Curso Básico de Espiritismo: Primeiro Semestre

Resumo Histórico do Espiritismo

Allan Kardec

Consolador Prometido

Deus

Espírito

Perispírito

Princípios Energéticos

Há Muitas Moradas na Casa do Pai

Matéria

Pensamento

Inteligência e Instinto

Livre-Arbítrio e Fatalidade

Reencarnação

Bibliografia Consultada

INTRODUÇÃO

 

O objetivo deste encarte é apresentar os temas do 1.º semestre do Curso Básico de Espiritismo (1.º Ano do Curso de Educação Mediúnica) em forma de breves ensaios, no sentido de enriquecer o conteúdo das aulas ministradas.

 

RESUMO HISTÓRICO DO ESPIRITISMO

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Os Fatos Espíritas Sempre Existiram. 3. Descrição dos Horizontes: 3.1. Horizonte Tribal; 3.2. Horizonte Agrícola; 3.3. Horizonte Civilizado; 3.4. Horizonte Profético; 3.5. Horizonte Espiritual. 4. Os Dois Grandes Marcos do Espiritismo. 5. A Invasão Organizada. 6. Declaração de Alguns Sábios que se Renderam aos Fatos. 7. O Período 1848-1857. 8. O Espiritismo. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar que a idéia espírita sempre existiu. Embora Allan Kardec tenha criado os termos Espiritismo e Espírita, no sentido de estabelecer uma terminologia própria, ele nada inventou. Quem consultar os livros básicos da Doutrina Espírita verá que ele apenas organizou, com o auxílio dos Espíritos e dos médiuns, os princípios fundamentais que consubstanciam o relacionamento entre os encarnados e os desencarnados.

2. OS FATOS ESPÍRITAS SEMPRE EXISTIRAM

Desde que o homem veio à Terra o seu relacionamento com os Espíritos jamais cessou. No começo de sua evolução, as comunicações davam-se pelo sono, através dos sonhos.  O homem da caverna já assistia às materializações dos seus antepassados. J. H. Pires, no livro O Espírito e o Tempo, traça-nos um roteiro histórico da evolução do Espírito. Começa no horizonte tribal (mediunismo primitivo), passa pelo horizonte agrícola (animismo e culto dos ancestrais), pelo horizonte civilizado (mediunismo oracular), pelo horizonte profético (mediunismo bíblico) e termina no horizonte espiritual (mediunidade positiva).

3. DESCRIÇÃO DOS HORIZONTES

3.1. HORIZONTE TRIBAL

— O antropomorfismo (maneira rudimentar de interpretação da Natureza do homem), em seus estudos, mostra que, nessa fase, há um mediunismo primitivo; adoração rudimentar; evocação sem base; força misteriosa e inexplicável. Nessa fase, e ainda durante muito tempo, verifica-se a LITOLATRIA (adoração de pedras e rochas); FITOLATRIA (adoração dos vegetais, da folhas); ZOOLATRIA (adoração dos animais); POLITEÍSMO (adoração de vários deuses) etc.

3.2. HORIZONTE AGRÍCOLA

— Nessa fase, o homem tem a idéia de que o CÉU é o DEUS-PAI, e a TERRA é a DEUSA-MÃE, uma vez que, vindos de cima o calor e a chuva, o primeiro (CÉU) fecundava a segunda (TERRA), sendo esta, na posição de Mãe, a geradora ou produtora de tudo. Essa crença, de certo modo, ainda existe em alguns lugares da China e da Índia, hoje. Isso, porque, com raríssimas exceções, o homem ainda não despertou para o seu interior, mesmo em civilizações milenares.

3.3. HORIZONTE CIVILIZADO

— Aqui, tem-se, ainda, o conceito de “civilização” pelo poderio dos impérios: Egito, Assíria, Babilônia, China, Pérsia, e os reinos de Israel, da Índia etc. Há, nessa fase, como que um “endeusamento” dos chefes políticos (imperadores e reis). O monarca, senhor absoluto do povo, deve ser respeitado como um deus. Sua palavra é a verdade absoluta. É o culto e a crença no indivíduo que encarna o poder. Fase ainda muito materializada, de muito atraso, mas de pompas.

3.4. HORIZONTE PROFÉTICO

— A fase dos profetas ou do mediunismo bíblico, quando os homens descobrem o seu poder e se individualizam; aprendem a pensar, libertando-se dos instintos e passando a formular juízos éticos, jurídicos e religiosos,. Brilha a filosofia grega. Vem o misticismo hindu e o moralismo chinês. Nasce o conceito de um Ser Supremo, Deus Único

3.5. HORIZONTE ESPIRITUAL

— Pondo por terra idéias errôneas, o indivíduo descobre que Deus e o Homem se assemelham, pois a caminhada evolutiva do ser humano vai até a divindade. O homem, como Espírito, pode chegar à condição de anjo, pelo seu esforço no bem. A codificação do Espiritismo, por Allan Kardec, dá base para esse entendimento. 

4. OS DOIS GRANDES MARCOS DO ESPIRITISMO

1) O FENÔMENO DE HYDESVILLE — Estado de Nova Iorque, USA, 31.03.1848: família Fox, protestante, composta de pai, mãe e duas filhas (Kate, 11 anos, e Margareth, 14 anos). Por uma brincadeira (bater na parede), a filha menor comunicou-se com o Espírito de um mascate, Charles Hosma, fato comprovado por mais de 200 pessoas.

2) LANÇAMENTO DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS (18 DE ABRIL DE 1857).

5. A INVASÃO ORGANIZADA

Arthur Conan Doyle, em a História do Espiritismo diz "é impossível fixar uma data para as primeiras aparições de uma força inteligente exterior, de maior ou menor elevação, influindo nas relações humanas. Os espíritas tomaram oficialmente a data de 31 de março de 1848 como o começo das coisas psíquicas, porque o movimento foi iniciado naquela data. Entretanto não há época na história do mundo em que não se encontrem traços de interferências preternaturais e seu tardio reconhecimento pela humanidade. A única diferença entre esses dois episódios e o moderno movimento é que aqueles podem ser apresentados como casos esporádicos de extraviados de uma esfera qualquer, enquanto os últimos têm as características de uma invasão organizada... Uma data deve ser fixada para início da narrativa e, talvez, nenhuma melhor que a história do grande vidente sueco Emmanuel Swedenborg, a partir de 1744, que possui bons títulos para ser considerado o pai do nosso novo conhecimento dos fenômenos supranormais". (s.d.p., p. 33). O autor, neste livro, vai analisando em ordem crescente toda a fenomelogia mediúnica. Relata as experiências de Edward Irving (1830 a 1833), as de Andrew Jackson Davis (a partir de 1844), as das irmãs Fox (fenômeno de Hydesville, em 31.03.1848), e assim por diante.

Desta forma, os principais estudos metódicos do Espiritismo são: As investigações experimentais levadas a efeito com os instrumentos de precisão pelo professor Robert Hare, de Filadélfia, de 1851 a 1854; as experiências do conde de Gasparin em 1854; os trabalhos da Sociedade Dialética de Londres, em 1869; os estudos de William Crookes, acerca da força psíquica, dos movimentos sem contato e das materializações, de 1870 a 1874; as misteriosas investigações de R. Wallace; os estudos do astrônomo Zoellner, que o levaram a descobrir a quarta dimensão da matéria; as diversas experiências feitas com a médium Eusápia Paladino, por numerosos grupos de sábios de Nápoles, de Milão, Roma, Varsóvia e França etc. 

6. DECLARAÇÃO DE ALGUNS SÁBIOS QUE SE RENDERAM AOS FATOS

Gustave Geley, no seu livro Resumo da Doutrina Espírita, anota algumas observações de pensadores e homens ligados à pesquisa científica. Assim: 

"Pouco sábios tem havido no mundo tão incrédulos como eu nas doutrinas chamadas espíritas. Para se convencerem disso, basta consultar a minha obra Os Loucos e os Anormais, bem como os meus estudos Sobre o Hipnotismo, nos quais cheguei mesmo, a insultar os espíritas..." (Lombroso — Anais da Ciências Psíquicas)

"Mas agora estou confundido e lamento ter combatido com tanta insistência os fatos chamados espíritas. E digo os fatos, porque ainda continuo oposto à teoria..."(Lombroso — Carta a Siolfi)

"Depois de ter assistido em pessoa a diversas experiências feitas com a médium Eusápia Paladino, posso afirmar sem reticências a inteira veracidade dos fenômenos observados". (Professor De Amices, da Universidade de Nápoles)

"Não tive outro remédio senão demolir todo o edifício das minhas convicções filosóficas, às quais havia consagrado grande parte de minha vida". (Doutor Masucci)

"Até o dia em que, pela primeira vez, presenciei os fatos do Espiritismo, eu era um materialista refinado... Era um céptico, um materialista tão completo, que nem sequer podia conceber a existência espiritual... Mas os fatos acabaram por me convencer. Obrigaram-me a aceitá-los como fatos, muito antes de eu poder admitir a explicação espírita. Nessa altura, ainda não havia no meu pensamento lugar para semelhante ordem de idéias. Mas, pouco a pouco, a evidência dos fatos criou um lugar no meu pensamento..." (R. Wallace — O Moderno Espiritualismo)

7. O PERÍODO 1848-1857

Depois do fenômeno de Hydesville, em 1848, tivemos a febre das experiências das mesas girantes, que se alastrou pelo mundo todo. Foi justamente através desse fenômeno de efeitos físicos que o Espiritismo se ergueu. Allan Kardec, sendo adepto do magnetismo, tinha um amigo, que era magnetizador, o Sr. Fortier. Este freqüentava as sessões em que as mesas giravam. O Sr. Fortier lhe disse um dia: "Eis aqui uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz girar uma mesa, magnetizando-a, mas também se pode fazê-la falar. Interroga-se, e ela responde." — Isso, replicou o Sr. Rivail, é uma outra questão: eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir, e que pode tornar sonâmbula. Até lá, permita-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar sono. (Kardec, 1981, p.14). Passou, depois, a estudar o fenômeno até a publicação de O Livro dos Espíritos, em 1857.

8. O ESPIRITISMO

O Espiritismo é uma doutrina fundada sobre a crença de existência de Espíritos e nas suas manifestações. A doutrina pressupõe um conjunto de princípios. Os princípios são as molas propulsoras de qualquer Filosofia, Ciência ou Religião. Os princípios espíritas diferem sobremaneira de outros princípios, principalmente das doutrinas espiritualistas. Nesse sentido, o Espiritismo difere das religiões pela ausência total de misticismo, não invocando revelações nem o sobrenatural. O espiritismo só admite fatos experimentais, com as deduções que deles se desprendem. Também se distingue da Metafísica ao repelir todo o raciocínio a priori e toda a solução puramente imaginativa.

9. CONCLUSÃO

O Espiritismo é a síntese de todo o processo cognitivo. Fornecendo-nos uma dimensão mais acurada do mundo espiritual e do seu relacionamento com o mundo físico, renova-nos a visão do "eu", do "nós" e do "mundo" que nos rodeia. Baseando-se nos fatos experimentais, os Espíritas têm mais facilidade de estabelecer um vínculo racional entre o materialismo e o espiritualismo.

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

DOYLE, A. C. História do Espiritismo. São Paulo, Pensamento, s.d.p.

PIRES, J. H. O Espírito e o Tempo - Introdução Antropológica do Espiritismo. 3. Ed., São Paulo, Edicel, 1979.

GELEY, G. Resumo da Doutrina Espírita. 3. ed., São Paulo, Lake, 1975.

KARDEC, A. O Que é o Espiritismo. 23. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1981.

 

ALLAN KARDEC

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Dados Biográficos. 3. As Circunstâncias Históricas. 4. Causas do Aparecimento do Espiritismo em França. 5. Pestalozzi. 6. Kardec, Aluno de Pestalozzi. 7. Escritos sobre Educação. 8. Começo da Codificação Espírita. 9. As Suas Duas Encarnações Passadas. 10. Obras Básicas. 11. Universalidade dos Princípios. 12. Conclusão. 13. Bibliografia Consultada. 14. Livros que Tratam da Vida e Obra de Allan Kardec.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é refletir sobre a vida e obra de Allan Kardec e as razões pelas quais ele organizou o conteúdo doutrinário do Espiritismo. Tencionamos, assim, formar uma linha psicológica do Codificador, no sentido de melhor entender a sua  nobre missão.

2. DADOS BIOGRÁFICOS

Hippolyte-Léon Denizard Rivail —  Allan Kardec — nasceu no dia 03 de outubro de 1804, às 19 horas, na Cidade de Lyon, na França. Seu pai, Jean-Baptiste-Antoine Rivail, era magistrado, juiz de direito; sua mãe, Jeanne Duhamel, era professora; sua esposa, Amélie Grabielle Boudet, também, era professora. Como homem podemos dizer que foi professor, escritor, filósofo e cientista. Faleceu no dia 31 de março de 1869, com 64 anos de idade. 

3. AS CIRCUNSTÂNCIAS HISTÓRICAS

Depois da Idade Média, em que se atrofiou o espírito crítico, vimos, em todo o globo,  o aparecimento de novas idéias, quer seja na ciência, na filosofia, na religião etc. As ciências tornaram-se teóricas-experimentais, ou seja, toda a hipótese levantada deveria ser comprovada pelos fatos. A Filosofia foi sensivelmente influenciada pelo racionalismo de Descartes, pelo positivismo de Comte e pelo realismo crítico de Kant. Em outros campos de conhecimento, lembramo-nos de Franz Anton Mesmer (1734-1815) e da sua descoberta da teoria do magnetismo animal (1779). Afirmava existir um fluido que interpenetrava tudo, dando, às pessoas, propriedades análogas àquelas do ímã. Em 1787, o marquês de Puysegur descobre o sonambulismo. Em 1841, Braid descobre o hipnotismo. Charcot o estuda metodicamente; Liebault o aplica à clínica; Freud o utiliza ao criar a Psicanálise. No campo político, o advento do Parlamentarismo na Inglaterra, em 1688, a Independência dos Estados Unidos, em 1776 e a Revolução Francesa, em 1789 consolidaram os preceitos de liberdade que o mundo necessitava. Contudo, de acordo com o Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz, alguns Espíritos incumbidos de implantar a liberdade em nosso planeta não conseguiram levar avante as suas missões. Marat e Robespierre pelos excessos de violência durante o período revolucionário e Napoleão Bonaparte pela escravidão de outros povos, por exemplo, criaram uma espécie de provação coletiva para o povo francês.  

