, torna-se mais consciente das verdades eternas, o que lhe capacita crescer, eficazmente, em sabedoria e virtude. 

O Perispírito, formado pelo fluido cósmico de cada globo, é o elo de ligação entre o Espírito e o Corpo Físico. Nele, encontra-se a resolução de muitos problemas da nossa atual existência. O seu campo mental está impregnado, não só de nossas ações passadas, como também de nossas perspectivas futuras. Por isso, embora haja o esquecimento do passado, temos as intuições e as inspirações, que nos orientam acerca das decisões que devemos tomar.

A mediunidade, por último, mostra-nos que as essências do mundo espiritual podem se comunicar com as essências do mundo material. O perispírito é o principal intermediário do contato mediúnico. Através dele, nota-se a interposição do Espírito desencarnado com o encarnado, dando-se a errônea impressão, aos videntes, de que um “incorpora” no outro. 

A reflexão, desprovida de interesses pessoais, faculta-nos analisar qualquer tema sob a ótica espírita. Isto auxilia-nos a melhorar substancialmente a nossa cosmovisão transcendental da vida.

 

 

QUESTÕES

1)  Defina Fenomenologia.

2)  O Que se entende por redução fenomenológica?

3)  O que é Fenomenologia do Espírito?

4)  Que função exerce o perispírito no fenômeno mediúnico?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Redução do “eu transcendental”.

2)  Fenomenologia e Espiritismo.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) ENCICLOPÉDIA.

(2) BONOMI, A.  Fenomenologia e Estruturalismo.

(3) SÃO MARCOS, M. P.  Filosofia Espírita e seus Temas.

 

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE REAL

 

Na hodierna terminologia filosófica, o termo “real” designa, via de regra, o ente, o que existe em oposição tanto ao que é apenas aparente quanto ao que é puramente possível (1).

Existe em si independentemente de nossa representação e de nosso pensamento.

 

 

·      VÁRIAS REALIDADES

 

A realidade define-se apenas através de distinções: a realidade seria de preferência o objeto da ciência, e a verdade o da lógica.

A realidade opõe-se ao imaginário e ao ilusório, mas sem estes não a concebemos. A própria alucinação é uma realidade para o alucinado (e uma outra realidade para aquele que o ouve e trata-o).

A realidade do poeta, a realidade do cientista, a realidade do músico etc. (2).

 

 

·      NOÇÃO DE REAL EM DESCARTES

 

Para Descartes o objeto do conhecimento humano é somente a idéia.

Desse ponto de vista torna-se imediatamente duvidosa a existência daquela realidade à qual a idéia parece fazer alusão mas não prova, assim como uma pintura não prova a realidade da coisa representada (3).

 

 

·      CAIA NA REAL

 

“Caia na Real”, em linguagem popular, é a expressão que usamos para representar a saída do mundo dos sonhos, das utopias, a fim de vivermos o concreto, e o socialmente aceito e padronizado pelos clichês do pensamento.

Se nos perguntarem o que é o real, não saberemos explicitá-lo em toda a sua complexidade, porque nos parece óbvio.

Todavia, segundo uma asserção que já se tornou popular, o “óbvio é o mais difícil de ser percebido” (4).

 

 

·      CONCEITO DE IRREAL

 

Irreal significa “sem realidade” ou “não real”.

A realidade é definível em função do que se considere em cada caso o que é realidade. Assim, se supusermos que a realidade é material, e que só o material é real, então o que não for material será irreal.

Não podemos dizer que o irreal seja simplesmente uma negação do real. O irreal é mais “neutro” do que propriamente “irreal” (5).

 

 

·      POSITIVO E NEGATIVO, ESSÊNCIA E EXISTÊNCIA

 

Pode-se definir no sentido negativo (oposto ao ser potencial, aparente, possível ) ou no positivo (é real, eqüivale a “é”, “existe”). 

Para alguns filósofos somente uma essência que implicasse a sua própria existência é verdadeiramente real e todos os outros entes são formas menos completas ou mais imperfeitas da realidade (5).

 

 

·      LINGUAGEM

 

Em Heidegger, a linguagem surge, em primeiro lugar, na forma de falatório, como uma das maneiras em que se manifesta a degradação do homem. Em face desse modo não autêntico, a autenticidade parece não consistir na fala nem mesmo em algum idioma, mas sim no “apelo” à consciência (5).

 

 

·      ONDAS E PERCEPÇÕES

 

O espectro eletromagnético varia em extensão de ondas de 10-14 a 108 metros, mas os receptores sensíveis à luz nos olhos são percebidos numa faixa de 1/70 do espectro; os ouvidos captam entre 20 a 20.000 vibrações por segundo.(6)

Quantas realidades não existem além das fronteiras de nossa consciência?

 

 

·      PERCEPÇÃO SENSORIAL E PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL

 

Há o mundo sensível e o extra-sensível. Onde está a realidade? A mediunidade é a faculdade humana que capacita o homem a entrar em contato com o mundo extra-sensorial.

Além da matéria não há uma realidade espiritual? Qual é a verdadeira?

 

 

·      MONOIDEÍSMO

 

Idéias fixas fazem-nos fugir do “real”. Ficamos dentro de uma redoma.

Pensamos que estamos de posse da verdade, mas na maioria das vezes somos envolvidos pelos Espíritos menos felizes.

 

 

·      A IMAGINAÇÃO É FÉRTIL

 

Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham. É possível que estejamos criando imagens mentais que não existem na realidade.

·      EMISSÃO E RECEPÇÃO

 

Nossa mente é emissora e receptora de imagens. Se não cuidarmos da fonte geradora, poderemos irradiar “criações mentais” que nada têm a ver com a verdadeira realidade espiritual.

 

 

REAL, IRREAL E ESPIRITISMO

 

            Real - na terminologia filosófica moderna , o termo "real" designa, via de regra, o ente, o que existe em oposição tanto ao que é apenas aparente quanto ao que é  puramente possível. Existe em si independentemente de nossa representação e de nosso pensamento. Irreal - Significa “sem realidade” ou “não é real”.

A realidade define-se somente através de distinções. Não há uma, mas várias realidades. A própria alucinação é uma realidade para o alucinado e outra para aquele que o trata. Dessa forma, o termo "caia na real" merece certa consideração: na linguagem popular, caracteriza-se pela saída do mundo dos sonhos, da utopia, a fim de vivermos o  concreto, o cotidiano  e o socialmente aceito e padronizado pelos clichês do pensamento. Mas esta é a verdadeira realidade?

A verdadeira realidade não é fácil de ser absorvida. Para alguns filósofos, somente uma essência que implicasse a sua própria existência é verdadeiramente real e todos os  outros entes são formas menos completas ou mais imperfeitas da realidade. Para  Heidegger, a verdadeira realidade não está na linguagem, que é inautêntica, mas no "apelo" à consciência, que é autêntico.

O Espírito André Luiz, no livro Mecanismos da Mediunidade, psicografado por  Francisco Cândido Xavier, ao tratar das ondas e percepções, descortina-nos novos  horizontes para a compreensão da realidade. Do espectro eletromagnético, que varia em extensão de ondas de  l0-l4 a l08 metros, os  receptores sensíveis  à luz nos olhos são percebidos numa faixa de  l/70 do espectro. Significa dizer que há outras realidades além  daquelas percebidas pelos nossos sentidos físicos.

A mediunidade - percepção extra-sensorial - é a  porta para a compreensão da verdadeira realidade. Através dela  notamos que tudo é natural, pois, adentrando num  mundo que não é percebido  pelas vias sensoriais do encarnado, não implica a sua inexistência. Ao contrário, a percepção da realidade espiritual é fonte geradora de mudança de nossa concepção do "eu", do "outro" e do "mundo" que nos rodeia.

O conhecimento alicerça-se na mente. Educando-a, convenientemente, estaremos capacitando-nos à percepção de novas realidades, que muito contribuirá  para  o nosso   progresso material e espiritual.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de real?

2)  Qual o conceito de irreal?

3)  Qual a noção de real em Descartes?

4)  O que significa idéia fixa?

 

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  “Caia na real”. Comente.

2)  As idéias fixas fazem-nos fugir do real?

3)  Real, irreal e Espiritismo. Comente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) BRUGGER, W.  Dicionário de Filosofia.

(2) LEGRAND, G.  Dicionário de Filosofia.

(3) ABBAGNANO, N.  Dicionário de Filosofia.

(4) DUARTE Jr., J. F.  O Que é a Realidade.

(5) PEQUENO DICIONÁRIO FILOSÓFICO.

(6) LUIZ, A.  Mecanismos da Mediunidade.