4. CAUSAS DO APARECIMENTO DO ESPIRITISMO EM FRANÇA

Podemos apontar pelo menos três causas para o surgimento do Espiritismo na França:

1.ª) sendo o Espiritismo o Consolador Prometido, os seus princípios codificados, já serviriam para mitigar as provações coletivas da França;

2.ª) a França havia se tornado o centro cultural do mundo ocidental, e tudo o que ali fosse feito, teria uma repercussão mundial;

3.ª) Allan Kardec, na época de Júlio César, vivera nas Gálias, região que representa a França atual.

5. PESTALOZZI

João Henrique Pestalozzi (1746-1827) é talvez a personagem mais importante da história da pedagogia. Desenvolveu suas idéias em conexão com experiências pedagógicas práticas, nas Suíça, seu país de origem. Dedicou-se especialmente à educação de crianças órfãs e abandonadas. Desejava que se chegasse a um desenvolvimento harmônico da mente, do coração e da mão. A leitura de Emílio, de Rousseau, romance sobre educação, levou-o a divulgar e aplicar as idéias pedagógicas expostas nesta obra, considerando que a solução para os problemas sociais deveria ser procurada na reforma do ensino. Empregou o método indutivo. Dizia que as atividades dos alunos deveriam partir do simples para o complexo, do conhecido para o desconhecido, do particular para o geral, do concreto para o abstrato.

6. KARDEC, ALUNO DE PESTALOZZI

De acordo com Henri Sausse, em seu discurso sobre a Biografia de Allan Kardec,  Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado. Aplicou-se, de todo o coração, à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. Muitíssimas vezes, quando Pestalozzi era chamado pelos governos, um pouco de todos os lados, para fundar institutos semelhantes ao de Yverdun, confiava a Denizard Rivail o encargo de o substituir na direção da sua escola. O discípulo tornado mestre tinha, além de tudo, com os mais legítimos direitos, a capacidade requerida para dar boa conta da tarefa que lhe era confiada. Era bacharel em letras e em ciências e doutor em medicina, tendo feito todos os estudos médicos e defendido brilhantemente sua tese. Lingüista insigne, conhecia a fundo e falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol; conhecia também o holandês, e podia facilmente exprimir-se nesta língua.

7. ESCRITOS SOBRE EDUCAÇÃO

Allan Kardec, membro de várias sociedades sábias, notadamente da Academia Real d’Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, pela apresentação da sua notável memória: Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época?

Dentre as suas numerosas obras convém citar, por ordem cronológica:

Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública, em 1828;

Curso prático e teórico de aritmética, em 1829;

Gramática francesa clássica, em 1831

Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade, em 1846;

Catecismo gramatical da língua francesa, em 1848;

Ditados normais dos exames na Municipalidade e na Sorbona; Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas, em 1849.

8. COMEÇO DA CODIFICAÇÃO ESPÍRITA

Foi em 1854 que o Sr. Rivail ouviu pela primeira vez falar nas mesas girantes, a princípio do Sr. Fortier, magnetizador, com o qual mantinha relações, em razão dos seus estudos sobre o Magnetismo. O Sr. Fortier lhe disse um dia: “Eis aqui uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz girar uma mesa, magnetizando-a, mas também se pode fazê-la falar. Interroga-se, e ela responde.”

- Isso, replicou o Sr. Rivail, é uma outra questão; eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir, e que se pode tornar sonâmbula. Até lá, permita-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono.

Tal era a princípio o estado de espírito do Sr. Rivail, tal o encontraremos muitas vezes, não negando coisa alguma por parti pris, mas pedindo provas e querendo ver e observar para crer; tais nos devemos mostrar sempre no estudo tão atraente das manifestações do Além.

9. AS SUAS DUAS ENCARNAÇÕES PASSADAS

1.ª) COMO SACERDOTE DRUIDA

Segundo os historiadores, o pseudônimo Allan Kardec decorre do fato de que, no início do seu trabalho de pesquisa sobre o Espiritismo, estando Denizard Rivail consciente de que tudo acontecia em relação aos indivíduos, quando ainda parecia mistério, baseava-se na Reencarnação (princípio das vidas sucessivas e interdependentes), um Espírito lhe revelou que, desde remotas existências, já o conhecia, pois o mesmo fora, em vida física passada no solo francês, um DRUÍDA com o nome de ALLAN KARDEC.

Como observação, esclarecem os historiadores que o Druidismo é a religião dos druidas, sacerdotes pagãos dos povos celtas que habitavam a Gália e a Bretanha no período anterior ao Cristianismo, mais especificamente entre o século II a.C. e o século II, d.C. O Druida, por sua vez, era o nome pelo qual era identificado, entre os Celtas, importante grupo social que desempenhava variadas funções, sendo os responsáveis por manutenção e guarda dos valores da civilização céltica. Acrescentam ainda que os sacerdotes druidas se posicionavam contrários “à construção de templos e à representação dos Deuses ou Espíritos”.

2.ª) COMO JOÃO HUSS

João Huss nasceu em Hussinet, perto de Fichtelgebirge, na Boêmia, cerca da fronteira bávara e do limite lingüístico entre o alemão e o checo, em 1373, e morreu queimado na fogueira em 1415. Huss foi influenciado pelas idéias de Wiclef (1333-1384), teólogo e reformador inglês. Wiclef desenvolveu alguns tratados sobre o dominiun, ou seja, a idéia de que o poder vem de Deus e apenas é legítimo naqueles que se encontram em estado de graça. As suas teses contrariavam os interesses da Igreja católica: expressava-se contra o poderio papal, os votos religiosos, os benefícios e riquezas do clero, as indulgências e a concepção tradicional acerca do sacerdócio.

Huss, como professor da Universidade de Praga, distinguiu-se nas discussões mais abstratas e no conhecimento de Aristóteles, da Bíblia e dos Santos Padres. Como tradutor das obras de Wiclef, propagou várias teses antidogmáticas. Baseando-se nos escritos de Wiclef, negou a necessidade de confissão auricular, atacou como idolátrico o culto de imagens, da Virgem Maria e dos Santos e a infalibilidade papal. Com isso, teve a ira do clero contra a sua pessoa, que após várias admoestações acabou sendo queimado no dia 06/07/1415. Ao seu lado morreu Jerônimo de Praga. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

10. OBRAS BÁSICAS

As Obras Básicas, também, cognominadas de Pentauteco Espírita, compõem-se dos seguintes livros :

O Livro dos Espíritos (1857);

O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861);

O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864);

O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865);

A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).

Porém, além destes livros, Kardec escreveu também:

O que é o Espiritismo (1859);

O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples (1862);

Viagem Espírita (1862);

Obras Póstumas (1.ª edição — 1890);

Revista Espírita, periódico mensal (1.ª edição — 1.º de janeiro de 1858)

11. UNIVERSALIDADE DOS PRINCÍPIOS

A característica fundamental do Espiritismo é a UNIVERSALIDADE  dos seus princípios.

Para que o conteúdo doutrinário não ficasse restrito à autoridade de um único Espírito ou de um único médium, Kardec submetia toda a manifestação mediúnica ao crivo da razão. Apoiando-se no método teórico-experimental da ciências naturais, cruzava as diversas respostas dadas por diversos Espíritos a diversos médiuns espalhados pelo mundo inteiro. Assim sendo, dizia que "a única garantia séria do ensinamento dos Espíritos está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente, por intermédio de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares". (Kardec, 1984, p. 11 a 18)

12. CONCLUSÃO

O Espiritismo está penetrando no rádio, na televisão e nos demais meios de comunicação social. Sendo assim, é imperioso conhecermos alguns fatos da vida do seu Codificador. Sem esse esforço de nos inteiramos da sua obra, da sua abnegação, do seu estado de espírito, jamais alcançaremos a plena compreensão da Doutrina dos Espíritos. 

13. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

KARDEC, A. O Que é o Espiritismo. 23. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1981.

XAVIER, F. C. A Caminho da Luz - História da Civilização à Luz do Espiritismo, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, 1972.

14. LIVROS QUE TRATAM DA VIDA E OBRA DE ALLAN KARDEC

AMORIM, D. Allan Kardec. 2. ed., Minas Gerais, Instituto Maria, 1976.

IMBASSAHY, C. A Missão de Allan Kardec. 2. ed., Curitiba, FEP, 1988.

MOREIL, A. Vida e Obra de Allan Kardec. 4. ed., São Paulo, Edicel, 1977.

SAUSSE, H. Biografia de Allan Kardec. São Paulo, Lake, 1972.

WANTUIL, Z. (Org.) Grandes Espíritas do Brasil. Rio de Janeiro, FEB, 1968.

WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan Kardec: Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica. Rio de Janeiro, FEB.

 

CONSOLADOR PROMETIDO

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. As Três Revelações. 3. O Texto Evangélico. 4. O Espírito de Verdade. 5. O Cristianismo: 5.1. Visão Geral; 5.2. Ambiente Político-Religioso; 5.3. Alteração do Cristianismo: os Dogmas. 6. Espiritismo. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar que a doutrina codificada por Allan Kardec ajusta-se perfeitamente ao texto do evangelista João sobre o Consolador Prometido. Para que possamos entender o alcance daquelas palavras, convém refletirmos sobre os ensinamentos trazidos por Jesus e o que os homens fizeram deles ao longo do tempo. 

2. AS TRÊS REVELAÇÕES

Até o advento do Espiritismo, tínhamos duas revelações:

1.ª) Moisés e o Decálogo;

2.ª) Jesus Cristo e a Lei do Amor.

Estas duas primeiras revelações foram pessoais e locais. Há, por exemplo, duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés; uma invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, que se modifica com o tempo.  Jesus não veio destruir a lei de Deus; ele veio cumpri-la, que dizer, desenvolvê-la, dar-lhe o seu verdadeiro sentido, e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens. Em realidade, os seus ensinamentos constituem o 11.º mandamento, expresso nos seguintes dizeres: "Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo".

A 3.ª revelação, que é o Espiritismo, não foi nem local e nem pessoal. Foram os Espíritos que a ditaram. Allan Kardec foi apenas o Codificador, o organizador.

3. O TEXTO EVANGÉLICO

"Se vós me amais, guardai meus mandamentos; e eu pedirei a meu Pai, e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o reconhece. Mas quanto a vós, vós o conhecereis porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Santo-Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenha dito". (São João, cap. XIV, v. 15 a 17 e 26)

Se, pois, o Espírito de verdade deve vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não disse tudo; se ele vem fazer recordar aquilo que o Cristo disse, é porque isso foi esquecido ou mal compreendido. 

4. O ESPÍRITO DE VERDADE

O Espírito de Verdade diz: "Espírita! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana".

Mas o que se deve entender como Espírito de verdade?

De acordo com J. H. Pires, em Revisão do Cristianismo, "O Espírito da verdade não é uma entidade definida, uma criatura humana ou espiritual, mas simplesmente a essência do ensino de Jesus, que se restabeleceria através dos homens que mais rapidamente se aproximassem da sua verdadeira compreensão". (1983, p. 9) A breve síntese do texto, que se expressa em "ensinar e relembrar", mostra que a visão do Mestre abrangia todo o panorama das transformações históricas de um longo futuro.

5. O CRISTIANISMO

5.1. VISÃO GERAL

O Cristianismo surge na confluência do misticismo oriental, do messianismo judeu, do pensamento grego e do Universalismo romano. O núcleo da doutrina cristã é a fé num Deus revelado como Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, crença comum a todas as igrejas. É uma religião monoteísta que coloca em primeiro plano a comunhão com Deus, o Pai, por intermédio de seu filho Jesus Cristo, o Salvador da Humanidade.

O Cristianismo, religião dos cristãos, está centrado na vida e obra de Jesus Cristo. À semelhança de Sócrates, Cristo não nos deixou nada escrito. Seus ensinamentos são anotados pelos apóstolos e passam, mais tarde, a constituir os Evangelhos. A palavra Evangelho, no singular, representa a unidade do pensamento de Jesus, ou seja, o alegre anúncio; no plural, a diversidade de interpretação dos evangelistas. Por isso, dizemos o Evangelho segundo Mateus, o Evangelho segundo Lucas, o Evangelho segundo Marcos e o Evangelho segundo João.

5.2. AMBIENTE POLÍTICO-RELIGIOSO

O povo judeu, ao qual Jesus e os apóstolos pertenciam, fazia parte do grande império romano que estendia as asas das suas águias do Atlântico ao Índico. O jugo romano, porém, pesava de modo especial sobre a Palestina ao contrário dos outros povos.

O ambiente histórico-religioso em que o Evangelho nasceu é o do judaísmo formado e alimentado pelos livros sacros do Antigo Testamento, condicionado pelos acontecimentos históricos, pelas instituições nas quais se encontrou inserido e pelas correntes religiosas que o especificaram.

Embora o cristianismo seja uma religião revelada, diferente da judaica, apareceu historicamente como continuação e aperfeiçoamento da revelação dada por Deus ao povo de Israel. Jesus era um judeu, que nasceu e viveu na Palestina. Os apóstolos eram todos da sua gente e da sua religião.