 


 

 

 

·      DIALÉTICA

 

Para Aristóteles a dialética é um simples anexo da lógica, o meio de comunicar aos outros a verdade que descobrimos por um exame feito de acordo com as leis da lógica.

Para os estóicos e para os escolásticos da Idade Média dialética e lógica eram a mesma coisa.

Hegel restaurou o termo no seu significado antigo, e chamou dialético o seu sistema porque buscou mostrar a insuficiência do uso dos conceitos segundo a lógica tradicional de Aristóteles.

Para ele, a verdadeira ciência do pensamento coincide com a ciência do ser; a razão absoluta está acima do princípio de contradição, a dialética procede por tese, antítese, e síntese (1).

 

 

·      A DIALÉTICA HEGELIANA

 

O ponto de partida é o Ser, indeterminado, absoluto, pura potencialidade - TESE. Mas é um conceito vazio de realidade e, por isso, identifica-se ao não-ser-antítese. Necessita sair dessa contradição e se atualiza no devir - síntese.

Hegel parte, assim, do princípio fundamental de que a evolução da idéia se faz pela combinação dos contrários, no devir perpétuo, porque esta é a síntese do Ser e do não-ser.

“Tudo é inteligível pelo Ser que, idêntico em seu fundamento ao Espírito ou Idéia Infinita, manifesta-se no universo concreto graças ao movimento dialético” (2).

 

 

·      DO MATERIALISMO DIALÉTICO AO MATERIALISMO HISTÓRICO

 

A dialética idealista de Hegel mostra que o elemento causador é o Espírito. A matéria é um epifenômeno.

Feuerbach (1775-1833), discípulo de Hegel, nega a divindade e inverte a dialética de Hegel. Para ele a matéria é origem de tudo e o Espírito é um epifenômeno.

Karl Marx (1818-1883) estuda a filosofia de Hegel e de Feuerbach, observa a luta de classes na Inglaterra, nota o processo da Revolução Francesa e cria o materialismo histórico, onde o modo de produção é que determina a religião, a arte, a forma familiar etc. (3).

 

 

 

 

 

 

·      O MATERIALISMO HISTÓRICO

 

O materialismo histórico pode ser resumido da seguinte forma:

a luta de classes  - escravos lutando contra os senhores - numa sociedade escravagista levaria esta à sociedade feudalista; a luta dos vassalos contra os senhores feudais, levaria esta sociedade ao capitalismo; o proletariado nesta sociedade, lutando contra os capitalistas burgueses, levaria ao comunismo.

O Comunismo seria uma sociedade igualitária, onde não haveria a exploração do homem pelo homem.

Em termos práticos, vimos a instituição do comunismo na Rússia e China, países pré-capitalistas (3).

 

 

·      MARXISMO E ESPIRITISMO

 

Para o Marxismo, o socialismo é implantado pela luta de classes; para o Espiritismo, pelas classes de luta.

Para o marxismo, a felicidade do indivíduo estaria presa aos proventos materiais do trabalho (salário); para o Espiritismo, além dos proventos materiais do trabalho, deve-se levar em conta as necessidades de evolução espiritual.

Para o Marxismo, que é uma doutrina existencialista, a vida futura é o niilismo, portanto sem vinculação palingenésica com o processo histórico; para o Espiritismo, que prega a individualidade da alma após a morte, há uma vinculação com o processo histórico - o ontem, o hoje e o amanhã se entrelaçam.

 

 

·      IMPLANTAÇÃO DO SOCIALISMO CIENTÍFICO

 

As premissas espíritas indicam-nos que a implantação de um socialismo científico se daria de forma natural, sem que o indivíduo precise pegar nas armas, como parece implicar a revolução do proletariado preconizado por Karl Marx.

A mudança comportamental que o processo de evolução requer é o fator preponderante para a humanidade atingir o ponto mais alto do equilíbrio físico, psíquico e espiritual.

Nesta situação, o homem deixará de explorar o seu semelhante e tratará de compreender que todos somos úteis no concerto do Universo.

 

 

MATERIALISMO HISTÓRICO E ESPIRITISMO

 

Materialismo - Em filosofia, é a concepção de mundo onde a matéria é o motor do universo e a idéia sua conseqüência. Materialismo histórico - doutrina do marxismo, que afirma que o  modo de produção da vida material condiciona o conjunto de todos os processos da vida social, política e espiritual.

O materialismo histórico pode ser resumido da seguinte forma: numa sociedade escravagista, os escravos rebelando-se contra os senhores, convertê-la-ia em sociedade feudalista; no Feudalismo, os vassalos insurgindo-se contra os senhores feudais, torná-la-ia uma sociedade capitalista; no Capitalismo, os proletariados lutando contra os empresários, tranformá-la-ia em sociedade comunista. O Comunismo seria uma sociedade igualitária onde não haveria a exploração do homem pelo homem. 

O comunismo, para Marx, seria a sociedade perfeita, a síntese final do processo de evolução dialética dos povos. Mesmo imbuído de boas intenções cometeu vários equívocos: não previu a divisão da propriedade corrigindo acumulação das riquezas, as novas tecnologias que aumentam a produtividade da mão de obra e a força sindical que melhora os salários. Em termos práticos, o comunismo foi implantado na Rússia e China, países pré-capitalistas: fato histórico que nega a suplantação do capitalismo.

O Espiritismo, como processo libertador de consciências, auxilia-nos a compreender melhor os acontecimentos da vida. A luta de classes preconizada por Marx, transforma-se, na visão espírita, em classes de luta. Os adeptos do marxismo entendem que o povo explorado só pode melhorar sua situação se pegar em armas e instalar uma revolução. No Espiritismo, tanto o proletariado como o empresário devem suplantar a si mesmos. Agindo assim, obtém-se um relacionamento amigável entre patrão e empregado.

Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, ao tratar da Lei de Igualdade, descortina-nos novos horizontes para a interpretação da vida social. Diz-nos que as desigualdades sociais deverão desaparecer, quando a humanidade tiver dominado o orgulho e o egoísmo. Vencidos esses vícios, restaria a desigualdade de mérito, a única que é conseguida pelos esforços próprios de evolução espiritual.

Para o Espiritismo, o socialismo científico se implantaria de forma natural, sem que o povo precisasse de pegar em armas. A mudança comportamental é o fator preponderante. Quando a humanidade tiver atingido um estado de evolução espiritual superior, o homem deixará de explorar o seu semelhante. Compreenderá que todos somos úteis no concerto do universo.

 

 

QUESTÕES

1)  Defina dialética.

2)  O que é a dialética hegeliana?

3)  O que se entende por materialismo dialético?

4)  Como surgiu o materialismo histórico?

5)  Qual o fundamento básico do marxismo?   

 

  

TEMAS PARA DEBATE

1)  Marx e Kardec.

2)  Socialismo científico e mudança comportamental.

3)  Materialismo e Espiritismo.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) ENCICLOPÉDIA.

(2) SÃO MARCOS, M. P.  Noções de História da Filosofia.

(3) TALHEIMER, A.  Introdução ao Materialismo Dialético.

 


 

 

 

·      CONCEITO DE LIBERDADE

 

Sentido Geral - estado do ser que não sofre constrangimento, que age conforme a sua vontade, a sua natureza.

Sentido Político - é a faculdade de fazer o que se queira dentro dos limites do direito (lei).

Sentido Psicológico e Moral - aquele que fazendo o bem ou o mal age conforme a razão, que aprova (1).

 

 

·      LIBERDADE E LIVRE-ARBÍTRIO

 

Liberdade é a capacidade para agir ou não, sem outra intervenção que a da vontade. Nesse sentido, muito genérico, a liberdade confunde-se com o livre-arbítrio ou com a liberdade de indiferença.

 

 

·      LIVRE-ARBÍTRIO

 

Livre-Arbítrio quer dizer juízo livre. É a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos.

O livre-arbítrio não quer dizer, de modo algum, que é um querer sem causa, como o pretendem interpretar alguns deterministas, que se opõem à sua aceitação (2).

 

 

·      AMBIGÜIDADE DO TERMO

 

A palavra liberdade presta-se a muitos significados: a liberdade nos Estados Unidos é diferente da liberdade na Rússia, como o é também da China.

Há, ainda, fatores limitantes da liberdade:

físicos - referem-se ao espaço, ao tempo e à possibilidade legal;

psicológicos - avarento que morre de fome em cima do dinheiro;

econômicos - quero ir ao Canadá, mas não tenho recursos disponíveis (3).

 

 

·      O PROBLEMA DA LIBERDADE

 

A problematização da frase “liberdade de um termina quando começa a do outro” deve conter uma análise temporal, espacial e moral (4).   

 

 

 

·      CONCEITO DE ESCRAVIDÃO

 

A palavra vem do termo “slav” e referia-se aos prisioneiros eslavos reduzidos à servidão pelos povos germânicos. Caracteriza-se pelo fato de reduzir uma pessoa humana à condição de coisa ou de animal, como propriedade absoluta de um senhor (5).

 

 

·      GRÉCIA ANTIGA

 

A escravidão, na Grécia Antiga, era uma forma de liberdade, pois o inimigo preso devia morrer. Para ficar livre da morte, podia escolher a escravidão (4).

 

 

·      CONTRATO SOCIAL DE ROUSSEAU

 

No início de sua obra O Contrato Social, J. J. Rousseau cita uma frase com os seguintes dizeres: “O homem nasce livre, mas em toda a parte se vê acorrentado”.

 

 

·      OS VÍCIOS

 

Os vícios limitam os nossos atos livres. São, portanto, uma forma de escravidão, pois tornam-nos dependentes deles (4).

 

 

·      O ISOLAMENTO ABSOLUTO

 

Bakunine considerou a liberdade individual como um produto coletivo. Ser livre no isolamento absoluto é um absurdo inventado por teólogos e metafísicos.

 

 

·      LEI NATURAL

 

Há homens naturalmente destinados a serem propriedade de outros homens? Resposta: a lei humana que estabelece a escravidão é uma lei contra a Natureza, pois assemelha o homem ao bruto e o degrada moral e fisicamente. Devem-se levar em conta os costumes e a desigualdade natural de aptidões. V. pergunta 829 de O Livro dos Espíritos.

 

 

·      A ESCOLHA ENTRE O BEM E O MAL

 

As idéias justas ou falsas que fazemos das coisas levam-nos a vencer ou fracassar, segundo o nosso caráter e a nossa posição social. Achamos mais simples e menos humilhante para o nosso amor-próprio atribuir os nossos fracassos à sorte e ao destino, do que a nós mesmos. Se a influência dos Espíritos contribuem algumas vezes para isso, podemos sempre nos subtrair a ela, repelindo as idéias más que nos forem sugeridas. Ver comentário à pergunta 852 de O Livro dos Espíritos.

·      O EVANGELHO E O FUTURO

 

O Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste século de declives em sua história; só ele pode, na feição de Cristianismo redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos (6).

 

 

LIBERDADE, ESCRAVIDÃO E ESPIRITISMO

 

            Liberdade - estado do ser que não sofre constrangimento, que age conforme a sua vontade, a sua natureza. Em  termos políticos, é a faculdade de fazer o que se queira dentro  dos limites do direito. Escravidão - caracteriza-se  pelo fato de reduzir uma pessoa humana à condição de coisa ou de animal, como propriedade absoluta de um senhor.

            A palavra liberdade presta-se a  muitos significados. Falamos de liberdade  política, de liberdade econômica e de liberdade de consciência. A liberdade em Cuba é diferente da liberdade nos Estados Unidos. O termo comporta, também, limitações psicológicas, legais e  econômicas. Suponhamos a seguinte situação: ir aos Estados Unidos. Sentido psicológico: estou disposto a me deslocar para aquele país?; sentido legal: o governo  americano  permite a minha estada?;  sentido  econômico: conseguido  o visto de entrada, tenho recursos  financeiros  para tal empreendimento?

            Os atos livres praticados pelo indivíduo podem levá-lo à  ampliação ou à limitação de outros atos livres. Caso  escolha deliberadamente  o vício, haverá um tolhimento da  vontade, pois esta  estará submetida à necessidade de supri-lo, impedindo a continuidade  dos atos livres. A dimensão da moral  entra, aqui, como elemento que vai permitir a continuidade dos atos livres, ou seja, a aquisição do estado de liberdade.

O estado de liberdade depende do livre-arbítrio, quer dizer,  da capacidade de escolha entre o certo e o errado.  Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, diz-nos que o  livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha das  provas,  e no estado  corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos. Neste sentido, o homem não é fatalmente conduzido ao mal: os crimes que comete não são o resultado de um decreto do destino; será  sempre livre para agir como quiser.

Nas perguntas 829 a 832, o codificador do Espiritismo tece comentários sobre o problema da escravidão. Relata-nos que toda a sujeição absoluta de um homem a outro homem ë contrária  à lei  de Deus mas que desaparecerá com o progresso da  humanidade. Afirma-nos, também, que a desigualdade de aptidões, por ser natural, deve ser utilizada para elevar e não para embrutecer, ainda mais, o próximo.

A perfeita liberdade do Espírito  far-se-á pela automatização dos preceitos evangélicos. Empenhemo-nos, pois, no estudo e na vivência dos ensinos deixados pelo mestre Jesus.

 

QUESTÕES

1)  O que se entende por liberdade?

2)  Qual o conceito de escravidão?

3)  Defina livre-arbítrio.

4)  Como se explica a ambigüidade do termo liberdade?

5)  Qual o pensamento de Rousseau acerca da liberdade?

TEMAS PARA DEBATE

1)  A liberdade de um termina quando começa a do outro?

2)  Os vícios limitam os nossos atos livres?

3)  Todos temos o dever de construir a nossa liberdade. Comente.

4)  Liberdade, escravidão e o Evangelho.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) LALANDE, A.  Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia.

(2) LEGRAND, G.  Dicionário de Filosofia.

(3) BOULDING, K.  E.  Princípios de Política Econômica.

(4) MENDONÇA, E. P. de.  A Construção da Liberdade.

(5) ÁVILA, F. B.  Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo.

(6) EMMANUEL.  A Caminho da Luz.

 

 


 

 

 

·      DEFINIÇÃO

 

Sociologia é a ciência da sociedade. Vem de societas (sociedade) e logos (estudo, ciência). É a ciência que estuda as estruturas sociais e as leis de seu desenvolvimento. Implica na análise do “fato social”.

O fato social são todas as formas de associações e as maneiras de agir, sentir e pensar, padronizadas e socialmente sancionadas.

 

 

·      O VOCÁBULO SOCIOLOGIA

 

Auguste Comte (1798-1857) criou, por volta de 1839, o vocábulo “Sociologia”. O termo está inserido em seu livro intitulado Curso de Filosofia Positiva.

A criação desta ciência tem o objetivo de separar o conhecimento da teologia e da metafísica dando-lhe um caráter “positivo”. O sentido positivo emprestado à nova ciência fê-la distinta de outras, tais como Economia, Direito e Política.

Utiliza-se dos métodos já elaborados pelas ciências naturais e constrói comparativamente os fundamentos da Sociologia, estabelecendo as leis invariáveis, para a sociedade, da mesma forma que a física ou química.

Mostra o que é a sociedade (ciência) e não o que deve ser (filosofia).

 

 

·      SOCIOLOGIA E ESPIRITISMO

 

A Sociologia observa, formula hipóteses, experimenta e tira conclusões dos fatos sociais. Não tem a incumbência de emitir juízos de valor. Diz-nos como são os fatos sociais e não como devem ser.

O Espiritismo, embora respeitando as conclusões tiradas pelos estudos estatísticos, amplia a visão do mesmo fato social, quando o interrelaciona com a palingenesia e a mediunidade.

Enquanto para a sociologia o “fato social” diz respeito ao presente (ela não cogita de Deus nem de Espíritos), para o Espiritismo ele tem conotação cósmica, ou seja, há um entrelaçamento entre o “aqui e agora” com o “ontem” e o “amanhã”, pois tudo se encadeia na natureza (1).

 

 

·      A SOCIALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE

 

A individualização do princípio inteligente é um processo psicocêntrico. Essa unidade, pela própria necessidade de manter-se integrada, é egocêntrica portanto egoísta.

A socialização é um processo de descentralização psíquica, não no sentido de desagregação mas de expansão das potencialidades do ego, que se abre na vida social como a semente ao germinar ou a flor que desabrocha.

Esta a razão por que a caridade é o princípio espírita da vida social: através dela o homem se abre para os outros, o egoísmo se transforma em altruísmo (1).

 

 

·      O FATO SOCIAL TEM DIMENSÃO CÓSMICA

 

O Espiritismo, tendo em seu bojo a lei de evolução e do progresso, conseguirá, através dos estudos da reencarnação e da mediunidade, ampliar a visão da sociedade, pois nos indicará que as desigualdades sociais são conseqüências do egoísmo e orgulho humanos.

Quando a humanidade estiver sintonizada com a fraternidade universal, compreenderemos que o “fato social” tem dimensão cósmica e, como tal, refletiremos melhor em nossa ação individual, procurando influenciar de maneira saudável o nosso próximo,  o mundo que nos rodeia e o cosmo que nos absorve.  