Por isso, nos Evangelhos encontramos descrições, alusões e referências a pessoas, instituições, idéias e práticas religiosas do ambiente judaico, frente às quais Jesus e os apóstolos tomaram posição, aceitando-as ou rejeitando-as. (Battaglia, 1984, p. 118)

5.3 ALTERAÇÃO DO CRISTIANISMO: OS DOGMAS

A divulgação do Evangelho, desde as suas primeiras manifestações, não foi tarefa fácil. A começar pela construção desses conhecimentos — realizada sob um clima de opressão —, pois o jugo romano, como vimos anteriormente, pesava de maneira especial sobre a Palestina. As mortes dos primeiros cristãos, nos circos romanos, ainda ecoa de maneira indelével em nossos ouvidos. Além disso, tivemos que assistir à ingerência política em muitas questões de conteúdo estritamente religioso. Fomos desfigurando o Cristianismo do Cristo para aceitarmos o Cristianismo dos vigários, como disse o Padre Alta. A fé, o principal alimento da alma, torna-se dogmática nas mãos de políticos e religiosos inescrupulosos. Para ganhar os céus, tínhamos que confessar as nossas culpas, pagar as indulgências e obedecermos aos inúmeros dogmas criados pela Igreja: o dogma do pecado original, o dogma da infalibilidade papal, o dogma da Santíssima Trindade etc. Este desvirtuamento da pureza religiosa que o Cristo nos trouxe, retirou da religião quase tudo o que ela tinha de divino, sobrando apenas as injunções humanas, limitadas e repletas de interesses pessoais. 

6. ESPIRITISMO

"O Espiritismo vem, no tempo marcado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito de Verdade preside a sua instituição, chama os homens à observância da lei e ensina todas as coisas em fazendo compreender o que o Cristo não disse senão por parábolas. O Cristo disse: "Que ouçam os que têm ouvidos de ouvir"; o Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque fala sem figuras e sem alegorias; ele ergue o véu deixado propositadamente sobre certos mistérios, vem, enfim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos aqueles que sofrem, dando uma causa justa e um fim útil a todas as dores".(Kardec, 1984, p. 97)

Debruçando-nos sobre o princípio da reencarnação, encontramos explicações para todos os nossos sofrimentos: se nos falta uma perna, podemos supor que numa encarnação passada a usamos de modo indevido; se sofremos a prova da pobreza, podemos imaginar que já fomos ricos em outras oportunidades e não soubemos usar o dinheiro a favor do próximo. 

7. CONCLUSÃO

O Espiritismo tem resposta para todas as nossas dúvidas e consolo para todos os nossos dissabores. É preciso, pois, penetrar nele com um sentimento de humildade e de agradecimento a Deus.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BATTAGLIA,  0. Introdução aos Evangelhos — Um Estudo Histórico-crítico. Rio de Janeiro, Vozes, 1984.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

PIRES, J. H. Revisão do Cristianismo. 2. ed., São Paulo, Paidéia, 1983.

 

DEUS

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito: 2.1. A Origem da Idéia de Deus; 2.2. Etimologia; 2.3. Significado de Deus. 3. Deus e a Divindade: Monoteísmo e Politeísmo. 4. A Revelação de Deus. 5. Provas da Existência de Deus. 6. Deus da Fé e Deus da Razão. 7. Atributos da Divindade. 8. Imagem de Deus. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é buscar uma compreensão mais abrangente da idéia de Deus. Embora seja difícil não só definir Deus como também provar a sua existência, temos condições de senti-Lo e de intui-Lo em nossa mente e em nossos corações. É o que faremos neste ensaio sintético.

2. CONCEITO DE DEUS

2.1.  A ORIGEM DA IDÉIA DE DEUS

A origem da idéia de Deus pode ser concebida:

1) através da antiga doutrina cristã, que afirma que Deus se revelou aos antepassados do povo de Israel por meio das comunicações pessoais que lhes deram uma noção verdadeira, porém incompleta do Deus único, infinito e eterno; depois, no decurso de sua história, foi o povo alcançando gradualmente uma idéia mais adequada e estável acerca da natureza e dos atributos de Deus;

2) como resultado de um desenvolvimento puramente natural. Enquanto o homem se manteve no nível meramente animal não houve nele a idéia de Deus, se bem que existisse uma tendência para a religião. As suas necessidades e aspirações não encontravam satisfação no Mundo ambiente; conheceu as dificuldades e a dor. Em tais circunstâncias, surgiram no seu espírito "por necessidade psicológica" a idéia de encontrar auxílio que de algures lhe viesse, bem como a de algum poder ou poderes capazes de lho ministrar. Uma vez introduzida a idéia de Deus, observa-se a tendência para a multiplicação dos deuses ( e daí o politeísmo). Com o alargamento  da família para a nação, a esfera de deus também ia se ampliando, e as vitórias sobre outras nações, assim como um mais largo entendimento no que concerne ao Mundo, teriam produzido enfim a idéia de um deus único além do qual todos os outros deuses seriam somente pretensos deuses, sem existência real. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

2. 2. ETIMOLOGIA

Deus é um dos conceitos  mais antigos e fecundos do patrimônio cultural da humanidade. Deriva do indo-europeu deiwos (resplandecente, luminoso), que designava originariamente os celestes (Sol, Lua, estrelas etc.) por oposição aos humanos, terrestre por natureza. Psicologicamente corresponde ao objeto supremo da experiência religiosa, no qual se concentram todos os caracteres do numinoso ou sagrado. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado).

2.3. SIGNIFICADO DE DEUS

Tomou esta palavra a significação de princípio de explicação de todas as coisas, da entidade superior, imanente ou transcendente ao mundo (cosmos), ou princípio ou fim, ou princípio e fim, ser simplicíssimo, potentíssimo, único ou não, pessoal ou impessoal, consciente ou inconsciente, fonte e origem de tudo, venerado, adorado, respeitado, amado nas religiões e nas diversas ciências. Deste modo, em toda a parte onde está o homem, em seu pensamento e em suas especulações, a idéia de Deus aflora e exige explicações. É objeto de fé ou de razão, de temor ou de amor, mas para ele se dirigem as atenções humanas, não só para afirmar a sua existência, como para negá-la. (Santos, 1965)

Para o Espiritismo, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

3. DEUS E A DIVINDADE: MONOTEÍSMO E POLITEÍSMO

Os termos monoteísmo e politeísmo surgem no processo de identificação ou de distinção entre Deus e a divindade.

No politeísmo há uma hierarquia de deuses, de modo que não há uma identidade entre Deus e Divindade. A não observância dessa distinção acaba por confundir muitas mentes. Platão, Aristóteles e Bergson, por exemplo, são qualificados como monoteístas, quando na realidade não o são. No Timeu de Platão, o Demiurgo delega a outros deuses, criados por ele próprio, parte de suas funções criadoras; o Motor de Aristóteles, pressupõe a existência de outros motores menores. Em outros termos, a substância divina é participada por muitas divindades. Convém, assim, não confundir a unidade de Deus com um reconhecimento da unicidade de Deus. A unidade pressupõe a multiplicidade. Quer dizer, Deus sendo uno, ele pode multiplicar-se em vários deuses, formando uma hierarquia. Mas justamente por isso não é único: a unidade não elimina a multiplicidade, mas a recolhe em si mesma. Obviamente a multiplicidade de deuses em se multiplica e se expande a divindade, não exclui a hierarquia e a função preemintente de um deles (o Demiurgo de Platão, o Primeiro Motor de Aristóteles, o Bem de Plotino); mas o reconhecimento de uma hierarquia e de um chefe da hierarquia não significa absolutamente a coincidência de Divindade e Deus e não é, portanto, monoteísmo.

O monoteísmo é caracterizado não pela presença de uma hierarquia, mas pelo reconhecimento de que a divindade é possuída só por Deus e que Deus e divindade coincidem. Nas discussões Trinitárias da Idade Patrística e da Escolástica, a identidade de Deus e da divindade foi o critério dirimente para reconhecer e combater aquelas interpretações que se inclinavam para o Triteísmo. Certamente, a Trindade é apresentada constantemente como um mistério que a razão mal pode roçar. Mas o que importa relevar é que a unidade divina só é considerada abalada quando, com a distinção entre Deus e a divindade, se admite, implícita ou explicitamente, a participação da mesma divindade por dois ou mais seres individualmente distintos. (Abbagnano, 1970)

Para o Espiritismo, Deus é o Criador do Universo. Portanto, admite a tese monoteísta. Contudo, os Espíritos por Ele criado, conforme o grau de evolução alcançado, podem ser classificados como Espíritos Co-Criadores em plano maior e Espíritos Co-Criadores em plano menor. De acordo com o Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, os Espíritos Co-Criadores em plano maior "tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes e obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas, quais moradias que perduram por milênios e milênios, mas que se desgastam e se transformam, por fim, de vez que o Espírito Criado pode formar ou co-criar, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade"..."Em análogo alicerce, as Inteligências humanas que ombreiam conosco utilizam o mesmo fluido cósmico, em permanente circulação no Universo, para a Co-Criação em plano menor, assimilando os corpúsculos da matéria com a energia espiritual que lhes é própria, formando assim o veículo fisiopsicossomático em que se exprimem ou cunhando as civilizações que abrangem no mundo a Humanidade Encarnada e a Humanidade Desencarnada". (Xavier, 1977, p.20 a 23).  

4. A REVELAÇÃO DE DEUS

A revelação de Deus aos homens pode ocorrer de três modos:

1) a que atribui à iniciativa do homem e ao uso das capacidades naturais de que dispõe, o conhecimento que o homem tem de Deus;

2) a que atribui à iniciativa de Deus e à sua revelação o conhecimento que o homem tem de Deus;

3) a que atribui à mescla das duas anteriores: a revelação não faz senão por concluir e levar à plenitude o esforço natural do homem de conhecer a Deus.

Desses três pontos de vista, o primeiro é o mais estritamente filosófico, os outros dois são predominantemente religiosos. O segundo ponto de vista pode ser visto em Pascal, quando afirma que "É o coração que sente a Deus, não a razão". O terceiro ponto de vista foi encarnado pela Patrística, que considerou a revelação cristã como complemento da filosofia grega. (Abbagnano, 1970)

De acordo com o Espiritismo, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo sua elaboração fruto do trabalho do homem. E como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental: formula hipóteses, testa-as e tira conclusões. (Kardec, 1975, p. 19 e 20)

5. PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

A prova da existência pode ser encontrada no axioma que aplicamos à ciência: não há efeito sem causa. Se o efeito é inteligente, a causa também o é. Diante deste fato, surge a questão: sendo o homem finito, pode ele perscrutar o infinito? Santo Tomas de Aquino dá-nos uma explicação, que é aceita com muita propriedade. A desproporcionalidade entre causa e efeito não tira o mérito da causa. Se só percebemos parte de uma causa, nem por isso ela deixa de ser verdadeira. Allan Kardec, nas perguntas 4 a 9 de O Livro dos Espíritos,

diz-nos que para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da Criação. O Universo existe; ele tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo o efeito tem uma causa, e avançar que o nada pode fazer alguma coisa. A harmonia que regula as forças do Universo revela combinações e fins determinados, e por isso mesmo um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria uma falta de senso, porque o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um acaso inteligente já não seria acaso.  

6. DEUS DA FÉ E DEUS DA RAZÃO

Descartes, no âmago da sua lucubração racionalista, descobre Deus através da razão. Pascal, por outro lado, fala-nos que só podemos conhecer Deus através da Fé. A dicotomia entre fé e razão sempre existiu ao longo do processo histórico. Aceitar Deus pela razão é um atitude eminentemente filosófica; enquanto aceitar Deus pela fé é uma atitude preponderantemente religiosa.

De acordo com o Espiritismo, a fé é inata no ser humano, ou seja, ela é um sentimento natural, que precisa, contudo, ser raciocinado. Não adianta apenas crer; é preciso saber porque se crê. É nesse sentido que Allan Kardec elaborou a codificação. Observe que junto ao título de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Codificador colocou uma frase lapidar: "Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade". Quer dizer, nunca aceitar nada sem o crivo da razão.

7. ATRIBUTOS DA DIVINDADE

Allan Kardec, nas perguntas 10 a 13 de O Livro dos Espíritos, explica-nos que se ainda não compreendemos a natureza íntima de Deus, é porque nos falta um sentido. Esclarece-nos, contudo, que Deus deve ter todas as perfeições em grau supremo, pois se tivesse uma de menos, ou que não fosse de grau infinito, não seria superior a tudo, e por conseguinte não seria Deus. Assim:

DEUS É ETERNO. Se Ele tivesse tido um começo, teria saído do nada, ou, então, teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.

É IMUTÁVEL. Se Ele estivesse sujeito a mudanças as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.

É IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma Ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria.

É ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização da matéria.

É TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não tivesse o poder-soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que ele não tivesse feito seriam obra de um outro Deus.

É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nos menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar da sua justiça nem da sua bondade.

8. IMAGEM DE DEUS

Imaginar Deus como um velhinho de barbas brancas, sentado em um trono, é tomá-Lo  como um Deus antropomórfico. Damo-Lhe a extensão de nossa visão. Quer dizer, quanto mais primitivos formos, mais associamo- Lo às coisas palpáveis, como trovão, tempestade, bosque etc. À medida que progredimos no campo da espiritualidade, damo-Lhe a conotação de energia, de criação, de infinito, de coisa indefinível etc. O homem cria Deus à sua imagem e semelhança. Não se trata de criar Deus, mas sim uma imagem de Deus à nossa imagem e semelhança. Observe que a imagem oriental é uma imagem de aniquilação. No Espiritismo, devemos lembrar sempre que Deus não tem forma, pois difere de tudo o que é material. Devemos, sim, intuí-Lo, simplesmente, como a causa primária de todas as coisas. 

9. CONCLUSÃO

Lembremo-nos de que encontramos Deus em nossa experiência mais íntima. Quer sejamos crentes ou ateus — estamos sempre procurando transcender-nos rumo a metas cada vez mais novas e nunca completamente realizáveis. Nesse sentido, a experiência superficial é alienante. Somente num constante esforço de aprofundamento de tudo o que nos rodeia é que podemos alcançar a riqueza da vida. Desse modo, convém sempre nos dirigirmos a Deus alicerçados na humildade e simplicidade de coração, com o bom ânimo de atender primeiramente à Sua vontade e não à nossa.

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo, Mestre Jou, 1970.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

Polis - Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado.

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.

XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

 

 

ESPÍRITO

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Origem e Natureza dos Espíritos. 4. Espírito e Matéria. 5. Alma e Espírito.  6. Independência do Espírito. 7. O Alcance do Espírito. 8. Manifestações dos Espíritos. 9. Escala Evolutiva. 10. Conclusão. 11. Bibliografia consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar que o Espírito é um ser real, circunscrito que, em certos casos, torna-se apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato. Para uma melhor compreensão deste tema, busquemos o conceito de Espírito, a sua origem e natureza e as suas relações com o meio ambiente.

2. CONCEITO

Espírito  - do lat. spiritus - significa "sopro",  "respiro".  Há muitos  sentidos  relacionados a esse termo: figurado, em  que  o espírito  opõe-se  à  letra; impessoal, em que  o  espírito  é  a realidade  pensante;  particular,  em  que  o  espírito  torna-se sinônimo de inteligência. No sentido especial da Doutrina Espírita , os Espíritos são os seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do mundo material, e constituem o mundo invisível. Não são seres oriundos de uma criação especial, porém, as almas dos que viveram na Terra, ou nas outras esferas, e que deixaram o invólucro corporal. Assim, o  Espírito é a substância subtilíssima por essência e que constitui no homem uma das substâncias do seu composto ternário: Corpo,  Perispírito e Espírito. Em suma, é o princípio inteligente do Universo.

3. ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

O que são os Espíritos? Qual é a sua origem? Eles são criados por Deus? Se são, como Deus os cria?      

De acordo com as instruções dos Espíritos, os Espíritos foram criados por Deus. A sua origem ainda nos é desconhecida. Sabemos apenas que foram criados simples e ignorantes, porém sujeitos ao progresso. A sua essência difere de tudo o que conhecemos por matéria. Nesse sentido dizemos que são imateriais. Mas o termo ainda é incompleto. Allan Kardec na pergunta 82 de O Livro dos Espíritos explica o fato da seguinte maneira: "Imaterial não é o termo apropriado; incorpóreo, seria mais exato; pois deve ser alguma coisa. É uma matéria quintenssenciada, para a qual não dispondes de analogia, e tão eterizada, que não pode ser percebida pelos vossos sentidos... Um povo de cegos não teria palavras para exprimir a luz e os seus efeitos. O cego de nascença julga ter todas as percepções pelo ouvido, o olfato, o paladar e o tato; não compreende as idéias que lhe seriam dadas pelo sentido que lhe falta. Da mesma maneira, no tocante à essência dos seres super-humanos, somos como verdadeiros cegos. Não podemos defini-los, a não ser por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço de imaginação". (1995, p. 80)

Observação: os Espíritos tiveram um começo, mas não terão fim. Por isso, devemos dizer que eles são imortais e não eternos. O termo eterno deve ser aplicado a Deus, pois ele é o único que não tem começo e nem fim. 

4. ESPÍRITO E MATÉRIA

Sabemos que  Deus é a causa primária de todas as coisas. Dele vertem-se  dois princípios:  o  princípio  espiritual e  o  princípio  material. Individualizados,   denominam-se   respectivamente   Espírito   e Matéria.  Assim, o ser pensante, o logos grego é o Espírito. A Matéria é apenas um veículo, o corpo que o Espírito  utiliza para a sua evolução. A  cada  nova  encarnação,   novas experiências e novas oportunidades de aprendizado. Mas, ao elemento material é necessário ajuntar o fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, demasiado grosseira para que o Espírito possa exercer qualquer ação sobre ela. 

5. ALMA E ESPÍRITO

A  alma é o Espírito encarnado. Embora muitas pessoas usem  esses dois   termos  como  sinônimos,  há  substancial   diferença   de concepção. O Espírito é o ser inteligente da criação que povoa  o Universo e engloba todas as encarnações. A alma é o ser  parcial, limitado e circunscrito a uma encarnação específica. No primeiro, a  amplitude;  no  segundo,  a  redutibilidade.  É,  pois,  nesse processo dialético que o Espírito evolui até atingir a perfeição.

6. INDEPENDÊNCIA DO ESPÍRITO

Muitas pessoas riem com a incoerência dos que ora afirmam a correlação entre o cérebro e o espírito, ou proclamam a independência do ser espiritual, isto é, a manifestação do espírito fora do cérebro, sem o acondicionamento sem a necessidade absoluta das células cerebrais. É que ainda não compreenderam a diferença entre paralelismo absoluto e paralelismo relativo. O Espírito está ligado ao corpo, mas não está confinado a este. O Espírito pode ser comparado a um prisioneiro: este burla o guarda, sai da prisão, vai aonde quer, e depois volta novamente à cela. Quer dizer, o Espírito manifesta-se, pode tornar-se visível em outros lugares (bicorporeidade), enquanto o cérebro fica jungido ao corpo físico. (Imbassahy, 1946, p. 59 a 61)

7. O ALCANCE DO ESPÍRITO

J. B. Rhine, psicólogo da Universidade de Duke, quer provar cientificamente a existência dos fatores não físicos do espírito. Para tanto, classifica a telepatia, a clarividência e a pré e pos-cognição como função "psi-gama", e a telecinesia, a teleplastia e a psicocinesia como função "psi-kapa". O sistema escolhido pelo professor J. B. Rhine, para a avaliação quantitativa da “função PSI” é baseado na estatística combinada com o cálculo das probabilidades. Na pesquisa da “função Psi-Gama”, Rhine elegeu como principal instrumento as cartas Zener. Para verificação da “função Psi-Kapa”, escolheu os dados de jogar.

A precognição, a profecia ou o conhecimengo do futuro pode ser entendido através de uma exemplo: a luz mostra o que vemos. Este é o efeito da causa. Como inverter. Como ver o efeito antes da causa. Como sentir que a luz está lá antes de se manifestar? Aceitar que o Espírito pode prever o futuro, é aceitar que ele tem uma dimensão muito mais vasta do que podemos imaginar. (Rhine, 1965)

8. MANIFESTAÇÕES DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos se manifestam: 1) por Efeitos Físicos  (movimentos, ruídos, sons, transportes de objetos etc.); 2) por Efeitos Inteligentes (permuta de pensamentos, sinais ou palavras).

As manifestações podem ser classificadas: 1) Ocultas (sugerindo idéias); 2) Patentes (registrando efeitos para os sentidos); 3) Espontâneas (de improviso); 4) Provocadas (por influência dos médiuns, que são pessoas com faculdades especiais e devidamente preparadas).

9. ESCALA EVOLUTIVA

O Espírito se classifica em razão do desenvolvimento, da qualidades ou imperfeições que possuem. São de Três Ordens: 3.ª Ordem (Imperfeitos) — c/orgulho, egoísmo, ódio; (impuros) — leviano, pseudo-sábios, neutros; (e perturbadores); 2.ª Ordem (bons) — benévolos, sábios, prudentes, superiores; 1.ª Ordem (puros) — sem nenhuma influência da matéria, com superioridade moral e intelectual ante os outros; não sujeitos a reencarnação, por serem perfeitos. (Kardec, 1995, p. 84 a 90)

10. CONCLUSÃO

O Espírito é uma realidade. Não o podemos negar. Cabe-nos, sim, penetrar mais profundamente nas relações entre o mundo encarnado e o mundo desencarnado, a fim de não sermos surpreendidos quando fizermos a nossa passagem para o verdadeiro mundo, ou seja, o mundo dos Espíritos.

11. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

IMBASSAHY, C. Corpo e Espírito. São Paulo, Lake, 1946.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

RHINE, J. B. O Alcance do Espírito. São Paulo, Bestseller, 1965.

 

PERISPÍRITO

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Denominações do Perispírito. 4. Origem do Perispírito. 5. Natureza e Constituição do Perispírito. 6. Propriedades do Perispírito. 7. Funções do Perispírito: 7.1. Organizador Biológico; 7.2. Sede da Memória; 7.3. Intermediário entre o Corpo e o Espírito; 7.4. Atuação nas Comunicações Mediúnicas. 8. Conclusão. 9. Bibliografia Consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é buscar uma melhor compreensão do Perispírito, esse laboratório onde se processam mil trabalhos simultâneos, e onde está a chave para uma porção de problemas até agora insolúveis.

2. CONCEITO

1) Perispírito — Invólucro semi-material do Espírito. Nos encarnados, serve de laço intermediário entre o Espírito e a matéria; nos Espíritos errantes, constitui o corpo fluídico do Espírito. (Kardec, s. d. p., p. 374)

2) O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para os encarnados, mas ainda bastante grosseira para os desencarnados; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser. Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma, o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar Perispírito. (Kardec, 1995, pergunta 93).

3) O Perispírito é o Princípio intermediário entre a matéria e o Espírito, cuja finalidade é tríplice: — manter indestrutível e intacta a individualidade; — servir de substrato ao corpo físico, durante encarnação ; — constituir o laço de união entre o Espírito e o corpo físico, para a transmissão recíproca das sensações de um e das ordens do outro. (Freire, 1992, p. 29 e 30) 

4) O Espírito Emmanuel, designa o Perispírito como “campo eletro-magnético, em circuito fechado, composto de gases rarefeitos” (gases que se desfazem ou diminuem de intensidade).

3. DENOMINAÇÕES DO PERISPÍRITO

Há inúmeras, em várias épocas, conforme a Filosofia: nas eras primitivas, Corpo-Sombra; para os indianos, Liga Sharira; no antigo Egito, ; para a Teosofia, Corpo Astral; segundo Paulo de Tarso, Corpo Celeste; para a Filosofia do Século XIX, Mediador Plástico; e, finalmente para o Espiritismo, é o Perispírito

4. ORIGEM DO PERISPÍRITO

A origem do perispírito está no fluido universal. O ponto de partida do fluido universal é a pureza absoluta, da qual nada nos pode dar idéia; o ponto oposto é a sua transformação em matéria tangível, adquirindo diversos graus de condensação. O perispírito é uma dessas transformações, mas sob a forma de matéria quintessenciada, ou seja, não perceptível aos olhos carnais. Assim, o perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. O corpo carnal também tem seu princípio de origem nesse mesmo fluido condensado e transformado em matéria tangível. No perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. (Kardec, 1975, cap. XIV, item 7)

5. NATUREZA E CONSTITUIÇÃO DO PERISPÍRITO

A natureza do perispírito está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Os Espíritos inferiores não podem mudar de envoltório a seu bel-prazer, pelo que não podem passar, à vontade de um mundo para o outro. Os Espíritos superiores, ao contrário, podem vir aos mundos inferiores, e, até, encarnar neles. Quando o Espírito encarna em um globo, ele extrai do fluido cósmico desse globo os elementos necessários para a formação do seu perispírito. Assim, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido peculiar ao mundo onde ele encarna. Resulta disso que a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados e desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda. O mesmo já não se dá com o corpo carnal, que se forma dos mesmos elementos, qualquer que seja a superioridade ou inferioridade do Espírito. (Kardec, 1975, cap. XIV, item 9)

6. PROPRIEDADES DO PERISPÍRITO

Flexibilidade e expansibilidade são as duas principais propriedades do perispírito. O perispírito não está preso ao corpo, sem poder desprender-se. Em Obras Póstumas, no capítulo sobre manifestações dos Espíritos, 1.ª parte, item 11, lemos: "O Perispírito não está encerrado nos limites do corpo como numa caixa. É expansível por sua natureza fluídica; irradia-se e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem ampliar mais ou menos". Baseando-se neste texto, o Dr. Ari Lex acha que não há necessidade de usarmos a palavra "aura". O termo atmosfera fluídica seria uma noção mais simples e cristalina.

7. FUNÇÕES DO PERISPÍRITO

7.1. ORGANIZADOR BIOLÓGICO

O perispírito é o molde fluídico, a "idéia diretriz" , o "esqueleto astral" ou o "modelo organizador biológico" do corpo carnal.

Sabemos que o Espírito acompanhado de seu perispírito começa a se ligar ao corpo físico do reencarnante desde o começo da vida embrionária. Como esboço fluídico que é, o Perispírito vai orientando a divisão celular, ou seja, a sua união com o princípio vito-material do germe. Como campo eletromagnético que é, pode, por isso, ser comparado ao campo do ímã, quando orienta a disposição da limalha de ferro. (Lex, 1993, p. 49 a 54)

7.2. SEDE DA MEMÓRIA 

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec toca neste assunto muito de passagem. Quem o divulgou, com provas e detalhes, foi Gabriel Delanne, nos livros "Reencarnação" e "Evolução Anímica".

Quem pensa, ama, deseja, resolve é o Espírito. Essas funções mais nobres não são do Perispírito. Ele é apenas uma biblioteca, um arquivo do qual o Espírito se serve para buscar dados. É o Perispírito quem armazena, registra, conserva todas as percepções, todas as volições e idéias da alma. É o guardião fiel, o acervo imperecível do nosso passado. Em sua substância incorruptível, fixaram-se as leis do nosso desenvolvimento, tonando-o., por excelência, o conservador de nossa personalidade, por isso, é que "é nele que reside a memória". (Lex, 1993, p. 54 a 57)

7.3. INTERMEDIÁRIO ENTRE O CORPO E O ESPÍRITO

O Perispírito é órgão transmissor, funcionando como um transformador elétrico, no qual a corrente entra com certa voltagem e sai com voltagem diferente. O corpo recebe a impressão, o Perispírito a transmite e o Espírito, sensível e inteligente, a recebe, analisa e incorpora. Mas podemos ter um trajeto inverso. Quando há iniciativa que vem do Espírito, como ordem para o corpo executar, o Perispírito a transmite para o sistema nervoso, que a define como um impulso motor. Essa ordem vai, através dos nervos motores, aos músculos, que se contraem, obedecendo à ordem recebida. Surgem, assim, os movimentos: locomoção, fala, gestos da mímica, canto, salto etc. Alguns movimentos são automáticos, como os da respiração, do bombeamento do sangue pelo coração e, mais profundamente inconscientes, as contrações peristálticas do intestino. Também, nesse caso, a atuação do Perispírito é inegável. (Lex, 1993, p. 57 a 61)

7.4. ATUAÇÃO NAS COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS

As bilocações dos Espíritos são os fatos marcantes que atestam o desprendimento do Perispírito. Kardec, em Obras Póstumas, diz: "Fica, pois, demonstrado que uma pessoa viva pode aparecer simultaneamente em dois pontos diferentes; num, com o corpo real; em outro, com o Perispírito condensado, momentaneamente, sob a aparência de suas formas materiais". (Lex, 1993, p. 62 a 74)

Em todo o ato mediúnico, o Espírito aproxima-se do médium e o envolve nas suas vibrações espirituais. Essas vibrações irradiam-se do seu corpo espiritual, atingindo o corpo espiritual do médium. A esse toque vibratório semelhante a um brando choque elétrico reage o perispírito do médium.