 

 

SOCIOLOGIA E ESPIRITISMO

 

A Sociologia é a ciência da sociedade. Vem de societas (sociedade) e logos (estudo, ciência). É a ciência que estuda as estruturas sociais e as leis de seu desenvolvimento. Implica na análise do “fato social”. O fato social são todas as formas de associações e as maneiras de agir, sentir e pensar, padronizadas e socialmente sancionadas. 

Auguste Comte (1798-1857) criou, em 1839, o vocábulo “Sociologia”. Seu objetivo era emprestar ao conhecimento da sociedade um caráter “positivo”, desviando-o das concepções teológicas e metafísicas. Utiliza os métodos das ciências naturais e constrói comparativamente os fundamentos da Sociologia. Estabelece, assim, as leis invariáveis para a sociedade, da mesma forma que a física ou química. Mostra o que é a sociedade (ciência) e não o que deve ser ( filosofia).

O Espiritismo oferece-nos amplas condições de compreender o “fato social”. Enquanto para a Sociologia o “fato social” diz respeito ao presente (ela não cogita de Deus e nem de Espíritos), para o Espiritismo ele tem conotação cósmica, ou seja, há um entrelaçamento entre o “aqui e agora” com o “ontem” e o “amanhã”. Isto porque, tudo se encadeia na natureza.

“O Espiritismo é o iniciador da Sociologia”, diz-nos o Espírito Emmanuel no livro O Consolador, psicografado por Francisco Cândido Xavier. A frase merece reflexão, porque somente o Espiritismo pode dar à Sociologia uma dimensão. O “fato social” acontece na terra, mas tem amplitude universal. São os antecedentes intrínsecos do Espírito, os determinantes da trajetória da alma na vida individual, familiar e social.

A indissolubilidade do casamento é um fato social e pode ser analisado comparativamente. Os sociólogos estabeleceriam o dogma falacioso da Igreja Católica “O que Deus juntou o homem não separe”, mostrando os excessos de população, os costumes e os hábitos de alguns povos e a desobediência humana como causas do divórcio. Os Espíritos superiores instruem-nos que há fundamento na frase acima, porém, como o ser humano é dotado de livre-arbítrio,  a separação é factível de acontecer. Não são, pois, contrários ao divórcio, contudo advertem-nos que deveríamos automatizar nossas ações na “monogamia”, uma forma mais evoluída de convivência humana.

O “fato social”, segundo o Espiritismo, tem dimensão cósmica. A posse desse conhecimento torna-nos seres responsáveis por nós próprios, pelo mundo que nos rodeia e pelo cosmo que nos absorve. Cuidemos, pois, de praticar “boas ações” na sociedade.

 

 

QUESTÕES

1)  O que é a Sociologia?

2)  Qual a origem do vocábulo “Sociologia”?

3)  O que é um “fato social”?

4)  Como a Sociologia interpreta o fato social?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  O “fato social” tem dimensão cósmica. Comente.

2)  Sociologia e Espiritismo.

3)  Socialização do princípio inteligente.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE IGUALDADE

 

Sentido Geral - é a qualidade do que é igual, do que não tem diferença.

Na Matemática - a igualdade é simbolizada pelo sinal =, daí a=b.

Na Ética e na Política - o princípio segundo o qual as prescrições, proibições e penas legais são as mesmas para todos os cidadãos, sem acepção de nascimento, situação ou riqueza (igualdade jurídica) (1).

 

 

·      ASPIRAÇÃO DEMOCRÁTICA

 

É uma das mais profundas e autênticas aspirações democráticas, mas como tantas outras é também uma das mais exploradas por uma demagogia irresponsável.

O fundamento filosófico da igualdade democrática é a identidade essencial de todos os homens (2).

 

 

·      PROJETO DA IGUALDADE DEMOCRÁTICA

 

Este projeto realizar-se-á através das seguintes exigências:

1ª) igualdade inicial de oportunidades;

2ª) possibilidades iguais, para todos, de realizar sua dignidade essencial igual: trabalho justamente remunerado;

3ª) possibilidades diferentes, para cada um, de realizar seus talentos diferenciados.

Observação: se todos os homens são rigorosamente iguais em sua dignidade essencial, todos são rigorosamente diferentes em suas capacidades e talentos (2). 

 

 

·      CONCEITO DE DESIGUALDADE

 

Qualidade do que não é igual, do que é diferente.

 

 

·      DESIGUALDADE FÍSICA

 

Alguns homens são baixos, outros altos: uns gordos, outros magros; uns feios, outros bonitos; uns bem vestidos, outros mal vestidos etc.

 

 

 

 

·      DESIGUALDADE INTELECTUAL

 

Comparando-se a condição humana de existência, observamos que uns têm o raciocínio rápido, outros lentos; uns são versados em matemática, outros em português; uns têm aptidão para a física, outros para a biologia etc.

 

 

·      DESIGUADADE SOCIAL

 

A divisão da sociedade em classes mostra a desigualdade de renda e caracteriza as pessoas dentro de sua camada social: classe baixa, classe media e classe alta.

 

 

·      DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS

 

Os dados abaixo relacionados revelam a disparidade de renda existente no Brasil e no mundo:

- o salário no Brasil varia de 1/100; no Japão, de 1/10;

- a renda per capita no Brasil é US$ 2.550; na Suíça é US$ 30.270;

- 20% dos mais ricos, no Brasil, ganham 26 vezes mais do que os 20% mais pobres;

- o Brasil é a 8ª economia em termos de Produto Interno Bruto (PIB) e 70ª quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano;

- os 10% mais ricos, no Leste Europeu, recebem 7 vezes mais do que os 10% mais pobres.

 

 

·      IGUALDADE NATURAL

 

Na pergunta 803 de O Livro dos Espíritos - “Todos os homens são iguais perante Deus?” -, os Espíritos informam-nos que todos os Espíritos foram criados simples e ignorantes e que são submetidos às mesmas leis naturais.

 

 

·      DESIGUALDADE DE APTIDÕES

 

Fundamenta-se no maior ou menor tempo de vivência, no exercício da vontade e na própria diversidade de aptidões: o que um não é capaz de fazer o outro faz.

 

 

·      DESIGUALDADES SOCIAIS

 

A desigualdade das condições sociais é uma lei natural? Não. É criação do homem e desaparecerá quando a humanidade extinguir o orgulho e o egoísmo. Ver pergunta 806 de  O Livro dos Espíritos.

 

 

 

·      DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS

 

A igualdade absoluta das riquezas é possível e existiu alguma vez? Não, não é possível. A diversidade dos caracteres e das faculdades se opõe a isso. Ver pergunta 811 de O Livro dos Espíritos.

 

 

·      A DESIGUALDADE DE MÉRITO

 

O combate ao orgulho e ao egoísmo é fator preponderante para erradicarmos as desigualdades sociais (humanas), permanecendo, apenas, as desigualdades de aptidões e de méritos (naturais).

 

 

IGUALDADE, DESIGUALDADE E ESPIRITISMO

 

            Igualdade é a qualidade do que é igual, do que não tem diferença. Na ética e na política é o princípio segundo o qual as prescrições, proibições e penas legais são as mesmas para  todos os cidadãos, sem acepção de nascimento, situação ou riqueza. Desigualdade é a  qualidade do que não é igual, do que tem diferença.

            A igualdade é uma das aspirações mais autênticas e profundas da democracia. O projeto de igualdade democrática baseia-se no princípio de que todos os homens são iguais em  sua dignidade essencial,  porém, diferentes em suas capacidades e talentos. Quer dizer, todos devemos ter oportunidade de  trabalho remunerado, mas de acordo com a característica específica de cada um.

Os números abaixo relacionados indicam as desigualdades sociais existentes em  nosso país:

a) a distribuição de renda no Brasil mostra que 20% dos mais ricos ganham 26 vezes mais do que os 20% mais  pobres. No Leste Europeu, os 10% mais ricos recebem 7 vezes mais do que  os 10% mais pobres;

b) aqui, a diferença entre o menor salário e o maior é de 1/100, já no Japão é de 1/10;

c)  temos uma renda per capita de US$ 2.550 contra  US$ 30.270 na Suíça;

d) somos  a  8.ª economia  pelo  cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) e a 70.ª pelo Índice de Desenvolvimento Humano, que inclui analfabetismo e qualidade de vida.