8. CONCLUSÃO

O Perispírito é a chapa fotográfica de nosso passivo espiritual. Assim, nesta atual encarnação, é importante praticarmos incessantemente o bem, a fim de que possamos aumentar o saldo positivo em nossa contabilidade de acertos e erros.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

FREIRE, A. J. Ciência e Espiritismo: da Sabedoria Antiga à Época Contemporânea. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1992.

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. São Paulo, Lake, s.d.p.

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

LEX, A. Do Sistema Nervos à Mediunidade. São Paulo, FEESP, 1993.

 


PRINCÍPIOS ENERGÉTICOS

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito: 2.1. Princípios; 2.2. Energética. 3. Energia. 4. Fluido. 5. Fluido Universal. 6. Célula Nervosa. 7.Transformação da Energia. Conclusão. Bibliografia consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é refletir sobre os vários tipos de energia, as suas diversas transformações e a maneira mais racional de utilizá-las em benefício de nós mesmos e do nosso próximo.

2. CONCEITO

2.1. PRINCÍPIOS

Princípio: momento em que alguma coisa tem origem;

Quim. Nos escritos dos alquimistas apareceu freqüentemente a palavra princípio, na acepção de elemento ou unidade constitutiva. Nos seus diferentes sistemas, de filiação mais ou menos longínqua nos dos filósofos gregos, os alquimistas consideravam todos os corpos conhecidos como formados por um certo número de princípios fundamentais. Assim, Geber (cerca de 722-813) considerava três princípios: mercúrio, enxofre e arsênio. Segundo Paracelso (1493-1541) os princípios, igualmente em número de três, eram: sal, enxofre e mercúrio. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

Em lógica, o princípio é uma proposição primeira e fundamental que não pode ser deduzida de nenhuma outra, isto é, ela própria, fonte de deduções: serve, portanto, de base ao raciocínio e, por conseqüência, aos conhecimentos que dele decorrem. Distinguem-se tradicionalmente três princípios lógicos: o princípio de identidade ("o que é, é; o que não é, não é"), o princípio de contrariedade ("o contrário do verdadeiro é falso"), o princípio de contradição ("de duas proposições contraditórias uma é verdadeira e a outra falsa"). Assim "princípios" designam o conjunto das proposições de onde decorre uma ordem de conhecimentos que lhe está subordinada no seu desenvolvimento.

No sentido normativo, os princípios designam as regras de ação que se apresentam claramente ao espírito e que o indivíduo deve aplicar na sua atividade (por exemplo, os princípios de moral). Se têm um valor universal e objetivo, são imperativos; se apenas valem para o indivíduo, são máximas. (Thines, 1984)

2.2.  ENERGÉTICA

Ramo da Física que trata essencialmente da energia e suas transformações.

3. ENERGIA

Em física, é a capacidade dos corpos para produzir um trabalho ou desenvolver uma força.

A energia pode ter várias formas (calorífica, cinética, elétrica, eletromagnética, mecânica, potencial, química, radiante), transformáveis uma nas outras, e cada uma capaz de provocar fenômenos bem determinados e característicos nos sistemas físicos. Em todas as transformações de energia há completa conservação dela, isto é, a energia não pode ser criada, mas apenas transformada (primeiro princípio da termodinâmica). (Dicionário Aurélio)

Suponha um corpo em repouso: num determinado referencial, ele é igual ao produto de sua massa em repouso multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado. Se um corpo humano é projetado de um edifício, a sua energia de repouso (potência), transforma-se em energia cinética. Quando cai no chão, transforma-se em energia calorífica e sonora.

Descrição de alguns tipos de energia:

1) Energia atômica: energia liberada por alterações no núcleo de um átomo (como, por exemplo, pela fissão de um núcleo pesado por um nêutron ou pela fusão de núcleos leves em mais pesados), acompanhada de perda de massa; também chamada energia nuclear.

2) Energia calorífica: energia desenvolvida pela ação do calor; energia térmica.

3) Energia cinética: energia mecânica de um corpo em movimento.

4) Energia elétrica: energia proporcionada pela eletricidade.

5) Energia eólia: energia derivada dos ventos.

6) Energia potencial: energia de um corpo que depende de sua posição em relação a outros corpos e das forças ativas em relação a um estado normal; também chamada energia latente.

7) Energia radiante: energia que se propaga em forma de ondas; especificamente, a energia de ondas eletromagnéticas (como as de rádio, raios infravermelhos, luz visível, raios ultravioleta, raios X e raios gama). (Dicionário Michaelis)

4. FLUIDO

Fluido é um termo genérico empregado para traduzir a característica das "substâncias líquidas ou gasosas" ou de substância "que corre ou se expande à maneira de um líquido ou gás". (Dicionário Aurélio)

Para Gabriel Delanne, os fluidos são os estados da matéria em que ela é mais rarefeita do que no estado conhecido sob o nome de gás.

5. FLUIDO UNIVERSAL

O fluido universal é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza. Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o da eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira consecutivo àquele. O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível. (Kardec, 1975, it.2, p.273 e 274)

Além da matéria bruta e do corpo físico, o fluido universal pode ser decomposto:

Fluido vital: é um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio. É o elemento que dá vida à matéria orgânica. Pode ser denominado de magnetismo, eletricidade etc.

Ectoplasma: tipo de matéria que se situa entre a matéria densa e a matéria perispirítica. Presta, sobretudo, aos trabalhos de efeitos físicos e materializações.

Perispírito: invólucro semi-material do Espírito. Nos encarnados, serve de laço intermediário entre o Espírito e a matéria. (Equipe da FEB, 1995)

6. CÉLULA NERVOSA

"A unidade estrutural e funcional do sistema nervoso, o neurônio ou célula nervosa, em número aproximado de 25 bilhões (encéfalo e medula espinhal), constitui um campo ainda pouco conhecido..."

"...A função precípua da unidade nervosa é a coordenação e condução, através de seu citoplasma especializado, do impulso nervoso. Temos como certo, a origem dessas impulsões, nas camadas vibratórias da energética psíquica de profundidade. Dessa forma, a célula nervosa traduziria a tela por onde energias especiais aí encontrassem um cadinho expressivo de trabalho".  (Andrea, 1990, p. 13)

7. TRANSFORMAÇÃO DA ENERGIA

É pelo pensamento que transformamos as energias. Quanto mais puros forem os nossos pensamentos, maior capacidade adquiriremos para modificar as energias ambientais. Tomemos, por exemplo, um ser equilibrado e cheio de energia espiritual. Ele é como uma luz no  meio da escuridão: não tem receio de entrar em lugares fétidos, e por onde passa irradia o seu magnetismo contagiante.

8. CONCLUSÃO

Devemos ter em mente que quanto mais ativos formos maior é a nossa capacidade de transformar energia. É aquilo que reside na frase lapidar do Evangelho: "Ao que  muito foi dado, muito será exigido, e mais lhe será acrescentado".

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ANDREA, J. Energética do Psiquismo: Fronteiras  da Alma. 3. ed., Rio de Janeiro, F. V. Lorenz, 1990.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.

THINES, G. e LEMPEREUR, A. Dicionário Geral das Ciências Humanas. Lisboa, Edições 70, 1984.

FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d/p.

DICMAXI. Dicionário Multimídia Michaelis

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.

 

HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Universo. 3. Cosmogonia e Visão de Mundo. 4. Vida em outros Planetas. 5. O Texto Evangélico. 6. A Casa do Pai. 7. Classificação ou Categorias dos Mundos. 8. Progresso dos Mundos. 9. Conclusão. 10. Bibliografia consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é refletir sobre o Planeta Terra, comparando-o com as diferentes categorias de mundos habitados: primitivos, provas e expiações, regeneradores, felizes e celestes. Esperamos que o resultado dessa pesquisa sirva para tomarmos consciência de  quanto somos pequenos diante da imensidão do Universo.

2. UNIVERSO

Conjunto de tudo quanto existe (incluindo-se a Terra, os astros, as galáxias e toda a matéria disseminada no espaço), tomado como um todo; o cosmo, o macrocosmo. (Dicionário Aurélio)

Diz-nos a Astronomia que o Universo é constituído de estrelas (corpos de massa completamente gasosa e geralmente de forma esférica, cujos gases, mantidos por forças gravitacionais, mas atuantes, por sua pressão e radiações, as dilatam).

As estrelas, reunidas em agrupamento de bilhões, formam as galáxias.

As galáxias, acessíveis aos nossos telescópios, são em número de 10 bilhões, separadas entre si por distâncias da ordem de 1 milhão de anos-luz.

A Via Láctea, uma dessas galáxias, como 80.000 anos-luz de diâmetro e contendo de 150 a 200 bilhões de estrelas, está o Sol com seu sistema planetário. O Sol gira ao redor do centro da galáxia a uma distância de 25.000 a 30.000 anos-luz. (Curti, 1980, p.16)

O nosso sistema planetário surgiu, na Via-Láctea, há uns 5 bilhões de anos pela condensação de um nuvem de gás e pó cósmicos. O Sol, suficientemente grande para irradiar luz própria, e, por outra, uma multidão de corpos celestes de diversos tamanhos, apesar de não haver nenhuma tão grande que pudesse irradiar luz própria. (Enciclopédia Combi, item Planeta)

O Universo compreende a infinidade dos mundos que vemos e não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os Astros que se movem no espaço e os fluidos que o preenchem. (Kardec, 1995, cap. III)

3. COSMOGONIA E VISÃO DE MUNDO

Ptolomeu foi o primeiro pensador grego que ofereceu uma sagaz e completa imagem do Universo. Suas hipóteses foram aceitas sem discussão durante mais de mil anos. Ptolomeu, entretanto, jamais afirmou que suas teorias fossem corretas. Eram só um modelo matemático destinado a descrever o movimento dos corpos celestes.

No séc. XVI, Copérnico já havia apresentado um modelo mais simples. Nunca afirmou que o Sol fosse o centro do mundo. Mas, sim, que o movimento dos planetas podia ser explicado mais simplesmente, se se partisse do princípio de que o Sol, e não a Terra, ocupava o centro do Universo. Contudo, a simplicidade dessa hipótese, lançou a semente da dúvida na cabeça de outros investigadores.

As observações do movimento dos planetas realizadas por Tycho Brahe demonstravam que o sistema de Copérnico não podia estar totalmente certo. Após os exaustivos trabalhos sobre os dados fornecidos por Brahe, Johanes Kepler acabou por demonstrar que os planetas descrevem órbitas elípticas. Descobriu também que existia certa relação entre o tamanho da órbita dos planetas, sua velocidade e duração de suas translações. As leis de Kepler conduziram mais tarde Newton a formular sua famosa teoria da gravitação universal. (Enciclopédia Combi, item Física)

Isso mostra que a verdade real já não estava mais centrada nos dogmas da Igreja ou no mundo incompreensível dos deuses. As observações e as experiências, ampliando a visão de mundo, eram a chave do conhecimento.

Resumo da evolução: há 100.000 anos, o homem era o centro do Universo; há  2.000 anos, a Terra; há 500 anos, o Sol; há 50 anos a Galáxia; hoje sem centro.

4. VIDA EM OUTROS PLANETAS

Na Antigüidade e na Idade Média pensava-se que a Terra ocupava o centro do Universo; segundo essa teoria é evidente e indiscutível a privilegiada posição do homem no cosmos. As modernas teorias heliocêntricas consideram a Terra um planeta como os outros, que gira à volta do Sol, o qual, por sua vez, é só uma simples estrela entre muitas centenas de milhões semelhantes em nosso sistema estelar. Com essa imagem do mundo surgiu também a crença de que a vida, até mesmo consciente e inteligente. Pode existir em outros lugares do Universo. (Enciclopédia Combi, it. Planetas)

A idéia de que a vida possa existir em uma miríade de planetas é reforçada pelo fato de que nossa química é universal, o que é revelado pela Astronomia. Kardec afirma que a vida existe em outros planetas e que o processo de geração espontânea continua nos planetas em formação da mesma maneira pela qual aqui se processou. Acrescenta ainda que o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. (Kardec, 1995, cap. III)

5. O TEXTO EVANGÉLICO

“Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fora, eu vô-lo teria dito; pois vou aparelhar-vos o lugar. E depois de ir e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tornar-vos-ei  para mim, para que onde eu esteja, estejais vós também”. (João, cap. XIV, v. 1 a 3).