            Diante deste quadro, perguntamos: por que uns ganham 50.000 dólares/ano  e outros ganham 5.000? A Ciência  Econômica procura dar uma resposta baseada na produtividade marginal do trabalho. Mas não nos satisfaz. A explicação deve ser buscada  na lei de reencarnação. De acordo com a Doutrina Espírita, a riqueza é distribuída  igualmente para todos, mas cada um tem-na  a seu turno. Se hoje somos pobres, é possível que  já  tenhamos sido ricos em encarnações passadas, ou que assim sejamos no futuro.

Allan  Kardec, em O Livro dos Espíritos, diz-nos que as desigualdades das condições sociais, sendo criação humana, deverão desaparecer quando a humanidade tiver extinto o egoísmo e o orgulho. Nessa situação restará apenas a desigualdade de mérito. Isso não é privilégio, visto todos os Espíritos  partirem da mesma origem, submetidos  às leis naturais. Como uns se esforçaram mais do que outros, é justo que ocupem  posições  que exijam maiores responsabilidades.

Evitemos a proclamação demagógica da igualdade absoluta. Realizemos plenamente a nossa essência e deixemos que cada um realize a sua.

 

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de igualdade?

2)  Qual o conceito de desigualdade?

3)  Como se realiza o projeto de igualdade democrática?

4)  Como está distribuída a riqueza material na face da terra?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  É possível a igualdade absoluta?

2)  A desigualdade das condições sociais é uma lei natural?

3)  Aptidão e mérito.

4)  Todos são iguais perante Deus?

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) SANTOS, M. F. dos.  Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

(2) ÁVILA, F. B.  Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo.

 

 


 

 

 

·      DEFINIÇÃO

 

Poder político é a força que  o estado detém para controlar o comportamento de uma coletividade humana, a fim de garantir determinadas relações sociais.

O Estado é a forma política de uma sociedade. “É a organização político-jurídica de uma sociedade, com um governo próprio, um território determinado e tendo como objetivo o bem comum ou o bem público” (1).

 

 

·      TEORIA E PRÁXIS

 

A questão da relação entre a teoria e a práxis pode ser encontrada no “Mito da Caverna” desenvolvido por Platão, no famoso livro VII da República.

Nesta alegoria, Platão coloca alguns homens numa caverna, de costas para a entrada, de modo que só conseguem ver as próprias sombras projetadas no fundo da mesma.

Dentre eles há o filósofo que se vira e vai ao encontro da luz (conhecimento). Inteirado do saber, sente-se na obrigação de passá-lo aos outros. Mas, se disser a verdade, será ridicularizado. Por isso, cria o “Mito” para ser obedecido (2).

 

·      POLÍTICA

 

Segundo a Filosofia Espírita, a política é um fenômeno social que tem origem na essência ética do indivíduo, razão pela qual o cidadão se manifesta não somente como um ser moral, mas também como um ser político.

O homem adquire , por este ser político, o direito e a obrigação de participar do progresso social, mas com um conceito totalmente distinto do conceito da política clássica, que irremediavelmente conduzirá ao desmoronamento do Estado contemporâneo (3).

 

 

·      RIQUEZA E PODER

 

A maioria de nós gosta de possuir muitos bens e ter domínio sobre os demais homens.

Mas de acordo com as instruções dos Espíritos, “autoridade, da mesma forma que a fortuna, é uma delegação da qual serão pedidas contas àquele que dela se acha investido.

Não creiais que lhe seja dada para lhe proporcionar o vão prazer de comandar, nem, assim como o crêem falsamente a maioria dos poderosos da Terra, como um direito, uma propriedade” (4).

 

 

·      ARISTOCRACIA INTELECTO-MORAL

 

As  sociedades em tempo algum prescindem de chefes para se organizarem.

Daí, a necessidade da autoridade. Esta, porém, vem modificando ao longo do tempo.

No início, tínhamos a força bruta, depois a do exército. Na Idade Média, a autoridade de nascença. Segue-se-lhe a influência do dinheiro e da inteligência, na época atual. Será o fim? Não.

Há que se implantar a Aristocracia Intelecto-Moral (5).

 

 

·      A MORAL ESPÍRITA

 

Os princípios codificados por Allan Kardec nos auxiliarão eficazmente nas resoluções de ordem política, ou seja, substituirão os impulsos automatizados no egoísmo pelos da fraternidade universal.

Dando uma nova força à inteligência, indicar-lhe-á o rumo certo que deverá seguir para a obtenção do “bem comum”.

 

 

POLÍTICA E ESPIRITISMO

 

Política - do grego politikós (polis) que significa tudo o que diz respeito à cidade. Na Grécia antiga, político era aquele que participava de uma polis (cidade-estado) com  o intuito da obtenção do “bem comum”. Atualmente, visto as cidades tornarem-se dinâmicas, o termo refere-se à “ciência do estado”, ciência política”, “filosofia política” e “doutrina do estado”.

A finalidade da política é o “bem comum”. Como alguns homens investidos de um cargo público deixam-se corromper, há uma tendência de julgarmos a política no seu sentido pejorativo. A conseqüência é um descrédito aos políticos e dificuldade no exercício da cidadania, transparecendo que somos cidadãos somente quando votamos. Depois disso, não temos mais nada a ver com o déficit público, a dívida externa e outros fatos da vida nacional.

Os meios de comunicação estão constantemente divulgando as falcatruas de alguns homens públicos. Há um  pessimismo generalizado. De que maneira o Espiritismo pode contribuir para reverter essa situação? Ao refletirmos sobre seus princípios, percebemos a necessidade de nossa transformação moral, caso queiramos alcançar um elevado nível de evolução espiritual. Allan Kardec fornece os subsídios para vencermos o egoísmo e o orgulho, os dois maiores cancros da sociedade e que levam as pessoas ao materialismo exacerbado.

O Espiritismo auxiliará eficazmente as resoluções de ordem política, porque propõe substituirmos os impulsos antigos do egoísmo pelos da fraternidade universal. A inteligência terá uma nova força, pois a “moral do Cristo” lhe indicará o caminho reto a ser seguido. Alcançado esse estado evolutivo do Espírito, veremos ser implantado o que Kardec denominou em seu livro Obras Póstumas, ou seja, a aristocracia intelecto-moral.

Aristocracia - do grego aristos (melhor) e cracia (poder) significa poder dos melhores. Poder dos melhores pressupõe que os governantes tenham dado uma direção moral às suas inteligências. Sem isso, corremos o risco de voltar à força do rei ou dos exércitos. Somente os Espíritos libertos do jugo da matéria poderão dirigir com imparcialidade as ações da coletividade. São estes que prepararão a humanidade para a nova civilização do terceiro milênio, onde a fase da força cederá lugar à do direito.

Acreditamos que os governantes, quando a moral for o fator mais importante em  todas as resoluções, não mais irão buscar seus interesses mesquinhos, mas, acima de tudo, aplicarão amplamente a noção de “bem comum”, propiciando sob todos os meios possíveis a felicidade da maioria.

 

QUESTÕES

1)  O que é poder político?

2)  O que é política?

3)  Qual a relação entre teoria e práxis?

4)  Como Kardec, auxiliado pelos Espíritos, interpreta a riqueza e o poder?

5)  O que se entende por Aristocracia Intelecto-Moral?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  Formas de governo.

2)  Governo do futuro.

3)  Política e Espiritismo.

4)  Público x Privado: o “bem comum”.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(2) FERRAZ Jr., T. S.  Política e Ciência Política.

(3) MARIOTTE, H.  Parapsicologia e Materialismo Histórico.

(4) KARDEC, A.  O Evangelho Segundo o Espiritismo.

(5) KARDEC, A.  Obras Póstumas. 

 

 

 


 

 

 

·      CONCEITO DE JUSTIÇA

 

Sentido Restrito - justiça é a constante e perpétua vontade de conceder o direito a si próprio e aos outros, segundo a igualdade. É virtude subjetiva, portanto.

Sentido Moral - significa o respeito que há em cada um de dar a cada um o que é seu (1).

 

 

·      VIRTUDES CARDEAIS

 

A justiça é uma das quatro virtudes cardeais. É o domínio da justiça que permite o equilíbrio da temperança, da fortaleza e da própria prudência (1).

 

 

·      ELEMENTOS INTEGRANTE DA JUSTIÇA

 

- capacidade de fazer o bem;

- dar o que é devido aos outros;

- hábito de evitar o mal que possa vir a ser feito aos outros.

 

 

·      CONCEITO DE INJUSTIÇA

 

É a falta de justiça.

 

 

·      CARACTERIZAÇÃO DA INJUSTIÇA

 

Calúnia, suborno, falsificações etc.

 

 

·      DECÁLOGO DA INJUSTIÇA

 

01 - Não se preocupar com o problema social.

02 - Guardar para si o supérfluo.

03 - Não tomar conhecimento das causas dos males humanos.

04 - Ridicularizar os que se dedicam a esses problemas.

05 - Explorar a miséria e a necessidade alheias.

06 - Custar a pagar o que se deve ou nunca pagar.

07 - Guardar por muito tempo ou mesmo esquecer de devolver objetos emprestados.

08 - Por medo, timidez ou orgulho calar-se em vez de dizer a verdade.

09 - Atribuir às leis econômicas os males, devido à própria incúria ou ambição.

10 - Considerar como definitivos todos os privilégios; defendê-los, mesmo em detrimento da justiça (2).

 

·      LEI NATURAL

 

O sentimento de justiça é natural ou resulta de idéias adquiridas? É tão natural que nos revoltamos ante uma injustiça.

O progresso moral desenvolve a justiça, mas não a cria. Por isso, muitas vezes, entre os homens simples e primitivos encontramos noções mais exatas de justiça do que entre os de muito saber. Ver pergunta 873 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

 

 

·      DIREITOS

 

A Justiça consiste no respeito aos direitos de cada um. Esses direitos são determinados pela lei humana e pela lei natural. Como os homens fizeram leis apropriadas aos seus costumes e ao seu caráter, essas leis estabeleceram direitos que podem variar com o progresso (3).

 

 

·      A BASE DA JUSTIÇA

 

Fora do direito consagrado pela lei humana, qual a base da justiça fundada sobre a lei natural? O critério da verdadeira justiça é de fato o de se querer para os outros aquilo que se quer para si mesmo, e não de querer para si o que se deseja para os outros.

Como não é natural que se queira o próprio mal, se tomarmos o desejo pessoal por norma ou ponto de partida, podemos estar certos de jamais desejar para o próximo senão o bem. Ver pergunta 876 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

 

 

·      LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

 

O Espiritismo mostra-nos que a lei de Justiça, Amor e Caridade é a mais importante dentre as leis naturais, porque resume todas as demais.

Empenhemo-nos, pois, na prática da justiça e do amor ao próximo.

 

 

JUSTIÇA, INJUSTIÇA E ESPIRITISMO

 

Justiça é a constante e perpétua vontade de conceder o direito a si próprio e aos outros, segundo a igualdade. é virtude subjetiva, portanto. No sentido moral, significa o respeito que há em cada um de dar a cada um o que é seu. Injustiça é a  falta de justiça.

            A justiça é uma das quatro virtudes cardeais. É ela que permite o equilíbrio da temperança, da fortaleza e da própria prudência. A capacidade de fazer o bem, o hábito de evitar o mal e de dar o que é devido aos outros são os seus elementos integrantes. Tem, ainda, como implicações coadjuvantes o respeito à igualdade, a veracidade, a gratidão e a equidade.

            A injustiça caracteriza-se pela calúnia, pelo suborno e pelas falsificações. Mais  especificamente: por não nos preocuparmos com o problema social; guardarmos para  nós  o supérfluo;  explorarmos a miséria alheia;  esquecermo-nos de devolver objetos  emprestados; calarmo-nos, quando deveríamos dizer a verdade; atribuirmos às leis econômicas os males devidos à nossa própria incúria.

Allan  Kardec, em O Livro dos Espíritos,  mostra-nos que o sentimento de justiça é natural e não resulta de idéias adquiridas. Por isso, muitas vezes, entre os homens simples  e primitivos encontramos noções mais exatas de justiça do que entre os de muito saber. Além disso, como misturam-se paixões ao julgamento, acabamos alterando esse sentimento e fazendo as coisas serem vistas sob um falso ponto de vista.

O direito consagrado pela lei humana assegura parte da justiça. No que concerne à lei natural, a base da  justiça está assentada na lei áurea deixada por Jesus: "Querer para os outros aquilo que se quer para si mesmo e não querer para si o que se deseja para os outros". Explica-se: como não desejamos o mal para nós mesmos, deduz-se que devemos desejar somente o bem para o próximo.

Respeitemos o direito dos outros. Se cada um agir dessa forma, em mais tempo ou  em menos tempo, assistiremos à implantação da verdadeira fraternidade universal.

 

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de justiça?

2)  O que caracteriza a injustiça?

3)  O que são as virtudes cardeais? Por que essa denominação?

4)  Qual a base em que se estriba a justiça?

5)  Quais são os itens do decálogo da injustiça?

 

 

TEMAS PARA DEBATE

1)  O sentimento de injustiça é natural ou resulta de idéias adquiridas?

2)  Dentre as leis naturais, qual a mais importante? Por que?

3)  Justiça humana e justiça divina.

4)  Justiça, injustiça e Espiritismo

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) SANTOS, M. F. dos.  Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

(2) LONGHI, A. J.  Livro dos Decálogos.

(3) KARDEC, A.  O Livro dos Espíritos.

 

 

 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

 

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____. No Mundo Maior, pelo Espírito André Luiz.  7. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

 


 

VOCABULÁRIO FILOSÓFICO

 

“A Posteriori” - Aquilo que é estabelecido e afirmado em virtude da experiência.

“A Priori” - Independente da experiência sensível

Absoluto - O que não comporta nenhuma limitação, restrição ou dependência. O contrário de relativo.

Abstração - Operação pela qual o espírito separa mentalmente coisas de fato inseparáveis.

Abstrato - O que resulta de uma abstração. O contrário de concreto.

Acidente - O que pode ser modificado ou suprimido sem que a coisa em que existe mude de natureza ou desapareça.

Análise - Operação pela qual o espírito vai do composto ao simples, do todo para suas partes componentes.

Analogia - Argumentação pela semelhança, segundo a qual, do fato de um atributo convir a um sujeito, se deduz a sua conveniência com um sujeito semelhante.

Antropocentrismo - Doutrina que coloca o homem no centro do universo e medida de todas as coisas.

Antropomorfismo - Doutrina que representa todos os seres tomando por modelo a natureza humana.

Argumento - É a expressão verbal de um raciocínio.

Automatismo - Movimento que escapa à direção dos centros superiores. Atividade psíquica inconsciente.

Axiologia - Teoria dos valores em geral, especialmente dos valores morais (do grego “axios”: valioso, desejável, estimado)

Axioma - Verdade que não se precisa demonstrar, por ser evidente por si mesma.

Belo - No sentido objetivo, é o esplendor do ser. No sentido subjetivo, é aquilo cuja contemplação causa prazer.

Bem - Aquilo que possui um valor moral positivo, constituindo o objeto ou o fim da ação humana.

Ceticismo - Concepção filosófica segundo a qual o conhecimento certo e definitivo sobre algo pode ser buscado, mas não atingido.

Ciência - Objetivamente, é um conjunto de verdades certas, logicamente encadeadas entre si, de modo a fornecer um sistema coerente. Subjetivamente, é um conhecimento certo das coisas por suas causas ou por seus princípios.

Conceito - Representação intelectual de um objeto. O mesmo que idéia ou noção.

Concreto - Aquilo que é efetivamente real ou determinado.

Conhecimento - Apropriação intelectual de determinado campo empírico ou ideal de dados, tendo em vista dominá-los e utilizá-los.

Conotação - Significado segundo, figurado, às vezes subjetivo, dependente de experiência pessoal de um signo.

Consciência - Em moral, é a faculdade que o homem tem de julgar o valor moral dos seus atos.

Contradição - Ato de afirmar e de negar, ao mesmo tempo, uma mesma coisa.  

Cosmo - Designa o mundo enquanto ele é ordenado e se opõe ao caos: mundo considerado como um todo organizado, como uma ordem hierarquizada e harmoniosa.

Cosmogonia - Teoria sobre a origem do universo geralmente fundada em lendas ou em mitos e ligada a uma metafísica.

Cosmologia - Parte da filosofia que tem por objeto o estudo do mundo exterior, isto é, da essência da matéria e da vida.

Crítica - Atitude que consiste em separar o que é verdadeiro do que é falso, o que é legítimo do que é ilegítimo, o que é certo do que é verossímil.

Dedução - Raciocínio que nos permite tirar de uma ou várias proposições uma conclusão que delas decorre logicamente.

Definição - Do latim definitione. Definir, segundo a lógica formal, é dizer o que a coisa é, com base no gênero próximo e na diferença específica.

Denotação - Significado primeiro e imediato de um signo (palavra, imagem etc.). Ver conotação.

Dever - Necessidade de realizar uma ação por respeito à lei civil ou moral.

Devir - Transformação incessante e permanente pela qual as coisas se constróem e se dissolvem noutras coisas através do tempo.

Dialética - Arte de discutir; tensão entre os opostos.