6. A CASA DO PAI

De Acordo com Allan Kardec, A Casa do Pai é o Universo, e as muitas moradas são os mundos que circulam no espaço infinito. Os diversos mundos estão em condições diferentes uns dos outros, como ensinam os Espíritos. Esses mundos são, foram ou serão habitados, e as humanidades que os habitam podem ser do mesmo grau que a terrestre, como também física e moralmente inferiores aos terráqueos ou mesmo superiores aos Espíritos que povoam a Terra. No Universo, a Terra é apenas um pequeno mundo, como tantos outros. (Kardec, 1984, cap. III)

7. CLASSIFICAÇÃO OU CATEGORIAS DOS MUNDOS

Embora a classificação que se queira fazer dos mundos seja relativa, havendo inúmeras graduações, Allan Kardec, com base nos Espíritos Superiores, mostra-nos a seguinte classificação geral dos mundos:

a)  MUNDOS PRIMITIVOS — quando encarnaram as primeiras almas humanas (depois que o animal atingiu o estádio que lhe fosse permitido receber a denominação de Espírito, por obra da Natureza Divina, por força do Criador)

b)  MUNDOS DE EXPIAÇÃO E PROVAS — onde ainda existe o predomínio do mal; são lugares de exílio dos Espíritos rebeldes à lei de Deus. (Um exemplo de tais mundos é a Terra, planeta de provas e expiações. Escola para a evolução).

c)   MUNDOS REGENERADORES — quando não mais existem expiações, mas ainda há provas. (São mundos de transição para os Espíritos, dos de expiação para os mundos felizes).

d)  MUNDOS FELIZES — em que há o predomínio do bem sobre o mal. (Nestes, não há mais provas, nem expiações).

e)  MUNDOS CELESTES OU DIVINOS — morada dos Espíritos purificados. (Só existe o bem).

8. PROGRESSO DOS MUNDOS

Segundo Santo Agostinho, "A Terra está classificada no mundo de provas e expiações. Esteve material e moralmente num estado inferior ao que está hoje, e atingirá sob esse duplo aspecto, um grau mais avançado. Ela atingiu um dos seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se-á mundo regenerador; então os homens serão felizes, porque a lei de Deus nela reinará". (Kardec, 1984, p. 57)

9. CONCLUSÃO

O mal ainda predomina sobre o planeta Terra porque o bem está retraído. Quando todos os homens de bem resolverem colocar em prática as suas virtudes, e quando isso for um apanágio da maioria, o mal se esconderá com medo de ser visto.

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CURTI, R. Espiritismo e Evolução. São Paulo, FEESP, 1980.

Enciclopédia Combi Visual. Barcelona (Espanha), Ediciones Danae, 1974.

FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d/p.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

 


MATÉRIA

 Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. A Física Aristotélica. 4. Matéria Primitiva. 5. A Matéria e o Espírito. 6. União do Espírito à Matéria. 7. Matéria e Materialismo. 8. Desapego à Matéria. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é buscar uma melhor compreensão do termo matéria, verificando as suas várias acepções e comparando-as com a visão da Doutrina Espírita.

2. CONCEITO

Para a Física, matéria é tudo que ocupa lugar no espaço, ou, mais especificamente, é qualquer substância sólida, líquida ou gasosa que ocupa lugar no espaço, ou substância capaz de receber determinada forma ou na qual atua determinado agente.

Para a Biologia, matéria de que se compõem os seres vivos.

Para a Filosofia, o que dá realidade concreta a uma coisa individual, que é objeto de intuição no espaço e dotado de uma massa mecânica; aquilo a que se atribui força ou energia, que é princípio de movimento; o que é transformado ou utilizado pelo trabalho do homem para um determinado fim. (Dicionário Aurélio)

Para o Espiritismo, a matéria vai além da máxima comum, de que é tudo que pode impressionar os sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato). Para os Espíritos, em seus ensinamentos, a MATÉRIA existe em estados ainda desconhecidos por nós, de forma tão sutil, que não afete qualquer dos nossos sentidos. Mesmo assim, embora imperceptível aos nossos sentidos, é sempre matéria. A matéria é o liame que escraviza o Espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. (Kardec, 1995, pergunta 22)

3. A FÍSICA ARISTOTÉLICA

Para Aristóteles, os corpos são classificados a partir da teoria dos quatro elementos, elaborada pelo pré-socrático Empédocles, segundo a qual os elementos constitutivos de todos os seres são: terra (matéria sólida); ar (matéria gasosa); água (matéria líquida); e fogo (matéria em combustão). Essa teoria foi aceita até o século XVIII, quando Lavoisier demonstrou que não se tratava de elementos, mas de substâncias compostas.

No universo aristotélico, todos os corpos possuem um "lugar natural" conforme sua essência. É a partir daí que constrói a teoria da queda dos corpos. O peso e a leveza são qualidades dos corpos e determinam formas diferentes do movimento. Então, a terra e a água, como são corpos pesados, têm lugar natural embaixo; o ar e o fogo, sendo leves, têm o lugar natural em cima. O movimento natural é aquele em que as coisas retornam ao seu lugar na ordem estática do  cosmos (situação de repouso).

Assim, para os gregos o repouso não precisa ser explicado. O que precisa ser explicado é o movimento, que pode ser natural e violento.

Por trás dessas afirmações, há uma série de noções metafísicas, quanto à natureza dos corpos e do movimento.

Todo o ser é constituído de matéria e forma, princípios indissociáveis. Enquanto a forma é o princípio inteligível, a essência comum aos indivíduos de uma mesma espécie, pela qual todos são o que são, a matéria é pura passividade, contendo a forma em potência.

É através da noção de matéria e forma que se explica o devir (o movimento). Todo o ser tende a atuar (tornar atual) a forma que tem em si como potência. Assim, a semente, quando enterrada, tende a se desenvolver e transformar-se no carvalho que era em potência.

Quando Aristóteles fala em movimento, não se refere apenas ao conceito de movimento local. Movimento também pode ser compreendido como movimento qualitativo, pelo qual o corpo tem uma qualidade alterada, como, por exemplo, quando o homem analfabeto aprende a ler. Ou ainda, o movimento quantitativo, da planta que cresce, da alteração de tamanho. Há também a mudança substancial, pela qual um ser começa a existir (geração) ou deixa de existir (destruição das essências)

Aristóteles, ao explicar a passagem da potência ao ato, admite a necessidade de um motor que esteja em ato. Todo o movimento, supondo um motor, faz a física desembocar numa teologia: de causa em causa, é preciso parar numa primeira causa (incausada), num primeiro motor (imóvel), evidentemente de natureza divina e que  daria movimento a todas as coisas. Aristóteles chama esse Deus de Ato Puro (pois não têm potência alguma) e de Primeiro Motor Imóvel. (Aranha, 1986, p. 126 a 128)   

4. MATÉRIA PRIMITIVA

De acordo com Allan Kardec, os materiais constitutivos do mundo são matéria cósmica primitiva, simples e una, que se diversifica desde sua origem, continuando durante sua vida e se desmembrando pela decomposição. Se observarmos a diversidade da matéria, ver-se-á que as forças que realizam suas transformações, e as condições em que são produzidas, são ilimitadas, porque ilimitadas são as combinações da matéria. Assim, conclui Kardec: “Em todo o Universo, há uma só substância primitiva: a matéria cósmica ou fluido etéreo, que enche o espaço e penetra os corpos. “é essa matéria cósmica primitiva geradora do mundo e dos seres, por forças e leis imutáveis que regem o Universo. (Kardec, 1975, p. 107 a 109)

5. A MATÉRIA E O ESPÍRITO

"Se admitirmos que a força é uma maneira de ser, um aspecto da matéria, não haverá mais do que dois elementos distintos no Universo — matéria e espírito — irredutíveis entre si. O que caracteriza essencialmente o espírito é a consciência, isto é, o eu, mediante o qual ele se distingue do que não está nele, isto é, da matéria. Desde as primeiras manifestações vitais, o eu evidencia a sua existência reagindo, espontaneamente, a uma excitação interior. No mundo inorgânico, tudo é cego, passivo, fatal; jamais se verifica progresso, não há mais que mudanças de estados, as quais em nada modificam a natureza íntima da substância. No ser inteligente há aumento de poder, desenvolvimento de faculdade latente, eclosão do ser, a traduzir-se  por exaltação íntima do indivíduo". (Delanne, 1988, p. 234)

6. UNIÃO DO ESPÍRITO À MATÉRIA

O Espírito, sendo de natureza quintessenciada, e necessitando de se unir à matéria (corpo físico) para a sua evolução, utiliza um corpo semimaterial, denominado Perispírito. Desse modo, "quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao germen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior". (Kardec, 1975, it. 18, p. 214)  

7. MATÉRIA E MATERIALISMO

A matéria,  sendo o elemento concreto e visível, levou muitos filósofos a assumirem, como denominador comum, a idéia de que matéria é ou a substância única, negando a existência de qualquer realidade supramaterial, ou a substância decisiva ou predominante nos processos psicológicos, sociais e históricos. O termo materialismo advém do fato de a matéria ser o elemento predominante, a essência. O Espírito surgiria como um epifenômeno. Foi a partir dessa idéia que Marx e Engels desenvolveram a teoria do materialismo histórico, segundo a qual os fatos econômicos, fundamentalmente materiais, são a base e causa determinantes de todos os fenômenos históricos e sociais.

8. DESAPEGO À MATÉRIA

Enquanto vivemos neste mundo, temos necessidade de um corpo físico que, segundo as alternativas da saúde e da doença, influi de maneira muito importante sobre a alma, que é preciso considerar como cativa da carne. O desapego à matéria não é abater o corpo, desprezá-lo e sacrificá-lo.  Nesse sentido, o Espírito Georges diz: "Sereis, pois, mais perfeitos se, martirizando o corpo, som isso não ficais menos egoístas, menos orgulhosos e pouco caridosos para com  o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso; ela está inteiramente nas reformas que fareis ao vosso Espírito suportar; dobrai-o, submetei-o, humilhai-o, mortificai-o: é o meio de torná-lo dócil à vontade de Deus, e o único que conduz à perfeição". (Kardec, 1984, p. 232)

9. CONCLUSÃO

A matéria não é o fim último da existência terrena; ela é o meio utilizado pelo Espírito para promover a sua evolução. Assim, se lhe dermos o que ela realmente merece, viveremos felizes e alcançaremos a paz de espírito.

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ARANHA, M. L. de A. e MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo, Modena, 1986.

DELANNE, G. Evolução Anímica. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1988.

FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d/p.

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

 

PENSAMENTO

Sérgio Biagi Gregório

 SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Gênese do Pensamento. 4. Pensamento e Matéria Mental. 5. Associação de Idéias. 6. Pensamento Forma e Forma pensamento. 7. Fotografia do Pensamento. 8. Perturbações do Pensamento. 9. Fixação Mental (Monoideísmo). 10. Pensamento e Vontade. 11. Conclusão. 12. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é compreender como os nossos pensamentos, bons ou maus, surgem em nossa mente, permanecem e se esvaem. 

2. CONCEITO

Pensamento - do lat. pensare significa pesar, isto é, medir, avaliar e comparar.

No sentido mais lato, designa-se por pensamento toda a atividade psíquica;

Numa acepção mais estreita, só o conjunto de todos os fenômenos cognitivos, e excluindo, portanto, os sentimentos e as volições;

Mais estritamente ainda, pensamento é sinônimo de "intelecto", enquanto permite compreender — ou inteligir — a matéria do conhecimento e na medida em que realiza um grau de síntese mais elevado que a percepção, a memória e a imaginação.

O pensamento, neste sentido mais estrito, toma três formas: concepção, juízo e raciocínio, os quais são objeto de estudo, já da lógica, que considera a sua validez em relação ao objeto pensado, já da psicologia, que, prescindindo do valor crítico, investiga a sua natureza e leis de aparecimento. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

Podemos dizer, também, que o pensamento é a seqüência de representações e conceitos. Não pertence ao tempo nem ao espaço. São generalizações que permanecem virtualizadas em nossa mente. O ato de pensar, como ato, é sempre novo, ou seja, é a atualização temporal e espacial do conceito. Exemplo: o círculo, como conceito, é sempre o mesmo. Ao pensarmos uma, duas, três ... ene vezes sobre essa figura, cada uma delas será, para nós, sempre nova. Este é o sentido da evolução criadora de Bergson. Para ele, todo o momento é criativo, porque nunca o vivenciamos anteriormente.

Para o Espiritismo, é o elemento nobre, modelador das ações dos Espíritos, através de fluídos etéreos. Allan Kardec, em A Gênese, diz que o pensamento  “é a grande oficina ou o laboratório da vida espiritual”. “O pensamento e a vontade são para os Espíritos aquilo que a mão é para o homem”. (1977, cap. 14, it.14, p.282)

3. GÊNESE DO PENSAMENTO

Quanto às etapas na gênese do pensamento, há quem distinga cinco, a saber:

1.ª) estímulo — um problema que o desperta, podendo ser uma dúvida, incerteza, inquietação ou qualquer outra coisa;

2.ª) pesquisa — procura de documentação capaz de esclarecer o problema, através de uma atividade nervosa e psíquica que se desencadeia;

3.ª) hipótese — fase crucial e a mais importante do processo do pensamento, em que os dados obtidos são elaborados;

4.ª) solução — abandono da dúvida em vista da força dos elementos colhidos;

5.ª) crítica — fase final de análise do caminho seguido.

Outros autores contentam-se em mencionar três momentos no processo do pensamento:

Este começa por uma intuição empírica, sensorial e psicológica (introspecção), que faz conhecer imediatamente um fato não compreendido e levanta problemas. Depois seguem-se as operações pelas quais se procura resolver esses problemas, e que constituem o pensamento discursivo. Por fim aparece a intuição racional, onde desemboca o trabalho do pensamento. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

4. PENSAMENTO E MATÉRIA MENTAL

Pela mente os Espíritos absorvem o fluido cósmico, transmudando-o em um sub-produto, a matéria mental vibrátil, um fluido vivo e multiforme, estuante e inextancável, em processo vitalista semelhante à respiração, cujas vibrações são as impressas pela mente que a emitiu, cuja ação influencia, a partir de si mesma e sob a própria responsabilidade, a Criação.

A matéria mental tem natureza corpuscular, atômica e também resulta da associação de formas positivas e negativas. Utiliza-se denominar tais princípios de “núcleos, prótons, nêutrons, posítrons, elétrons ou fótons mentais”, em vista da ausência de terminologia analógica para estruturação mais segura de nossos apontamentos. (Xavier, 1977, cap. 4)

5. ASSOCIAÇÃO DE IDÉIAS

O Espírito André Luiz diz: "Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, idéia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir" (Xavier, 1977, p. 48).