Dogma - Em filosofia, doutrina ou opinião filosófica transmitida de modo impositivo e sem contestação por uma escola ou corrente filosófica. Em religião, doutrina religiosa fundada numa verdade revelada e que exige o acatamento e a aceitação dos fiéis. No catolicismo, o dogma possui duas fontes: as Escrituras e a autoridade da Igreja.

Dogmatismo - Doutrina dos que pretendem basear seus postulados apenas na autoridade, sem admitir crítica nem discussão.

Doutrina - Conjunto de princípios, de idéias, que servem de base a um sistema religioso, político, filosófico ou científico. 

Doxa - Em grego significa opinião, juízo, ponto de vista, crença filosófica e também a fama, a glória humana.

Dúvida - Estado da mente em que não há assentimento firme sobre um juízo, por que se teme ser falso.

Dúvida Hiperbólica - Método de conhecimento que tem por objetivo descobrir a verdade (Descartes).

Empirismo - Caráter comum dos sistemas filosóficos que consideram a experiência como único critério de verdade.

Epifenômeno - Concepção que faz da consciência um fenômeno acessório e secundário, um simples reflexo, sem influência sobre os fatos de pensamento e conduta.

Epistemologia -  (episteme, “ciência”): estudo do conhecimento científico do ponto de vista crítico, isto é, do seu valor; crítica da ciência; teoria do conhecimento.

Erro - É o conhecimento que não reflete fielmente a realidade e por isso mesmo não corresponde à realidade.

Escatologia - Doutrina que diz respeito aos fins últimos da humanidade, da natureza ou do indivíduo depois da morte.

Escolástica - Escola filosófica da Idade Média, cujo principal representante é Santo Tomás de Aquino. No sentido pejorativo, que decorre da escolástica decadente, o termo escolástico se refere a todo pensamento formal, verbal, estagnado nos quadros tradicionais.

Esotérico - Todo o ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes. Saber secreto. Em oposição, exotérico é o saber público, aberto a todos.

Essência - Aquilo que a coisa é ou que faz dela aquilo que ela é.

Eternidade - Caráter do ser subtraído à mudança e ao tempo. Posse indivisível, perfeita e simultânea de uma vida sem fim.

Ética - Parte da Filosofia que se ocupa com o valor do comportamento humano. Investiga o sentido que o homem imprime à sua conduta para ser verdadeiramente feliz.

Evidente - Aquilo que se impõe a nós de modo direto e imediato.

Existência - O fato de a coisa estar aí, sem necessidade, de modo contingente (existencialismo).

Existencialismo - Conjunto de doutrinas que se opõem ao racionalismo e ao idealismo e que admitem que o objeto próprio da filosofia é a realidade existencial, isto é, existência concreta e vivida, e que o único meio que possuímos para entrar em contato com ela consiste no sentimento ou emoção

Facticidade - Caráter do que existe como puro fato.

Fato social - São todas as formas de associações e as maneiras de agir, sentir e pensar, padronizadas e socialmente sancionadas.

Fenômeno - Aquilo que se oferece à observação intelectual, isto é, à observação pura

Fenomenologia - No sentido geral, é o estudo descritivo de um conjunto de fenômenos tais como se manifestam no tempo ou no espaço, em oposição às leis abstratas e fixas desses.

Fideísmo - Doutrina segundo a qual as verdades fundamentais da ordem especulativa ou da ordem prática não devem ser justificadas pela razão, mas simplesmente aceitas como objeto de pura crença.

Filosofia - Sistema de conhecimentos naturais, metodicamente adquiridos e ordenados que tende a explicar todas as coisas por seus primeiros princípios e suas razões fundamentais.

Fim - Via de regra, na terminologia filosófica, este vocábulo não designa o mero termo, ou seja, o último de uma série, mas sim “aquilo pelo qual (id, propter quod) alguma coisa existe ou se faz (fit).

Gnose - Conhecimento esotérico e perfeito das coisas divinas pela qual se pretende explicar o sentido profundo de todas as religiões.

Gnoseologia - Teoria do conhecimento que tem por objetivo buscar a origem, a natureza, o valor e os limites da faculdade de conhecer.

Hermenêutica - Parte da crítica histórica que consiste em decifrar, traduzir e interpretar os textos antigos.

Heterodoxia - Crença contrária aos princípios aceitos na época.

Heurístico - Aquilo que se refere à descoberta e serve de idéia diretriz numa pesquisa. Um método é heurístico quando leva o aluno a descobrir aquilo que se pretende que ele aprenda.

Ideal - O que se concebe como um tipo perfeito.

Idealismo - Caráter geral dos sistemas filosóficos que negam a objetividade do conhecimento e reduzem o ser ao pensamento.

Idéia - Representação intelectual de um objeto.

Imagem - Representação sensível de um objeto.

Imaginação - Faculdade de representar ou de combinar imagens.

Imanente - O que está contido na natureza de um ser.

Inato - Tudo aquilo que existe num ser desde seu surgimento e que pertence à sua natureza. opõe-se a adquirido, aprendido.

Indeterminismo - Doutrina segundo a qual o homem é dotado de livre-arbítrio.

Indução - Raciocínio ou forma de conhecimento pelo qual passamos do particular ao universal, do especial ao geral, do conhecimento dos fatos ao conhecimento das leis.

Instinto - Atividade automática, existente sobretudo no animal, caracterizada por um conjunto de reações bem determinadas hereditárias, específicas, idênticas na espécie. Não confundir com intuição.

Intuição - Forma de conhecimento que permite à mente captar algo de modo direto e imediato.

Inútil - Significa o que não tem um fim noutro, ou seja, não tem fim algum, ou tem um fim em si mesmo.

Juízo - Faculdade ou ato de julgar, de afirmar relações de conveniência ou desconveniências entre duas idéias.

Justiça - No sentido restrito, é a constante e perpétua vontade de conceder o direito a si próprio e aos outros, segundo a igualdade; no sentido moral, significa o respeito que há em cada um de dar a cada um o que é seu.

Lei - Relação necessária entre dois acontecimentos. Lei científica: aquela que estabelece entre os fatos relações mensuráveis, universais e necessárias, autorizando a previsão.

Lei Moral - Compreende o conjunto de normas éticas resultantes da situação do homem na realidade e que, anteriormente a toda estipulação ou convenção, obrigam fundamentalmente a todos os homens.

Lei Natural - Em sentido filosófico, é uma ordenação para determinada atividade insita nas coisas naturais. Recebe o nome de lei, porque por meio desta disposição foi dada aos seres da natureza uma necessidade para operar, necessidade diversa, segundo a natureza da coisa: é diferente no domínio inorgânico, no orgânico e no humano-espiritual. Neste último domínio, lei natural eqüivale a lei moral natural; sua necessidade consiste no dever da obrigação.

Liberalismo - Doutrina que preconiza a liberdade política ou a liberdade de consciência.

Liberdade - Capacidade de poder agir por si mesmo, com autodeterminação, independentemente de toda a coerção exterior.

Livre-Arbítrio quer dizer juízo livre. É a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos.

Lógica - Ciência das leis ideais do pensamento e a arte de aplicá-los corretamente na pesquisa e na demonstração da verdade.

Logos - Significa discurso, palavra (verbo), palavra dotada de sentido.

Maiêutica - Método socrático de interrogação, como a parteira dá à luz os corpos, procura “dar à luz” os espíritos para levar seus interlocutores a descobrirem a verdade que eles trazem em si sem o saber. Por extensão, método pedagógico que permite ao mestre apenas dirigir a pesquisa do aluno, este devendo encontrar a verdade por sua própria reflexão.

Marxismo - Teoria econômica, social, política e filosófica elaborada por Karl Marx e Friedrich Engels, utilizada ao mesmo tempo como método de análise dos fenômenos sociais e como princípios de uma prática revolucionária.

Materialismo - Doutrina segundo a qual toda a realidade, inclusive a espiritual, se reduz à matéria e suas modificações.

Materialismo Dialético - O materialismo dialético é a união do materialismo clássico com a dialética de Hegel, e representa o núcleo filosófico do marxismo.

Metafísica - Parte da filosofia que procura os princípios e as causas primeiras e que estuda o ser enquanto ser.

Método - do grego methodos significa caminho para chegar a um fim.

Misticismo - Crença numa ordem de realidades sobrenaturais e na possibilidade de uma união íntima e direta com Deus.

Mito - Relato fabuloso contando uma história que serve ao mesmo tempo de origem e justificação de um grupo social.

Monismo - Teoria segundo a qual a realidade é formada de uma única substância, pois só existe um princípio fundamental, seja a matéria, seja o espírito.