Significa dizer: dado um estímulo, imediatamente colocamos o nosso pensamento em sintonia com o clima das respostas que o referido estímulo sugere. Observe a leitura de um jornal: cada um de nós vai direto àquilo que mais lhe interessa. Se gostamos de futebol, abrimos as páginas esportivas; se nossa preferência é a saber sobre a vida pública de um país, consultamos as páginas de economia e política; se preferimos a arte, vasculhamos o caderno ilustrado. Desse modo, as "nossas companhias", quer boas ou ruins, dependem essencialmente de nossa escolha.

6. PENSAMENTO FORMA E FORMA PENSAMENTO

Com freqüência, as transformações são o produto de um pensamento. diz Kardec: “Basta ao espírito pensar numa coisa para que tal coisa se produza”. Desta forma, tomando conhecimento de tal verdade, devemos fazer bom uso dos nossos pensamentos, pois eles são movimentados por energias cósmicas, fluidos  etéreos, que, embora invisíveis aos nossos olhos, estão presentes onde as nossas forças físicas jamais chegariam. Nosso pensamento é um raio que tanto pode conduzir luz edificante como energias deletérias ou destruidoras. 

7. FOTOGRAFIA DO PENSAMENTO

Sendo o Pensamento criador de imagens fluídicas, reflete-se no Perispírito como num espelho, tomando corpo e, aí, fotografando-se. Se um homem, por exemplo, tiver a idéia de matar alguém, embora seu corpo material se conserve impassível, seu corpo fluídico é acionado por essa idéia e a reproduz com todos os matizes. Ele executa fluidicamente o gesto, o ato que o indivíduo premeditou. Seu pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira se desenha, como num quadro, tal qual lhe está na mente. É assim que os mais secretos movimentos da alma repercutem no invólucro fluídico. É assim que uma alma pode ler na outra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos corporais. (Kardec, 1975, p. 115)

8. PERTURBAÇÕES DO PENSAMENTO

De acordo com a Psicologia, entende-se como o conjunto de alterações mais ou menos profundas da estrutura diferenciada e intencional do ato psíquico. É assim possível descrever as anomalias da ideação (encadeamento das idéias), da atenção espontânea e voluntária, da eficiência intelectual etc. Numa outra perspectiva, descreve-se, através das modalidades expressivas do discurso, uma aceleração aparente (fuga das idéias) ou um abrandamento (bradipsiquia) do pensamento, na mania e na melancolia. Na esquizofrenia, o pensamento perturbado no seu funcionamento, exprime-se por meio de uma linguagem estranha, caótica, dissociada, por vezes interrompida. (Thines, 1984)

9. FIXAÇÃO MENTAL (MONOIDEÍSMO)

Monoideísmo é estado patológico caracterizado pela tendência de uma pessoa retornar sempre em seu pensamento em sua palavra a um só tema. É a idéia fixa, ou o estado de consciência mórbida, que se caracteriza pela persistência de uma idéia, que nem o curso normal das idéias, nem a vontade conseguem dissipar. Vingança, desespero, paixões e desânimo são algumas das causas da fixação mental. Nosso cérebro funciona à semelhança de um dínamo. Dado o primeiro estímulo, interno ou externo, o que passa a contar é a manutenção de nosso pensamento num mesmo teor de idéia. Quanto mais tempo permanecermos num assunto, mais as imagens do tema se cristalizarão em nosso halo mental. A fixação mental é uma questão de atitude assumida: melhorando o teor energético de nosso pensamento,  ampliaremos o nosso campo mental para o bem e estaremos nos libertando dos pensamentos malsãos.

10. PENSAMENTO E VONTADE

O fenômeno da sugestão mental é oportuno. Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham. Nesse sentido, somos herdeiros dos reflexos de nossas experiências anteriores, porém, com a capacidade de alterar-lhe a direção. Acionando a alavanca da vontade, poderemos traçar novos rumos para a libertação de nosso espírito. A vontade é o elemento do livre-arbítrio. Devemos ter comando sobre o pensamento, pois não falhamos só com palavras e atos. Pelo pensamento (sem barreira ou distância), o Espírito encarnado age sobre o semelhante, e o desencarnado, também, atua sobre nós, encarnados. Melhorando o pensamento, melhora a vida nos dois planos — físico e espiritual.

11. CONCLUSÃO

Vigilância e oração atenuam as vicissitudes da senda regenerativa. Através delas, pomo-nos em sintonia conosco mesmos, tornando-nos cada dia mais auto-conscientes. Percebendo claramente nossas reações do cotidiano, criamos condições para nos avaliarmos e consequentemente substituirmos os automatismos negativos pelos positivos. 

12. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

THINES, G. e LEMPEREUR, A. Dicionário Geral das Ciências Humanas. Lisboa, Edições 70, 1984.

XAVIER, F. C. Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 8. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

 

 

Inteligência e Instinto

 Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Inteligência versus Instinto. 4. Ato Instintivo e Ato reflexo. 5. O Homem e  o Animal. 6. Linguagem e Inteligência. 7. Herança e Automatismo.  8. Razão, Paixão e Instinto. 9. Inteligência e Espiritualidade. 10. Conclusão. 11. Bibliografia Consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é relacionar a inteligência e o instinto no sentido melhor compreender a complementaridade entre estes dois termos.

2. CONCEITO

Inteligência  -  do lat. intellectusinterlec.  =  escolher entre, ou intus e lec = escolher dentro, como preferem outros - é a faculdade que tem o espírito de pensar, conceber,  compreender.

O termo inteligência é ainda usado pelos psicólogos com considerável latitude de sentido. Por vezes emprega-se como sinônimo de cognição (tal como a palavra "entendimento"), isto é, aplica-se a qualquer dos processos pelos quais se constrói o conhecimento; outras vezes é restringido aos processos conceptuais; e em alguns casos é usado no sentido ainda mais restrito de função de apreender relações, ou, até, especiais formas de relação. No uso comum e quotidiano, tende-se a sublinhar o caráter prático da inteligência, como consistindo na capacidade de empregar meios adequados para atingir os vários fins que se tem em vista. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

Instinto - do  lat. instinctu significa  impulso inato, inconsciente, irracional, que  leva  um ente vivo, um animal, a proceder de tal ou tal forma. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira). Estímulo ou impulso natural, involuntário, pelo qual homens e animais executam certos atos sem conhecer o fim ou o porquê desses atos.

3. INTELIGÊNCIA VERSUS INSTINTO

Os  psicólogos  procuram  realizar  uma  tarefa  difícil:  a   de distinguir  a  inteligência  do instinto. O que ressalta logo nessa distinção é que a inteligência  é flexível, muito mais que o instinto. A inteligência tem a seu favor o passado, as experiências que ela coordena, e que aproveita para o exame de novas situações. Por outro lado, o instinto é cego, tal qual se  observa no  cão,  que,  mesmo domesticado, pisoteia o lugar  em  que  vai dormir, como se devesse dormir sobre a erva. O gato faz o gesto de tapar seus excrementos, mesmo quando os deposita sobre as pedras. (Santos, 1965)

4. ATO INSTINTIVO E ATO REFLEXO

No ato instintivo há um tender para um fim útil sem consciência desse fim. Já o ato reflexo é inflexível. Um espiro provocado virá, inflexivelmente, sem que se possa impedi-lo. Por outro lado, os reflexos podem ser úteis ou não, enquanto o instinto é sempre útil. Ao realizar o ato instintivo pode haver modificações na execução, o que é importante.

A observação cuidadosa do comportamento de alguns animais  mostra que o conceito comum de instinto, como mero impulso simples,  não basta  para  explicar  a  complexidade de  seus  atos.  A  aranha construirá  a teia diferentemente, segundo as circunstâncias  e  o  lugar   que  disponha. O  castor  constrói   diferentemente,   segundo   a corrente  da água, o nível da mesma ou a presença de homens.

Os reflexos são estimulados por um processo externo, enquanto o instinto pode ser provocado por um estímulo externo, mas é sempre o desdobramento de uma ação interna. (Santos, 1965)

5. O HOMEM E  O ANIMAL

Do ponto de vista biológico, somos animais, mas como criadores da civilização estamos a uma distância considerável da restrita vida animal. Na evolução biológica do homem, o fator mais importante tem sido o desenvolvimento do volume cerebral que permitiu uma crescente capacidade de aprender, resolver problemas e pensar de maneira construtiva.

Apesar da inteligência e da tecnologia que possui, o homem continua a portar-se em vários aspectos como um animal. Os etnólogos, investigadores do comportamento, observam que é possível  no homem verificar muitas maneiras de agir instintivas e próprias dos animais. Como exemplo, pode-se mencionar a luta por um território, a agressão aos intrusos e a formação de clãs. Além disso, verificam-se nos animais muitas características consideradas humanas. Alguns macacos podem até fazer uso de utensílios simples; muitos animais possuem algumas formas de linguagem e apresentam um certo comportamento social. (Enciclopédia Combi, it. Homem, 9)

6. LINGUAGEM E INTELIGÊNCIA

A língua funciona como instrumento para a transmissão de informações entre o homem e como sistema de símbolo para o pensamento e a formação de conceitos. A forma lingüística aprendida pelos homens não é herdada. Uma criança chinesa, criada num meio de fala inglesa, expressa-se perfeitamente nessa língua. Por outro lado, a linguagem dos animais não é aprendida, mas herdada como instinto.

A língua influi de diversas maneiras sobre o pensamento. os lugares comuns podem dar lugar a falsas conclusões. A expressão "pobre mas honrado" é tão admitida que, não sem certa surpresa, comprova-se amiúde que a pobreza não acompanha necessariamente a honradez, ou vice-versa. A linguagem não condiciona o pensamento, mas ajuda a pensar. (Enciclopédia Combi, it. Linguagem, 1 e 2)

7. HERANÇA E AUTOMATISMO

O Espírito  André Luiz diz: "Se, no círculo humano, a inteligência é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade, nas linhas da Civilização, sob os signos da cultura, observamos que, na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é a base da inteligência nos depósitos do conhecimento adquirido por recapitulação e transmissão incessantes, nos milhares de milênios em que o princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares da natureza". (Xavier, 1977, p.39)

Assim, no reino mineral, o princípio inteligente adquire a atração, no reino vegetal, a sensação, no reino animal, o instinto, e no reino humano, o pensamento contínuo, o livre-arbítrio e a razão.

8. RAZÃO, PAIXÃO E INSTINTO

Allan Kardec, no cap. III de A Gênese, relaciona instinto, paixão e  inteligência.  Diz-nos que o instinto é sempre guia  seguro  e nunca  erra.  Pode  tornar-se  inútil,  mas  nunca   prejudicial. Enfraquece-se  com a predominância da inteligência. 

As  paixões, nas primeiras idades da alma, têm de comum com o instinto o serem criaturas solicitadas por uma força igualmente inconsciente. As paixões nascem principalmente das necessidades do corpo e dependem, mais do que o instinto do organismo. O que, acima de tudo, as distingue do instinto é que são individuais e não produzem, como este último, efeitos gerais e uniformes; variam, ao contrário, de intensidade e de natureza, conforme os indivíduos. São úteis até a eclosão do senso moral, em que o ser passivo  transforma-se  em ser racional. Depois  disso,  torna-se nociva, caso não seja disciplinada pela razão.

O homem que só agisse constantemente pelo instinto poderia ser muito bom, mas conservaria adormecida a sua inteligência. Seria qual criança que não deixasse as andadeiras e não soubesse utilizar-se de seus membros. Aquele que não domina as suas paixões pode ser muito inteligente, porém, ao mesmo tempo, muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se. (1975, p. 80 e 81)

9. INTELIGÊNCIA E ESPIRITUALIDADE

Tão acostumados aos atos maquinais, acabamos por traçar planos errôneos para a nossa evolução espiritual. É o caso de querermos padronizar o nosso comportamento. Esse devia ser sempre novo e responder aos estímulos do momento. É como o aprendizado: não se deve decorar técnicas, mas sim tornar-se capaz de..., estar apto para...

É preciso não confundir a boa memória ou o raciocínio fácil com a espiritualidade. A espiritualidade pode se auxiliada pela inteligência, pois esta lhe faculta a capacidade de aprendizagem. Porém, se a espiritualidade dependesse exclusivamente da inteligência, não veríamos tantas pessoas iletradas realizarem prodígios enquanto os que foram à faculdade cometerem  atrocidades no seio da sociedade. Há casos em que a boa memória até atrapalha. Cita-se o caso do médico, que por excesso de memória, tinha dificuldade para prescrever a receita ao seu paciente.

10. CONCLUSÃO

A inteligência  e o instinto são duas faculdades de  nosso  espírito. Saibamos ponderá-los eficazmente, a fim de que possamos viver  em paz com a nossa consciência.

11. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Enciclopédia Combi Visual. Barcelona (Espanha), Ediciones Danae, 1974.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.

XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

 

 

 

LIVRE ARBÍTRIO E FATALIDADE

 

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Livre-Arbítrio e Liberdade. 4. Livre-Arbítrio e Fatalidade. 5. Lei de Causa e Efeito ou Lei da Ação e Reação. 6. Somos os Construtores de Nosso Destino. 7. O Carma. 8. Conclusão. 9. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar que o livre-arbítrio e a fatalidade caminham juntos em nosso modo de proceder.

2. CONCEITO

Livre-Arbítrio — quer dizer o juízo livre, é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos.

Fatalismo — Atitude ou doutrina que admite que o curso da vida humana está, em graus e sentidos diversos previamente fixado, sendo a vontade ou a inteligência impotentes para dirigi-lo ou alterá-lo.