Monoideísmo - Estado patológico, caracterizado pela tendência de uma pessoa retornar sempre em seu pensamento e em sua palavra a um só tema, uma idéia fixa, que é propriamente a monomania.

Moral - Conjunto de costumes e juízos morais de um indivíduo ou de uma sociedade; teoria que visa orientar a ação humana submetida ao dever e com vistas ao bem; conjunto de normas livre e conscientemente aceitas que visam organizar as relações dos indivíduos na sociedade.

Moralismo - Apego excessivo à letra das regras morais em detrimento de seu espírito. Atitude prática que consente em cultivar apenas a perfeição moral sem se preocupar com o bem a ser realizado.

Mundividência - É a compreensão global da essência, origem, valor, sentido e finalidade do mundo e da vida humana. O mesmo que cosmovisão (concepção de universo).

Necessidade - Necessário é o que não se pode ser de outra maneira ou aquilo cuja contraditória é impossível.

Niilismo - É a doutrina que admite que o nada, além de ser, ou de haver, é capaz de ser pensado.

Númeno - De acordo com Kant, guarda relação com o verbo pensar, mas de fato, aparece mais equivalente a pensado, como oposto a percebido pelos sentidos.

Objetivo - O que existe fora do espírito e independente do conhecimento do sujeito. O contrário de subjetivo.

Objeto - Aquilo sobre que incide o conhecimento ou recai a ação. Oposto ao sujeito que é o que exerce a ação ou o conhecimento.

Ontologia - Parte da Filosofia que se ocupa do ser enquanto ser, ou seja, do ser concebido na sua totalidade e na sua universalidade.

Opinião - Juízo que adotamos sem termos a certeza de sua verdade.

Ortodoxia - Posição a favor das crenças vigentes.

Palingenesia - (Do grego palin, outra vez, e genesis, nascimento). Literalmente, é o novo nascimento ou regeneração; na Teologia religiosa, é o renascimento das idéias de uma doutrina esquecida, ou a nova vida dos indivíduos.

Panteísmo - (Do grego pan, tudo, e Theos, Deus = tudo é Deus). Doutrina que afirma que o cosmo nada mais é que a manifestação do próprio Deus.

Paradoxo - (Do grego para e doxa, opinião). Estado de coisas (ou declaração que se faça sobre elas), que aparentemente implica alguma contradição, pois uma análise mais profunda faz desvanecê-la.

Percepção - É a apreensão sensorial global de um complexo de dados sensíveis.

Personalidade  - Caráter do ser que tem consciência de ser portador de si mesmo, que tem consciência de sua individualidade e de seu papel.

Política - Do grego politikós (polis) que significa tudo o que diz respeito à cidade.

Pragmatismo - Sistema filosófico de William James, que subordina a verdade à utilidade e reconhece a primazia da ação sobre o pensamento.

Práxis - Os gregos chamavam práxis à ação de levar a cabo alguma coisa; também serve para designar a ação moral; significa ainda o conjunto de ações que o homem pode realizar e, neste sentido, a práxis se contrapõe à teoria. No marxismo significa união dialética da teoria e da prática.

Princípio - É aquilo, donde, de algum modo, uma coisa procede quanto ao ser, ao acontecer ou ao conhecer.

Problema - Nem toda a questão se denomina problema, mas tão-só aquele que, por causa da dificuldade que lhe é intrínseca, não logra ser resolvida sem especial esforço.

Raciocínio - É aquela atividade mental, mercê da qual, da afirmação de uma ou mais proposições passamos a afirmar uma outra, em virtude da intelecção de sua conexão necessária.

Racional - Pelo termo “racional” (do latim ratio: razão, designamos em geral o modo especificamente humano do conhecimento conceptual-discursivo. 

Racionalismo - Doutrina filosófica moderna (séc. XVII) que admite a razão como única fonte de conhecimento válido; a superestima do poder da razão. Principais representantes: Descartes, Leibniz. Doutrina oposta ao empirismo.

Realidade - Na hodierna terminologia filosófica, o termo “real” designa, via de regra, o ente, o que existe em oposição tanto ao que é apenas aparente quanto ao que é puramente possível.

Reflexão - Em sentido lato e pouco rigoroso, reflexão significa meditação comparativa  e examinadora contraposta à percepção simples ou aos juízos primeiros e espontâneos sobre um objeto. No sentido ontológico, mais preciso e profundo, significa, ao mesmo tempo, uma volta do espírito à sua essência mais íntima. Esta volta (reflexio = re-flexão) é o sentido próprio do vocábulo.

Sensação - Significa, na linguagem corrente, qualquer vivência imediata.

Ser - designa aquela perfeição, pela qual alguma coisa é um ente.

Síntese - Significa etimologicamente “composição”. Em linguagem filosófica, síntese designa a união de vários conteúdos cognoscitivos num produto global de conhecimento, união que constitui uma das mais importantes funções da consciência.

Sistema - É a multiplicidade de conhecimentos articulados segundo uma idéia de totalidade.

Socialismo - Nome genérico das doutrinas que pretendem substituir o capitalismo por um sistema planificado que conduza a resultados mais eqüitativos e mais favoráveis ao pleno desenvolvimento do ser humano. Designação das correntes e  movimentos políticos da classe operária que visam a propriedade coletiva dos meios de produção. O socialismo utópico (Saint Simon, Fourier, Proudhon etc.) foi criticado pelo socialismo científico (Marx e Engels). Para Marx, o socialismo é a primeira fase revolucionária após a destruição do Estado burguês e supõe ainda a existência de um aparelho estatal; após esta fase, deveria surgir o comunismo propriamente dito.

Sociologia - É a ciência da sociedade. Vem de societas (sociedade) e logos (estudo, ciência). É a ciência que estuda as estruturas sociais e as leis de seu desenvolvimento. Implica na análise do “fato social”.

Sofisma - É um raciocínio falso que se apresenta com aparência de verdadeiro.

Substância - Etimologicamente, é “que está debaixo” ou o que permanece debaixo das aparências ou dos fenômenos. Substância é o que tem seu ser, não em outro, mas em si ou por si. O contrário de acidente.

Sujeito - (Do latim subiectum = que está por debaixo) significa etimologicamente “o que foi posto debaixo”, “o que se encontra na base”. Ontologicamente, denota essencialmente uma relação a outra realidade que “descanse sobre ele”, que é “sustida” por ele.

Teleologia - Teoria dos fins. Doutrina segundo a qual o mundo é um sistema de relações entre meios e fins.

Teologia - É a ciência que tem Deus por objeto.

Teoria - O vocábulo “teoria” é usado, as mais das vezes em oposição a prática, significando neste caso, o conhecimento puro, a pura consideração contemplativa; ao passo que prática designa qualquer espécie de atividade fora do conhecimento, especialmente a atividade dirigida ao exterior.

Totalidade - Falamos de totalidade, quando muitas partes de tal modo estão ordenadas que, reunidas, formam uma unidade (o todo).

Transcendente - Em Kant, os princípios do entendimento puro além dos limites da experiência.

Universalismo - é a visão do todo, da grandeza e vastidão cósmica, da universalidade, oposta à limitação míope e mesquinha a valores parciais ou a interesses particulares.

Útil - Significa tudo aquilo que tem um fim noutro e não em si mesmo.

Utopia - (U-topos, “nenhum lugar”): que não existe em nenhum lugar; descrição de uma sociedade ideal; refere-se a um ideal de vida proposto. No sentido pejorativo, refere-se a um ideal irrealizável.

Verdade - Na acepção mais geral designa uma igualdade ou conformidade entre a inteligência (conhecimento intelectual) e o ser (adaequatio intellectus et rei), e, em sentido mais elevado, uma completa interpenetração de inteligência e ser.

Vício - É o pendor para agir de forma inadequada. É o oposto da virtude.

Vida - É o conjunto dos fenômenos de toda a espécie (particularmente de nutrição e de reprodução), que, para os seres que têm um grau elevado de organização, se estende do nascimento  (ou produção do germe) até a morte.

Virtude - Eqüivale a capacidade, aptidão, e significa a habilidade, facilidade e disposição para levar a efeito determinadas ações adequadas ao homem.

Virtudes Cardeais - São assim denominadas (do latim cardo = gonzo), porque toda a vida moral gira em torno delas, como a porta em torno dos gonzos (dobradiças). São: prudência, fortaleza, temperança e justiça.

Vivência - É todo fato de consciência, na medida em que seu sujeito se apreende a si mesmo (de modo reflexo ou não reflexo) como encontrando-se numa determinada situação psíquica.

 

São Paulo, agosto de 1996

 

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