Fatalidade

a) Diz-se que é fatal ou sucedido ou a suceder-se, marcado pelo destino, portanto, do que, necessariamente, tem de acontecer, ou necessariamente aconteceu. A fatalidade é a necessidade inevitável no desenvolvimento dos fatos históricos, que está prescrita por uma vontade determinante (o maktub, o que está escrito), que é superior a toda vontade humana (fatum, fado).

b) Diz-se, também, que é uma fatalidade um fato fortuito, devido ao acaso, inevitável, mas que é prejudicial aos interesses humanos.

c) Em sentido geral, fatalidade é sinônimo da necessidade das leis universais. (Santos, 1965)

Determinismo — Doutrinariamente considerado, o determinismo afirma que todos os fatos do universo são guiados inteiramente por determinantes, segundo certas leis.

Goblot, em seu "Vocabulário", define o Determinismo como uma doutrina segundo a qual todo fenômeno é determinado pelas circunstâncias nas quais ele se produz, de forma que, dado um estado de coisas, o estado de coisas que lhe segue, dela resulta necessariamente.

O determinismo é um conceito da razão, e a idéia da liberdade nos é dada pela intuição, pela intuição direta que cada um de nós tem de sua própria experiência. (Santos, 1965)

Carma — Nas filosofias da Índia é o conjunto das ações dos homens e suas conseqüências - somatório de tudo quanto fizemos de bom ou de ruim.

3. LIVRE ARBÍTRIO E LIBERDADE

Os pensadores do séc. XIX foram em grande número, partidários do determinismo, ensinando que a vontade se estabelece mecanicamente por seus antecedentes, não sendo possível a imprevisibilidade que constitui o ato livre. O século XIX caracteriza-se por uma euforia e por uma confiança ilimitada no método científico, que deveria até decifrar os próprios segredos da vida e da alma. Essa confiança estava assentada nos trabalhos de Darwin na biologia, de Pavlov e Freud na Psicologia, de Marx na Sociologia.

No séc. XX, a atmosfera científica mudou. O rígido determinismo sentiu-se abalado mesmo dentro do campo físico, onde nenhuma lei pode falar com absoluta segurança do exato comportamento de um elétron dentro de sua órbita — é o princípio do indeterminismo de Heisenberg. As predições científicas estão baseadas em regularidades estatísticas e não em relações de causa e efeito. Não há, pois, nenhum preconceito contra a liberdade ou livre-arbítrio. A psicologia moderna, por sua vez, procura colocar o problema do livre-arbítrio e da liberdade considerando esta última como uma ausência de impedimentos externos, quanto ao movimento. Quer se trate de liberdade de palavra, de crença ou de ação, pode reduzir-se a esta definição. Nesse sentido, a liberdade é compatível com as necessidade. Por exemplo, a água escorre necessariamente montanha abaixo, quando nada impede o seu movimento e quando, por conseguinte, de acordo com a definição é livre. Por tal motivo, alguns a definiram como "a necessidade feita consciente". A liberdade não consiste em quebrar as regras e as normas constritoras, mas em aperfeiçoá-las de tal modo que impeça o menos possível os movimentos de qualquer natureza dos indivíduos. (Enciclopédia Barsa) 

4. LIVRE-ARBÍTRIO E FATALIDADE

De acordo com Allan Kardec, na pergunta 851 de O Livro dos Espíritos, a fatalidade não existe senão para a escolha feita pelo Espírito, ao encarnar-se, de sofrer esta ou aquela prova física; ao escolhê-la, ele traça para si uma espécie de destino, que é a própria conseqüência da posição em que se encontra. No tocante às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre-arbítrio sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder ou resistir. Observe que a palavra fatalidade aqui usada tem mais o sentido de determinismo do que de fatalidade propriamente dita. (Kardec, 1995, p. 314) Nesse sentido, o Espírito Emmanuel, nas perguntas 132 a 139 de O Consolador , retrata as relações entre o determinismo divino e o livre-arbítrio da seguinte forma: Diz-nos que esses dois termos coexistem na vida, sendo o primeiro absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo ampliando-se com os valores da educação e da experiência. É justamente essa ampliação do livre-arbítrio que dá ao ser humano as noções mais acuradas do que seja o bem e o mal, do justo e do injusto, no sentido de lhe ampliar as responsabilidades por suas ações em sociedade. Quer dizer, quanto mais sabemos, mais podemos saber, mas em contrapartida, mais aumenta o número de coisas que devemos evitar. (Xavier, 1977, p. 83 a 88)

5. LEI DE CAUSA E EFEITO OU LEI DA AÇÃO E REAÇÃO

O esquema da lei da ação e reação pode ser vislumbrado no seguinte esquema:

 

CAUSA (SOMA DOS ANTECEDENTES) = EFEITO (CONSEQÜENTE)

OU

CONSEQÜENTE = SOMA DOS ANTECEDENTES

 

Elemento importante: causa e efeito sucedem no tempo.

 

CAUSA + TEMPO = EFEITO

OU

SOMA DOS ANTECEDENTES + TEMPO = CONSEQÜENTE

 

Acontece que o tempo é irreversível.

Deste modo, não há semelhança qualitativa entre causa e efeito, mas apenas uma semelhança quantitativa. Querer reduzir efeito à causa é quantitativo. Esquecem-se os racionalistas de que essa igualização é apenas abstrata, e, se bem examinada, também não procede, porque há mutação qualitativa. Exemplo: H2+O = H2O (água). A água é qualitativamente diferente. O efeito é igual à causa apenas quantitativamente. (Santos, 1965)

6. SOMOS OS CONSTRUTORES DE NOSSO DESTINO

O ser humano, em cada uma de suas ações, está criando o seu próprio destino. O fato é mais ou menos intuitivo. Se escolho uma boa ação, crio um clima para mais boas ações no futuro; se escolho uma má ação, crio um ambiente negativo para outras ações no futuro. Nesse sentido, o fator educativo, que é a mudança de hábitos e atitudes, é de fundamental importância para modificar o determinismo de nossa ações futuras.

7. O CARMA

O termo "carma" merece destaque nesse estudo. Observe que sempre usamos essa palavra no sentido pejorativo: coisa má , sofrimento, pena, pagamento. Esquecemo-nos de que na sua etimologia sânscrita  significa o somatório dos méritos e dos deméritos de cada alma. Quer dizer, temos tanto ações boas como ações más armazenadas em nosso passivo espiritual. Relacioná-lo somente às coisas negativas é interpretar o fato erroneamente. Precisamos vê-lo dentro de um todo maior.

8. CONCLUSÃO

Exercitemos o nosso livre-arbítrio, porém ponderemos o móvel de cada uma da nossas ações. É possível que estejamos nos aprisionando, onde deveríamos estar nos libertando.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Enciclopédia Barsa. Rio de Janeiro/São Paulo, Encyclopaedia Britannica, 1993.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.

XAVIER, F. C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

 

REENCARNAÇÃO

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Reencarnação e Ressurreição. 4.Finalidade da Encarnação. 5. Justiça da Reencarnação. 6. Limites da Rncarnação. 7. Enfoque Científico. 8. Outros Tópicos. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é mostrar que a alma é imortal e ao corpo físico retorna quantas vezes for necessário.

2. CONCEITO

Reencarnação significa a volta do Espírito à vida  corpórea, mas  num  outro  corpo, sem qualquer espécie  de  ligação  com  o antigo. Usa-se também o termo Palingenesia, proveniente de duas palavras gregas — Palin, de novo; genesis, nascimento.

Metempsicose - do grego metempsykhosis, embora empregada no mesmo sentido da reencarnação, tem um significado diferente, pois supõe ser possível a transmigração  das almas, após a morte, de um corpo para outro, sem ser obrigatoriamente dentro da mesma espécie. Ou seja, a alma que atingiu a fase humana poderia reencarnar em um animal. Plotino (205-270 a. C.) sugeriu que se substituísse por metensomatose, uma vez que haveria na realidade, mudança de corpo (soma) e não de alma (psykhe) (Andrade, 1984, p. 194 e 195)

Ressurreição  - do lat. ressurrectione - significa ato ou  efeito de   ressurgir,   ressuscitar.   Segundo  o   Catolicismo   e   o Protestantismo, retorno à vida num mesmo  corpo.

3. REENCARNAÇÃO E RESSURREIÇÃO

A confusão entre o conceito de ressurreição e o de reencarnação é porque os judeus tinham noções vagas e incompletas sobre a alma e sua ligação com o corpo. Por isso, a reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição. Eles acreditavam  que um homem que viveu podia reviver, sem se inteirarem com  precisão da  maneira pela qual o fato podia ocorrer. Eles  designavam  por ressurreição  o  que  o Espiritismo,  mais  judiciosamente  chama reencarnação.

A  ressurreição segundo a idéia vulgar é rejeitada pela  Ciência. Se  os despojos do corpo humano permanecessem homogêneos,  embora dispersados  e reduzidos a pó, ainda se conceberia a sua  reunião em determinado tempo; mas as coisas não se passam assim, uma  vez que  os elementos desses corpos já estão dispersos e  consumidos. Não  se  pode, portanto, racionalmente  admitir  a  ressurreição, senão como figura simbolizando o fenômeno da reencarnação.

O  princípio  da  reencarnação funda-se, a  seu  turno,  sobre  a justiça divina e a revelação. Dessa forma, a lei de  reencarnação elucida  todas as anomalias e faz-nos compreender que Deus  deixa sempre uma porta aberta ao arrependimento. E para isso, Deus,  na sua  infinita bondade, permite-nos encarnar tantas vezes  quantas forem   necessárias   ao   nosso   aperfeiçoamento    espiritual, utilizando-se deste e de outros orbes disseminados no espaço. (Kardec, 1984, cap. IV, it. 4, p. 59)

4. FINALIDADE DA ENCARNAÇÃO

1) Expiação — Expiar significa remir, resgatar, pagar. A expiação, em sentido restrito consiste em o homem sofrer aquilo que fez os outros sofrerem, abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na vida espiritual.

2) Prova — Em sentido amplo, cada nova existência corporal é uma prova para o Espírito. A prova, às vezes, confunde-se com a expiação, mas nem todo sofrimento é indício de uma determinada falta. Trata-se freqüentemente de simples provas escolhidas pelo espírito para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de prova mas a prova nem sempre é uma expiação.

3) Missão — A missão é uma tarefa a ser cumprida pelo Espírito encarnado. Em sentido particular, cada Espírito desempenha tarefas especiais numa ou noutra encarnação, neste ou naquele mundo. Há, assim, a missão dos pais, dos filhos, dos políticos etc.

4) Cooperação na Obra do Criador — Através do trabalho, os homens colaboram com os demais Espíritos na obra da criação.

5) Ajudar a Desenvolver a Inteligência — a necessidade de progresso impele o Espírito às pesquisas científicas. Com isso a sua inteligência se desenvolve, sua moral se depura. É assim que o homem passa da selvageria à civilização.  

A encarnação ou reencarnação tem outras finalidades específicas para este ou aquele Espírito. Citam-se, por exemplo, o restabelecimento do equilíbrio mental  e o refazimento do corpo espiritual. (FEESP, 1991, 7.ª Aula, p. 73 a 76)

5. JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO

A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia da justiça de Deus com respeito aos homens de condição moral inferior; a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e é o que os Espíritos ensinam. (Kardec, 1995, pergunta 171)

6. LIMITES DA ENCARNAÇÃO

A encarnação não tem, propriamente falando, limites nitidamente traçados, se se entende por isso o envoltório que constitui o corpo do Espírito, já que a materialidade desse envoltório diminui à medida que o Espírito se purifica. Nesse sentido, o limite máximo seria a completa depuração do Espírito, quando o perispírito estaria totalmente diáfano. Mas mesmo assim, há trabalho a realizar, pois podem vir em missões para ajudar os outros a progredirem. (Kardec, 1984, cap. IV, it. 24, p. 67 e 68)

7. ENFOQUE CIENTÍFICO

O Dr. Ian Stevenson, Diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos da América, conseguiu catalogar cerca de 2000 casos, tendo publicado cinco livros versando sobre esses relatos. Em um de seus livros, o 20 Casos Sugestivos de Reencarnação, reúne 7 casos na Índia, 3 no Ceilão, 2 no Brasil, 7 no Alasca e 1 no Líbano.

O Método empregado pelo Dr. Ian Stevenson consiste em descobrir pessoas, principalmente crianças, que espontaneamente manifestem recordações. Na maioria dos casos espontâneos, os principais acontecimentos já ocorreram quando o investigador entra em cena.

Possíveis ocorrência erros:

1) tradução;

2) os registros no ato da transcrição das testemunhas;

3) as observações quanto ao comportamento do entrevistado;

4) falhas de memória por parte das testemunhas

5) Além disso, embora acreditem na reencarnação, as pessoas envolvidas adotam atitudes bem diferentes. Existe uma crença generalizada de que a lembrança de vidas pretéritas condena à morte prematura, e muitas vezes os pais usam de medidas enérgicas e mesmo cruéis, para evitar que uma criança fale sobre uma vida anterior.

Stevenson, em suas observações conclusivas, não opta com firmeza por nenhuma teoria como explanatória de todos os casos. Diz ele que alguns casos podem ser explicados melhor como sendo devido à fraude, à criptomnésia ou à percepção extra sensorial com personificação (talvez com misto de telepatia e retrocognição).

Complementando diz: "Na medida em que nos preocupamos com a evidência da sobrevivência, não nos sentimos obrigados a supor que todo caso sugestivo de renascimento deve ser explicado como um caso de reencarnação. Nosso problema é antes, saber se há algum caso (ou mesmo somente um) em que nenhuma outra explicação pareça melhor do que a reencarnação, na explanação de todos os fatos. (Stevenson, 1971, p. 506)

8. OUTROS TÓPICOS

O tema reencarnação, por ser amplo, comportaria vários outros tópicos, ou seja: planejamento da reencarnação, mapas cromossômicos, reencarnação na Bíblia,  encarnação nos diferentes mundos etc. 

9. CONCLUSÃO

A reencarnação fundamenta todo o nosso desenvolvimento moral e intelectual. Sem ela,  a existência física perderia a perspectiva de uma vida futura, o que nos levaria ao materialismo; com ela, todo o sofrimento encontra a sua explicação lógica, reacendendo, assim, a esperança num futuro mais promissor.

10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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São Paulo, Dezembro de 1995

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